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4. BULGULAR VE YORUM

4.1. Hayal Edilmiş Bir Gündelik Hayat

A Tabela 25 apresenta a quantidade de orientações de iniciação científica realizadas pelos doutores em contabilidade. Observa-se que as doutoras efetuaram 188 orientações e os doutores efetuaram 336 orientações. A média das mulheres foi maior que a dos homens sendo 3 para as mulheres e 2 para os homens. O homem que mais realizou orientações tem um total de 40 enquanto as mulheres têm um máximo de 23 orientações concluídas.

Tabela 25 – Quantidade de Orientações de Iniciação Científica

Orientações de Iniciação Científica

Doutoras Doutores

Soma 188 366

Média 3 2

Máximo 23 40

Nº Casos 58 214

Fonte: Elaborada pela Autora

O Gráfico 14 demonstra que os doutores são maioria nas orientações de Iniciação Científica com aproximadamente 66% se comparado às doutoras que representam aproximadamente 34%.

Gráfico 14 – Orientações de Iniciação Científica

A Tabela 26 mostra que a doutora que mais realizou orientações de Iniciação Científica foi a professora Nena Gerusa Cei com 22 orientações, seguida pela doutora Sirlei Lemes, com 17 orientações.

Tabela 26 – Quantidade de Orientações de Iniciação Científica – Doutoras

Pesquisadora

Orientações Concluídas de Iniciação Científica

Nena Geruza Cei 22

Sirlei Lemes 17

Marina Mitiyo Yamamoto 14

Ilse Maria Beuren 12

Mariana Simões Ferraz do Amaral Fregonesei 11

Total 76

Fonte: Elaborada pela Autora

A Tabela 27 mostra que o doutor que mais realizou orientações de Iniciação Científica foi o professor José Roberto Kassai, com 40 orientações, seguido pelo doutor José Dutra de Oliveira Neto, com 30 orientações.

Tabela 27 – Quantidade de Orientações de Iniciação Científica – Doutores

Pesquisador

Orientações Concluídas de Iniciação Científica

José Roberto Kassai 40

José Dutra de Oliveira Neto 30

Cesar Augusto Tiburcio Silva 21

Claudio de Souza Miranda 14

Total 121

Fonte: Elaborada pela Autora

A título de ilustração e a partir das informações compiladas nos Currículos Lattes seguem aqui apresentadas no Gráfico 15 as publicações desde 1978, contudo, vale ressaltar que esses artigos vêm sendo publicados em periódicos internacionais desde o ano de 1966.

Para efeito de comparação, optou-se por incluir no mesmo gráfico a evolução anual das publicações em periódicos dos doutores e doutoras.

Pode-se notar a concentração das publicações em periódicos até o ano 2002, onde a evolução até este ano não apresentou grandes alterações. Porém, as publicações apresentam um forte aumento entre os anos de 2003 a 2013.

No que diz respeito às publicações em periódicos, há um grande aumento no volume de publicações nesta década, sendo que este crescimento mostra-se mais acentuado nas doutoras.

Levando em consideração o número de publicações em periódicos neste período analisado, é importante ressaltar que o ano de 2013 se destaca com mais de 2000 artigos publicados em periódicos por doutoras.

Gráfico 15 – Evolução Anual das Publicações em Periódicos de Doutores e Doutoras

No Gráfico 16 observa-se a evolução das publicações em anais de congresso desde 1996, comparando doutores e doutoras.

Nota-se que até o ano de 1994 a evolução das publicações mostraram-se inexpressivas, porém, após este ano o número de publicações apresentou uma evolução muito acentuada para as doutoras, enquanto que para os doutores esta evolução mostrou-se bem menos expressiva.

Gráfico 16 – Evolução Anual das Publicações em Anais de Congressos de Doutores e Doutoras

Fonte: Elaborado pela Autora

Como foi possível verificar ao longo deste estudo as mulheres vêm galgando seu espaço no meio científico em Contabilidade e contribuindo significativamente para o desenvolvimento da Ciência Contábil.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho teve o objetivo declarado de mapear a atuação da mulher doutora em Contabilidade e aferir sua contribuição acadêmica, por meio de levantamento de sua produção científica, que foi alcançado com a apresentação das produções acadêmico-científicas. Os dados que permitiram este mapeamento foram obtidos da Plataforma Lattes analisados após tabulação.

Neste processo, observou-se um conjunto da ordem de 58 doutoras para 214 doutores. As mulheres doutoras em contabilidade correspondem, assim, no período pesquisado, a 21% da população de doutores em Contabilidade. Estes 21% de doutoras apresentaram produção em todas as áreas da atuação contábil.

Em relação à pergunta de pesquisa − sobre qual a produção científica feminina, das doutoras em Contabilidade objeto da pesquisa, como contribuição acadêmica em termos de orientação, publicação em anais, em congressos e livros? − obteve-se o quadro de uma produção diversificada, com a profissional contabilista atuando em pesquisa, publicando em periódicos acadêmicos de prestígio, e contribuindo com orientações desde pesquisas de Iniciação Científica até o Pós- Doutorado.

Para explicitar de maneira mais detalhada esse tema, o presente trabalho considerou, primeiramente, o referencial teórico e histórico do papel da mulher nos campos acadêmico e profissional da Contabilidade.

Assim, foram desenvolvidos os seguintes tópicos: Academia e Gênero enfocando a mulher e a vida acadêmica, a mulher na docência, as produções acadêmicas num contexto mais geral e depois mais amplo, mais especificamente, as produções científicas femininas, bem como a participação das mulheres no Diretório de Grupos do CNPQ. Foram apresentadas as abordagens feministas. Observou-se os aspectos históricos, enfocando o surgimento das Ciências Contábeis na história.

Após uma análise breve acerca da profissão contabilista das mulheres no século XX foram abordados os principais obstáculos e conquistas obtidas pela mulher no exercício da Profissão Contábil.

Nas principais conquistas, foram mencionadas as iniciativas organizadas pelo Conselho Federal de Contabilidade, que estão focadas na mulher contabilista.

Mostrou-se, brevemente, a importância na concretização da igualdade de gênero, a parceria firmada no âmbito econômico, social e político, bem como a importância do papel desempenhado pelo Departamento sobre o status da mulher (Department on the Status of Women), da cidade de San Francisco, na Califórnia (Estados Unidos da América). Tal departamento foi criado, como visto na presente pesquisa, para desenvolver programas orientados a promover os direitos humanos das mulheres, tendo em vista os princípios da Convenção das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres.

Analisou-se, também, a importância para a busca da igualdade de gênero do Departamento de São Francisco sobre o Estatuto das Mulheres, o qual elaborou os Princípios da Igualdade de Gênero, que têm por finalidade oferecer normas práticas para as empresas, tendo-se em vista a avaliação do progresso das suas questões fundamentais. Assim, explorou-se os princípios que as empresas devem adotar para desenvolverem a igualdade de gênero em suas companhias, sendo estes, sinteticamente, a eliminação da discriminação de gênero em áreas como remuneração, promoção, contratação e recrutamento; adoção de políticas que permitam o equilíbrio entre a vida profissional e apoio educacional, carreira e desenvolvimento profissional; utilização de políticas que asseguram a saúde, segurança e bem estar de trabalhadoras femininas; asseguramento da participação equitativa na gestão e administração; utilização de negócios, cadeia de suprimento e práticas de marketing; promoção da participação equitativa na vida cívica e eliminar todas as formas de discriminação e exploração; e, por fim, atuação das políticas que são divulgadas publicamente, monitoradas e executadas que exibem compromisso ativo de liderança de topo.

Finalmente, foram analisados os princípios trazidos pelo Comitê Gestor do PRME (Principles for Responsabilite Management Education), essenciais para o desenvolvimento da questão da igualdade de gênero. Explanou-se sobre os princípios fundamentais, quais sejam: o desenvolvimento das capacidades dos estudantes para serem as futuras gerações responsáveis pelo valor sustentável para empresas e sociedades em geral e para trabalharem por uma inclusiva e sustentável economia global; a incorporação nas atividades acadêmicas e curriculares dos valores da responsabilidade social global, conforme retratado em iniciativas internacionais como o Pacto Global das Nações Unidas; a criação de estruturas educacionais, materiais, processuais e ambientais que possibilitem experiências de

aprendizado eficazes para liderança responsável; a participação de pesquisas conceituais e empíricas que avancem nosso entendimento sobre função, dinâmicas e impacto das corporações na criação de valor social sustentável, ambiental e econômico; a interação com gestores de corporações de negócios para ampliar o conhecimento sobre seus desafios no cumprimento de responsabilidades sociais e ambientais e explorar abordagens em conjunto para enfrentar esses desafios; e, por fim, facilitação e apoio ao diálogo e debate entre educadores, estudantes, empresários, governo, consumidores, mídia, sociedade civil organizada e outros grupos e partes interessadas sobre questões críticas relacionadas com responsabilidade e sustentabilidade social global.

Verificou-se, ainda, no período pesquisado, um equilíbrio no número de profissionais masculinos e femininos registrados no Conselho Federal de Contabilidade. Este aumento da participação feminina é uma tendência social e espelha a necessidade de aproveitamento dos talentos, independente de segregações sociais, para a construção do saber no mundo contemporâneo.

Na última década cresceu substancialmente o número de mulheres que desenvolveram produções acadêmicas, é de suma importância em toda a ciência se ter um histórico deste fenômeno. Estébanez (2003) considera de suma importância em toda a ciência se ter um histórico deste fenômeno.

Ao analisar a pesquisa por sexo e faixa etária no Censo de 2010 do Diretório de Grupos de Pesquisa do Brasil verifica-se, conforme o Quadro 2, na página 33, que até a faixa dos 29 anos prevalecem as mulheres. Na faixa dos 30 aos 54 anos, tecnicamente há um empate e, a partir dos 55 anos os homens representam a maioria. Esta análise mostra que as mulheres estão ganhando cada vez mais espaço na academia e nas ciências.

Valorizando o aspecto que se deve transcender a questão de gênero, objetiva-se a atuação da mulher livre de rótulos. Surge, então, o profissional contábil homem e mulher com tarefas e oportunidades de realizações, conforme Santos (2006).

Uma pessoa bem sucedida deveria ser, antes de mais nada, uma pessoa feliz. As realizações levam ao crescimento humano, mesmo que isso implique em reconhecer limites humanos. Eu compartilho tais realizações porque os resultados positivos não foram obtidos somente por mim. Isto significa

que meus próprios erros são uma oportunidade de aprendizagem que me transformam e que me tornam, até, melhor. (SANTOS, 2006, p. 183)

Observou-se nesta pesquisa a tendência do número de mulheres profissionais contabilistas igualarem e, em breve, ultrapassar o número de profissionais do sexo masculino. Com isso cria-se um novo ambiente profissional moldado pela participação feminina com as características apontadas por Manzini (2003): maior precisão nos resultados, conseguindo fazer um melhor planejamento da carreira; uma visão diferenciada, trazendo uma diversidade no mundo dos negócios trazido pela ótica feminina; maior capacidade de trabalhar duro; maior capacidade de negociação somada à competência e habilidades técnicas. São menos corruptíveis que os homens.

Conforme o Quadro 1, na página 26 se pode verificar que o número de mulheres matriculadas no curso de Contabilidade nos últimos 3 anos ultrapassou as matrículas masculinas.

Igualmente, foi possível entender melhor, no capítulo das Teorias Feministas toda a dificuldade da inserção feminina no mundo dominador dos homens, conforme várias visualizações sócio-político-históricas que, pela própria complexidade, ressaltam as dificuldades encontradas pelo gênero feminino, e, muito mais, exaltam, por isso, as vitórias conseguidas com muito esforço, luta e dedicação, inclusive no âmbito da carreira contábil.

Ao longo deste estudo se compreendeu que as mulheres vêm galgando seu espaço no meio científico em Contabilidade e por meio de Produções Científicas, conforme demonstrado na Tabela 10, página 98, na qual se pode verificar que a média de artigos em periódicos é maior que a dos homens, o mesmo é demonstrado na Tabela 13, página 100, referentes a anais em congressos. Em relação à preparação de profissionais para o mercado de trabalho, verificou-se que as mulheres vêm, ao longo do tempo, contribuindo substancialmente por meio de orientações em Iniciação Científica (Tabela 26), Mestrado (Tabela 23), Doutorado (Tabela 20) e Pós-Doutorado (Tabela 19), demonstrando, desta forma e neste trabalho, que vem contribuindo significativamente para o desenvolvimento da Ciência Contábil.

A nova realidade profissional do contador com suas exigências de habilidades e competências técnicas, de negociação, de relacionamento, estabelecidas pelo Conselho Federal de Contabilidade como, por exemplo, o Código de Ética e também o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), têm na profissional contabilista o perfil adequado para o exercício da profissão.

LIMITAÇÃO DO ESTUDO

Em pesquisa realizada na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), que tem sido alimentada desde 2007, não foram localizadas teses ou dissertações sobre a mulher contabilista e seus aspectos acadêmicos em contabilidade, referentes às suas produções científicas, o que impossibilitou promover comparações entre os trabalhos.

RECOMENDAÇÕES PARA FUTUROS ESTUDOS ACADÊMICOS

Algumas recomendações são deixadas aqui como sugestões para a direção de futuros estudos acadêmicos, tais como:

- Análise da Produção Científica das Doutoras em Contabilidade mais ampla, em outros continentes como, por exemplo, nas Américas.

- Buscar conhecimento sobre os temas mais desenvolvidos e pesquisados pelas doutoras em Contabilidade.

- Diagnosticar uma tendência de temas futuros com base nas orientações efetuadas pelas Doutoras.

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