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DENİZ ULAŞTIRMASI İÇİNDE DÜZENLİ HAT DENİZ TAŞIMACILIĞININ YERİ

10 Wan Hai Taiwan Province Of China 69 113 532 Toplam (11 – 20) 2.436 7 622

1.2.2. Hatlar İtibariyle Dünya Denizyolu Taşımacılığı

O escritor Monteiro Lobato resumiu de maneira precisa, por meio de um dos seus personagens mais famosos – O Jeca Tatu, apresentado no conto “Urupês”, publicado originalmente no jornal O Estado de São Paulo, em 1914 – a decepção de uma parte da intelectualidade brasileira com o mundo rural e seu atraso técnico, suas doenças endêmicas e suas relações predatórias com a natureza. Ofereceu, assim, uma contraposição contundente à literatura regionalista paulista, que colocava o caipira como depositário verdadeiro e puro dos valores corretos e exemplares das populações rurais interioranas (RIBEIRO, 1993).

Em oposição ao caipira idealizado pela literatura regionalista, encontrava-se o caipira rústico e atrasado. Entretanto, o que foi representado inicialmente como um subdesenvolvimento atávico - fruto das explicações raciais que até pelo menos a década de 20 imputavam ao caráter miscigenado do povo brasileiro a responsabilidade pela miséria social – logo passou a ser explicado, com o abandono gradual das explicações cientificistas, como resultado e exemplo mais cruel da precariedade sanitária, educacional e social que assolava o Brasil.

Ao defender que o Jeca era fruto das condições históricas brasileiras – ele não era assim, estava assim - Monteiro Lobato confirmava a crença, muito difundida no mundo intelectual brasileiro de então, de que a educação, o sanitarismo e o progresso tecnológico tirariam a população rural da miséria, iniciando um processo de renovação social, política e econômica do

país, inserindo finalmente a nação no moderno mundo capitalista (LUCA, 1998; OLIVEIRA, 1998; RIBEIRO, 1993).

Os modos de vida e as técnicas agrícolas do caipira paulista não cabiam nos planos modernizadores dos grupos intelectualizados, ligados geralmente às projeções de avanço e progresso tão caras às realidades urbanas. Poucas vozes tiveram força para fazer oposição a esses brados, sendo uma delas a de Cornélio Pires, que denunciava, em seus escritos, tais generalizações como injustas e superficiais, pois escondiam a verdadeira simplicidade natural e ingênua das sociedades e do homem do interior de São Paulo (FRANCISCO, 2004).

A mudança explicativa para a existência do jeca – da racial para a sanitária-educacional – mostra de forma convincente o quanto a crença no poder transformador do conhecimento, da ciência e do progresso tecnológico influenciaram os discursos reformistas nas primeiras décadas do século XX. Não é de se estranhar que Monteiro Lobato tenha se entusiasmado tanto com os Estados Unidos, país em que viveu entre os anos de 1927 e 1931. Apesar de criticar alguns aspectos do modo de vida americano, Lobato espantou-se principalmente com os enormes investimentos nas áreas de tecnologia e cultura, que se mostravam na vida cotidiana por meio da rapidez e pontualidade dos meios de transporte urbanos – com destaque para os subways – no crescimento econômico das grandes cidades e na grande quantidade de bibliotecas públicas que tanto maravilharam o escritor, um defensor apaixonado e incansável dos livros durante toda sua vida (KOSHIYAMA, 2006).

Em meio a todo esse entusiasmo com os avanços tecnológicos e as novas propostas que buscavam uma transformação radical do Brasil, principalmente por meio de investimentos em larga escala na educação, na ciência e na medicina, pouco sobrou para os métodos, o conhecimento e o modo de vida das comunidades agrícolas tradicionais. Os chamados caipiras e seu universo adquiriram uma forte carga pejorativa, simbolizando o atraso brasileiro e carregando parte da responsabilidade, aos olhos dos adeptos dessas propostas modernizantes, pelo pouco desenvolvimento técnico e econômico das regiões agrícolas do interior.

Um dos resultados práticos dessa verdadeira campanha pela transformação das técnicas de plantio tradicionais, comumente designada pelos grupos letrados como o problema agrário

brasileiro, foi o fortalecimento no mercado editorial, a partir do início do século passado, de uma

série de publicações - principalmente almanaques e revistas – voltadas aos os fazendeiros e aos demais grupos ligados à economia agrícola nacional. Estas publicações traziam um vasto número

de temas de interesse geral do homem do campo, como dicas e sugestões sobre métodos de plantio, novos suplementos agrícolas ou anúncios de máquinas e equipamentos voltados para a produção rural. Entre 1912 e 1930, houve um aumento de 47,8% no número de títulos desses leitores, em uma demonstração inequívoca dos esforços empreendidos na tentativa de formação de uma nova agricultura, por intermédio dos projetos modernizadores que se difundiam entre diversos setores da sociedade brasileira (MARTINS, 2001).

A partir do Estado Novo Varguista, o desenvolvimento industrial tornou-se, de forma mais contundente, parte das estratégias nacionalistas do governo Federal, que enaltecia o progresso técnico como forma de desenvolvimento econômico e social. Houve, portanto, um incremento dos discursos modernizadores, sempre ansiosos pela inserção do país nas relações capitalistas internacionais (MORAES, 1994). Estas novas demandas econômicas acabam por aumentar as pressões sobre o mundo agrário, contribuindo para a modificação dos modos de produção agrícola.

Nessa perspectiva, Cândido (1975) mostrou como as transformações econômicas ocorridas no Brasil nas primeiras décadas do século XX – industrialização, êxodo rural, desenvolvimento dos meios de comunicação, incremento do modo de vida urbano –, acabaram por desestabilizar inexoravelmente as sociedades tradicionais caipiras do interior de São Paulo. Tais mudanças seguiram um caminho de potencialização crescente e que acabam por encontrar, na década de 50, no discurso desenvolvimentista do governo Juscelino Kubitscheck e em sua política industrialista, um momento de grande esplendor (FAUSTO, 1998).

Assim, cercado de inúmeras críticas pejorativas, os métodos produtivos praticados por grande parte dos agricultores brasileiros foram alvo de constantes ataques. É o que ocorreu em Arthur Orlando, que afirmou na revista do IHGSP,

Nosso problema é o agrário, e para sua solução não devem poupar iniciativa, com esforço, nem capital para os particulares, as associações e sobretudo o Estado, que devem curar a terra como o indivíduo trata do corpo (ORLANDO, 1908, p. 321).

Também o escritor Monteiro Lobato, em 1918, seguindo o mesmo raciocínio alarmista sobre as técnicas agrícolas brasileiras, criticava o pouco preparo do homem do campo em sua tarefa de tirar a riqueza do solo:

A agricultura pela moda aborigene, simples caça á fertilidade nativa da terra virgem, subsiste no Brasil como um tabu. O lavrador é um caçador de azoto que de machado ao hombro e isqueiro na mão caminha devorando mattas (LOBATO, 1918, p. 4).

Assim como Lobato, o sócio do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo Edmundo Krug, em um texto que relata uma excursão feita à região do Paranapanema em 1905, já fazia uma crítica aos moradores sertanejos da região, que

[...] nunca pensam no futuro, estragam as árvores para satisfazer uma vontade momentânea: quem vê fundos cortes na casca das mangabeiras, convencer-se-á, que em mais annos menos annos, todas as mangabeiras ahi existentes, sucumbirão devido a imperícia de extrahir o látex (KRUG, 1925, p. 433).

As críticas aos métodos produtivos tidos como arcaicos e pouco racionais podem ser consideradas ecos das campanhas efetuadas desde o século XIX pela modernização da lavoura brasileira. Merecem destaque os discursos empreendidos por José Bonifácio que, mantendo a postura fisiocrata do iluminismo português, atentava para a importância de se transformar o caráter predatório e irracional do latifúndio escravocrata por intermédio das técnicas agrícolas e do desenvolvimento científico (PÁDUA, 2002).

O desapontamento com a realidade da agricultura brasileira, que apresentava para Bonifácio um ritmo de transformação muito lento, marcou os seus últimos dias. Tal decepção parece ter se perpetuado nos discursos posteriores sobre o mundo rural do país.

Pouco mais de um século após a morte de José Bonifácio, encontramos, nas páginas da

revista do Arquivo Municipal, um exemplo do desânimo que marcou uma parte da

intelectualidade nacional em relação às baixas condições técnicas utilizadas por grande parte dos agricultores brasileiros. Publicado em 1942 e intitulado “Estudo para a agricultura dos sitiantes”, o artigo não deixa dúvidas quanto ao descompasso verificado entre os que observavam e os que praticavam a agricultura na região de Campinas:

A técnica agrícola usada pelo sitiante na agricultura é de um modo geral, bastante primitiva. O trabalho do solo, conforme pode-se facilmente deduzir pela quantidade e pela qualidade das máquinas de que dispõe, deixa muito a desejar. O uso do adubo é mínimo. O exterco é feito em 765 dos sítios, assim mesmo com grande ineficiência por falta de conhecimentos sobre o assunto e de instalações especiais. As culturas nunca são as mais lucrativas; não acompanham as mudanças que se processam de tempo em tempo, no valor dos produtos, como

mostra o fato de apenas quatro lavradores em noventa terem cultura de tomate. As variedades usadas nas culturas de milho, arroz, feijão, etc... ainda são as mesmas eu foram usadas por seus antepassados, não tendo nenhum deles adquirido do governo sementes melhoradas e apropriadas às suas condições. O espaçamento usado, incrivelmente grande. O combate às pragas e moléstias, nulo. Os pomares, muitos deles ainda plantados com mudas de pé franco. As criações são todas, sem exceção, constituídas de animais comuns, sem raça, e a sua alimentação feita conforme a natureza o permite na ocasião. A falta de técnica representa um desperdício do trabalho humano e das riquezas naturais do país (PAIXA, MELLO; 1942, p. 88).

Se a situação na região de Campinas, na época uma das mais ricas do Estado, era tão desoladora no que se refere ao desenvolvimento tecnológico da produção agrícola, pode-se supor que, em outras regiões paulistas, o quadro era muito pior. As vozes que criticavam as condições rudimentares da agricultura brasileira apontavam para o desenvolvimento da tecnologia agrícola como a forma mais correta e eficiente de melhorar a produção e tirar o homem do campo do estado de penúria e miséria em que efetivamente muitos se encontravam.

Os discursos indignados também apontavam que, além de todas as implicações sociais resultantes do chamado primitivismo técnico, havia também o desperdício de energia humana e das potencialidades naturais do território. É no sentido de superar tais problemas que, após apresentar uma panorama bastante pessimista sobre as condições da agricultura em uma das regiões mais importantes de São Paulo, Rui Miller Paixa e Maria D. Homem de Mello apontam literalmente como o caminho para a salvação da lavoura,

[...] fornecer instrução ao homem, geralmente sob fórma de conhecimentos sobre agricultura, pecuária, uso de máquinas, etc., para que possa melhorar a técnica empregada na agricultura [...] (PAIXA, MELLO; 1942, p. 88-89).

Desse modo, a descrença com o mundo rural do interior é substituída por uma luta obstinada por melhorias das condições técnicas no campo, a partir do desenvolvimento de máquinas, de investimentos em pesquisa e tecnologia agrícola, e de uma melhor formação educacional dos agricultores. Tais pressupostos são explicitados em um artigo publicado na

[...] tôda terra é produtiva. O deserto pode ser irrigado. Os pântanos se enxugam. A condição necessária é identificar o homem à terra, dar-lhe, onde quer que se situe, uma garantia de vida e desenvolvimento (MOREIRA, 1943, p. 72).

O aprimoramento da produção agrícola passava necessariamente pelo progresso técnico. As páginas dos jornais da região Noroeste estavam cheias de anúncios de sementes especiais e de novos adubos químicos prometendo resolver o problema de cansaço das terras. Em uma propaganda de sementes, a redação publicitária evidenciava o apelo aos novos métodos produtivos

[...] quando examinamos as condições de nossa agricultura, verificamos que plantamos pouco e mal... Abandonemos a rotina e aprendamos a plantar. Saibamos primeiro escolher ou preferir os melhores terrenos, assim como as sementes (A NOTÍCIA, 1935, s.n.).

A adubação do solo, muito mais que um luxo, tornava-se, cada vez mais, uma necessidade. A exploração indiscriminada e o pouco cuidado com a terra já haviam esgotado o potencial econômico de muitas regiões, como foi o caso do Vale do Paraíba, e o medo do mesmo se repetir era um apelo recorrentemente utilizado. Na revista O Século, de Catanduva, o autor aponta a adubação como um caminho sem volta para a manutenção da produtividade em São Paulo, após o esgotamento da fertilidade natural de muitas zonas agrícolas:

Alguns estudiosos patrícios indicam que está para encerrar-se esse ciclo de agricultura em solos virgens, para ter início uma faze subseqüente de exploração da terra cansada. Dentro dos limites de São Paulo, as atividades agrícolas perderão em bréve caráter transitório e ambulante em demanda de terras férteis para adquirir a estabilidade da agricultura, depois da monocultura do café. Imagina-se agora, depois da monocultura cafeeira, fazer-se as terras já exploradas retornar à agricultura, pelo emprego da mecanização agrícola, de adubo mineral e diversas técnicas culturais, que lhes dariam um novo ensejo de utilização econômica. Êsse quadro rural revela que São Paulo vae percorrendo etapa por etapa, todos os estágios que caracterizam a agricultura na maior parte dos países ocidentais (O SÉCULO, 1948, s.n.).

O desenvolvimento de fertilizantes e adubos tornou-se especialmente acessível a partir do final do século XIX, principalmente na Alemanha e Inglaterra. No começo do século XX, um dos fertilizantes mais utilizados era o guano do Peru e o nitrato de sódio do Chile. A partir da Primeira Guerra Mundial, as mesmas indústrias européias que produziram as armas químicas

usadas no conflito adaptaram suas potencialidades produtivas para a pesquisa de fertilizantes, adubos químicos e pesticidas (FURTADO, 2002). Em relação aos pesticidas, a descoberta do famoso DDT em 1874 por pesquisadores alemães, e de suas aplicações como inseticida e pesticida em 1939 - pesquisa que levou o inglês Paul Miller a ganhar o prêmio Nobel de Química - podem ser indicados como marco no processo de ligação entre a agricultura e a tecnologia química industrial.

O DDT foi, durante muitos anos, visto como a salvação para as grandes plantações monocultoras. Utilizado em larga escala em todo o mundo, teve impactos devastadores sobre o meio ambiente, e as denúncias sobre seus malefícios acabaram gerando um dos libelos dos movimentos ambientalistas, o livro Primavera Silenciosa, da bióloga norte-americana Raquel Carson (1964), publicado originalmente em 1962.

A questão dos defensivos agrícolas parece ter tido uma especial importância no Estado de São Paulo a partir do final da década de 1910, devido principalmente ao ataque da Broca do Café, que afetou - em momentos e em proporções diferentes –, plantações em todo o interior paulista pelo menos até a década de 1940, obrigando o governo, os institutos de pesquisa agronômicos e os próprios produtores a lançarem mão de todos os recursos possíveis para evitar esta praga dos cafezais.

Os anúncios dos jornais da região de São José do Rio Preto são um importante indício da verdadeira cruzada em prol da modernização do campo. Propagandas como as que se seguem apelam para as promessas de maior fertilidade e produtividade nas fazendas, o que certamente fazia sentido em um momento em que os solos já se encontravam no limite, após tantos anos de exploração sem os cuidados técnicos apropriados.

Figuras 24 e 25 – Os anúncios publicados na década de 1920 e 30 apelam para a necessidade da modernização rural, com promessas de maior rendimento nas plantações que certamente despertaram o desejo de muitos agricultores (Fonte: Jornal A Notícia).

Um pequeno artigo publicado na Revista do Brasil, reproduzido do jornal carioca O Paiz, da cidade do Rio de Janeiro, oferece também um exemplo da dimensão dada à temática do desgaste do solo e de sua recuperação por meio de novas técnicas agrícolas:

Nós, no Brasil, encaramos com assignavel displicência o problema do enriquecimento das nossas terras, por meio de adubos, recommendados pela técnica agronômica, fiados na feracidade dellas, sem pensarmos que as terras ainda servidas de húmus estão ficando longe, e que as outras, sucessivamente aproveitadas na lavoura, dão visíveis signaes de esgotamento. Por exemplo, as terras de café em São Paulo.

Urge que tenhamos uma comprehensão melhor das vantagens dos fertilizantes [...] (REVISTA DO BRASIL, 1923, p. 176).

Além dos adubos, fertilizantes e defensivos agrícolas, as máquinas eram as grandes aliadas do novo homem do campo que se queria formar. Os mais variados tipos são ofertados nas páginas dos jornais interioranos da região de São José do Rio Preto entre 1920 e 1950. Tratores, descaroçadores de milho, descascador de café, arados, e outros apetrechos sempre prometiam melhores resultados, como colheitas mais abundantes.

As promessas de extermínio da temível saúva, um dos grandes flagelos dos lavradores paulistas, também são comuns, se utilizados venenos e máquinas capazes de bombear grandes quantidades até os seus mais profundos esconderijos. Era o progresso tentando resolver todos os problemas do homem do campo, mesmo os mais antigos, como é o caso das formigas.

Figuras 26 e 27 – Os anúncios conclamam, na década de 1930, para uma verdadeira guerra contra a saúva. Na primeira figura, uma máquina que parece sair de uma obra de ficção científica promete exterminar os terríveis insetos em seu próprio habitat. (Fonte: Jornal A notícia, 1931).

Além da utilização de máquinas e equipamentos agrícolas, das sementes e dos diversos aprimoramentos em relação a sementes, fertilizantes, pesticidas e outros produtos, que demandavam fundamentalmente investimentos financeiros, a educação do homem do campo era também um componente primordial para a concretização das mudanças esperadas pelos intelectuais no âmbito da agricultura brasileira.