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Kaynak: Oelfke W vd (2002: 418)

4. FIATA Depo Belgesi (FWR-FIATA Warehouse Receipt); Nakliye müteahhitlerinin depolama işleri için FIATA tarafından düzenlenmiş bir belgedir

2.2.3. Düzenli Hat Eşya Taşımacılığında Nakliye Müteahhidinin Faaliyet Alanları

Durante a primeira república, a demanda por educação entre as populações rurais era baixa. Os sistemas de produção agrícola, mesmo em uma economia agro-exportadora, estavam fundamentados nos baixos salários e em métodos que exigiam pouco conhecimento formal. A pauperização da vida no campo constituía um desestímulo à educação dos pobres, além de nesta não representar uma forma de ascensão social potencialmente transformadora. Desse modo, entre o final do XIX e a década de 1920, as políticas educacionais se concentravam, sobretudo, na escola primária, a única freqüentada parcialmente pela população (SAVIANI, 2004).

Com o aumento dos discursos pela modernização e pela transformação das condições produtivas do Brasil, além do início efetivo da industrialização do país, ocorrem as primeiras tentativas de se estabelecer um sistema de ensino que contemplasse as novas demandas sociais. E é somente a partir do governo de Getúlio Vargas que vai se estruturar um sistema educacional propriamente dito, buscando responder às exigências construídas pela dinamização da economia.

Tal sistema deveria responder diretamente às necessidades de se constituir uma mão-de- obra mais qualificada, capaz de desempenhar as atividades ligadas à nova realidade econômica que se desenhava no país. Em outras palavras, a tentativa de desenvolver os sistemas educacionais, nas décadas de 30 e 40, eram respostas ao início do desenvolvimento capitalista- industrial brasileiro (SAVIANI, 2004; ROMANELLI, 1999).

Nesse período, dentre tantas inéditas propostas educacionais, o desenvolvimento do ensino técnico-profissional ganhava destaque. Entenda-se que o ensino técnico era uma forma de fornecer condições aos trabalhadores de se constituírem como mão-de-obra apta a desempenhar corretamente suas funções nas fábricas localizadas nos centros urbanos.

Na capital e no interior de São Paulo, o início de cursos profissionalizantes, nas áreas de mecânica, fundições, serviços elétricos, carpintaria e edificações, por exemplo, mostram como o

Estado tentou formar novos cidadãos-operários, aptos a exercerem suas novas atividades urbano- industriais. A própria fundação do SENAI, em 1942, pode ser entendida como um dos grandes exemplos desse esforço modernizador e transformador da mão-de-obra brasileira (MORAES, 2001).

Para tentar introduzir novas tecnologias agrícolas no mundo rural, os governos republicanos também passaram a se preocupar com o ensino agronômico, alvo de mais atenção a partir de 1910, quando foi criado oficialmente por decreto federal. Entretanto, pouco se fez nas décadas de 20 e 30 para o fortalecimento deste tipo de ensino no país, mantendo-se mais incentivos e atenção ao ensino técnico urbano então visto como o grande desafio para a modernização do país, em vias de industrialização (NAGLE, 1976).

Foi o Ministro da educação do governo Vargas, Gustavo Capanema, que colocou a educação técnico-agrícola dentro do sistema geral de ensino, contemplando prioritariamente as áreas de agricultura, horticultura, zootecnia, prática veterinária, indústrias agrícolas, laticínios e mecânica agrícola (ROMANELLI, 1999).

Esses cursos agrícolas buscavam proporcionar aprimoramento técnico ao homem do campo, inserindo-o nos novos planos modernizantes que se propagavam, cada vez mais, entre as elites brasileiras. Assim como nas cidades, o progresso também deveria chegar às zonas rurais. Em São Paulo, não só novas escolas agrícolas foram criadas, mas também as mais importantes -a de Campinas e a de Piracicaba - esforçavam-se oferecendo cursos especializados em suas sedes, além de enviarem técnicos dispostos a espalhar os discursos progressistas por todo o Estado, buscando contato e reuniões diretas com os produtores.

Ao analisar a região de Marília, na chamada Alta Paulista, Evarardo Vallim Pereira de Sousa explicitou, nas páginas da revista do Arquivo Municipal de São Paulo, a grande crença comungada pelos defensores da renovação da agricultura brasileira: a necessidade de se investir na educação do homem do campo.

Quanto à exploração agrícola, em sensível maioria acha-se ainda em fase rudimentar; feita braçalmente, sem econômica vantagem do emprego das modernas máquinas agrárias – verdadeiras fontes de imediata riqueza; todo o tempo porém é tempo para proveitoso combate ser dado à inconsciente rotina, proveniente da carência de generalizada instrução rural (SOUSA, 1945, p. 122).

A fé generalizada na educação do homem do campo a partir dos preceitos modernos, traduzida na luta pela utilização de máquinas agrícolas, adubação e rotação de terras, aplicação de defensivos na lavoura, explica a luta inclemente do jornal O Município, de Rio Preto, pela construção na cidade de uma escola rural35. É o que apontavam muitos artigos publicados pelo jornal da região, essencialmente agrícola, poderia ter seu potencial econômico multiplicado por intermédio da modernização do homem interiorano. Tal modernização se daria principalmente pela implantação das escolas agrícolas, onde os alunos “não aprenderão apenas a arte de tirar do solo a riqueza agrícola que ele pode dar, mas também seguras noções de administração e comércio” (O MUNICÍPIO, 1942, s.n.).

Os esforços para empreender uma organização moderna da agricultura passavam principalmente pelas iniciativas dos órgãos governamentais estaduais, mais próximos das necessidades e das demandas regionais. No período que compreende os primeiros cinqüenta anos do século XX, congressos agrícolas e agropecuários foram organizados, como O Primeiro Congresso do Ensino Agrícola do Estado de São Paulo, em 1910, ou o Primeiro Congresso Paulista de Pecuária, realizado em 1916. Além disso, Secretarias e Comissões foram criadas, como a Secretária Estadual de Negócios de Agricultura, Indústria e Comércio, de 1927, além de dezenas de diretorias, destacando-se a de Publicidade Agrícola, Florestal, Defesa Pastoril, de Pesquisas e Defesa contra pragas. Todas esses esforços tinham como objetivo organizar, transformar e racionalizar a produção rural no Estado de São Paulo (MARTINS, 1991).

Toda essa expectativa por mudanças que se traduziam tão claramente nos clamores expressos nas páginas de diversos jornais e revistas que circulavam naqueles tempos, concretizava-se nas fazendas modelos. Espécies de materialização desses sonhos modernizadores, representavam a busca de um ideal para o campo fundamentado nas projeções de propriedades rurais cercadas pelos mais novos avanços da tecnologia.

Em 1936, o jornal O Município publicou um artigo intitulado “Uma cidade dentro de uma fazenda”, expressando, de forma objetiva, o modelo de discurso que clamava pela reforma do campo nos mais recônditos cantos do Estado.

35 Apesar dos grandes esforços empreendidos na cidade de São José do Rio Preto, desde a década de 1940, o sonho

da instalação de uma Escola Prática de Agricultura no município não se concretizou. No terreno desapropriado originalmente para sua construção, em 1944, foi fundado um Instituto Penal Agrícola, durante o governo estadual de Jânio Quadros (ARANTES, 2001). Atualmente, o IPA é alvo de campanhas lideradas por várias associações de moradores e de membros do legislativo municipal, que pedem o fim de seu funcionamento na cidade.

Numa das melhores porções de terra do município de Rio Preto, abrangendo uma área de 300 alq. existe uma fazenda modelo chamada Brejinho.

Brejinho não é bem uma fazenda modelo. Seria melhormente (...) classificada fazenda cidade. Senão, vejamos.

Brejinho onde estão plantados 500 mil pés de café (...) É a fazenda toda ella iluminada a luz eléctrica. Tem água encanada em todas as secções, inclusive nas casas da colônia, que são até servidas de banheiros. Tem cinema, tem piscina, tem banda de música.

O leitor acha pouco? Mas ainda não dissemos tudo! Brejinho possue também a sua farmácia, uma serraria, uma oficina para serviços mecânicos, de carpintaria, de marmoraria, tulhas, estábulos, instalações telefônicas em todas as dependências, usina elétrica, máchina despolgadora, máchina de beneficiar café, salão para festas, escola etc. (O MUNICÍPIO, 1936, s.n.).

A fazenda descrita era de Francisco da Cunha Junqueira, secretário de Agricultura do Estado de São Paulo no ano de 1932, e que se localizava nas imediações do município de Rio Preto. Cercada de todos os apetrechos da modernidade, podia ser entendida como a própria materialização do mundo agrário idealizado por grande parte dos intelectuais que se debruçaram sobre os problemas e os desafios da economia agrícola brasileira.

Figuras 28 e 29 – Os congressos rurais buscaram abrir mais um caminho na tentativa de levar a modernidade ao campo, buscando equiparar as regiões agrícolas do interior aos sonhos progressistas das elites urbanas (fonte: Jornal A Notícia, 1948).

Monteiro Lobato vislumbrou essa transformação, fruto da adoção de reformas modernizadoras. Na história A Ressureição, o célebre personagem Jeca Tatu aparece renovado, agora dono de uma grande fazenda abastecida com eletricidade, máquinas e administrada sob uma lógica capitalista; além de curado pelos médicos. Esse novo Jeca abandonou a condição de símbolo do atraso agrícola brasileiro. Sai o caipira de cócoras, picando fumo e tomado por doenças e vermes, entra em cena o caipira moderno, patrão de vários empregados, dirigindo um

Ford e enriquecendo por meio da aplicação do progresso tecnológico no campo (RIBEIRO,

1993).

Esta projeção de futuro, exemplificada na história de Lobato – a de ver o mundo rural modificado pela racionalização tecnológica –, sempre enfrentou obstáculos de toda ordem (falta de planejamento político, dificuldades econômicas, pouco acesso à educação, políticas públicas desordenadas ou descontínuas, etc) e acabou por marcar as representações e as discussões sobre o mundo agrícola paulista, tanto na capital quanto no interior, na primeira metade do século XX.

Quadro 7 – Tecnologia no campo

Ano Número de tratores e arados no Brasil

1920 1.706 1940 3.380

1950 8.372

Fonte: IBGE, 2005.

Todos esses discursos pela modernização da lavoura acabam trazendo, ao longo do século XX, uma série de modificações nos processos produtivos, e transformaram – mesmo de forma lenta e inconstante – as zonas agrícolas brasileiras. Este aumento da mecanização nas propriedades agrícolas, como indicam os números do IBGE demonstrados no quadro acima, trouxe como conseqüência natural um incremento do potencial de intervenção do homem sobre o meio ambiente, transformando, de forma cada vez mais rápida, a paisagem das terras do interior paulista.

Resta lembrar que a agricultura, em grande escala, tem como uma de suas características a diminuição da diversidade ambiental. Espaços que antes eram ocupados por centenas de seres vivos são remodelados e simplificados, dando lugar a monoculturas ou a poucas espécies vegetais, produzidas de acordo com os interesses econômicos dominantes em cada momento. Esta realidade facilitou o alastramento de incontáveis doenças e pragas que, com o desenvolvimento da química moderna, passaram a ser combatidas por meio de pesticidas, que trouxeram, por sua vez, prejuízos inestimáveis aos ecossistemas atingidos (CROSBY, 2002; CARSON, 1964; DORST, 1995).

Quanto mais a agricultura se lançou rumo ao sertão, mais as marcas do homem ficaram impressas nas terras antes ocupadas pelas matas originais, constituídas por fauna e flora ricas e diversificadas. O domínio da natureza foi, portanto, uma marca presente no processo de desenvolvimento econômico do Estado de São Paulo, estendendo, na primeira metade do século XX, todos os seus braços em direção às regiões mais remotas do interior paulista (MONBEIG, 1984). As culturas do café, da cana-de-açúcar, da laranja, assim com a pecuária e todas as outras formas de produção e criação agrícola que se desenvolveram em terras paulistas, são testemunhas

e agentes da transformação que atingiu diretamente os diversos ecossistemas existentes no Estado.

As praças dominantes na paisagem central de praticamente todas as cidades que surgiram do processo de expansão agrícola paulista são representações da natureza domada, reconstruída e redimensionada pelo homem. Desde o século XVII, o desenvolvimento da jardinagem e do paisagismo na Europa constitui exemplo claro do esforço do homem em controlar o meio ambiente. As árvores e as plantas racionalmente organizadas e recolocadas por intermédio das demandas estéticas próprias de cada período mostram bem a humanização do espaço natural, e a busca por submeter o ambiente aos anseios e aos desejos das sociedades (SCHAMA, 1996; THOMAS, 2001). Assim, a praça central de Mirassol, abaixo reproduzida, representa, em seus desenhos simétricos, a materialização da nova ordem resultante do processo de colonização, que desorganizou os espaços naturais originais, recriando novas paisagens agora repletas das marcas inconfundíveis do traço humano.

Figura 30 – A foto da praça central da cidade de Mirassol, no final da década de 1920, evidencia o desejo de geometrizar e re-ordenar o mundo natural; a terra inculta e selvagem se vê reelaborada pelo gênio e pelo labor humano (Fonte: Álbum da Comarca de São José do Rio Preto, 1927/29).

Por todo o interior de São Paulo, a força econômica transformou o que, até meados do século XIX, era conhecido, em sua maioria, como terra desconhecida, em uma das áreas agrícolas mais importantes do país. E, nesse processo, boa parte da imensa diversidade natural existente foi consumida por técnicas de produção ineficientes, práticas agrícolas imediatistas, falta de empenho governamental, ou, simplesmente, irresponsabilidade e descaso com o meio ambiente. As riquezas naturais existentes anteriormente ao processo de expansão agrícola foram substituídas pela paisagem marcante da monocultura e da pecuária extensiva, e também de forma simbólica pelas pequenas praças centrais existentes em praticamente todas as cidades do interior. Nelas, uma natureza simplificada e palatável, pensada e elaborada em seus mínimos detalhes racionais geométricos, evidenciam o trabalho empregado nestes espaços naturais re-elaborados pelo homem, em que a natureza bravia e intocada torna-se somente uma lembrança distante para as populações que, durante décadas, dominaram e conquistaram o meio natural paulista.