• Sonuç bulunamadı

Em dezembro de 2006, o novo Plano Diretor entra em vigor, trazendo em seu conteúdo diversas alterações com relação ao primeiro. As modificações vão desde a estruturação do plano até a revisão de pontos fundamentais do planejamento, como o Macrozoneamento e o modelo institucional de gestão urbana. Diferentemente do primeiro Plano Diretor, que tinha quatro eixos (Títulos) que norteavam as propostas, o atual possui cinco, já que houve o acréscimo de um item específico relacionado às políticas setoriais. No primeiro plano, os conteúdos das políticas setoriais estavam todos concentrados nas diretrizes da intervenção pública. Com o acréscimo de um Título específico para este assunto, o novo Plano Diretor se estrutura nas seguintes partes (Títulos): I – Princípios fundamentais e objetivos; II – Ordenamento territorial; III – Diretrizes da intervenção pública; IV – Políticas setoriais; V – Instrumentos de implantação do Plano Diretor.

Os princípios e os objetivos permaneceram inalterados, mantendo, de forma integral, o texto da primeira versão. Com relação ao Ordenamento Territorial, quatro alterações foram realizadas. A primeira é a mudança do Macrozoneamento, com a criação da Zona Especial de Interesse Turístico (ZEIT), que compreende a região da Sub-bacia do Córrego Bela Vista – área limítrofe com a bacia da Pampulha – e a região de contribuição direta do reservatório de Vargem das Flores. A segunda alteração foi realizada na divisão das Áreas Especiais, instituindo-se dois novos tipos: as Áreas de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) e as Áreas de Relevante Interesse Comunitário (ARIC). A duas últimas alterações são pequenas modificações nos parâmetros dos instrumentos de política urbana.

Em relação às diretrizes da intervenção pública na estrutura urbana, há um acréscimo de três obras prioritárias que visam complementar o sistema viário, favorecendo a articulação espacial e o adensamento urbano116

. Neste eixo, outro adendo é o destaque dado à necessidade de se desenvolver uma gestão compartilhada com outras esferas de governo, objetivando a melhoria da articulação do espaço municipal com o espaço regional. A terceira modificação, que diz respeito à intervenção pública na estrutura urbana, é o destaque dado ao Distrito da Ressaca como uma região que se deve restabelecer a identidade como integrante da unidade

116 As três novas intervenções propostas são: a interseção do complexo viário Via Expressa de Contagem (Via Expressa Leste-Oeste) / Água Branca / Terminal Eldorado / Praça Itaú; a transposição da Rodovia BR – 040: ligação Água Branca – Morada Nova; a concepção e implantação do sistema de articulação viária interna e externa da Região do Bairro Nacional.

municipal e à Região do Bairro Petrolândia, onde deve ser fortalecido e requalificado o seu centro.

O eixo de políticas setoriais é uma das inovações do novo Plano Diretor. Essa parte do Plano contém um capítulo sobre o Desenvolvimento Econômico, outro sobre a Política de Turismo e, por fim, um capítulo sobre a Política Municipal de Habitação de Interesse Social. No primeiro capítulo, referente ao desenvolvimento econômico, houve o adendo de ações que visam favorecer a implementação das diretrizes enunciadas na Lei. A elaboração de um Plano de Desenvolvimento Econômico, a indução de um pólo de integração metropolitana na Região da Ressaca – considerando-se a existência da CEASA, a proximidade com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e com o Parque Tecnológico de Belo Horizonte –, a coibição à especulação imobiliária em áreas industriais subutilizadas por meio dos instrumentos de política urbana e a promoção de um centro de eventos de âmbito regional são as ações previstas no Plano Diretor para implementação das diretrizes de desenvolvimento econômico.

O capítulo referente à Política de Turismo, além de destacar o papel da represa de Vargem das Flores para indução do setor, prevê seis ações para o favorecimento deste tipo de atividade: a elaboração e implementação de um Plano Municipal de Turismo; a identificação das potencialidades e dos produtos turísticos de Contagem; o desenvolvimento do turismo de negócios; o apoio e promoção às manifestações culturais; a elaboração e implementação de um plano de requalificação da orla da represa de Vargem das Flores. A Política Municipal de Habitação de Interesse Social também é acrescida ao novo Plano Diretor. Neste caso, um conjunto de objetivos, princípios, diretrizes e instrumentos compõem o capítulo. O Plano Diretor determina, ainda, a elaboração do Plano Municipal de Habitação de Interesse Social, contendo: diagnóstico da situação habitacional do município e as diretrizes da Política Municipal de Habitação de Interesse Social.

Finalmente, no eixo referente à implementação do Plano Diretor, estão contidas as últimas modificações. Neste caso, houve a incorporação de dois instrumentos instituídos pelo Estatuto da Cidade relacionados ao combate e à retenção especulativa nas áreas urbanas, além da institucionalização do Conselho Municipal de Política Urbana (COMPUR) e do Sistema de Gestão Urbana Participativa.

A Operação Urbana Consorciada117

foi incorporada como forma de implementação das diretrizes do Plano Diretor. Assim, o município poderá, mediante leis específicas, delimitar

117 A operação urbana consorciada foi instituída por meio do Estatuto da Cidade, no ano de 2001. As formas de aplicação deste instrumento de política urbana e sua capacidade redistributiva têm sido amplamente discutidas,

áreas para aplicação deste instrumento com o objetivo de viabilizar intervenções que promovam a transformação urbanística, atingindo melhorias sociais e ambientais. O direito de preempção é outro instrumento instituído pelo Estatuto da Cidade que foi incorporado ao Plano Diretor de Contagem. Por meio de Lei específica, este pode ser executado para determinar a área em que o poder público terá preferência na compra do imóvel, desde que atenda a finalidade especificada na Lei.

Neste eixo, institui-se, também, o Conselho Municipal de Política Urbana (COMPUR), que tem por atribuição: I – convocar, quadrienalmente, a Conferência Municipal de Política Urbana; II – monitorar a implementação das diretrizes, normas e instrumentos urbanísticos contidos na Lei do Plano Diretor, sugerindo modificações em seus dispositivos; III – opinar sobre casos omissos na Lei do Plano Diretor, indicando soluções para eles; IV – convocar, pelo menos uma vez ao ano, a Plenária do Sistema de Gestão Urbana Participativa, composta por todos os membros dos conselhos setoriais urbanos; V – solicitar de uma ou mais instâncias setoriais que constituem o Sistema de Gestão Urbana Participativa pareceres sobre matérias diversas, quando for o caso; VI – designar, quando for o caso, grupos de trabalho incluindo a representação de uma ou mais instâncias setoriais que constituem o Sistema de Gestão Urbana Participativa para apreciar matérias afins; VII – elaborar seu regimento interno. O COMPUR, segundo o Plano Diretor, deverá ser constituído paritariamente entre o poder público e a sociedade civil.

Além do COMPUR, instituiu-se um capítulo específico para tratar da participação da sociedade civil na gestão urbana. O primeiro artigo trata do Sistema de Gestão Urbana Participativa, constituído pelas instâncias setoriais de participação de âmbito municipal e coordenado pelo COMPUR. Assim, participam da plenária deste Sistema: a Comissão Permanente de Uso do Solo, representantes dos Conselhos Municipais de Transportes, Meio Ambiente, Habitação, representantes das Unidades de Planejamento, além dos membros do próprio COMPUR.

assim como os efeitos contraditórios da utilização dessa modalidade de parceria público-privada. Para uma melhor compreensão deste tema, ver, dentre outros, Cota (2010).

4.3.2.4 O novo Plano Diretor e a conjugação de princípios e objetivos embrionariamente

Benzer Belgeler