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Hanlıkların İşgali Sonrasında Hindistan’ın Güvenliği ve Olası İstilası Üzerine

II. BÖLÜM

3.4. Hanlıkların İşgali Sonrasında Hindistan’ın Güvenliği ve Olası İstilası Üzerine

A pesquisadora Miwon Kwon é uma referência nas discussões em torno da relação entre arte, cidade e arquitetura, especialmente, oferece ricas contribuições acerca das produções artísticas que encontram na especificidade do lugar - na singular gramática de um sítio específico - os elementos constituintes de sua poética. Uma arte denominada como site-specificity ou simplesmente, site specific.

(...) a arte site-spe ifi à i i ial e teà to ouà oà site à o oà lo alidadeà eal,à realidade tangível, com identidade composta por singular combinação de elementos físicos constitutivos: comprimento, profundidade, altura, textura e formato das paredes e salas; escala e proporção de praças, edifícios ou parques; condições existentes de iluminação, ventilação, padrões de transito; características topográficas particulares (KWON, 1997 p. 167). Sua abordagem em torno do tema irá recorrer às transformações expressas no momento em que escultura passa a absorver seu pedestal ou base, elemento que demarcava sua exterioridade ao sítio específico, operação que a torna mais autônoma e passível de ser transportada. Situando a emergência dessas práticas ao início do minimalismo, no final da década de 1960 e início de 1970, num processo que dirigiria essas aç es,à adaà vezà ais,à fo al e teà dete i adaà ouà di igidaà po à ele [seu contexto a ie tal] à ibidem). Assim, se efetivaria como uma arte inseparável do local, do sítio.

O trabalho site-specific em sua primeira formação, então, focava no estabelecimento de uma relação inextricável, indivisível entre o trabalho e sua localização, e demandava a presença física do espectador para completar o trabalho (ibid).

Chama atenção a busca por uma relação diferenciada com o espectador, demandando outros sentidos e percepções na sua relação com a obra. Para além do contato visual, interessa o encontro entre seu corpo e o corpo da obra, incluído nele seu ambiente específico. Além disso, notamos ainda a referência ao hibridismo de linguagens como potência na criação desses trabalhos e, por fim, o entendimento dessas propostas artísticas como enfrentamento das dinâmicas mercantis que ditavam, de modo cada vez mais

acentuado, não só as práticas sociais, mas também operavam a mercantilização da arte. Temos aqui aspectos poéticos e políticos que dialogam com a perspectiva da experiência, da gramática da cidade (nesse caso, do site) e também da inscrição política dessas práticas, ambos, discutidos no capítulo II desta pesquisa.

Na sua abordagem do assunto, Kwon (1997), nos ajuda a percorrer, historicamente, os processos em que a noção de site specific foi se alargando. De início, essas produções guardavam forte enraizamento com o local, característica que pode ser exemplificada pela conhecida defesa do artista Richard Serra à natureza site specific de sua obra Tilted Arc, conforme citado pela auto a:à e o e dadaàeàp ojetadaàpa aàu aàlo alizaç oàespe ífi a:àaà Federal Plaza. É um trabalho site-specific e como tal não é para ser realocado. Removê-lo é destruí-lo à51. Essa primeira postura, que começaria a entrar em crise na década de 1980, conforma iaà essasà p ti asà aà u aà ideiaà deà p io iza à aà i sepa a ilidadeà físi aà e t eà oà t a alhoàeàseuàlo alàdeài stalaç o à idem, p. 168).

Numa segunda versão dessas práticas, destacariam produções fortemente influenciadas pelo pensamento contextual do Minimalismo e também propostas que procurariam intensificar a crítica aos espaços institucionalizados da arte, procurando revelar seus mecanismos ideológicos, numa abordagem crítico-institucional.

“e à espe ífi o àe à elaç oàaàesseàlo alà[site],àpo ta to,à àde odificar e/ou recodificar as convenções institucionais de forma a expor suas operações ocultas mesmo que apoiadas – é revelar as maneiras pelas quais as instituições moldam o significado da arte para modular seu valor econômico e cultural, e boicotar a falácia da arte e da autonomia das instituições ao tornar aparente sua imbricada relação com processos socioeconômicos e políticos mais amplos da atualidade (KWON, 1997 p. 169).

Nessa perspectiva, a materialidade de galerias e museus é o mote das proposições de uitosàa tistasà ueàp o u a oà e po àoà o fi a e toà ultu alàde t oàdoà ualàope a à ... àeà oài pa toàdeàsuasàfo çasàso eàoàsig ifi adoàeàoàvalo àdaàa te... à idem, p. 170).

U aàte ei aàve s oà esseà a poàe àe pa s oàdoàsiteàspe ifi àpassa à daà o diç o física da galeria para o sistema das relações socioeconômicas dentro das quais a arte e seu

p og a aài stitu io alàa ha àsuasàpossi ilidadesàdeàe ist ia à ibid.). Movimento que irá e fatiza à eà e volve ,à aà ideiaà deà site,à ta à asà di e s esà hist i as eà o eituais .à T a sfo aç esà ueài oàope a à u aàesp ieàdeà des ate ializaç oàdoàsite àeàta àaà p og essivaà desestetizaç oà eà des ate ializaç oà doà t a alhoà deà a te .à Ca i hoà esseà ueà levará as práticas de site em direção à ação, ao cotidiano, ao efêmero, à impermanência.

(...) a arte site-specific adota estratégias que são ou agressivamente antivisuais – informativas, textuais, expositivas, didáticas – ou imateriais como um todo – gestos, eventos, performances limitadas pelo tempo. (...) Nesse contexto, a garantia de uma relação específica entre um trabalho de a teàeàoàseuà site à oàest à aseadaà aàpe a iaàfísi aàdessaà elaç oà (conforme exigia Serra, por exemplo), mas antes no reconhecimento da sua impermanência móvel, para ser experimentada como uma situação irrepetível e evanescente (KWON, 1997 p.171).

Uma vez que o caminho apontado por Kwon sobre a prática site specific em direção à ação e ao seu caráter de impermanência se intensificaria até os nossos dias, a pauta temática passará a ser cada vez mais vinculada às questões da vida cotidiana, do mundo externo e menos da cosmologia dos espaços e questões especializadas e próprias do a ie teàdaàa te,à o a doàaàdivis oàe t eàa teàeà o-a te .à

Levando adiante as tentativas (às vezes literais) de levar a arte para fora do espaço-sistema museu/galeria (...) trabalhos contemporâneos que são orientados para o site ocupam hotéis, ruas urbanas, projetos de moradia, prisões, escolas, hospitais, igrejas, zoológicos, supermercados, etc., e infiltram-se nos espaços da mídia, como o rádio, o jornal, a televisão e a internet (ibid.).

Podemos perceber, nessa trajetória desenhada com a ajuda de Miwon Kwon acerca do conceito de site specific, que o modo como as práticas que se orientam por essa noção vão se transformando e se encaminhando rumo à vida pública, à trama urbana, suas potências sociais, históricas, políticas, etc. dialoga fortemente com as reflexões que temos tratado, até o momento, em torno da encenação no espaço urbano. Especialmente por ampliar a construção de sentido da ação para além da dimensão física do espaço, mas, também pelas especificidades que essa espacialidade, praticada pelos atores sociais, esconde e revela em diferentes camadas de discurso. Outra noção ressaltada nesse percurso

teórico apresentado é a ênfase no aspecto de irrepetibilidade e impermanência, também associado a essas práticas.

A pesquisadora coreana introduz ainda uma nova contribuição na leitura dessa prática, denominada de site discursivo, que seria gerado pelo trabalho.

Mas além dessa expansão dual da arte na cultura, que obviamente diversifica o site, a característica marcante da arte site-oriented hoje é a forma como tanto a relação do trabalho de arte com a localização em si (como site) como as condições sociais da moldura institucional (como site) são subordinadas a um site determinado discursivamente que é delineado como um campo de conhecimento, troca intelectual ou debate cultural (KWON, 1997 p. 171).

A noção de site discursivo parece estar associada a uma dimensão de efeitos/ desdobramentos/recepção em torno de um trabalho site-oriented. Desse modo, uma proposta artística pode conter, ao mesmo tempo, diversos conceitos de site. Um artista que se dedica a diversos trabalhos em torno de um tema, como por exemplo, à dinâmica da (homo)sexualidade, isso poderia ser considerado como uma espécie de site do seu trabalho52.

Isso não é dizer que os parâmetros de um lugar em particular ou instituição já não importam mais, porque a arte site-oriented hoje ainda não consegue ser pensada ou feita sem as contingências das circunstâncias institucionais e de lugar. Mas o site principal endereçado pelas manifestações atuais de site-specificity não está necessariamente amarrado a, ou determinado por, essas contingencias a longo prazo. Consequentemente, embora o site de ação ou intervenção (físico) e o site dos efeitos/recepção (discursivo) sejam concebidos para ser contíguos, eles são, todavia, afastados. (...) O primeiro la a e teà se veà aoà últi oà o oà fo teà ate ialà eà i spi aç o ,à es oà assim não sustenta com ele uma relação indicial. (Idem. p. 172, grifo da autora).

Identificamos acima que a(s) potência(s) ou forças específicas de um sítio na composição de sentido para uma proposta de site-oriented continuam fundamentais, todavia, o que se nota é uma ampliação ou multiplicação das possibilidades de site que se desdobram a partir dos discursos em torno dessa proposta. Kwon irá citar ainda a noção de

fu tio alàsite ,àp opostaàpo àJa esàMe e ,àna qual se destacam as dinâmicas que operam, e t eà sites,à u à siteà i fo a io al ,à se elha teà aoà flu oà deà ovi e tosà osà espaçosà eletrônicos/virtuais, que são experimentados de modo transitivo e não como simultaneidade sincrônica. Nessa perspectiva de transformação do site estaria presente um vetor em que se textualiza espaços e especializa discursos.

(...) agora o site é estruturado (inter)textualmente mais do que espacialmente, e seu modelo não é um mapa, mas um itinerário, uma sequência fragmentária de eventos e ações ao longo de espaços, ou seja, uma narrativa nômade cujo percurso é articulado pela passagem do artista (KWON, 1997, p. 172, 173).

Esse redimensionamento em torno da noção de site-specific nos possibilita leituras múltiplas de trabalhos que se realizam nessa orientação. A própria configuração de um aspecto absolutamente específico dentro de um trabalho artístico, como por exemplo, a necessidade de articular uma ação no horário exato em que toca o sino de uma catedral, pode iaà se à to adaà o oà ti e-spe ifi .à ál à disso,à os desdobramentos discursivos em torno dessas propostas, criando novos sites, parecem ampliar as possibilidades de impregnação da proposta no tempo e no espaço. Penso, por exemplo, que, caso algum dos trabalhos do Teatro do Concreto que serão analisados no capítulo seguinte se conformem de algum aspecto de orientação site-specific, isso significa que esta dissertação seria uma espécie de site discursivo desse outro site, anterior, que foi a ação artística, expandindo as reverberações dessa ação no tempo e espaço.

Outra questão que se apresenta, numa aproximação com a prática do grupo brasiliense, seria problematizar em que medida a Oficina Perdiz - onde foi encenado Diário do Maldito (2006) – por ser também conhecida como espaço cultural, se configura ou não como um site-specific. Problematizações que serão retomadas posteriormente.

A partir das questões apresentadas por Miwon Kwon, poderíamos seguir desdobrando diversos aspectos das práticas site-specific, porém, acreditamos que a configuração desse conceito até aqui discutida já nos possibilita novos instrumentais conceituais para a leitura e análise da prática do Teatro do Concreto. Seguiremos, assim, para os demais conceitos operativos que imantam esse espaço-narrativa.