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1982 SONRASI KAPATMA KARARLARI VE DEMOKRATİKLEŞME

YÖNELİK ETKİ VE SONUÇLAR

3.2.2. Avrupa İnsan Hakları Mahkemesi Kararları ve Militan Demokrasi Yönünden Değerlendirilmes

3.2.2.2. Avrupa İnsan Hakları Mahkemesi’nin Siyasi Parti Kapatma Kararları

3.2.2.2.9. Halkın Demokrasi Partisi Davası

Desde a década de 1930, sob influência de autores como Manoilesco (autor de O

Século do Corporativismo, editado no Brasil em 1938), já surgira um embrião do futuro

nacional-desenvolvimentismo de Vargas. Constatava-se, então, o “intercâmbio desigual” no comércio internacional entre os países exportadores de matérias-primas e os industrializados.

Essa constatação [dos intercâmbios desiguais] influenciou enormemente as novas elites, induzindo-as à inevitável correlação [...] entre organização e industrialização [no que se funda] as origens do nacionalismo desenvolvimentista [...] Azevedo Amaral, quem elaborou o prefácio e traduziu o livro de Manoilesco, foi dos primeiros a compreender [...] a necessidade de trocar o modelo econômico do sistema agro- exportador, liberal, com olhos para o exterior, por [um modelo] de desenvolvimento industrial, autônomo, com visão para dentro [Assim a] influência de Manoilesco alcançou também o centro das indústrias de São Paulo e líderes como Roberto Simonsen (Aspásia CAMARGO, 1996, p.322).

Para a autora citada, as idéias de Manoilesco exerceriam grande impacto sobre a obra de Prebisch, extrapolando, pois, os anos de 1930, para projetar-se sobre a economia da

América Latina do pós-guerra, através da CEPAL. Em linhas muito genéricas, os textos da

CEPAL consideravam que a importação de tecnologia à industrialização implicaria a geração de divisas através do incremento das exportações – desde que, em sua pauta, adquirissem cada vez mais peso, os produtos manufaturados. Nessa reorientação do eixo econômico nacional, antes voltado para fora, fundado no setor agro-exportador, o capital estrangeiro haveria de atuar como poupança externa, cuja necessidade seria decrescente, até que o Brasil atingisse uma capitação de recursos – e tecnologia – suficiente para se auto-impulsionar (MANTEGA, 1985, p.39-40). As teses da Comissão voltavam-se para uma retórica de mudanças estruturais na sociedade brasileira, destacando, em seu discurso, a importância de redefinir a estrutura e a produtividade agrária, elevar os patamares salariais das classes trabalhadoras, catalisar o processo de urbanização do país (confundido, muitas vezes, como sinônimo de progresso e desenvolvimento, quando significava, na realidade, a liberação de mão-de-obra do campo para as atividades mais voltadas ao setor secundário), destacar o

2 No período em questão, “a integração do território foi usada como um recurso simbólico para a construção do

Grande Brasil e, neste contexto, a ocupação da Amazônia tornou-se prioritária. Em outras palavras, as políticas para a integração do território visaram à remoção dos obstáculos materiais e ideológicos à expansão capitalista” (BECKER, EGLER, 1994, p.144).

apelo ao capital estrangeiro para promover a industrialização – principalmente sob forma de empréstimos – e, ainda, buscar conduzir o “desenvolvimento nacional” por meio da coordenação do Estado; metas que, em síntese, constituiriam, pois, o desenvolvimento (CARDOSO, 1995, p.15-16; MARTINS, 1993, p.24).

O que hoje parece bastante evidente foi, na década de 1950, uma postura inovadora, sintetizada, pois, na constatação das desigualdades do modo de produção capitalista nos países periféricos e naqueles industrializados; do que se consubstanciou, justamente, a elaboração teórica do conceito de subdesenvolvimento, do qual as teorias desenvolvimentistas propuseram-se a fazer, basicamente, duas linhas de interpretação (a partir das quais se observariam outras nuanças): uma análise “faseológica” desse fenômeno e outra, que o interpretava como uma “etapa não necessária” na formação das economias capitalistas. Apesar de a orientação teórica sustentada por uma visão bastante teleológica ser muito mais clara entre a primeira linha de interpretação (Francisco de OLIVEIRA, 1977, p.11), tanto uma quanto outra nutriam uma idéia segundo a qual o subdesenvolvimento era resultado da persistência de um capitalismo inacabado, e não de suas próprias contradições (MANTEGA, 1985, p.42).

Conforme Cardoso; Faletto (1970, p.91), “A expressão econômica dessa situação social manifesta-se através das políticas de consolidação do mercado interno e de industrialização”. O incremento da população urbana não foi acompanhado pelo aumento proporcional da oferta de empregos gerados pela industrialização, formando-se, ao invés,

sociedades urbanas de massas baseadas em economias insuficientemente industrializadas.

Essa conjugação entre a presença das massas e a gênese de uma economia industrial diferenciada deu suporte ao período inicial do chamado desenvolvimento para dentro. Foi quando tomou corpo a política de substituição de importações, com o aproveitamento e incremento da base produtiva para atender à demanda interna de bens de consumo e bens intermediários, devido especialmente à carência de divisas e também às dificuldades de importação. Sobretudo a partir da década de 1950, formam-se outros tipos de vínculos de dependência externa a prenunciar o controverso “esgotamento” e a entrada em um novo ciclo de substituição de importações. Aportaram, pois, investimentos estrangeiros feitos nos setores orientados para os mercados internos dos países subdesenvolvidos, trazendo outras limitações – e outras possibilidades – ao desenvolvimento.

Mas o tom de alarme, acerca da estagnação da economia brasileira, no início da década de 1960, relacionou-se, mais do que a uma crise econômica estrutural, a uma

conjuntura que, em termos políticos, correspondeu aos limites do populismo3. Tais demarcações proporcionaram a passagem de um modelo mais ligado ao desenvolvimentismo, em voga na década de 1950, para o modelo de desenvolvimento “associado-dependente”, sobretudo, na medida em que há um esgotamento do processo de substituição de importações, o qual passava a exigir outros arranjos políticos (CARDOSO; FALETTO, 1970, p.107).

Na síntese de Paul Singer (apud MANTEGA; REGO, 1999, p.68), para além da simples idéia de exploração dos países periféricos pelos centrais, haveria confluências e divergências de interesses entre as classes dominantes nos países ricos e pobres, atestando um relacionamento desigual, permeado por tentativas das elites do “terceiro mundo” em obter o máximo possível de vantagens dessa relação, daí se falar, por exemplo, em desenvolvimento desigual e associado. Se no período de formação do mercado interno ainda poderia haver relações mais ou menos estáveis entre nacionalismo e populismo, à medida que houve uma diferenciação da economia capitalista ocorreu, igualmente, uma crise dos grupos populistas em um momento que antecedeu à ascensão de uma organização política representativa de outras parcelas das classes dominantes (CARDOSO; FALETTO, 1970, p.114), ou seja, da fração que apoiaria ou participaria do golpe militar de março de 19644.

O “manejo do território” associado à difusão de crescimento, por exemplo, respondia a um período de expansão econômica tipicamente fordista (BENKO, 2002, p.153/157), no qual o próprio processo de modernização da economia mundial passava por uma seletividade espacial do capital. Combinou-se, pois, à instalação das transnacionais em determinados países, algumas condições internas muito relacionadas ao autoritarismo. Tratava-se de uma nova relação de dependência (sobretudo, em relação aos EUA), na qual países marcados por um “atraso” no processo de industrialização foram envolvidos por um

3 Poder-se-ia considerar – dentre uma gama de análises – o populismo como o bloco histórico (ou seja, um

processo de articulação entre classes sociais – falando-se aqui, sobretudo, das classes trabalhadoras, cujas pressões foram justamente o mecanismo que pôs em xeque a práxis populista – sob um certo consentimento de um grupo dominante) “dentro das condições particulares do Brasil”, nas quais se percebia “a integração e a articulação de diferentes classes sociais sob a liderança de um bloco de poder oligárquico-industrial” (DREIFUSS, 1981, p.40-43).

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Segundo Octávio Ianni, sendo as práticas populistas o instrumento através do qual, no Brasil, as “massas” tiveram maior participação na vida política do país, sobretudo, no 2º governo Vargas e no governo JK, conforme se exasperam suas reivindicações – as quais põem dilemas aos próprios governos populistas, em si contraditórios, como os de Jânio Quadros (um líder udenista) e João Goulart –, os setores dominantes reagem, não só cooptado as classes médias, mas, principalmente, ajustando e aprimorando suas relações de dependência, no clima da Guerra Fria, com os EUA, o que se efetiva plenamente após o golpe (IANNI, 1968).

processo, que se consolida nos anos 60, de exploração de capitais e controle direto da mão- de-obra. Ora,

[...] isto implica a reprodução das relações de produção capitalista no próprio seio dos países dependentes, onde, de um modo crescente, a força de trabalho é subjugada e corresponde, ao mesmo tempo, a uma prodigiosa socialização dos processos de trabalho e a uma internacionalização acentuada do capital em escala mundial (POULANTZAS, 1976, p.12).

Como conseqüência, houve a emergência, nesta relação centro-periferia, de uma nova fração da burguesia, cuja relação de dependência para com o capital internacional deu-se de acordo com uma “articulação estrutural” de interesses de classes nas economias centrais com as classes dominantes locais (CARDOSO, 1995, p.19; POULANTZAS, 1976, p.35). Política de industrialização, com concentração e centralização de capitais, e alto grau de dominação e exploração das massas populares pelas classes dominantes internas e externas deram o tom da modernização em regimes autoritários. Ora, essa característica pôde ser notada à medida que o capital estrangeiro valeu-se da situação interna autoritária, marcada pela repressão sobre a classe operária e as massas (POULANTZAS, 1976, p.22).

O esgotamento do modelo político praticado de Vargas a Goulart (mesmo que ainda disfarçado pela euforia desenvolvimentista), a inflação (com conseqüente desestímulo à formação de poupança e a investimentos de longo prazo), o endividamento e as dificuldades no balanço de pagamentos do país haviam posto a descoberto a pequena possibilidade de os governos de Jânio Quadros e João Goulart continuarem conciliando ideologia nacionalista e imposição do “capitalismo associado”. Mais precisamente, se houve um esgotamento político em sustentar o desenvolvimentismo, tal como praticado até então, essa mesma forma, como foi alimentado no Brasil o boom industrial, apontaria conseqüências e mudanças que seriam implementadas e recicladas pelos governos militares. Ora, tal situação evidenciava, na confirmação de um modelo dependente, o qual ganharia força a partir de 1964, a problemática questão, no Brasil, de uma lógica capitalista utilitária – tal qual deveria se consolidar no país – com os traços oligárquicos predominantes no país (a idéia de que, mesmo as práticas desenvolvimentistas mais “progressistas”, jamais teriam deixado de lado um certo autoritarismo).

Para Martins (1993, p.22-23), o próprio desenvolvimentismo acentuaria traços autoritários particulares à “experiência cultural e patrimonial brasileira”. Se esse pacto apresentava sua porção inovadora, continuaria, em certo sentido, sendo uma experiência permeada por um processo autoritário e excludente, pois “dependente das ações de um

Estado onisciente, que dispensava a participação [das classes trabalhadoras em geral] na definição dos ideais [de] cidadania [e] modernidade”.

Não se pense que, necessariamente, as diversas correntes desenvolvimentistas encastelavam-se em pólos contrapostos5. O sentido de intervencionista abrangia desde monetaristas e autoritário-modernizantes (Gudin, Campos, Simonsen) até estruturalistas (BIELSCHOWSKY, 1996, p.137; LOUREIRO, 1997; RICHERS, 1975, p.109-111; SAES, 2006)6. Ao invés, a defesa do intervencionismo muitas vezes não significaria mais que um programa estatal para otimizar o capital privado, reservando-se ao Estado o papel de financiador apenas de setores econômicos não lucrativos para a iniciativa particular ou considerados estratégicos – ou de “interesse nacional” (MANTEGA, 1985, p.203). Ainda mais: seria apressado associar de forma estrita os liberistas à direita e os intervencionistas à esquerda. Para além dessa simples e suposta dualidade, apresenta-se uma problemática que pode, ao menos, ser previamente elucidada no entendimento de como se deu, num espectro político mais ou menos amplo, a tentativa de aproximação e “adaptação” ao contexto nacional, das teses econômicas clássicas, keynesianas (que justificariam a intervenção estatal) e marxistas (na retórica do subdesenvolvimento como conseqüência do imperialismo). Como salienta Martins (1993, p.28),

[...] a falta de uma economia de mercado dinâmica e [...] a inexistência de classes sociais economicamente significativas – de uma burguesia inovadora e de um proletariado reivindicativo – eram evidências que enfraqueciam o uso prático das teorias européias na modernização econômica das nações pobres do continente americano. Logo, os paradigmas originais da economia política – tanto marxistas como liberais – tinham seus usos práticos comprometidos na América Latina por uma simples variável: aquela de um contexto sócio-histórico diferente do europeu ou norte- americano.

Deve-se lembrar que as teses surgidas a partir dos anos de 1960, revisando pontos essenciais do modelo de substituição de importações, inserem-se em um contexto de perda de eficácia dos modelos de inspiração keynesiana. Se, por um lado, a bases