BÖLÜM 1: İNSAN DOĞASI VE AHLAK
1.1. Hakikat ve İfade
1.1.3. Hakikati İfade ve Ahlak
A seguir será apresentada uma síntese das conclusões geradas por este estudo, as quais encontram-se dispersas ao longo dos capítulos anteriores. Em seguida serão feitas algumas observações que se mostraram pertinentes, considerando-se a revisão teórica e a pesquisa empírica realizada.
Esta dissertação teve o objetivo levantar quais práticas de Responsabilidade Social Empresarial estão sendo adotadas em empresas do setor citrícola, no Estado de São Paulo, bem como tentar justificá-las no âmbito das organizações estudadas. A análise baseou-se em estudos de caso exploratórios em três atores importante da cadeia produtiva do setor.
Verificou-se que no setor citrícola paulista existem profundas diferenças quanto ao poder, ação e articulação de seus atores. Existe uma grande concentração no setor, onde atores com maior poder de barganha ditam as regras e as normas que irão norteá-lo deixando os demais atores sem muita condição de agir.
As atividades de responsabilidade social realizadas pelas três empresas pesquisadas são isomórficas bem como, as atividades realizadas pelos produtores rurais. Como
não poderia ser diferente, as associações seguem a linha de ação dos seus representados, mas aqui entra em pauta outra particularidade do setor, a ação das associações.
A pressão sofrida pelas empresas com relação ao uso de trabalho infantil se configurou como um elemento importantíssimo do ambiente institucional, o que acabou por nortear as ações das empresas processadoras de suco concentrado e congelado do setor, ou seja, este elemento do ambiente institucional determinou diversas ações das empresas desde a escolha do público-alvo, os projetos até mudança no contrato de compra e venda. No entanto, esta pressão não irradia para os citricultores. O que confirma uma proposição deste trabalho, relativa a adoção pelas empresas de práticas de RSE de acordo com o ambiente institucional em que estão inseridas.
Segundo o novo institucionalismo as instituições importam e determinam ações. No caso do setor Citrícola a Responsabilidade Social Empresarial tornou-se uma instituição importantíssima para a atuação das empresas frente a seus clientes externos. Estes se configuram como sendo a única pressão sofrida pelas empresas quanto a sua atuação, uma vez que no ambiente de concentração como se encontram não demanda maiores pressões a estas.
De modo geral, a razão deste trabalho foi pesquisar a responsabilidade social empresarial dentro de um setor especifico, partindo do pressuposto que ambientes diferentes apresentam situações também diferentes, mas ao realizar os estudos de casos pode-se perceber que apesar das demandas do setor como um todo, existem também demandas particulares de cada segmento, ou seja, as empresas do mesmo segmento respondem às mesmas pressões, por isso respondem da mesma maneira, conseqüentemente, apresentam ações isomórficas. No entanto, dentro do setor as empresas apresentam ações muito diferenciadas, o que mostra que as
ações de responsabilidade social demandam pelos atores são ações diferentes, e que não existem modelos de atuação, ficando cada empresa livre para atuar a sua maneira.
Pode-se dizer que as políticas de RSE têm ênfases diferentes para os atores de cadeia citrícola. Para as empresas processadoras de suco o foco de atuação é o público interno e relações com clientes. Já os citricultores focam sua atuação orientada apenas para a RSE no público interno.
Percebeu-se que a responsabilidade social das empresas está sendo caracterizada como mais um custo de produção, não para ganhar mercado, mas para não perdê-lo. Neste caso, a Responsabilidade Social Empresarial não se caracterizaria como um valor relacionado a moral/ética, mas como uma estratégia organizacional.
As ações de RSE assumindo a posição de estratégia organizacional deixa sua característica de somente altruísta e passa, em certa medida, a ser uma posição oportunista, o que não exclui seus pontos positivos para as pessoas beneficiadas, tampouco para as empresas.
Durante as pesquisas percebeu-se que os projetos sociais são realizados pelo departamento de recursos humanos, estes foram se apoderando das funções ou aceitando as novas atribuições, mas o que se nota é que por essa razão as ações de responsabilidade das empresas são um prolongamento das ações já realizadas pelo departamento ao longo de sua existência. A diferença é que agora são atividades que envolvem a comunidade. Apesar das novas atribuições o quadro de funcionários do departamento não sofreu nenhuma alteração nem com a relação às suas remunerações, mas adquiriu importância dentro da estrutura organizacional das empresas pesquisadas.
Assim, o departamento de RH elabora, coordena, supervisiona e dá suporte (quando necessário) a outros setores, unidade ou parceiro para o desenvolvimento das práticas
(atividades, programas ou projetos) de RSE das empresas, o que confirma a proposição inicial de que dentre os atores organizacionais, a área de recursos humanos tende a se apropriar das iniciativas de RSE como forma de procurar se reposicionar positivamente frente às demais áreas funcionais das empresas.
Em todas as empresas a liderança é considerada fator fundamental para o engajamento social. Portanto, o envolvimento da alta direção mostra-se como essencial para o desenvolvimento da responsabilidade social empresarial.
Questões relacionadas ao meio ambiente não foram comentadas durante as entrevistas, a exceção de C3. Dessa forma, pode-se entender que a temática ambiental não pressiona o setor de citrus da mesma forma que questões relacionadas ao uso do trabalho infantil.
A postura pautada nas questões sociais está relacionada às crenças e valores de seus fundadores e são transmitidas pela cultura organizacional em todas empresas, bem como em todos os citricultores.
Nas falas dos entrevistados pode-se notar que há pouca influência entre os atores no tocante às atividades sociais. A maneira de gerir da empresas processadoras de suco não afeta diretamente a atuação das propriedades rurais. Apesar das primeiras declararem exigir de seus fornecedores uma atuação consistente com relação às questões sociais, os citricultores não parecem ‘perceber’ isto. Talvez isto seja provocado pela concentração existente no setor, o que acaba por criar ambientes diferentes e forma de agir também diferentes de cada ator, contrariando um pouco a proposição de que as atividades tendem a ser isomórficas em todo o setor. Percebe-se que são isomórficas dentro de cada segmento do setor, ou seja, as ações sociais realizadas pelas empresas processadoras de suco são isomórficas, mas essas não semelhantes as
atividades realizadas pelas fazendas, ações que por sua vez são isomórficas somente dentro das fazendas.
Por fim, os ganhos com as ações de responsabilidade social são algo percebido, também, de forma diferenciada entre os atores. Para as empresas processadoras de suco se ganha com imagem, relação com funcionários, clientes e fornecedores, retenção e atração de talentos e gestão de riscos. Não se percebem ganhos com relação a novos nichos de mercado, receita e qualidade dos produtos.
Pode-se concluir que as ações de responsabilidade social adotadas são ações adaptativas às pressões sofridas. No entanto, a Responsabilidade Social Empresarial adotadas pelas empresas e fazendas no setor está em diferentes fases. Tomando por base a classificação de Sethi (1975) os citricultores se encontram numa fase no que se pode chamar de primeira fase. Já as empresas processadoras de suco estariam saindo dessa fase e se aproximando da chamada Responsabilidade Social Empresarial, pois aceita e acata a limitação e critérios legais e de mercado, mas considera outras variáveis, como a avaliação da performance social.
Pode-se concluir, ainda, que as ações relativas a Responsabilidade Social Empresarial das empresas e fazendas pesquisadas podem ser caracterizadas como sendo ações filantrópicas, pois não existe uma preocupação em avaliá-las, seja no tocante ao público-alvo, seja nos retornos para as empresas, diferença básica entre filantropia e Responsabilidade Social Empresarial.
QUADRO 7.1–RESUMO DOS RESULTADOS ENCONTRADOS Empresas processadoras de suco Fazendas produtoras de laranja Associações C1 C2 C3 P1 P2 P3 P4 A1 A2 Questões relativas à atuação dos atores no
tocante a RSE S N S N S N S N S N S N S N S N S N Balanço social * * * * * * * * * Parceria * * * * * * * * * Mudança no organograma * * * * * * * * * Código de ética * * * * * * * * *
Uso de incentivos fiscais * * * * * * * * * *
Envolvimento c/ a comunidade
* * * * * * * * * * Aumento dos projetos nos
últimos 05 anos
* * * * * * * * * RH responsável pelas
atividades de RSE
* * * * * * * * * Divulgação dos projetos
sociais
* * * * * * * * * Fonte: ELABORADO PELA AUTORA.
S = Possui N = Não possui