3.3. Kamu Sektöründe Uzun Süreli Bakım Finansman Yöntemlerinin
3.3.2. Hak temelli program veya sabit bütçeli program
A inadimplência tributária se materializa com o não pagamento de tributo ou o descumprimento de dever instrumental.
Poderíamos analisar a inadimplência como sendo a constituição de uma dívida para com o Fisco. Poderíamos também pensar que o contribuinte, ao não pagar tributo devido ao Fisco, estaria subtraindo deste, quantia em dinheiro, já que o tributo é uma parcela de dinheiro que nasce já destinada ao ingresso nos cofres do governo.
Poderíamos ainda, numa análise política e sociológica, dizer que a inadimplência tributária é conduta esperada, haja vista a exigência de uma alta carga tributária que inviabiliza a sobrevivência digna do contribuinte que se vê compelido a não pagar tributo para conseguir sobreviver.
É certo que no Brasil não se tolera prisão por dívida, exceto em casos excepcionados em lei, mas que também recebem tratamento diferenciado, como é o caso da prisão pelo não pagamento da pensão alimentícia. E neste caso existe o direito à vida sendo maculado, pois quando um genitor não prover sua prole, pode privá-la da vida e de outros direitos fundamentais invioláveis que merecem tutela penal. É certo também que o direito penal não serve apenas para resguardar o direito à vida, ele é uma arma poderosa ao combate de inúmeras condutas que afrontam o patrimônio, a saúde, a segurança pública, dentre outras realidades importantes ao desenvolvimento pacífico e harmônico da sociedade.
Não se deve também fazer apologia ao crime, ou apoiar a anarquia. É preciso ponderar e entender que o Governo precisa arrecadar recursos para promover a paz e o bem-estar geral e que o cidadão deve colaborar com o Fisco.
Destarte, podemos inferir que o simples descumprimento da obrigação tributária não viola bem jurídico que mereça reprimenda de natureza penal. A sanção tributária deve ser suficiente. Ademais, temos notícia que as penas severas aplicadas no combate à evasão fiscal não tem surtido efeito satisfatório em diversos países da Europa e da América.173
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Contudo, a inadimplência pode ocorrer através de inúmeras manobras, como a fraude, a simulação, a falsificação, o conluio, o dolo, enfim, condutas moralmente reprováveis que o direito penal incluiu no núcleo normativo de alguns de seus tipos. Nesses casos, estaríamos diante de delitos fiscais.
Sabemos que a sonegação fiscal ocorre diante da prática de crimes contra a ordem tributária (definidos na Lei 8.137/1990) e do crime de apropriação indébita (art. 168-A do Código Penal). Vejamos o que diz estes dispositivos legais:
Lei 8.137/1990
“Art. 1º. Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas:
I – omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias;
II – fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal;
III – falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável;
IV – elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato;
V – negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecê-la em desacordo com a legislação.
Pena – reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
Parágrafo único. A falta de atendimento da exigência da autoridade, no prazo de 10 (dez) dias, que poderá ser convertido em horas em razão da maior ou menor complexidade da matéria ou da dificuldade quanto ao atendimento da exigência, caracteriza a infração prevista no inciso V.
Art. 2º. Constitui crime da mesma natureza:
I – fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximir-se, total ou parcialmente, de pagamento de tributo;
II – deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos; III – exigir, pagar ou receber, para si ou para o contribuinte beneficiário, qualquer percentagem sobre a parcela dedutível ou deduzida de imposto ou de contribuição como incentivo fiscal;
IV – deixar de aplicar, ou aplicar em desacordo com o estatuído, incentivo fiscal ou parcelas de imposto liberadas por órgão ou entidade de desenvolvimento;
V – utilizar ou divulgar programa de processamento de dados que permita ao sujeito passivo da obrigação tributária possuir informação contábil diversa daquela que é, por lei, fornecida à Fazenda Pública. Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.”
Código Penal
“Art. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
§ 1º – Nas mesmas penas incorre quem deixar de:
I – recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à previdência social que tenha sido descontada de pagamento efetuado a segurados, a terceiros ou arrecadada do público; II – recolher contribuições devidas à previdência social que tenham integrado despesas contábeis ou custos relativos à venda de produtos ou à prestação de serviços;
III – pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido reembolsados à empresa pela previdência social.”
Os delitos fiscais preveem condutas revestidas de dolo. São crimes que afetam a ordem tributária, o bom funcionamento do Estado e por isso precisam ser reprimidos de forma eficiente.
Não podemos confundir os delitos fiscais com as infrações tributárias. O contribuinte que simplesmente deixou de pagar o tributo, ou o recolheu em atraso por não ter condições financeiras de adimplir com suas obrigações tributárias, não pode ser equiparado àquele que agiu de má fé, com dolo, lesando o erário mediante simulações, fraudes, e outras tantas manobras ilícitas – deste modo não merecem ser apenados com o mesmo rigor.