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HÜSEY‹N DURUKAN, EKREM TOK, DEVR‹M ERTUNÇ, HAKAN AYTAN

Neste item, foi realizado um breve estudo morfológico do Conjunto Habitacional Gervásio Maia, com a intenção de conhecer as transformações físicas ocorridas na sua estrutura, desde a sua entrega, e registrá-las. Dessa forma, para dar início ao entendimento do que é morfologia, seguimos o raciocínio de Lamas (2004), que utiliza o termo morfologia para designar o estudo da estrutura e da configuração exterior de um objeto. Ou seja, a o fologiaà o oà i iaà ueà estudaà asà fo asà eà asà i te ligaà o à osà fe e osà ueà lheà de a à o ige .à Nessaà pe spe tiva,à oà auto à afi aà ueà aà o fologiaà u a aà estudaà essencialmente os aspectos exteriores do meio urbano, e as suas relações recíprocas, definindo e explicando a paisagem urbana, no sentido da descrição dos aspectos exteriores

de uma realidade, e sua estrutura. Segundo o autor, um estudo morfológico não se ocupa do conjunto de fenômenos sociais, econômicos e outros motores da urbanização. Estes, por sua vez, convergem, na morfologia, como explicação da produção da forma.

Para Bettencourt (2010), referindo-se à escala do bairro, os elementos morfológicos são os traçados e praças, os quarteirões e monumentos, os jardins e áreas verdes que são identificáveis. Neste estudo, analisamos os seguintes elementos morfológicos: as ruas, as praças, as quadras e as áreas verdes, através de observações in loco da paisagem interna e de entorno, e do espaço construído.

Segundo a autora, para o habitante da cidade, como ho e à daà ua ,à aà idadeà à vista, a partir de fragmentos. Nos seus percursos diários, ele passa pelas ruas, atravessa diferentes espaços da cidade, descansa nas praças e nos jardins, sendo esses os elementos morfológicos que ele apreende quando circula pela cidade. Só quando olhamos a cidade de cima, é que temos a noção do todo.

Utilizando-se do entendimento dos referidos autores sobre morfologia urbana, foi realizado um estudo morfológico, no Conjunto Habitacional Gervásio Maia, que teve, como auxilio, as fotografias aéreas, buscando identificar sua localização, dentro do tecido da cidade e dentro do bairro. Durante a pesquisa de campo, registramos as tipologias habitacionais e suas transformações, os respectivos materiais construtivos empregados, os equipamentos comunitários que fazem parte da estrutura do Conjunto, as áreas verdes livres abandonadas, as áreas verdes destinadas a praças, as vias de acesso e seu entorno imediato (Fig.16).

Durante as visitas ao Conjunto, realizadas no ano de 2011, foi possível identificar, com clareza, o estado físico das edificações e dos equipamentos urbanos, as vias de circulação, compreendendo sua morfologia e a relação da comunidade com aquele espaço. Nossa intenção não foi realizar um estudo aprofundado sobre a paisagem urbana, mas registrar a paisagem do local e suas transformações, através do registro físico do Conjunto dentro do espaço urbano.

Segundo o entendimento de Carlos (1994), a paisagem urbana tende a revelar uma dimensão necessária da produção espacial, o que implica ir além da aparência. A paisagem é uma expressão de uma relação social real e, através dela, pode ser percebido o movimento

inerente ao processo de (re)produção espacial e seu conteúdo. A sociedade produz seu próprio mundo de relações, a partir de uma base material, um mundo que vai desenvolvendo e criando à medida que se aprofundam as relações da sociedade com o espaço. A paisagem passa a ser reproduzida, de acordo com as necessidades humanas.

Como afirma P. Deffontaines:

Conhecer é ver e analisar as paisagens, entender os modos de vida, compartilhar das esperanças e angustias das regiões visitadas, é incorporar- se a um pedaço do solo e a um grupo de homens, e torna-se assim mais largamente humano, compreender melhor o duro trabalho do homem sobre a terra. (P. DEFFONTAINES apud CARLOS, 1994, p. 43)

A paisagem urbana revela o antagonismo e as contradições inerentes ao processo de produção do espaço, revelando as desigualdades evidentes entre a apropriação do espaço pelo rico e pelo pobre. A paisagem urbana, analisada no CHGM, reflete a segregação espacial, sendo esta, fruto da diferenciação do uso do solo, do valor da terra, da realidade social presente na cidade e das características específicas do lugar.

Na figura 16, e no Anexo D, podemos observar, de forma clara, a delimitação do CHGM dentro do bairro. Sua forma e a organização das quadras, dentro do loteamento, o distinguem dentro do tecido urbano.

Através dos elementos morfológicos, apresentados na figura 16, e no Anexo D, podemos verificar que o Conjunto Habitacional Gervásio Maia possui traçado geométrico e terreno de relevo plano, com contorno bem demarcado em relação ao bairro. Tal desenho constitui-se de ruas pavimentadas, com paralelepípedos que contornam, de forma linear, e contínua em todo o seu limite externo. Em uma de suas extremidades, também encontramos o Terminal de Integração Colinas do Sul, sendo este o primeiro ponto de referência perceptível, logo que chegamos ao Conjunto. Em seguida, encontramos a Escola Municipal Jornalista Raimundo Nonato, a Unidade de Saúde da família (USF) – Mudando de Vida, o Centro de Recreação Infantil (CREI) Luzia da Taipa, todos estes construídos na quadra 136 (Figura 20). Em seguida, deparamo-nos com a Escola Municipal de Ensino Fundamental Antenor Navarro e a Cozinha Comunitária, que serviram, também, como pontos de referência para identificação inicial das quadras, já que, quando percorremos internamente o local, perdemo-nos com facilidade, por serem todos os lotes e todas as habitações muito semelhantes. No entanto, para que esse problema fosse evitado, fez-se necessário,

constantes observações no mapa e no número das quadras. As reformas realizadas nas habitações não modificou a homogeneidade da paisagem.

Fig. 16: Imagem aérea do Conjunto Habitacional Gervásio Maia. Sem escala. Fonte: Google Earth 2011, editado pela autora, 2011.

APREENSÃO DA FORMA DO CONJUNTO HABITACIONAL GERVÁSIO MAIA

Limite do espaço construído Limite da Praça da Esperança

Limite das áreas destinadas a praças – não urbanizadas Acessos principais pelas ruas pavimentadas

Acesso para o bairro do Valentina Acesso para o bairro do Grotão

Acesso principal – Chegada ao Conjunto

Vias principais pavimentadas – Trajeto do ônibus Escola Municipal

USF

CREI Luzia da Taipa

Cozinha Comunitária Gervásio Maia Terminal de Integração Colinas do Sul

Jacques (2003), abordando sobre a homogeneidade da paisagem, explica que a idéia de repetição das construções populares, surge desde o século XIX, quando o urbanismo nasce, com a finalidade de eliminar a ideia de labirinto, encontrada nas favelas. Dessa forma, o planejamento urbano surgiu para controlar o crescimento de labirintos nas cidades já existentes, e para evitar a criação de outros labirintos urbanos, propondo, em seu lugar, novas cidades racionalmente planejadas, a partir de planos e projetos prévios. Porém, o resultado extremo dessa racionalidade, em sua homogeneidade e suas repetições de espaços semelhantes, provoca, algumas vezes, uma espécie de desorientação, como nos grandes Conjuntos habitacionais modernistas.

No caso do CHGM, o labirinto citado deixa de ser o labirinto fragmentário das favelas, que nesse caso é o do percurso, da descoberta, do espaço que não possui imagem fixa, e passa a ser, o labirinto imposto, planejado, projetado, os labirintos ortogonais, racionalistas, ou seja, cartesianos, como define Jacques (2003). Segundo a autora, com a reprodução sempre igual, tudo acaba se passando como se estivéssemos sempre no mesmo lugar e no mesmo instante, dentro de um espaço infinitamente repetido. A autora complementa, afirmando que, quem se perde em um espaço labiríntico é aquele que acaba de surgir, que desaparece tão depressa quanto surgiu; é sempre o que não o conhece, o não habituado, o estrangeiro, o que precisa de mapas para se guiar. Os mapas oferecem uma visão não fragmentária, totalizante, porque são feitos por quem olha do alto. Nesse ângulo, o labirinto deixa de ser labirinto, pois as saídas são facilmente identificáveis, o mistério acaba. Além disso, nos projetos de arquitetura, a finitude da forma já é pré-definida e fixa, ao contrário das favelas, onde os abrigos quase nunca estão terminados, nem tem forma fixa. Nesse caso, o projetar implica uma racionalização, isto é, uma repetição do mesmo, nas favelas isso não acontece.

A explicação de Jacques (2003) sobre o labirinto reflete diretamente a sensação de estar dentro do Conjunto Gervásio Maia, devido à repetição octogonal, em grande escala de suas unidades habitacionais. Dessa forma, foi preciso utilizar-se de mapas, para que fosse possível termos a visão do todo, visto que, quando percorrermos internamente as áreas, temos a sensação de estar passando sempre no mesmo lugar. Diante dessa situação, além do auxilio do mapa, foi preciso marcar as construções mais visíveis que servissem de ponto

efe e ial,à o oàaà aixaàd’ guaàdaàEs olaàMu i ipalàJo alistaàRai u doàNo atoàeàaàP açaà da Esperança, permitindo com maior facilidade o percurso e a saída dentro do Conjunto.