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Conforme os dados do questionário com escala, observamos que todas as participantes foram unânimes em seus posicionamentos desfavoráveis quanto as escolas de idiomas constituírem-se o local ideal para a aprendizagem da língua inglesa. Vejamos o que APEF, BPEF e CPEF dizem sobre essa temática nas entrevistas:

Pq: Em sua opinião, há alguma diferença entre aprender inglês na escola pública e aprender inglês em um instituto de idiomas?

APEF: No curso de idiomas são vinte, quinze ou dez alunos para também cinquenta minutos de aula. É mais fácil o professor avaliar no curso de idiomas do que em uma sala com quarenta ou cinquenta alunos, então o professor, ele tem que está atento à educação individualizada, eu tenho que falar, repetir, corrigir, analisar os meus alunos em sala de aula. Será se o professor da escola pública tem condições em cinquenta minutos de avaliar um aluno quarenta ou cinquenta alunos em uma sala de aula? É complicado isso, então no curso de idiomas porque o professor tem mais

recursos, na escola pública o professor não tem tantos recursos ele não tem data show livre, ele não tem computador livre, ele não tem uma sala com recursos para ele aprender com computador, os recursos ((incomp.)) que facilitem a aprendizagem. Numa escola de idiomas, nós temos uma sala separada que o aluno só vai para aprender a ouvir e ouvir, falar, falar e todos os recursos, data show, livros, tudo que ele necessita para facilitar o aprendizado. (grifo nosso) (Entrevista, EA, 14/11/2013)

Analisando o excerto acima, é possível perceber a comparação elaborada pela participante APEF sobre as escolas de idiomas como as que apresentam as condições mais favoráveis ao ensino e aprendizagem do idioma inglês em detrimento da escola pública. E nesse aspecto, as condições favoráveis se mostram tanto pela presença de mais recursos quanto pela presença de uma parcela reduzida de educandos em sala de aula. A mesma linha de pensamento segue CPEF ao enfatizar que a aprendizagem nas escolas de idiomas é mais intensiva em detrimento de uma aprendizagem menos intensiva nas escolas públicas. E, fortalecendo esse quadro, a participante BPEF, ressalta a parcela reduzida de alunos que apresenta a escola de idiomas como a principal diferença entre o ensino da língua inglesa entre as duas instituições. Nos exemplos a seguir, retirados das entrevistas, ficam claras essas perspectivas.

Pq: Em sua opinião, há alguma diferença entre aprender inglês na escola pública e no instituto de idiomas?

CPEF: É diferente. Pq: Qual diferença?

CPEF: Acho que lá no instituto de idiomas ele [ o aprendiz] termina aprendendo mais até porque também a aula lá é mais intensiva e na escola pública as aulas são duas vezes por semana, não é isso?[...] E o tempo de aula é menor e as salas são lotadas, isso dificulta. E no instituto de idiomas, não, as salas de aulas são reduzidas. (grifo nosso) (Entrevista, EC, 22/11/2013).

Pq: Devido a sua experiência na área de língua inglesa, você acha que existe alguma diferença entre ensinar inglês na escola pública e ensinar inglês no Instituto de idiomas?

BPEF: É lógico. Pq: Qual essa diferença?

BPEF: Principalmente o número reduzido de alunos, não tanto pela tecnologia porque eu... estudei inglês no [...] acho que sete anos, sete anos de [...] e não tinha tanto tecnologia como hoje eu tenho acesso. (grifo nosso). (Entrevista, EB, 18/11/2013).

De fato, os nossos dados apontam que todas as participantes percebem, por um lado, a escola de idiomas como o local mais apropriado em razão das condições favoráveis que reúne para o ensino e aprendizagem do idioma inglês, conforme sugerem expressar as justificativas apresentadas. Em contrapartida, aparecem as escolas públicas apontadas pelos participantes como o local menos apropriado para o ensino e aprendizagem do idioma em razão das condições insatisfatórias que apresentam. Em outras palavras, inferimos com base nas verbalizações das participantes que a escola de idioma é o local da aprendizagem máxima

e a escola pública como o local de aprendizagem mínima do idioma inglês. Todavia, ao cruzarmos os dados do questionário com escala com os dados oriundos das entrevistas,

percebemos que de fato, na perspectiva das participantes, o local ideal para se aprender inglês parece caminhar em direção à escola de idioma. Sobre esse aspecto, constatamos que as respostas assinaladas, no questionário com escala, quanto a essa questão não corresponderam com as respostas apresentadas nas entrevistas. Por essa razão, nesse caso, consideramos na discussão e análise dos dados, as informações decorrentes das entrevistas haja vista que esse instrumento possibilitou às participantes um maior esclarecimento das respostas assinaladas no questionário com escala.

Portanto, a partir das crenças verbalizadas pelas participantes que envolvem uma dicotomia sobre o local mais apropriado e o menos apropriado para aprender e ensinar a língua inglesa, isso nos faz refletir sobre a dimensão da influência dessas crenças na

“abordagem de ensinar” (ALMEIDA FILHO, 2010) do educador, corroborando assim para a

desmotivação e o desinteresse pelo ensino e aprendizagem do idioma no contexto público escolar. Nesse sentido, comungamos com base em Madeira (2008) que as crenças dos professores de línguas podem determinar as decisões tomadas em sala de aula com relação à todos os procedimentos que envolvem o ato de ensinar.

Após termos apresentado as crenças sobre o ensino e aprendizagem da língua inglesa na escola pública, passaremos a discutir, na próxima seção, as crenças das participantes sobre o papel do aluno.

4.2.3 Crenças sobre o papel do aluno

Considerando a natureza e a forma de tratamento das questões abertas discriminada na metodologia do presente estudo, observamos que, no questionário com escala, a categoria recorrente nas respostas das professoras sobre o papel do aluno foi direcionada para o verbo estudar seguido de seus derivados. Essa categoria pode ser mais bem visualizada conforme mostra o Quadro 10, a seguir:

Quadro 10 – Categorização das respostas dos docentes sobre a apreensão do papel do aluno

Fonte: Elaborada pelo autor

Categorias Ocorrências Exemplos

O papel do aluno é estudar 1

“Ter dedicação e

comprometimento com os seus estudos”. (APEF)

O papel do aluno é estudar 1 “Ser estudante”. (BPEF)

O papel do aluno é estudar 1 “Estudar com uma visão

Os excertos, abaixo, retirados das entrevistas com as professoras confirmam a categoria, anteriormente, mencionada conforme demonstrou o Quadro 10 nos discursos de APEF e BPEF.

Pq: E o papel do aluno? Qual seria?

APEF: Dedicação, comprometimento e estudo. Ele tem que está comprometido com o que ele quer. Ele tem que querer, quando ele quer, ele se dedica, estuda, é estudar, estudar e estudar para aprender. (grifo nosso). (Entrevista, EA, 14/11/2013)

Pq: Qual o papel do aluno hoje em sala de aula, na tua opinião?

BPEF: Eu até prescreveria ser estudante. Estudante de fato, é estudar mesmo, prestar atenção. (grifo nosso). (Entrevista, EB, 18/11/2013).

Observamos pelas considerações acima que o papel do aluno no pensamento de APEF e BPEF sugere convergir para uma abordagem tradicional (estrutural) de aprendizagem, o aprendiz é visto como aquele ser obediente, dedicado, silenciosamente atencioso nas aulas, características que sugerem uma atuação passiva do educando diante da aprendizagem. Tais características sugerem nos remeter para uma aprendizagem antidialógica, vertical que educa para a acriticidade em contraste com uma aprendizagem que educa para a autonomia (FREIRE, 1983). Contrapondo-se a uma atuação passiva do aluno diante do ensino e da aprendizagem, vejamos o que diz a participante CPEF quanto a essa questão:

Pq: Qual é o papel do aluno no ensino e aprendizagem?

CPEF: Tipo ser curioso? Tem que ser curioso porque se ele não for curioso o professor também não está muito....interessado em levar muita coisa para despertar o interesse dele não, acho que ele tem que ser curioso mesmo, ficar perguntando coisas legais, acho que o papel dele é ser curioso, o papel dele é ...interagir nas aulas. Acho que ele tem que fazer isso. (grifo nosso) (Entrevista, EC, 22/11/2013).

Em oposição às perspectivas anteriores de pensamento que sugerem uma abordagem tradicional de ensino e aprendizagem sobre o papel do aluno, apenas o pensamento de CPEF se distancia desse tipo de abordagem, ao imprimir no educando o espírito questionador dos fatos ao possibilitar ao educador dividir a produção do conhecimento com os educandos. Portanto, depreendemos que entre as participantes há uma forte tendência da abordagem tradicional sobre a percepção quanto ao papel desempenhado pelo educando. Esse fato nos leva a refletir sobre a influência dessa abordagem no desenvolvimento da autonomia dos educandos no seu processo de aprendizagem da língua inglesa, ocasionando assim possíveis desinteresses, desmotivação, baixa autoestima como foram caracterizados os educandos, ao longo da pesquisa, pelos participantes.

Na próximo item, abordaremos as crenças sobre o papel do professor nas vozes das participantes.

4.2.4 Crenças sobre o papel do professor

Com relação ao papel do professor, na perspectiva das participantes da pesquisa, percebemos que de acordo com os dados assinalados, no questionário com escala, apenas APEF se mostrou favorável a crença, o papel do professor é transmitir conhecimentos para os estudantes ao passo que os demais, BPEF e CPEF se posicionaram de forma contrária ao pensamento de APEF. A esse respeito, vejamos, ainda, os posicionamentos das participantes ao caracterizarem o bom professor, no questionário com escala, conforme mostra o Quadro 11, a seguir:

Quadro 11 – Categorização das respostas dos docentes sobre a apreensão de ser um bom professor.

Categorias Ocorrências Exemplos

O bom professor é aquele

que transmite conhecimentos 1

“Transmite conhecimento de

forma clara e precisa aos seus alunos.” (APEF).

O bom professor é aquele

que estimula 1

“É aquele que estimula.”

(BPEF). O bom professor é aquele

que desperta o interesse no aluno

1

“É aquele que desperta a

curiosidade no aluno.” (CPEF).

Fonte: Elaborada pelo autor

Com base nas caracterizações feitas pelas participantes com relação ao bom professor, percebemos que APEF diferentemente de BPEF e CPEF acredita que o bom professor é aquele que transmite o conhecimento com precisão e objetividade aos educandos, tais características nos remete, mais uma vez, para uma abordagem tradicional de ensino em que a ênfase está apenas na transmissão de conhecimentos conforme destaca Saviani (1991). É interessante, percebermos que BPEF e CPEF percebem o bom professor por meio de determinadas atitudes que proporcionam o despertar para novos olhares que incentivam, estimulam a criatividade, o questionamento e a reflexão por parte dos educandos, contribuindo, assim, para a fomentação da autonomia dos aprendizes. Essas premissas podem ser observadas nos excertos abaixo extraídos das entrevistas.

Pq: Qual o papel do professor em sua opinião?

APEF: Facilitar. Facilitar o conhecimento, transmitir com precisão, com clareza, observar o que o aluno, como o aluno está aprendendo, o que ele precisa, construir junto com o aluno o seu próprio conhecimento, a forma, facilitar a forma de o aluno aprender um novo idioma. Então, você tem que observar o que o aluno vai aprender com mais facilidade, então o papel do professor é facilitar esse conhecimento, é transmitir com clareza e objetividade o conhecimento da língua inglesa. (grifo nosso). (Entrevista, EA, 14/11/2013)

Pq: E o oposto qual seria o papel do professor?

BPEF: Estimular. Estimular em diversas formas porque se você fica só copiando aula no quadro e mandando aluno repetir eles não aprendem, então se eu trabalho.... ano passado eu trabalhei com essa turma cores, características físicas e trabalhei roupas, por exemplo, e aí eu faço.... trago recortes de revistas com pessoas aí eu peço pra dizer qual a roupa, a cor da roupa, as características das pessoas e aí eles vão se envolvendo com isso porque eles querem .... os meninos Caio Castro as meninas querem Carol Castro. Aí eu fico procurando o máximo de imagens que vão estimular para que eles façam a atividade e eles fazem muito bem feita, eles têm interesse, eu peço que eles se descrevam, descrevam os colegas, os gestores aí eu vou tentando o máximo envolvê-los no processo. (grifo nosso). (Entrevista, EB, 18/11/2013).

Pq: Finalizando a nossa entrevista, qual seria o papel do professor?

CPEF: O professor em minha opinião, ele tem que fazer que o aluno acredite que aquilo ali é maravilhoso. Ele tem que despertar o interesse do aluno mostrar que é uma coisa incrível, olha que incrível! Fazer o aluno acreditar mesmo olhar e dizer assim: poxa que legal que eu aprendi hoje, já sei cantar uma música e tal acho que é despertar o interesse no aluno e tornar assim... usar a criatividade. Acho que é isso o papel do professor. (grifo nosso) (Entrevista, EC, 22/11/2013).

Observando as considerações anteriores, sentimos a necessidade de enfatizar que embora o pensamento de APEF, com relação ao papel do professor, destaque o papel do educador como facilitador do conhecimento, ainda assim, é inevitável perceber ao longo das manifestações de seu pensamento uma tendência que converge com a abordagem tradicional de ensino. Dentro dessa perspectiva, o papel do educador é norteado para a transmissão de conhecimentos ou ainda nas palavras de Freire (1983), “depositar conhecimentos” se opondo, dessa forma, ao pensamento de BPEF e CPEF analisados anteriormente. Ainda, quanto a essa questão, vale lembrar que as crenças, no questionário com escala, que compreendem o papel do professor é entender os alunos e o papel do professor é construir conhecimento junto ao educando foram todas compartilhadas pelas participantes, o que demonstra, mais uma vez, uma convergência com os pensamentos, sobretudo, de BPEF e CPEF destacado nas entrevistas. Por outro lado, como afirmamos, anteriormente, demonstra uma tendência no pensamento de APEF que oscila ao mesmo tempo entre uma abordagem de ensinar que sugere favorecer a autonomia do educando e outra que parece contemplar a heteronomia.

Em suma, as crenças expressas pelas docentes sugerem alinhar-se a uma visão de ensino e aprendizagem de língua inglesa menos estruturalista e tradicional, em outras palavras, mais contemporâneas. No entanto, não podemos deixar de mencionar a presença da abordagem tradicional de ensino nas vozes de algumas participantes. A seguir, apresentamos um sumário das crenças inferidas a partir das perspectivas das professoras consoante mostra o Quadro 12.

Quadro 12 – Síntese das crenças inferidas a partir das perspectivas dos docentes

Fonte: Elaborado pelo autor

Uma vez demonstrado a síntese das crenças dos professores que refletem a forma como percebem o processo ensino e aprendizagem da língua inglesa, por meio de suas crenças, na próxima seção, apresentaremos uma síntese das análises das crenças expressas tanto pelos educadores quanto pelos educandos sobre o ensino e aprendizagem do idioma inglês.

Benzer Belgeler