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3.4. Grafik Tasarım

3.4.1. Grafik Tasarımın Tarihi ve Sanat Eğitiminde Yeri

A observação do trabalho e as entrevistas realizadas com os extensionistas revelou que eles desenvolveram várias estratégias para tentar lidar com o grande volume de tarefas pelas quais eram responsáveis. Uma dessas estratégias consistia em reduzir o número de visitas individuais às propriedades dos agricultores. As comunidades eram esparsamente distribuídas pela zona rural do município, fazendo com que os deslocamentos entre elas chegassem a durar duas horas. Observei um exemplo desse tipo de estratégia quando um agricultor foi até o escritório da empresa para obter informações para melhoria da quantidade e qualidade da produção de determinada planta cultivada por ele em sua propriedade. O extensionista 2 recomendou que o agricultor solicitasse uma análise de solo e demonstrou, no pequeno quintal do escritório, como coletar amostras de terra para serem enviadas ao laboratório. Ao fornecer essa instrução no escritório, não foi necessária uma visita à propriedade do agricultor.

Outro exemplo desse tipo de estratégia pude observar em campo, quando acompanhava extensionistas nos veículos utilizados para o trabalho. Percebi que ao chegar a algumas comunidades, especialmente as mais distantes do escritório, os extensionistas geralmente transitavam em velocidade muito abaixo da que seria considerada normal em uma situação como aquela. Ao passar pela comunidade, os extensionistas cumprimentavam muitas pessoas e paravam o veículo com frequência para rápidas conversas com os moradores. Agindo dessa forma, os extensionistas geravam oportunidades para tirar dúvidas desses interlocutores sobre suas atividades produtivas ou serem informados sobre problemas enfrentados por seus vizinhos. Colocando-se disponíveis para os moradores da comunidade, os extensionistas poderiam antecipar demandas que provavelmente iriam requerer novas visitas em um futuro próximo. Como muitas comunidades tinham pouco trânsito de automóveis, o ruído emitido pelos veículos utilizados pelos extensionistas servia de aviso e, dada a frequência com que os

técnicos eram abordados em situações como a que descrevi, parece que essa estratégia foi tacitamente assimilada por diversos agricultores.

Ainda ao realizarem visitas a propriedades localizadas em comunidades mais distantes, os extensionistas incluíam visitas não programadas para também se anteciparem a situações que exigiriam novos deslocamentos. Foi o ocorrido em uma ocasião em que o extensionista 1 desviou-se da rota prevista para informar um agricultor sobre o andamento de uma solicitação de manutenção no tanque de resfriamento de leite que servia a um grupo de produtores da comunidade. O extensionista informou sobre a previsão de chegada de uma peça que precisava ser substituída e sinalizou a data provável da instalação do item que permitiria ao tanque voltar a funcionar.

A existência de organizações como uma associação comunitária ou de produtores rurais viabilizava a adoção de outro tipo de estratégia em que os extensionistas solicitavam que presidentes dessas associações ou líderes das comunidades reunissem pessoas interessadas em determinado serviço a ser oferecido. Em situações como essa, acompanhei, ainda na fase exploratória da pesquisa de campo, um extensionista que realizou cerca de quarenta cadastros para acesso a crédito rural em duas sessões de aproximadamente duas horas de duração. Em uma ocasião a reunião ocorreu em uma escola e em outra na sede de uma associação comunitária. Quando o extensionista e eu chegamos a esses locais, os agricultores já se encontravam no local para a realização do cadastro e os líderes das associações haviam começado a conferir os documentos necessários para que os agricultores se candidatassem ao crédito rural. A cooperação dos líderes comunitários tornava o trabalho do extensionista mais rápido e eficaz, o que resultava na realização de um considerável número de atendimentos individuais (o preenchimento dos cadastros de cada agricultor familiar) com um formato de atendimento coletivo.

Quando surgiam demandas mais sofisticadas que não podiam ser atendidas pelos extensionistas do escritório, eles buscavam apoio de outros especialistas para solução desses problemas, como ocorreu com o apoio do engenheiro civil que prestava serviços para a prefeitura na ocasião do projeto do chiqueiro, episódio narrado na seção anterior. Em outro exemplo da adoção desse tipo de estratégia, um técnico da companhia de água e abastecimento do município acompanhou o extensionista 1 em uma visita para orientar um grupo de agricultores familiares sobre o local para instalação de uma caixa d´água e sobre os

locais mais adequados para que fossem enterrados os canos de distribuição para fazer a água chegar até as suas propriedades.

O extensionista 4 utilizava seu próprio sítio como uma espécie de laboratório no qual realizava testes de procedimentos técnicos ou de utilização de insumos para ter maior segurança em suas recomendações aos agricultores. Como exemplo da utilidade de sua estratégia, ele relatou a ocasião em que um técnico ligado a um órgão do governo federal que visitava o escritório sugeriu aos extensionistas que recomendassem aos agricultores uma alteração no calendário de cultivo de milho como forma de melhorar o desempenho do grão. Como o extensionista 4 já havia feito experiências desse tipo em seu sítio sem obter sucesso, ele pôde discutir a eficácia do procedimento com o técnico e o entendimento a que se chegou foi de que, na dúvida, a recomendação não deveria ser repassada aos agricultores.

Uma estratégia de outra ordem – que não técnica, mas social ou política – era a que atendia a uma necessidade de que o escritório municipal mantivesse boas relações institucionais com prefeitos (e suas equipes) de diferentes cores partidárias, já que a permanência do escritório da empresa no município dependia da manutenção do convênio com a prefeitura. Parecia evidente que a prefeitura também se interessava pela manutenção do escritório e de seus serviços no município. Porém, tratava-se de um elemento adicional de instabilidade em uma situação de trabalho já repleta de dificuldades, como as que procuro apresentar aqui. Em conversas mais informais, os extensionistas costumavam expressar hesitação em investir em projetos mais duradouros (como me confidenciou um extensionista em relação à reforma de seu sítio) por temerem uma transferência para outro município que poderia ocorrer caso houvesse o rompimento do convênio com a prefeitura.

Com a caracterização aqui apresentada do trabalho na extensão rural, espero ter possibilitado ao leitor obter uma compreensão mais geral das exigências institucionais, das demandas dos agricultores, dos recursos disponíveis aos extensionistas e das estratégias por eles utilizadas para dar conta de suas tarefas. Passarei a apresentar detalhes sobre o Projeto Quilombolas que acabou por mobilizar de forma praticamente exclusiva os esforços dos extensionistas durante os dez meses da realização deste trabalho de campo.