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Neste tópico, são apresentados de forma sintética os resultados de estudos realizados em países emergentes. Primeiramente, são apresentados os estudos realizados em países emergentes e América Latina, e, em seguida, os estudos realizados no Brasil. Também, serão apresentadas, de forma breve, as hipóteses levantadas nesses estudos.

Conforme já mencionado, dos trabalhos referentes ao efeito da diversificação no desempenho das empresas, pode-se citar, na América Latina, os de Khanna e Palepu (1998), Khanna e Rivkin (2001), Lins e Servaes (2002), Moreira e Planellas (2003). Para o caso específico do do Brasil, pode-se citar os trabalhos de Rogers et al. (2005a, 2005b) e Grzebieluckas et al. (2007).

Lins e Servaes (2002) examinaram os custos e benefícios da diversificação de 1.000 empresas em sete países emergentes (Hong Kong, Índia , Indonésia, Malásia, Singapura, Coréia do Sul e Tailândia.) em 1995. Com a metodologia proposta por Berger e Ofek (1995), constatou-se que as empresas diversificadas nesses mercados foram negociadas com um significante desconto de aproximadamente 7%. Foi observado que o lucro operacional das empresas diversificadas é 1% menor em relação às empresas concentradas em negócio único. Outra constatação é que as empresas diversificadas com maior desconto são aquelas pertencentes a um grupo industrial. Dentre as empresas diversificadas, observou-se que o desconto de valor foi mais severo nas empresas com maior concentração de controle da propriedade e decisões gerenciais.

Para Kanna e Palepu (2000), países emergentes, em contraste aos países desenvolvidos, apresentam muitas falhas de mercado, como falta de disclosure adequado e fracos mecanismos de governança corporativa e controle. Também chamam a atenção para a ausência ou pouco comprometimento dos agentes intermediários, como analistas financeiros, fundos, bancos de investimentos, imprensa, entre outros, bem como a fraca atuação dos órgãos reguladores. Contrária aos resultados e hipóteses do trabalho de Lins e Servaes (2002), a hipótese de Khanna e Palepu (2000) é a de que em mercados emergentes pode haver vantagens para empresas pertencentes a grupos diversificados. As empresas, em razão dos custos de transação resultantes das imperfeições dos mercados emergentes, conseguem frequentemente ser melhor avaliadas como parte de um grupo que, em razão do maior porte, pode agir como um intermediário de recursos mais eficiente entre os empreendimentos individuais.

Kanna e Palepu (2000) examinaram os efeitos da diversificação de 114 empresas listadas no mercado chileno, com 34 grupos de empresas afiliadas e 80 empresas individuais, no período de 1988 a 1996. Nesse estudo, identificou-se uma relação curvilínea em U , referente ao grau de diversificação do grupo e o valor das empresas. Desta forma, a firma perderia valor até o ponto em que o grupo econômico, ao qual ela pertence, atinja um nível de diversificação, a

partir do qual o valor começa a aumentar. Os benefícios da diversificação nos países emergentes não são, a princípio, suficientes para superar os custos. Custos estes provenientes da necessidade de investimento em mecanismos de controle e informação internos, que trazem benefícios na gestão da relação entre as empresas do grupo. Assim, considerando estes custos como fixos, as empresas do grupo passam a aumentar seu valor, à medida que os benefícios da diversificação superem tais custos.

Moreira e Planellas (2003) examinaram os efeitos da diversificação de 60 empresas mexicanas, no período de 1997 a 2001. Nesse estudo identificou-se uma relação quadrática no formato de U invertido, similar à hipótese para países desenvolvidos. Segundo estes autores, o benefício está mais ligado ao porte das empresas, do que propriamente à diversificação. Rogers et al. (2005a) testaram o efeito da diversificação no desempenho de 176 empresas industriais brasileiras de capital aberto no período entre 1997 e 2001. Para isso, usaram como

proxy para o desempenho as variáveis contábeis de crescimento das receitas ( CV ),

rentabilidade do ativo total ( ROA ) e rentabilidade do patrimônio líquido ( ROE ). Foi testada a relação de cada variável de desempenho com a proxy de diversificação usada, para forma linear, quadrática, cúbica e logarítmica. Dos modelos testados, a forma curvilínea em U foi a que mais apresentou resultados significantes, indicando melhor ajuste ao modelo proposto. Assim, com base no resultado dos testes, observou-se um forte indício de relação curvilínea entre desempenho e diversificação das empresas, não sendo possível identificar se esta se deu na forma de U ou U invertido, uma vez que foram encontrados resultados significativos em ambas.

Dando continuidade ao trabalho citado no parágrafo anterior, Rogers et al. (2005b) testou o efeito da diversificação no valor de 176 empresas industriais brasileiras de capital aberto, no período entre 1997 e 2001. Para isso, usou como proxy para o valor a variável q de Tobin, indicador que relaciona o valor de mercado da empresa com o valor de reposição de seus ativos. Foi testada a relação da variável de desempenho com três proxies de diversificação, na forma linear, quadrática, cúbica e logarítmica. Dos modelos testados, a forma quadrática ou curvilínea em U foi a que mais apresentou resultados significantes, indicando melhor ajuste ao modelo proposto, diferentemente do trabalho anterior, em que não foi possível identificar se o melhor ajuste se deu na forma de U ou U invertido. O argumento usado, em conformidade com Kanna e Palepu (2000), é que a redução do valor da firma ocorre até um

certo nível em que a diversificação ainda é baixa, a partir do qual o valor começa a aumentar, sendo esta hipótese consistente com a existência de custos fixos de intermediação.

Buscando avaliar a relação entre a diversificação de produtos e a performance das companhias abertas no Brasil, Grzebieluckas et al. (2007) testou 168 empresas brasileiras de capital aberto, no período entre 2001 e 2005. Usou-se como proxy para desempenho as variáveis contábeis de desempenho ROA e ROE , conforme trabalho de Rogers et al. (2005a), e também a rentabilidade calculada pela razão do lucro operacional antes dos juros e imposto de renda e os ativos totais ( ROAOP ). Foram utilizadas como variáveis de controle o endividamento ( ROAOP ), o crescimento das vendas ( CV ), o risco do negócio ( RISCO ) e o tamanho da firma (TAM ). Os testes não mostraram resultados estatisticamente significantes para o efeito da diversificação no desempenho para as variáveis usadas nos modelos testados.