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5. TÜRKİYE’DE MİKROKREDİ UYGULAMALARI VE TÜRKİYE

5.10. Gelirdeki Değişim

A proposta de análise das implicações sociológicas do lava-pés exige uma precisão maior no uso de termos que serão muito importantes na apresentação da nossa tese.

Status social é

A posição que as pessoas podem ocupar num sistema social (grupo, associação, sociedade), a qual está numa relação múltipla com outras posições dos sistemas sociais e que, em cada sistema, é dotada com um determinado prestígio social (STEGEMANN & STEGEMANN, 2004, p. 77).

O status social é sempre múltiplo e variável, pois depende do sistema social a partir do qual ele é considerado. O status é atribuído socialmente pelo grupo no interior de cada sistema ou organização específica da totalidade social. Uma pessoa

possui diferentes status conforme a variedade de sua pertença a diferentes grupos no interior da sociedade. Seja qual for, o status - está associado a diferentes papéis, os quais, por sua vez, são determinados igualmente pelo grupo e a sociedade a que pertence o sujeito. O status de um pai no interior de sua família, por exemplo, é maior do que a de seu filho, mas seu status como trabalhador braçal e sem posses é menor do que a de um escravo administrador dos bens de seu senhor.

Embora status e papel sejam conceitos distintos, não podem ser abordados de maneira completamente separados, pois um, de certa forma, condiciona o outro através da noção não apenas da posição que ocupa no plano da pirâmide de estratificação da sociedade, mas também do prestígio, valor ou depreciação que a sociedade e a cultura atribuem a uma determinada associação entre papel e status. No episódio do lava-pés, por exemplo, está em jogo essa atribuição sociocultural de prestígio, valor e depreciação de papéis que foram, de antemão, identificados com certas categorias de pessoas na escala da estratificação social. Há, portanto, uma associação entre papel, status e estratificação social. Ao mestre, por exemplo, não cabe lavar os pés dos discípulos. Associar certas tarefas sociais a determinadas categorias de pessoas: escravo, mulher, discípulo ou senhor, homem e mestre é apenas um dos pressupostos socioculturais que já estão predeterminados. É exatamente esse fenômeno que devemos considerar na análise de Jo 13,1-17. Nesse sentido, recuperamos, ao lado do conceito de status, o de papéis sociais, pois a eles estão associados os status e as posições que as pessoas ocupam umas em relação às outras na escala das relações sociais de poder e subordinação.

Papéis sociais são objetivamente as tarefas atribuídas cultural e socialmente

aos sujeitos segundo uma determinada divisão social do trabalho estabelecida por uma determinada sociedade.

Allan G. JOHNSON consegue apresentar um conceito de papel social que integra muito bem a de status:

Papel é um conjunto de ideias associadas a um status social, que definem sua relação com outra posição. O papel de professor, por exemplo, é construído em torno de um conjunto de ideias sobre os professores em relação a estudantes: crenças sobre quem são eles, valores relacionados com os objetivos que se supõe que busquem atingir, normas relativas à como se espera que pareçam e se comportem, atitudes sobre suas predisposições emocionais em relação ao trabalho e aos estudantes. [...] Juntamente com o conceito de status, o papel é um elemento básico de construção de sistemas sociais, porquanto em graus consideráveis estes

podem ser considerados uma rede de status e papéis a eles associados (JOHNSON, 1997, p. 168-169)

Alan Birou, por sua vez, põe em relevo o condicionamento dos esquemas socioculturais na determinação dos papéis sociais. Nesse sentido, seu conceito de papel social esclarece melhor a importância do condicionamento que também consideramos estar presente sobremaneira na narrativa joanina do lava-pés.

Papel social é o comportamento, a conduta ou a função desempenhada por uma pessoa no interior de um grupo. O papel define-se simultaneamente como tipo de comportamento social de alguém, em função dos esquemas sociais e culturais do grupo, e como um modo de resposta à expectativa dos outros. Em relação a um indivíduo, o papel social consiste, pois, na organização de um certo número de modelos de comportamento em estado de inter-relação, os quais se agrupam à volta de uma função social. Ralph Linton define papel como “o conjunto dos modelos culturais associados a um dado estatuto. Engloba, por conseqüência, as atitudes, os valores e os comportamentos que a sociedade atribui a uma pessoa e a todas aquelas que possuem esse estatuto”. O papel é o aspecto ativo e dinâmico do estatuto, porque representa um comportamento explícito. Um indivíduo torna-se apto a desempenhar um papel determinado, a ocupar a posição que corresponde a esse papel, assimilando os esquemas e as configurações da vida social do meio, transformando-os em hábitos próprios, integrando-se nos modelos de comportamento dominantes. Deixa então de ser um indivíduo sem referência cujos comportamentos são imprevisíveis e diversos, mas, pelo contrário, está “situado”, tem um comportamento estabelecido em que a sua personalidade de base responde a uma situação dada à qual se adapta. Na realidade, nas sociedades diferenciadas, cada indivíduo e cada grupo são levados a assumir diversos papéis que se organizam entre si para constituírem como que uma trama (BIROU, 1973, p. 292-293. O grifo é nosso).

Como vimos, há sempre uma interação entre status e papel. O relato do lava-pés, não há dúvida, tem essa interação como pressuposta e a assume como parte de sua estratégia narrativa. O reconhecimento e a afirmação de Jesus como mestre e senhor comunicam um núcleo de compreensão comum do imaginário sociocultural compartilhado tanto pelo autor/narrador quanto por sua audiência. A questão que iremos analisar refere-se ao que, de fato, está sendo proposto quando o texto, do ponto de vista daquele ambiente sociocultural, apresenta a inusitada inadequação entre status e papel, uma vez que não cabe a quem tem o título reconhecido (status) de mestre e muito menos o de senhor, o papel de lavar os pés dos discípulos. A realidade do deslocamento ou inconsistência do papel em relação ao status é

referendada não apenas pelo contexto, mas já é admitida pelo próprio texto quando Pedro oferece resistência em aceitar que Jesus lhe lave os pés (Jo 13,6-8).

A variedade dos status remete sempre a determinadas associações de papéis atribuídos e posições nos diferentes níveis dos estratos sociais. Os valores dependem de uma complexa relação entre estrato, status e papel sociais que a cultura e sociedade desenvolveram para estabelecer uma dada estrutura social.