BÖLÜM 2: TÜRKİYE’DE VERGİ DENETİMİ
2.3. Türkiye’de Vergi Denetim Birimleri
2.3.1. Gelir İdaresi Başkanlığı’nın Görevleri ve İdari Yapısı
A atuação de Hygino Corsetti a frente do Ministério das Comunicações seguiu estreita relação com o chamado “plano de metas básicas para a ação do governo”. Elaborado pela equipe técnica de Emílio Médici, o documento apresentava os eixos básicos do que vieram a ser as metas de seu governo em todos os âmbitos. No caso da área de telecomunicações, o documento refletia um estudo anterior apresentado pela equipe de Corsetti sobre os problemas prementes da área.
Em linhas gerais, segundo Quandt de Oliveira, o relatório apresentado à Médici abordava a falta de planejamento existente nas atividades do ministério, principalmente porque havia uma dispersão de sua estrutura entre o Rio de Janeiro e Brasília, já que a transferência definitiva ainda não se concretizara. A falta da sede contribuía, por conseguinte, com a falta de mão-de-obra necessária para a execução das atividades. Somava-se a isso o fato de que as empresas vinculadas ao ministério (ECT, Embratel e CTB) não possuíam estrutura compatível com as necessidades que lhes eram atribuídas (OLIVEIRA: 2006, 79). Esse Quadro negativo, que motivava certo marasmo de
ação já enfatizado anteriormente, serviu de base para a criação daquelas que seriam as metas básicas para as telecomunicações, que segundo Oliveira, apresentavam cinco pontos:
“Integração operacional de empresas telefônicas: A multiplicidade de empresas operadoras de telefonia constituía um dos maiores obstáculos para o desenvolvimento do setor, pois eram raras as que possuíam condições técnicas, financeiras ou mesmo administrativas para promover as expansões e modernização que se faziam necessárias [...]
Formação de Pessoal: Em virtude do volume de pessoal técnico
necessário aos programas de telecomunicações, o Ministério deveria promover a criação de centros de treinamento nas principais operadoras, em especial nas de âmbito nacional, e dar apoio às escolas técnicas existentes para a formação de especialistas em telecomunicações.
Indústria de telecomunicações: O ministério pretendia incentivar as
atividades da indústria de telecomunicações existentes no país, visando à criação de novos empregos, uma eventual padronização de equipamentos e uma substancial redução de preços. Legislação: O Ministério das Comunicações retomaria o trabalho de planificação das telecomunicações, procuraria consolidar e atualizar as regras de normas para o setor e efetuar uma revisão das leis, visando atualizá-las com a situação das comunicações.[...] Participação Internacional: O Ministério das
Comunicações, por meio de seu pessoal e de integrantes das empresas operadoras, ativaria a participação nos organismos internacionais de telecomunicação74 [...] (OLIVEIRA: 2006, 79-80)
Concluída a análise sobre os empecilhos que travavam os trabalhos do Ministério e as metas básicas pelas quais a política de telecomunicações deveria se pautar, a equipe de Corsetti iniciou o processo de detalhamento e de organização das diretrizes, fundamentadas, necessariamente, nas premissas do Executivo. Após idas e vindas no contexto do cumprimento dos trâmites burocráticos, principalmente porque o projeto agregava diversos interesses técnicos e de controle que dependiam do aval de outros segmentos
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do governo, a diretriz pode aqui ser sintetizada em dois procedimentos: os níveis básicos de fundamentação e o texto final aprovado.
No que se refere à fundamentação concluiu-se, segundo Oliveira, que a política de telecomunicações, que deveria cobrir os serviços públicos de telecomunicações, os postais e a radiodifusão (que agrega o rádio e a televisão) se fundamentaria em três princípios básicos: o dos objetivos, das metas e das políticas setoriais. No primeiro caso, a política de comunicações deveria objetivar a questão da integração nacional, com a criação de uma rede básica que interligasse todos os estados e territórios; a necessidade do desenvolvimento nacional, com a expansão das redes de comunicações para facilitar a interligação entre as pessoas e o desenvolvimento; a difusão da educação e da cultura, com o aumento de meios destinados a este fim - principalmente no âmbito das telecomunicações - e a segurança nacional, tendo em vista que o planejamento das comunicações deveria reforçar a estrutura política, facilitando a interligação entre o indivíduo, o estado e as forças de segurança. O segundo refere-se à necessidade de garantir acesso a toda nação, com o principal intuito de manutenção da ordem. Por fim, no caso do terceiro nível de fundamentação, o objetivo foi de criar uma estrutura legislativa capaz de colocar em prática e dar suporte legal às metas definidas. Ou seja, pressupõe a implantação das chamadas políticas setoriais (OLIVEIRA: 2006, 81-84).
Aprovados os princípios básicos que norteariam a nova legislação das telecomunicações, o Ministro Hygino Corsetti se dedicou à elaboração daquela que viria a ser a complementação do Código Brasileiro de Telecomunicações, ou seja, a Lei 5.792, de 11 de Julho de 1972. A nova lei foi significativa na implementação de ações concretas em todos os níveis das telecomunicações. Dessas ações torna-se necessário, aqui, ressaltar duas intervenções diretas do Ministério das Comunicações do governo Médici, que se coadunam com o objetivo central de nosso trabalho.
Em primeiro lugar, no âmbito da telefonia, foi o decreto 5.792 quem iniciou o processo de criação da Telebrás (Telecomunicações Brasileiras S/A). Este projeto é significativo, pois representa mais uma das iniciativas do autoritarismo em firmar um monopólio que garanta não apenas uma forma de
controle em setor estratégico, mas também a ratificação da intervenção econômica na estrutura social, como afirma Quandt de Oliveira:
O monopólio de exploração dos serviços públicos de telecomunicações criou uma situação de mercado monopsônico, com um único comprador, representado pelo Sistema Telebrás. Vale ressaltar que, enquanto outros ramos industriais disputavam um mercado incerto e desigual, em âmbito não só nacional, como até local, o mesmo não aconteceu em telecomunicações [...] Ela controlaria todas as estatais do setor, teria a responsabilidade de fixar as metas a serem por elas cumpridas e coordenaria a execução dos programas e a obtenção e a distribuição dos recursos financeiros necessários [...] (OLIVEIRA: 2006, 99;103)
Já no tocante à radiodifusão, a ação do Ministério possibilitou diversas modificações. Mais adiante vamos nos referir de forma mais direta a este tema. Entretanto é necessário salientar aqui o investimento tecnológico neste setor, motivado pela estratégia desenvolvimentista traçada pela política de comunicação.
Muito dos esforços em estabelecer um processo de alcance mais amplo já vinham sendo traçados desde a década de 1960. Já estavam em operação o satélite, que permitia as transmissões internacionais, e as redes interligadas, que se iniciaram em 1968 com a elaboração de projetos e contratos para implantação de centros de TV em 27 cidades, que de acordo com Oliveira eram encabeçados pela Embratel e possibilitaram um acréscimo significativo no sentido da qualidade, contribuindo para a eliminação das resistências em torno do projeto.
O sistema de transmissão da Embratel e seus centros de TV possibilitaram a criação de redes verdadeiramente nacionais, com melhor qualidade e custos mais baixos. As emissoras passaram a utilizar o serviço desses centros e, em pouco tempo, abandonaram seus próprios circuitos e passaram a propugnar pela ampliação da cobertura para todo o país. (OLIVEIRA: 2006, 70)
Outras medidas de ordem técnica, como a aceleração da transferência da estrutura do ministério para Brasília; o início das transmissões em cores pela TV; a ampliação da capacidade de alcance do sistema de rádio - principalmente na Amazônia - e a interligação de todas as unidades federativas ao Sistema Nacional de Telecomunicações são manifestações concretas do
determinado empenho do governo em unificar o sistema de comunicação nacional, mas – e sobretudo – manter sob domínio a tecnologia e o controle, mesmo que o discurso, por vezes, a traduza como busca da qualidade, como afirma o próprio ministro Hygino Corsetti:
O nosso programa com relação à TV – na área específica do Ministério das Comunicações – abrange dois itens fundamentais. Primeiro, promover a ampliação da área de cobertura da televisão nacional, com a criação de redes e instalação de novas estações. Segundo controlar e fiscalizar a qualidade técnica dos serviços, mantendo a nossa TV num alto nível de tecnologia.75
As afirmações de Corsetti sintetizam uma parte daquilo que aqui definimos como política de comunicação, ou seja, o desenvolvimento técnico que, no nosso ponto de vista visa, em última análise, o controle social e a conseqüente legitimação do autoritarismo. Atrelado ao esforço de aprimoramento tecnológico estão, como veremos a seguir, as diretrizes específicas de funcionamento do sistema. Essas se caracterizam pelo viés repressor pautado na segurança nacional, tendo o claro objetivo de introduzir, com o suporte do sistema de comunicação, os preceitos da ideologia autoritário-militar.