5. AVŞA ADASI’NDA KIYI KULLANIMI VE PLANLAMASI
5.2. Gelecekte Düşünülen Kıyı Kullanımı ve Planlaması Çalışmaları
obras e o estudo de todas as questões técnicas, organização de desenhos, etc., Projetos de pontes para o canal do Tamanduatehy e para o canal suplementar do Tietê próximo à ponte do Anastácio, assim como as pontes e pontilhões necessários á linha do Tramway da Cantareira.
40 Com a reformulação autorizada pela Lei 196/1893, foi expedido o Decreto 251/1894, distribuindo a gestão administrativa em duas
seções. À 1ª seção ficou a incumbência de: expediente relativo às relações com o Congresso, promulgação das leis e resoluções, decretos que não fossem de movimentos de pessoal; abertura de créditos, expedição de ordens de pagamentos e autorização de despesas; organização do orçamento anual da despesa da Secretaria; escrituração e classificação da despesa autorizada e realizada; verificação de prestação de contas que transitassem pela Secretaria; organização dos dados para o relatório anual. A 2ª seção era incumbida de nomeações, transferências, demissões, aposentadorias; concessão de licenças; atos expedidos pelo Secretário seu nome; relações da Secretaria com o público, repartições e funcionários do Estado ou de fora; certidões, termos de posse e de contrato, matriculas de empregados da Secretaria e repartições anexas, organização do arquivo.
41 À 1ª Seção, cabia responder pelos assuntos relativos a obras públicas e aos serviços de água e esgoto; à 2ª Seção, os serviços
referentes às estradas de ferro e de rodagem, navegação fluvial e marítima, canais, imigração, colonização, núcleos coloniais, indústria e engenhos centrais, agricultura e comércio, correios, telégrafos e iluminação pública e à 3ª, as questões referentes às terras públicas e particulares, ao registro geral de terras, mineração e serviço geográfico, geológico, astronômico e meteorológico (CINTRA, 1985: 23).
42 A Lei 471, de dezembro/1896, manteve as duas seções, com aumento dos quadros. Da Diretoria Geral passou a fazer parte um
diretor geral, um oficial maior, um arquivista, um porteiro e um contínuo. As duas Seções foram compostas da seguinte forma: 1ª Seção: um chefe, dois primeiros oficiais, dois segundo oficiais, quatro amanuenses e 2ª Seção: um chefe, dois primeiros oficiais, dois segundo oficiais, quatro amanuenses.
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Públicas, as obras dos canais do Tamanduatehy e Tietê, na verdade, uma estratégia para paralisá-las no ano seguinte; o segundo (Decreto 386), organizou a Inspetoria de Estradas de Ferro e Navegação, tornando os serviços correlatos concentrados em um único departamento independente, retirando-os da Superintendência de Obras Públicas e os dois últimos (Decretos 388 e 389), organizaram o pessoal da Comissão de Saneamento e da Superintendência de Obras Públicas, respectivamente. A radical reforma empreendida por Campos Sales também atingiu a Inspetoria de Terras, Colonização e Imigração, suprimindo-a e descentralizando os seus serviços, através da distribuição da parte técnica do serviço de terras pelas delegacias e o das colônias pelas administrações respectivas dos núcleos. Esta medida aponta para outro aspecto comum às reformas subseqüentes: a descentralização regional dos serviços pelo estado.
Obrigava-se, na reforma, a rearticulação de forças no governo. A organização das associações ligadas aos interesses agrícolas fazia com que, aos poucos, os trabalhos mais ligados ao desenvolvimento da lavoura ganhassem peso, embora os gastos com saneamento, higiene e assistência sanitária tivessem significativa presença no orçamento geral do governo até 1899. Só para se ter uma idéia, se no ano de 1892, o total geral das despesas realizadas com o saneamento foi de 2.860:360$929, em 1896, esse valor subiu para 7.857:510$645. Segundo ALVES, o governo de Campos Sales destacou-se pelas medidas tomadas contra as epidemias de cólera e febre amarela (1986: 124). Ao mesmo tempo, o quadro de pessoal das obras de saneamento reduzia-se significativamente. Na Comissão de Saneamento, 27 pessoas foram dispensadas e 21 exoneradas. Na Superintendência de Obras Públicas (nas seções do Tamanduatehy e Tietê), foram exoneradas 26 pessoas, paralisando-se as obras respectivas em 1897. A Lei 421, de julho de 1896 havia reorganizado a execução das obras de saneamento, mas o próprio relatório daquele ano indicava que as repartições técnicas de obras extraordinárias estavam, não só quanto ao pessoal, como quanto à distribuição dos trabalhos, aquém das necessidades criadas pela lei (BERNARDINI, 2003: 63). No tocante às reformas no campo do saneamento, havia, de fato, um objetivo a se cumprir, retirando da Superintendência de Obras Públicas tudo aquilo que fosse estranho, discriminando o pessoal incumbido das obras públicas ordinárias daquele das extraordinárias e dando a este último (justamente aquele referente ao saneamento), uma “elasticidade”, que na prática, significava reduzí-lo ou dissolvê-lo. Se as quantias destinadas ao saneamento haviam aumentado, é também verdade que os encargos com a questão avolumavam-se, já que incluíam as localidades do interior e as obras de ampliação das redes de água e esgoto da capital. Anos depois, tamanhos encargos levariam à insuficiência financeira da Secretaria.
Em 1896, ficaria patente que a priorização em sanear o estado privilegiaria as obras de água e esgoto da Capital. Dos quase 8 mil contos gastos em 1896, 1,5 mil contos foram utilizados nas obras da capital, 2,4 mil com as obras de todas as localidades do interior e 3 mil, para fornos de incineração de lixo e outras obras em Santos e Campinas, encampações e desapropriações necessárias. Dois anos depois de concluído o plano do engenheiro Estevan Fuertes para Santos, nada do que o engenheiro havia proposto saía do papel. Ao contrário, na capital, as obras continuavam a ser implementadas com rapidez. Com estas mudanças ainda, os engenheiros José Pereira Rebouças, Superintendente de Obras Públicas e João Pereira Ferraz, Chefe da Comissão de Saneamento, pediram exoneração, sendo substituídos pelos engenheiros José Luiz Coelho e Ignácio Wallace da Gama Cochrane.
Em 1897, as três seções criadas no ano anterior, transformaram-se em duas, pelo Decreto 420, de 05 de janeiro de 1897, passando as questões referentes a terras, mineração, serviço geográfico, astronômico
e meteorológico, antes na 3ª Seção, para a 2ª. Em 1898, com a nomeação de Fernando Prestes de Albuquerque para a Presidência do estado e Alfredo Guedes para a Secretaria de Agricultura, dois Decretos (565 e 566, de junho de 1898) dissolveram a Comissão de Saneamento e criaram duas repartições, a Repartição de Águas e Esgotos da capital e a Repartição de Águas e Esgotos do estado. No mesmo ano, o Decreto 627, de dezembro, extinguiu as duas repartições e criou uma única Repartição de Águas e Esgotos, que passou a responder por todos os serviços de administração, custeio e execução das obras de abastecimento de água e esgotos da Capital, Santos e interior, além de realizar o serviço de arrecadação das taxas de água em conjunto com a Recebedoria de Rendas da Capital, que fazia a cobrança. A criação desta Repartição veio acompanhada de uma redução gradativa do custeio com pessoal técnico empregado nestes serviços. Entre 1898 e 1899, as despesas com pessoal nos serviços de saneamento caíram de 2.475:217$212 para 1.197:450$372.
Ainda que o governo enxugasse cada vez mais as despesas com pessoal locado nos serviços de saneamento, esta não poderia ser a razão principal para que em 1899, as despesas nestas rubricas caíssem tão drasticamente. Enquanto no ano anterior, o governo despendia um pouco mais de 15 mil contos, em 1899 esse valor não ultrapassou 4 mil. O motivo não era crise financeira, ao contrário, com um expressivo aumento dos preços do café no exterior, elevando a receita do estado em 15 mil contos em apenas um ano. Era apenas uma amostra da reforma que aconteceria em 1900, quando o então presidente do estado criou novas 4 seções, para melhor redistribuir os serviços entre elas e reduzir despesas. Diante da reforma que estaria por vir, pode-se imaginar com que critérios os 17,4 mil contos gastos em 1899, foram distribuídos: enquanto 3,8 foram despendidos em obras de saneamento, 8,8 mil foram utilizados em créditos ordinários, com aplicações não discriminadas no relatório.
A novidade é que nesta reforma, Rodrigues Alves criou uma seção específica (3ª Seção) para assuntos ligados à agricultura: o colecionamento e a coordenação de dados para a organização das estimativas das safras e o conhecimento das condições da produção e do consumo dos gêneros produzidos no estado ou possíveis de, com vantagem, o serem; organização da estatística especial sobre agricultura; organização da estatística dos serviços agronômicos do estado; informação aos interessados, mediante consulta, sobre os trabalhos a cargo da seção; direção e distribuição das publicações oficiais sobre agricultura em geral; distribuição de sementes a seu exame e expedição de todos os atos do governo sobre o serviço agronômico do Estado.
Como se vê, um espectro amplo de políticas, no campo das atividades agrícolas, que não tinham recebido, até então, a devida atenção do governo estadual, preenchia os quadros do governo. E elas não se resumiram na criação da 3ª Seção. Após a reforma de 1900, organizaram-se vários serviços correlatos, como o serviço agronômico, a cargo do Instituto Agronômico e articulado com o Horto Botânico; as escolas práticas elementares de agricultura; os campos de estabelecimentos de experiências e demonstração para a agricultura e indústria, além da expedição de uma série de regulamentos para o serviço de terras devolutas, para o registro público de terras; a reorganização da administração dos núcleos coloniais; para o serviço de introdução de imigrantes; para a Escola Prática de Agricultura de Piracicaba e para a reorganização da Superintendência de Obras Públicas, descentralizando-a através dos distritos de obras públicas. Em 1901, foi criado o Museu Agrícola e Industrial e o serviço de distribuição de sementes, paralelamente à inauguração da
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Escola Prática “Luiz de Queiroz” (CINTRA, 1985: 230). Além disso, a reforma extinguiu a Inspetoria de Terras, Colonização e Imigração, subordinando seus serviços diretamente ao gabinete do Secretário.
Se, por um lado, a reforma retrocedia quanto à questão da separação entre as funções administrativas e serviços técnicos43, por outro criou, através do Decreto 741, uma série de normas rígidas
quanto ao funcionamento administrativo da Secretaria, como freqüência, penas e demissões dos funcionários, tempo do trabalho e processo do expediente. O artigo 70 deste Decreto, por exemplo, exigia o lançamento, no livro da porta e no protocolo da seção respectiva, de todos os papéis entrados na Secretaria, antes de qualquer expediente, mencionando-se na coluna “observações” o movimento que fossem tendo até o despacho definitivo. O artigo 71 exigia que, para a verificação da entrada e destino dos papéis haveria protocolos compreendendo: número de ordem, data da entrada do documento; procedência e indicação do assunto; distribuição ao empregado encarregado do processo; data da remessa ao Secretário, depois de despachado; nota do despacho e data da expedição do ato respectivo, além de prazos para que os papéis fossem processados e levados a conhecimento do Secretário. O Decreto ainda estabelecia que os pareceres deveriam ser claros, concisos, isentos de prevenção ou animosidades pessoais e de incidentes estranhos ao objeto em estudo, cumprindo ao diretor geral mandar cancelar os que fossem opostos a esta indicação. Condizente com as regras modernas da hierarquia funcional, exigia que as informações de uns para outros empregados se dariam na escala ascendente, conforme as respectivas categorias, e, na escala descendente, de igual modo.
A questão agrícola passou a ter destaque para o governo, e, ainda que a situação da lavoura do café, não estivesse nos seus piores dias, teve lugar proeminente nos discursos dos vários secretários que ocuparam a pasta entre 1898 e 1900. O poder dos coronéis florescia, representado pela presença do Coronel Fernando Prestes de Albuquerque como presidente do estado. Junto a Ataliba Leonel, outro importante coronel, que tinha uma excepcional força armada particular sob seu comando, Fernando Prestes exercia poder sobre vasta zona, cobrindo cerca de trezentos quilômetros ao redor de seu município de origem, Itapetininga, no território que se estendia para oeste, ao longo dos trilhos da Sorocabana e que chegaram à fronteira de Mato Grosso em 1922 (LOVE, 1982: 179). Em 1898, Alfredo Guedes, então Secretário de Agricultura, dizia que as condições da indústria agrícola não tinham sido satisfatórias: desastres da bolsa nos primeiros anos do novo regime, provocando emissões de papel moeda, lançadas na circulação sem o cuidado devido “alimentaram a animação fictícia, de indústria e negócios sem estabilidade”. Dizia ainda que contribuíam para esse retraimento, a baixa do câmbio e a oferta de crédito fácil, estimulando muitos a adquirir propriedades agrícolas sem ter capital suficiente, nem mesmo para o pagamento do imposto de transmissão de propriedade e nem a experiência indispensável para a administração das lavouras.
Estava em jogo, ao que parece, criar uma política, de controle à expansão desenfreada do cultivo do café. Mas as propostas apresentadas pelo Secretário, ao contrário, eram políticas claras de estímulo à expansão agrícola, tais como a organização do crédito agrícola, facilitando à lavoura os capitais de que
43 A 1ª Seção, além de responder pelas obras públicas em geral; estradas e caminhos comuns de rodagem; serviços de
estabelecimento de água e esgotos a cargo do estado, também cuidava da contabilidade do Secretariado e distribuição da correspondência oficial. Á 2ª Seção competia tratar da viação e transportes em geral, na parte não sujeita à 1ª Seção; imigração, colonização e núcleos coloniais; indústria e comércio na parte não sujeita à 3ª. Seção; serviços geográficos e geológicos; correios e telégrafos; iluminação pública, além de cuidar de nomeações e demissões, transferências, aposentadorias dos empregados; concessão de licenças ao pessoal do Secretariado e matrícula dos empregados do Secretariado.
precisava, com juros reduzidos; a redução das tarifas de transportes em estradas de ferro; a redução ou supressão do imposto de exportação do café; o suprimento de braços, pela imigração e a redução dos direitos de entrada do café nos países consumidores. Tratava-se, portanto, de aparelhar o estado para uma política agrícola, conjugando as ações da Secretaria em medidas um tanto “populistas”, como a redução das tarifas de transportes ferroviários, supressão do imposto de exportação do café e suprimento de braços pela imigração. Assim Alfredo Maia explicava a necessidade de criar uma Seção Agrícola na Secretaria:
“Nada se tem feito de útil até hoje, no sentido de aparelhar a classe agrícola, já não direi para prevenir, mas ao menos para atenuar os efeitos das crises como a que ora atravessa. Infelizmente, o Governo deixou-se absorver demais por serviços que, por sua natureza, pertenciam à esfera da administração local, de modo a descurar de outros que são do exclusivo dever do Estado cuidar.
Não se tendo também cuidado de organizar sistematicamente, subordinando-os a um plano, os vários serviços indispensáveis para segura orientação dos agricultores na adoção dos gêneros de cultura e desenvolvimento prudente das plantações. Para execução de um plano de reforma nesse sentido lembrarei em primeiro lugar a criação de uma Seção de Agricultura, anexa a esta Secretaria, encarregada de estudar as necessidades da agricultura em seus vários ramos, e propor as medidas que mais convinham ao seu desenvolvimento.
Esta seção deve ter a seu cargo coligir dados sobre o desenvolvimento da produção e do consumo dos produtos da lavoura e criação deste Estado, assim como daqueles que possam ser nele cultivados com vantagem, organizando as estatísticas e informações necessárias. Ela organizará também, de acordo com os estabelecimentos e seções técnicas, já existentes ou que forem criadas, os programas dos trabalhos de investigação ou de demonstração que devem ser sujeitos à aprovação do Secretário da Agricultura.
Além disto, convém estabelecer alguns campos de experiências e demonstração, localizados conforme as várias regiões agrícolas deste Estado, e nos núcleos coloniais de preferência para servirem ao mesmo tempo de orientação aos colonos neles localizados; assim como deverão ser concedidos auxílios aos campos e escolas que forem instalados pela iniciativa particular.” (SÃO PAULO, 1898: 9)
A instabilidade política dos anos entre 1895 e 1900, aquilatada pelo número de secretários que assumiu o cargo neste intervalo, tiveram interferências nas reorganizações que tomaram impulso nestes anos. Foram cinco: Teodoro Dias de Carvalho Junior (por onze meses); Álvaro da Costa Carvalho (por um ano e dois meses); Firmiano de Morais Pinto (por dez meses); Antônio Francisco de Paula Souza (por seis meses) e Alfredo Guedes (por um ano e quatro meses). Mas, após a reforma de 1900, a Secretaria passaria por um período de certa calmaria quanto às reformas administrativas, com mudanças apenas pontuais. Sucessivas crises financeiras levariam a uma queda brusca de receita entre 1902 e 1905, levando à paralisia do governo quanto à realização de algumas obras. Em 1901, a Repartição de Águas e Esgotos voltou a ser subordinada à Superintendência de Obras Públicas (FICHER, 1989: 23), sendo reorganizada pelo Decreto 1.166, de setembro de 1902, destinando maiores quantias para as obras de abastecimento de água e esgotos na Capital. Naquele ano ainda, pela Lei do Orçamento vigente, a Comissão de Saneamento voltaria a desenvolver as obras de Santos e a Lei 936 de 17 de agosto de 1904, criava a Comissão de Obras Novas de Saneamento e Abastecimento da Capital (BERNARDINI, 2003: 67). Em 1903, a 4ª Seção (que cuidava das terras públicas) foi extinta, passando esses serviços para a 2ª Seção (CINTRA, 1985: 24). De 1897 a 1905, as obras de saneamento da Capital, que consistiam na canalização dos rios Tietê e Tamanduatehy, ficaram totalmente paralisadas e só retomadas a partir de 1905, durante o governo de Jorge Tibiriçá (somente as de canalização do Tamanduatehy). As obras do saneamento de Santos também não foram realizadas, só iniciadas em 1903, com a construção de um coletor geral de esgotos, sendo retomadas, com mais intensidade, em 1905, com a construção dos grandes canais de drenagem por Saturnino de Brito. As localidades do interior
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tiveram, em 1898, os serviços de estudos para abastecimento de água, paralisados, ficando os serviços limitados a concluir as obras em andamento.
Em 1907, durante o governo de Jorge Tibiriçá, uma nova e grande reforma foi empreendida pelo Secretário Carlos Botelho. Junto a Jorge Tibiriçá, Botelho procurou reorientar o modelo de colonização do interior, para tornar mais efetiva a ocupação humana do território paulista. Ele acreditava que as pequenas propriedades tinham mérito intrínseco, além de servirem às necessidades dos fazendeiros. Ambos promoveram a criação da Agência de Colonização e Trabalho, principal medida da reforma, cujos objetivos eram a expansão do programa de colonização por meio da criação de fazendas estatais, programa que utilizava uma ostensiva propaganda dirigida aos imigrantes para estimulá-los a se instalarem nos núcleos coloniais existentes. (LOVE, 1982: 36). Outra grande contribuição da reforma, foi a transformação das antigas seções em diretorias, remodelando, de uma vez, a estrutura administrativa da Secretaria, separando novamente as funções administrativas, das “técnicas”, de forma descentralizada (cada diretoria cuidaria de alguns assuntos administrativos, como pessoal e expediente), estrutura que permaneceria intacta até 1927. A reforma foi autorizada pela Lei 984, de 29/12/1905 e estabelecida pelo Decreto 1.459, de 10/04/1907. Pelo grande intervalo de tempo para realizá-la, pode-se deduzir a sua dificuldade. Mas, o aumento das responsabilidades da Secretaria, fez com que a reforma se efetivasse, e embora as atribuições tivessem permanecido as mesmas, a estrutura de execução modificou-se significativamente44.
A novidade dessa reformulação, foi concentrar os assuntos administrativos na Diretoria Geral, deixando que as diretorias cuidassem dos expedientes diretamente ligados a elas.45 Por trás de toda esta
reformulação de Jorge Tibiriçá, havia a intenção de elevar a qualidade técnica das políticas, procurando-se estabelecer uma ponte mais estreita entre a definição de políticas públicas e o conhecimento técnico e científico. Primeiramente, fez a separação entre a agricultura e a indústria e comércio, colocando esses assuntos em diretorias distintas. Na Diretoria de Agricultura, estabeleceu quatro seções: a Seção de Expediente, a Seção Agronômica, a Seção Botânica e a Meteorológica. Todas elas tinham um caráter eminentemente técnico, colocando a serviço da agricultura, todo o conhecimento que se tinha sobre agronomia e botânica no ensino agrícola, nos campos de demonstração, no controle de pragas, na distribuição de sementes, etc. Tibiriçá também transferia para a Diretoria o serviço meteorológico, assumindo, com isto, um serviço essencial no auxílio ao planejamento da produção no campo. Esta seção aprofundou as atividades de climatologia, meteorologia agrícola e das condições agrológicas das regiões agrícolas do estado, através dos postos meteorológicos criados para previsão do tempo e organização e publicação de dados meteorológicos, mapas e diagramas. (CINTRA, 1985: 24). A Diretoria de Indústria e Comércio foi criada com duas seções: Seção de Estatística e Seção de Estudos Econômicos46, responsáveis por todo o planejamento à
44 Com a reforma de 1907, a Secretaria ficou estruturada da seguinte forma: Gabinete do Secretário; Diretoria Geral; Diretoria de
Agricultura; Diretoria de Indústria e Comércio; Diretoria de Terras, Colonização e Imigração; Diretoria de Viação; Diretoria de Obras