de rodagem, custos, regime de pesos e medidas e publicidade. A Diretoria também montaria uma Galeria de demonstração de máquinas, um Mostruário comercial (exposição permanente visitada) e faria a propaganda do café no Brasil e exterior.
47 A Diretoria de Terras, Colonização e Imigração tinha uma Seção Técnica e uma Seção de Expediente. À Seção Técnica cabia
elaborar as instruções para a discriminação das terras devolutas e sua repartição em lotes, exame dos processos de discriminação antes da aprovação pelo governo, elaboração de projetos de núcleos coloniais oficiais, exame e fiscalização dos trabalhos de colonização particular com favores do estado. A de Expediente respondia pela expedição de atos, registro e escrituração do estado dos lotes coloniais e terras devolutas, expedição dos títulos de concessão de propriedade, estatística territorial dos núcleos coloniais e movimento migratório, organização dos mapas e informações dos núcleos coloniais, colecionamento e coordenação dos dados para a propaganda da colonização e expediente relativo à Comissão Geográfica e Geológica. A Diretoria de Obras Públicas se compunha de uma secretaria, duas seções e de sete distritos de obras públicas descentralizados. A novidade foi a criação de uma Seção de Arquitetura, responsável pela organização dos projetos e orçamentos para a construção, reconstrução ou reparos dos edifícios públicos; estudo dos tipos que deviam ser adotados para a construção dos edifícios destinados aos vários serviços do estado e registro dos edifícios públicos construídos. A Diretoria passou a ter também uma Seção de Estradas e Pontes, para a organização de projetos e orçamentos para construção, reconstrução ou reparos de pontes e estradas de rodagem estaduais; organização do serviço de passagens de rios em balsas e canoas; organização do mapa geral das estradas de rodagem estaduais, com indicação de sua quilometragem; estudos das condições de viação de rodagem do estado e os meios de melhorá-la e o estudo das medidas necessárias para regular sua conservação.
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administrativa criada em 1907, readequando, basicamente, os serviços prestados pelas diretorias, já que o volume de fluxos administrativos havia aumentado expressivamente. Uma das idéias era aliviar as diretorias técnicas do expediente meramente burocrático, de maneira que pudessem dedicar-se mais detidamente aos trabalhos de sua especialidade. Uma iniciativa, neste sentido, foi criar uma consultoria jurídica ligada à Diretoria Geral, que cuidaria da elaboração de minutas de leis e contratos. Além disso, vários serviços novos foram incorporados. Na Diretoria de Agricultura, criaram-se os serviços de defesa e de ensino agrícola ambulantes e a Diretoria de Indústria Animal foi reorganizada para ganhar novas incumbências, como o serviço veterinário e os cursos de zootecnia e veterinária para o tratamento rápido das moléstias mais comuns dos animais. Na Diretoria de Indústria e Comércio, foi criado o Museu Comercial, que tinha como principal acervo, o colecionamento de amostras de produtos, com todas as suas informações (valor comercial, preços e mercados, meios e custo de transporte, localidades do estado em que se encontravam), além de informações para a propaganda no exterior. Na Diretoria de Viação, montou-se o serviço de tomada de contas do capital das estradas de ferro para maior fiscalização das estradas de concessão ou propriedade do estado. A reforma também atingia o quadro de funcionários, ampliando o pessoal e aumentando os vencimentos na Diretoria de Viação e de Obras Públicas. A justificativa desse aumento na Diretoria de Viação, por exemplo, era bastante convincente, demonstrando o expressivo resultado material que o estado havia conquistado com os investimentos na infra-estrutura de comunicação e transportes. O Secretário manifestava-se dizendo que, em 1896, se o trabalho da Inspetoria de Estradas de Ferro e Navegação se resumia na concessão e fiscalização das estradas de ferro, fiscalização das linhas de navegação fluvial e costeira e da iluminação a gás da capital, a partir de 1907, além de responder por aqueles serviços, incorporava também a concessão e fiscalização das empresas telefônicas, concessões para exploração de energia elétrica, da iluminação elétrica na capital e da tomada de contas do capital e custeio das estradas de ferro de concessão do estado. Os fatos justificavam esta decisão: se em 1896, existiam 2.572 quilômetros de estradas de ferro, em 1911, eram de 5.200 quilômetros a extensão total dos trilhos. Se em 1896, não havia linha telefônica instalada, em 1911, eram 4.000 quilômetros de linhas instaladas.
Mas não era só o desenvolvimento material pelo qual passava o estado que explicava as mudanças. O volume de entrada de imigrantes, de braços para a lavoura e os conflitos nas relações trabalhistas tornavam o projeto de modernização da produção difícil, fazendo com que a Secretaria, em 1911, se voltasse para uma nova questão: o mundo do trabalho. O Decreto 2.071, de 05 de julho de 1911 e a Lei 1.299-A, de 27 de dezembro de 1911 / Decreto 2.214, de 15 de março de 1912 criaram, respectivamente o Departamento Estadual do Trabalho (que reorganizou a Hospedaria de Imigrantes na Capital e a Agência Oficial de Colocação) e o Patronato Agrícola. Questão que iria tomar conta de todas as políticas da Secretaria, a partir de 1911, as relações trabalhistas foram o mais novo e difícil desafio em que se envolveu, ao buscar conciliar e estabelecer acordos nas relações conflituosas entre empregados e patrões, principalmente no campo.
Entre 1911 e 1920, reformulações menores aconteceriam, tornando-a cada vez mais plena de atribuições e responsabilidades, elevando as suas funções no campo da modernização agrícola. Os embates internos acabariam se resumindo à oscilação de investimentos em uma área ou outra das atividades rurais. Com a presidência nas mãos de Rodrigues Alves, os valores gastos nas obras de saneamento e higiene, aumentaram a ponto de permanecer na média dos 14,75 mil contos gastos por ano com saneamento e
higiene, valores, aliás, que não mais recrudesceriam. Em 1927, atingiram o patamar de 123.149:578$307, com a realização de amplo programa de saneamento para a Capital. Nem mesmo a deflagração da guerra conseguiu abalar as despesas com saúde pública. A gestão de Rodrigues Alves ficou marcada também pela construção de grupos escolares, que só em 1913, havia consumido 3.588$598 do orçamento geral. Mas isso só revelava a expansão geral dos gastos com obras e custeio que fazia aumentar ano a ano, o orçamento geral da Secretaria. Só de créditos ordinários, suplementares e especiais, a Secretaria gastava 44.047:899$88, que representava um pouco mais de 62% do montante geral das despesas realizadas naquele ano. A responsabilidade com a saúde pública e com os programas com os quais a Secretaria se envolvia só pressionava as despesas, que superavam, a cada ano, as rendas adquiridas. A partir de 1905, a Secretaria só teria déficits orçamentários, que se acirrariam com a compra da Companhia Sorocabana de Estradas de Ferro pelo governo, deixando 60.851:618$796 de déficit. Em 1926, esse número chegaria a 158.645:470$548! De fato, havia uma demanda cada vez maior por investimentos na área urbana e uma amplificação crescente das atividades no campo da indústria agrícola e pastoril, na extensão e melhoria da qualidade do transporte ferroviário e no incremento de braços para a lavoura, políticas que já não podiam ser vulneráveis ao turbulento jogo de interesses.
Estas mudanças na realidade territorial do estado levariam a que em 1914 uma nova e ampla reforma administrativa fosse posta em prática. Além de extinguir algumas seções da Diretoria de Agricultura e a Comissão de Saneamento de Santos (que veria paralisada as obras dos canais de drenagem, só retomadas alguns anos depois), a Lei 1.455, de 29 de dezembro de 1914, apontava para uma estratégia de manejo da indústria agropecuária presente nas políticas da Secretaria. Tal lei extinguiu a Diretoria de Indústria Animal, levando-a para uma seção da Diretoria de Agricultura, com a justificativa de que era necessário simplificar o serviço, agrupando-o em instalações oficiais. A reforma não só extinguiu a Diretoria, como também o Posto Zootécnico Central, passando a funcionar como Estação de Monta, a cargo exclusivo da Sociedade Paulista de Agricultura, além de substituir as estações zootécnicas regionais (em S. Carlos, Batatais, Itapetininga e Barretos), pelas estações municipais de monta. Com tal reforma, a Secretaria passava a ter, além do haras paulista, da fazenda modelo de criação em Nova Odessa, da fazenda modelo de forragens e o posto zootécnico, mais 21 estações municipais de monta, funcionando com o apoio das Câmaras Municipais ou de particulares, sob responsabilidade da Secretaria. Em 1916, essa Diretoria voltaria a ser criada, com o nome de Diretoria de Indústria Pastoril que em 1917 seria transformada em Instituto Veterinário, dando origem à Escola de Veterinária, em 1919.
Com a Primeira Grande Guerra, o governo estadual já estava, há alguns anos, bastante empenhado em diversificar a produção agrícola, pecuária e industrial do Estado. As condições impostas pelo mercado externo fizeram com que o governo centrasse esforços nesse sentido. Em 1917, quando a exportação geral dos produtos atingiu 746.316:533$427, só a pequena lavoura e as indústrias pastoril e fabril contribuíram com 471.545:871$02 (LEFEVRE, 1937: 54). Pronunciava-se o Presidente do estado, Altino Arantes na Mensagem encaminhada à Assembléia Legislativa em 14 de julho de 1917:
“É assim que se verifica, em todos os recantos do nosso território, um movimento auspicioso de energia criadora: a lavoura, o comércio e a indústria se desdobram e se multiplicam em novas culturas, em novas explorações, em novas fábricas, ao mesmo tempo que as estatísticas assinalam os maiores algarismos até agora atingidos na exportação de gêneros, principalmente os da indústria pastoril e os cereais, antes
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produzidos em pequena escala, e alguns mesmo importados do estrangeiro ou de outros estados.” (SÃO
PAULO, 1917: 4)
Não sendo fruto do acaso, a expansão da policultura pelo estado tornava-se realidade com a política adotada pela Secretaria. Em 1918, esta foi surpreendida com a geada e o surto de pragas e moléstias que atingiu a lavoura, principalmente a cultura do café, o que fez com que se estabelecesse um serviço de apoio aos agricultores com a venda de instrumentos agrícolas, sementes e adubos, além da criação de fazendas-modelo para o desenvolvimento das pecuárias bovina e suína (CINTRA, 1985: 27). A Secretaria de Agricultura entraria na década de 1920 preocupada em redirecionar sua atenção para a cultura do café, a maior atingida pelos problemas sazonais de 1918, além de concentrar esforços maiores no desenvolvimento da cultura algodoeira. A concentração de esforços era necessária, já que em 1920, não só a Secretaria estava com excesso de atribuições, como era responsável pela infraestruturação sanitária de uma cidade que já atingia quase 600 mil habitantes (SÃO PAULO, 2001: 26). Os discursos pela “desurbanização”, pelo retorno ao campo, pela campanha da desocupação da cidade passariam a ser incluídos nos relatórios da Secretaria de Agricultura, indicando uma grande contradição: por um lado, a necessidade de melhorar as condições sanitárias e de saúde pública das localidades do Estado e, em especial, da Capital, estendendo cada vez mais as redes de abastecimento para uma cidade que se espraiava por todas as direções e, por outro, o empenho em direcionar a ocupação do território paulista para novos núcleos, desenvolvendo as localidades rurais e promovendo a policultura no interior. Este paradoxo permaneceria candente durante toda a década de 1920, quando o governo estadual, à frente da defesa do modelo agroexportador, empenhava-se em dinamizá-lo através das ferramentas mais modernas. Nasceria, neste momento, nos discursos dos Secretários de Agricultura, o pessimismo e a descrença do meio urbano apresentado como pouco adequado ao real desenvolvimento produtivo do estado. A complexidade com que se deparava a Secretaria era apontada pelo Secretário Heitor Teixeira Penteado:
“Criada há cerca de 30 anos, quando o Estado de São Paulo iniciava sua existência autônoma no seio da federação brasileira, saindo quase sem transição, do regime acanhado em que vivera durante o extinto Império, esta Secretaria vem assistindo, ano por ano, ao desenvolvimento, em progressão impressionante, dos serviços a seu cargo, em quase todos os ramos das suas atribuições legais.
Desde o seu início, ficaram a cargo da Secretaria da Agricultura os serviços que interessam ao fomento da produção agropecuária, ao desenvolvimento das indústrias, à propaganda dos produtos do Estado nos mercados de consumo, à imigração e colonização, às terras devolutas, à viação férrea e de rodagem, aos transportes, ao levantamento da carta geográfica e geológica e estudo das questões de todos os edifícios destinados aos serviços públicos do estado, sem falar dos que, embora de grande vulto, só têm interesse local, como os de águas e esgotos, iluminação da capital, e saneamento de Santos e diversas cidades do Estado.
Em 1892, achavam-se a cargo da Secretaria apenas as seguintes repartições e serviços: Superintendência de Obras Públicas – obras em estradas, pontes cadeias e edifícios públicos – Instituto Agronômico, Comissão Geográfica e Geológica, Repartição de Terras, Colonização e Imigração, introdução de imigrantes e núcleos coloniais, iluminação da capital, águas e esgotos da capital, navegação dos rios de Iguape e outros, fiscalização das estradas de ferro de concessão estadual, Junta Comercial, Museu Paulista e Aldeamento e adaptação dos índios. Atualmente este Departamento tem a seu cargo: Diretoria de Agricultura; Diretoria de Indústria e Comércio; Diretoria de Terras, Colonização e Imigração; Diretoria de Indústria Pastoril; Diretoria de Viação; Diretoria de Obras Públicas; Serviço Meteorológico; Serviço de Publicações e Biblioteca; Departamento Estadual de Trabalho – introdução de imigrantes – Colonização; Instituto Agronômico; Escola Agrícola Luiz de Queiroz; Posto de Seleção do Gado Nacional; Haras Paulista; Campos de experiências e de demonstrações agrícolas, Estações de Monta, escolas agrícolas subvencionadas; propaganda do café no
exterior; serviço de estatística e informações agrícolas; Defesa Agrícola; postos zootécnicos de S. Paulo e de Botucatu; Serviço de Polícia sanitária animal; exposições estaduais de animais; exposições regionais; fazendas de criação de Amparo, Barueri, Boa Vista, Campininha e Itapetininga; Serviço Florestal; Comissão Geográfica e Geológica; construção, reparação, adaptação e conservação de edifícios para escolas, cadeias e quartéis; construção, reparação e conservação de estradas de rodagem; Repartição de Saneamento de Santos; iluminação da capital; navegação por vapor entre Iguape, Xiririca, Juquiá, Sabaúna, Jacupiranga, Una, Cananéia, Ararapira, Peropava e Araraquara, no rio Pequeno; navegação entre Paquetá e Bertioga em Santos; melhoramentos do rio Tietê entre S. Paulo e Mogi das Cruzes; construção de estradas de ferro de propriedade do estado; Serviço de Águas e Esgotos da capital; Patronato Agrícola; estradas de ferro de propriedade do estado: Sorocabana, Funilense, Tramway da Cantareira, Campos do Jordão, além da estrada de ferro de Araraquara, recentemente desapropriada.” (SÃO PAULO, 1920: 3)
Em 1920, o Secretário falava em reformas, dizendo que algumas diretorias e seções exigiam melhor distribuição do serviço e aumento do pessoal, e iria propor os projetos de reforma, para maior eficiência dos trabalhos, sinal da grande reestruturação de 1926, durante o governo de Carlos de Campos. A extensão da mesma demonstrava o quanto a Secretaria de Agricultura havia ampliado as suas atribuições. É certo, também que, Carlos de Campos, um grande empresário ligado a várias firmas estrangeiras, como a Brazilian Warrant e uma companhia têxtil alemã (LOVE, 1982: 284), além de acionista de várias empresas de obras públicas, como a própria Companhia Cantareira e Esgotos, Companhia de Água e Luz do Estado de São Paulo, Banco União de São Paulo, Companhia Paulista de Materiais para Construção e outras (BRITO, 2000), interessava-se muito em estruturar a Secretaria para promover um amplo desenvolvimento econômico da base exportadora. Carlos de Campos, além de enfrentar e combater a praga do algodão, desenvolveu um plano para a viação férrea, iniciando um ambicioso programa de construção e melhoria das estradas de rodagem. As principais vias de rodagem de comunicação com os estados limítrofes a São Paulo foram estudadas no seu governo. Em 1924, aliás, o Secretário de Agricultura, Gabriel Ribeiro dos Santos destacava os 74.206 contos e mais 12.592, de valores gastos com importação de automóveis e acessórios respectivamente. O estímulo ao transporte das mercadorias para fomentar a exportação era uma preocupação do Secretário. As questões ligadas à balança comercial, utilizando-se da estatística econômica para o equilíbrio das exportações e importações foram aprofundadas pelo presidente estadual. No seu governo, a carne congelada já tinha se tornado o segundo produto de exportação, ao lado do café.
A reforma de 1926, viabilizada pela Lei 2.193, de 30 de dezembro de 1926, elevaria para onze o número de diretorias, sob responsabilidade da Secretaria. A novidade estava na criação de quatro: a Diretoria de Estradas de Rodagem, a Diretoria de Publicidade, a Diretoria de Contabilidade (que contava com três seções: Contabilidade, Fiscalização e Expediente) e a Diretoria de Expediente, além das já existentes, Diretoria Geral, Diretoria de Agricultura (com três seções: Inspeção e Defesa Agrícola, Distribuição de Sementes e Expediente), Diretoria de Indústria e Comércio (com duas seções: Comércio Interno e Externo e Indústria e Economia Rural), Diretoria de Indústria Pastoril (com três seções: Zootecnia, Veterinária e Expediente), Diretoria de Terras, Minas e Colonização, Diretoria de Viação e Diretoria de Obras Públicas (contendo um Escritório Técnico, uma Inspetoria de Obras e Expediente e Contabilidade).
Tal reforma destacou o serviço meteorológico, colocando-o como repartição anexa. A reorganização incluiu como sua atribuição, o estudo do regime dos rios e a coletânea dos respectivos dados, em virtude da grave crise de energia elétrica e de abastecimento de água potável que assolou a Capital no ano de 1925. Havia uma preocupação nesta reforma, além disso, em planejar os expressivos gastos com o
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custeio, que, após anos de investimento, tornavam-se vultosos. Assumia-se que as despesas com manutenção e pessoal tinham que ser aumentadas, considerando, inclusive a qualidade dos profissionais que a Secretaria abrigava, a maioria com diploma universitário.
A extensão administrativa das diretorias e o direcionamento da Secretaria para os assuntos ligados à infraestruturação pelas estradas de ferro, estradas de rodagem e a priorização de recursos para a realização de obras públicas sanitárias que se tornara, em 1926, um assunto de impacto no campo da saúde pública, em vista das epidemias de febre tifóide que ainda tomavam conta da população paulistana - determinaram a realização de uma nova reforma, em 1927, desmembrando, através da Lei 2.196, de 03 de setembro de 1927
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a Secretaria de Agricultura, Comércio e Obras Públicas em duas: a Secretaria dos Negócios da Agricultura, Indústria e Comércio e a Secretaria de Viação e Obras Públicas, que foi estruturada em três diretorias, além do gabinete do Secretário: Diretoria Geral, Diretoria de Viação, Diretoria de Obras Públicas, Diretoria de Estradas de Rodagem e Diretoria de Expediente. É importante destacar que nestes anos finais da Secretaria de Agricultura, Comércio e Obras Públicas, os gastos com saneamento e higiene aumentaram consideravelmente, sobretudo a partir de 1924. Mas o aumento foi também proporcional ao volume de despesas que se tornou expressivo, principalmente a partir de 1925, quando esse valor quase dobrou, passando de 278.655:835$323 em 1924 para 406.686:740$474 em 1925. Se a média de gastos com saneamento girava na ordem de 15 mil contos, essa média passou para 64,7 mil contos entre 1924 e 1929 (LEFEVRE, 1937: 93). Em 1927, os gastos com saneamento e higiene foram de 123.149:578$307, com a criação da Comissão deSaneamento da Capital e a decisão de buscar as águas na bacia do Rio Claro para abastecer a Capital. Neste ano, um grande e decisivo plano de saneamento era colocado em prática, resolvendo em parte, o problema de abastecimento de água existente em São Paulo.
O desdobramento da Secretaria em duas demonstrou a animosidade de interesses que se acentuaram nos seus últimos anos de existência, dadas as excessivas atribuições a que estava submetida. Assumia-se, com a aquela divisão, os entraves dos assuntos não relacionados à agricultura para o desenvolvimento econômico do estado, revelando uma crise nas articulações das políticas públicas que a Secretaria não mais conseguia resolver. Assim se pronunciava o Secretário de Agricultura, Indústria e Comércio, Fernando Costa em 1927:
“O desdobramento da Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas era uma medida que, há muito, se impunha, atendendo-se à complexidade dos serviços, sempre em crescente aumento com o desenvolvimento e progresso do Estado. A lei 2.196, de 3/09/1927, efetuando esse desdobramento, veio permitir que fossem melhor estudados e maiores amplitudes tivessem os assuntos concernentes à agricultura, ao comércio e à industria. A atenção dos antigos Secretários da Agricultura era constantemente desviada e absorvida pelo volume expediente e pela premência das soluções exigidas pelos assuntos referentes às estradas de ferro, aos meios de comunicação e de transporte e à execução de importantes obras públicas.
O desdobramento, pondo termo a esta notória falha da administração pública, deu ensejo ao