LISIANTHUS (EUSTOMA GRANDIFLORUM) ISLAHI VE GELECEK PROJEKSIYONU
GELECEK YÖNELIMLERI VE DEĞERLENDIRME
Antes de expor, no próximo subcapítulo, o conceito de antinomia utilizado por Kant na Dialética, duas teses aqui defendidas devem estar claras: 1. A solução da antinomia é só um corolário da derivação das ideias transcendentais, em que Kant define o que é uma aparência transcendental. 2. A antinomia se manifesta em um conflito entre predicações de um conceito vazio (ideia – incondicionado tratado objetivamente), ou seja, são falsos conflitos.
Para compreender-se o que Kant chamou de “solução das antinomias”, deve-se, primeiramente, por um lado, ter clareza do que é a confusão entre as capacidades lógica e transcendental da razão especulativa (gênese das aparências transcendentais) e, por outro, como a ideia de mundo178, conceito vazio produzido silogisticamente, surge, para o entendimento, a partir de séries empíricas entre condicionados e, para razão, a partir de séries subordinadas que contém o incondicionado como fundamento último. A primeira tese já foi amplamente debatida nos subcapítulos anteriores, então resta a investigação sobre o conceito de mundo. Partir-se-á do que foi discutido sobre as ideias cosmológicas na secção anterior.
Foi mostrado anteriormente que cada ideia transcendental é só o incondicionado que recebe um predicado (categoria) e depois seu conceito é desdobrado analiticamente a partir do esquema lógico encontrado na função da premissa maior que determina o tipo de polissilogismo. Essa predicação é apenas ilusória, pois, como visto, o que se passa realmente é só a relação analítica da categoria com a representação do incondicionado. Existem tantas ideias transcendentais quantas forem as categorias análogas às funções da relação que determinam os polissilogismos. Ora, a ideia de mundo é um conceito obtido pelo tratamento objetivo do conceito de incondicionado encontrado nos polissilogismos com expoente dado em uma relação hipotética. Sua forma lógica é a relação entre antecedente e consequente e seu análogo na experiência é a relação entre condição e condicionado. O incondicionado representa nessas séries hipotéticas um antecedente último ou absoluto para toda cadeia silogística. Quando o incondicionado, que é pensado como resultado desse processo (aparência transcendental dos
178 Embora Kant tenha diferenciado os conceitos de mundo e natureza, em um determinado momento da Dialética,
a partir da distinção, fundamentada no conceito de homogeneidade, entre séries matemáticas e dinâmicas, aqui será renunciada, por enquanto, essa diferença. Primeiramente, porque Kant subordina o conceito de natureza ao de mundo ao afirmar que a natureza é o mundo considerado como um todo dinâmico. Em segundo lugar, porque o que nos interessa aqui é o conceito da totalidade dos fenômenos pensado de modo absoluto e derivado da atividade lógica silogística da razão especulativa, que é propriamente a definição kantiana da ideia de mundo. Cf. KrV, B446.
polissilogismos hipotéticos), é convertido sub-repticiamente em objeto na ideia, ele aparece como mundo ou totalidade absoluta da série das condições de um fenômeno dado em geral. O mundo, nesse caso, é somente um conceito vazio, produzido ilusoriamente pela extensão do uso da capacidade lógica da razão especulativa sobre o uso empírico do entendimento.
O problema começa a se apresentar quando a ideia de mundo passa a se referir aos fenômenos. Os conceitos empíricos, produzidos a partir do diverso dado na intuição sensível, são, então, pensados como subordinados à ideia de mundo. Facilmente se preenche a ideia com um conteúdo que só pode ser dado em conceitos produzidos pelas regras do entendimento e conforme o diverso dado na sensibilidade. Ilusoriamente, a ideia ganha um aspecto objetivo. Essa ilusão força o entendimento a determinar o incondicionado como se ele fizesse parte da série empírica. Se o entendimento permanecesse somente na série fenomênica, que possui sua objetividade dada nas formas transcendentais (assunto da Estética e Analítica), nenhum conflito surgiria e a razão especulativa seria também apenas para o uso empírico. Porém, a razão especulativa põe a necessidade lógica de buscar um antecedente último para as cadeias hipotéticas e essa necessidade é convertida na exigência da determinação de um objeto que fundamente as séries empíricas efetivamente.
O incondicionado representado na ideia de mundo é operado como se fosse um conteúdo dado para o entendimento. Todavia, o entendimento não opera esse tipo de representação. Se por um lado, o mundo pode ser compreendido como a totalidade dos fenômenos dados na experiência sensível, por outro, essa mesma totalidade é dada pela razão especulativa como totalidade absoluta da série. Essa totalidade dos fenômenos ou mundo, em um sentido, pode ser operado pelo entendimento, se for produzido indutivamente pelos atos lógicos do entendimento. Mas em outro sentido, não pode ser operado pelo entendimento, pois é somente uma ideia obtida dedutivamente através de um uso transcendente da atividade silogística da razão. Enquanto fala-se sobre fenômenos, o entendimento segue aplicando suas regras, mas quando o assunto é o mundo, as determinações deste conceito, em certo sentido, fogem do domínio do entendimento. A rigor, e Kant deixa isso claro na Estética e na Analítica, só existe uma referência para os fenômenos, a saber, a experiência sensível espaço-temporal. Logo, a ideia é apenas uma ilusão e não uma nova esfera de significado. A crítica dialética vai mostrar justamente que a ideia de mundo nada mais é do que um conceito vazio produzido pela
influência da atividade lógica da razão especulativa179. A ideia de modo algum pode instaurar um novo domínio de significado válido para os fenômenos.
O fenômeno é um assunto exclusivo do entendimento, já o conceito de totalidade dos fenômenos ou mundo, em determinado sentido, é assunto da razão especulativa. Quando a discussão sobre os fenômenos se confunde com a determinação da ideia de mundo, a aparência transcendental produz inferências dialéticas. A série de subordinação empírica que é pensada como conteúdo do conceito de totalidade é tomada como momentos da determinação do incondicionado representado na ideia de mundo. Dessa forma, quando se fala sobre a série de causas subordinadas entre os fenômenos, se pensa a extensão dessa série até o incondicionado. Nessa extensão da série empírica para além da experiência, o entendimento é forçado a produzir o conceito de um objeto capaz de iniciar por si só um estado de coisas. Essa extensão é estranha ao entendimento.
O conceito de mundo está submetido a uma tensão entre o entendimento e a razão. Essa tensão será exposta no seguinte subcapítulo. Nessa secção, realizar-se-á uma explicação sobre a distinção entre a ideia e o conceito empírico de mundo. Se o conceito de mundo é produzido pelos atos lógicos do entendimento (comparação, reflexão e abstração)180 ao se referir à experiência possível, então esse conceito é apenas empírico e produzido indutivamente. Nesse caso, o conceito de mundo significa apenas a relação entre condicionados na experiência sensível e vai carregar os predicados encontrados na sua expressão particular, o fenômeno, como por exemplo, que tudo é composto, toda causalidade é relativa, não existe o simples etc. Mas quando esse conceito (ideia) é obtido silogisticamente pela razão, ele vai receber predicados que nada mais são do que as categorias em relação ao incondicionado, como por exemplo, ter início, fim, causalidade e necessidade incondicionados. No primeiro caso, o conceito de mundo é obtido indutivamente pela relação entre os fenômenos em geral e sua universalidade é apenas suposta e comparativa (por indução), ou seja, conheço o universal no particular (como vimos essa é a forma de operação do entendimento). No segundo, ele é obtido dedutivamente por uma necessidade lógica dada em cadeias silogísticas que avançam em relação aos antecedentes e sua universalidade é absoluta (verdadeira e rigorosa), conhecemos o
179 Lembrar que aqui a distinção entre o uso constitutivo e o regulativo das ideias ainda não está sendo tematizado.
Porém, como será mostrado, o uso regulativo, embora seja imprescindível para o conhecimento, é só um uso legítimo da aparência transcendental e não uma superação dela.
particular no universal (operação da razão especulativa), contudo produto de uma aparência transcendental.181
Por isso, a ideia de mundo possui uma implicação para a relação entre o entendimento e a razão que as ideias de alma e deus não possuem. Os conceitos de alma e de deus, por serem apenas dados dedutivamente pelas operações da razão especulativa, pois não podem ser dados como conceitos empíricos, não geram nenhuma disputa entre o entendimento e a razão. Deus e alma são por si mesmo conceitos sempre transcendentes182, ou seja, o incondicionado representado nessas ideias é sempre pensado fora da experiência. Mas o incondicionado dado nas séries hipotéticas é forçado pela razão a ser pensado imanentemente como parte das séries empíricas. O conceito de mundo, por um lado, vai receber os predicados próprios de um objeto condicionado fenomênico e, por outro, vai receber os predicados próprios de um objeto incondicionado dado na ideia. Quando se fala a palavra “mundo”, o entendimento vai relacionar os fenômenos que correspondem a esse conceito como dados em séries condicionadas, sem nenhuma referência possível para o incondicionado. Já pela razão especulativa, o desenvolvimento silogístico desse conceito leva imediatamente o pensamento a buscar o incondicionado representado como antecedente último que sirva de conteúdo transcendental para esse conceito ou ideia. Todavia, esse novo conteúdo é só uma aparência transcendental.
Ora, temos que o conceito de mundo ou é fruto do entendimento e é só um conceito empírico dado por indução, logo sem envolver rigor e necessidade, ou é fruto da aparência transcendental e não passa de um conceito vazio, com validade apenas lógica, mas nunca objetiva183. Se por um lado o entendimento obriga que se afirme que toda causalidade do mundo é condicionada, por outro, a razão exige que a causalidade seja, em algum momento da série, incondicionada, para que a série de subordinação tenha seu acabamento. Forma-se aqui de modo claro duas posições teóricas distintas: uma voltada para o conceito empírico e outra para o conceito transcendente. Aqui ainda não se configura a antinomia da razão pura, pois o conceito de mundo tem claramente sentidos diversos, um empírico-condicionado e outro transcendente-incondicionado. A antinomia surge quando o ‘conceito de mundo’ é determinado em um único sentido por duas teses opostas que se sustentam pelo PRP.
181 Esse movimento será importantíssimo para explicar a necessidade da atividade da razão para o estabelecimento
do conhecimento científico.
182 O entendimento não forma por si só, a partir da experiência, os conceitos empíricos de deus ou alma. Porém,
ele produz o conceito empírico de mundo. Os conceitos de deus e alma não podem ser estabelecidos por indução.
O conceito de mundo dado empiricamente, por indução, não é assunto da Dialética. A Antinomia investiga os resultados de uma pretensa cosmologia racional, em que o conceito de mundo é pensado de modo a priori. A antinomia se manifestará no tratamento puro do conceito de mundo. Logo, aqui só interessa a ideia de mundo, ou seja, o conceito vazio da totalidade absoluta das condições dos fenômenos em geral. A questão gira em torno de como o incondicionado será tratado quando for relacionado com o condicionado a partir da analogia dada na relação entre mundo e fenômeno. O que precisa ficar claro é que para o entendimento a ideia terá o tratamento de um conceito empírico, logo o objeto e o tratamento serão totalmente estranhos um ao outro.
O entendimento (ou seja, o uso processual da atividade cognitiva de acordo com as formalidades do entendimento), por exemplo, ao investigar a ideia de mundo irá afirmar que toda causalidade é condicionada. Como o mundo é dado agora na ideia pela cosmologia racional e não de modo indutivo (conceito empírico), a afirmação que toda causalidade é condicionada valeria para o mundo em si mesmo, enquanto conceito universal e necessário ou como coisa em si. Aqui há um salto enorme para o conhecimento do conceito de mundo. O problema é que não se pode provar, a partir do entendimento, que essa condicionalidade vale para as coisas em si. Até porque, essa coisa em si nada mais é do que o incondicionado representado como totalidade absoluta. Na verdade, esse processo é contraditório, pois ao tentar-se provar a condicionalidade absoluta do mundo, através do entendimento, terá que se provar a condicionalidade do incondicionado, o que é um absurdo.
A afirmação contrária admitiria a existência de uma causalidade incondicionada no mundo e seria análoga ao esquema lógico dado pela razão que busca um antecedente último para as séries formadas por subordinação. Porém, admitir o incondicionado na série empírica seria romper com a unidade da experiência, pois um dos membros da série poderia começar espontaneamente por si só um estado de coisas. Essa afirmação teria que rejeitar o princípio de causalidade do entendimento que liga os fenômenos por necessidade. Na verdade, não faria mais sentido nem em falar em experiência, pois o mundo se determinaria conforme a espontaneidade do incondicionado em iniciar estados de coisas, o que é um absurdo.
A investigação da ideia de mundo resulta no que já é esperado: no acúmulo de afirmações que não se sustentam por si só. Isso ocorre não por insuficiência dos argumentos, mas porque o conceito de mundo dado pelas inferências silogísticas hipotéticas é vazio. Esse conceito é apenas o resultado do tratamento objetivo de uma representação que é apenas lógica,
ou seja, no incondicionado representado na ideia de mundo. Isso põe claramente a Antinomia como um corolário da derivação das ideias transcendentais.
2.2 A investigação sobre a antinomia da razão pura especulativa sob a luz do