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SELİM İLERİ’NİN “GÜZÜN SAVAŞ” ADLI HİKÂYESİ ÜZERİNE BİR TAHLİL DENEMESİ

EK GÜZÜN SAVAŞ

Tampouco as ciências da linguagem são um bloco homogêneo, e o debate sobre o termo

meaning, do inglês, nos leva de volta ao problema. Apesar de a língua inglesa aproximar sentido de

significado, uma vez que é possível utilizar uma só palavra (meaning) para ambos os termos, a distinção acima traçada entre sentido e significação também é possível por meio d a distinção entre meaning (significação ou sentid o) e sense (sentido)8. Essa separação é retomada nos estudos

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de percepção do texto e nos estudos de tradução, áreas que tratam da t ransposição e recodificação de vocábulos.

Aleksandr Shvejcer, lingüista que se ocupou da teoria da tradução, também distinguiu sentido (smysl) de significação (znachenie)9. Znachenie se referiria à estrutura concreta da linguagem,

uma derivação direta dos signos lingüísticos e cu jo entend imento deveria ser procurado exclusivamente dentro do sistema de codificação da língua em questão. No entendimento de Shvejcer, a visão de mundo de uma cultura se expressa também no número de palavras e nos sememas distribuídos na língua, naquilo que é exprimível dent ro desse código, não havendo por isso razão em procu rar a significação d e um termo em outra língua ou cultura10. O sent ido das

palavras seria dado exclusivamente em relação ao código lingü ístico da própria língua.

Isso não implica que traduções sejam impossíveis — sabemo-las possíveis —, mas na impossibilidade d e transpor significações de uma língua para outra. Isto é, implica na obrigação de compreender o que as palavras significam dent ro de um contexto lingüístico para em seguida refazer sua rede de significações, isto é, seu sentido. Apenas a partir da reconstrução dessa rede é que se pode passar à etapa seguinte: a procura por designações válidas na língua destino11.

Shvejcer se refere às dificuldad es em se trabalhar com culturas diferentes. A alteração de um contexto cultural implica na mudança da rede semiótica de referência. Isto é, altera -se o sentido daquilo que fora dito. É nessa situação de desentendimento recíproco que a diferença entre sentido e significação (ou designação, como os estudiosos da tradução preferem escrever) se manifesta. Sentido é o valor que uma significação (designação) adquire dentro de d eterminado sistema, dentro de uma cultura específica.

A mesma separação encontrou eco em Vygotsky, para quem designação é uma categoria da

linguagem, enquanto sentido é uma categoria da fala, da enunciação e do texto. Ainda de acordo com a leitura

que Bruno Osimo faz de Vygotsky, o significado de uma palavra é um poder que se realiza no discurso vivo

na forma de sentido12. Shvejcer, de maneira similar, afirma que não há entre significado e sentido qualquer

barreira intransponível. O sentido é, afinal, o significado de uma unidade lingüística atualizado na comunicação13

. E o escopo da tradução seria o sentido e não a significação dos termos, que inexistem fora do código em que foram criadas. O sentido difere da significação porque tem valor sistêmico. Isso quer dizer que o sentido sobrevive a diferentes contextos uma vez que se encontre a expressão correta na língua destino. Para a lingüista russa L‘Vovskaja, a significação vincula-se à linguagem, e o sentido, à comunicação.

O significado (m eaning) é u ma categoria lingüís tica necess ariam ente sistêmi ca. C om iss o, o significado d e unidades de uma língua p odem não coincidir com outr a em um a infinidade d e ins tân cias (des criçõ es d e conteúdo, v olum e e lugar ocu pad o no sistema). O sen tido, p or outro lado, é u ma categoria da com unicação que n ão d epende das diferen ças en tre as línguas e p ode ser ex presso mediante o s m eios lingüísti cos os m ais diversos, nas mais difer entes línguas14.

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Bernard Pottier15 aproxima a lingüística das teorias da tradução ao descrever esse processo

como uma redução do contínuo amorfo no sentido. Tomando de empréstimo o exem plo de Hjelmslev sobre uma expressão traduzida para d iferentes línguas, o lingüista francês define o sentido como uma instância para a qual convergem as significações particu lares das diferentes línguas, criadas nos diferentes registros semióticos de cada cultura. Ou seja, é a intersecção das traduções em um texto geral, at ravessando diversas línguas e semióticas. O sentido, assim, se aproxima da definição de Greimas16 como um lugar da ―transcodificação de significações‖ que

permite a tradução de uma função semiótica de uma língua para outra. O texto comum a elas é o que Pottier chama de instância conceitual do sentido, ou seja, um sentido conceitual comum17.

Essa transcodificação das significações se aplicaria não apenas a diferent es línguas, mas a diferentes red es semióticas dentro de uma mesma comunidade lingüística. Isso porque o sentido, que é o lugar da t ranscodificação, seria produ zido em todas as red es semióticas. Quão mais próximos os elementos de referência das comunidades lingüísticas em questão, tanto maior a intersecção das significações no universo do sentid o. Essa imagem da rede de signos sugere um sentido destituído de continuum ou de contingências. O sentido, ou essa zona de sentido, se daria na experiência prática do uso que é necessariamente mais extensa que a manifestação semiótica18.

III. As semiologias

Poucos autores da semiologia, ou a ciência dos signos, se preocuparam em definir o conceito de sentido. Se o conceito aparece ocasionalmente associado ao de significação, o mesmo não acontece com o significado. Significado e significação de um signo são instâncias independentes. O primeiro é o conceito ou imagem mental que um significante produz, enquanto o segundo, a significação, é a união de um significad o a um significante. Significados são gerad os no âmbito da língua, e significações, no da fala. A significação de um signo é por isso uma produção individual produzida no tempo e no espaço, enquanto o significado, arbitrário, é construto de um sistema e está portanto acima do âmbito individual19.

No sistema lingü ístico desenhado por Saussure a função do sentido é emblemática, não obstante o entendimento corrente d e que Saussure só pôde fundar a lingü ística extirpando -lhe o sentido20. A teoria saussuriana delineia a questão do sentido na língua separando a significação do valor do signo21, e elegendo a arbit raried ade sígnica como núcleo epistêmico que rege a relação entre significante e significado. Saussure compõe assim uma rede cujo equilíbrio é formado por relações de oposição de cada signo para com os demais, funcionalizado por um campo de forças onde cada elemento reage sobre todos os outros. O valor lingüístico assim descrito seria simples

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conseqüência do sistema, mas na realidad e é a separação fundamental que empresta dinâmica ao sistema saussuriano22.

Teixeira Coelho comenta que essa situação de instabilidad e do sentido levou Saussure a uma formulação do conceito como instância contingente: massas flutuantes de sentido que só se definem em interrupções abruptas, isto é, na eventualidade de um corte transversal23. A conseqüência imed iata dessa formulação é que os significados são entid ades que servem apenas como pontos de referência extremos, e que podem submergir a qualquer momento sob o peso da significação24.

Outro lingüista que se interessou pelo problema do sentido foi Louis Hjelmslev, que procurava obsessivamente formular um método de análise do sentido isento de quaisquer preocupações e instrumentos que não fossem estritamente lingüísticos. O modelo de Hjelmslev, contrariamente ao de Charles Sanders Peirce, evita influências da filosofia ou da psicologia. Pois se há em Peirce uma teoria do sentido , essa não pode ser compreendida desvinculad a de um corpo filosófico mais amplo25.

Hjelmslev26 tornou mais complicada a t ipologia semiológica de Saussure, separand o não apenas expressão de conteúdo (como o lingüista suíço fizera), mas subdividindo ambos os elementos entre forma e substância e criando assim um sistema quadripartido que permitiria não apenas uma melhor descrição da d inâmica sígnica. A tipologia d e Hjelmslev também permite perceber que há reservatórios de matéria-prima, um campo de formas e conteúdos que são atualizados pela linguagem durant e o processo de significação. Sentido seria o processamento dessas substâncias subjacentes às formas sígnicas, uma mecânica que empresta vida ao campo amorfo das formas e conteúdos. Deleu ze e Guattari entendem que a tipologia de Hjelmslev dá mobilidade e movimentação ao esquema de Saussure, sugerindo que a produção de sentido é um processo de territorialização e desterritorialização das significações27.

Hjelmslev incorpora o princípio da arbitrariedade do signo de Saussure, mas nega a hipótese de uma substância fônica anterior à língua. Ao contrário, propõe uma explicação empírica por meio de comparações a posteriori, procurando por um fator comum a todas as manifestações lingüísticas em diferentes línguas, isto é, o sentido28. O exemplo que ficou

conhecido é a frase eu não sei em diferentes línguas: jeg véd det ikke (dinamarquês), I do not know (inglês) ou en tiedä (finlandês). O sentido percorreria tanto o plano do conteúdo das línguas como o plano da expressão, emprestando às frases, apesar das diferentes articulações, um sentido comum. Em oposição às massas flutuantes de sentido sugeridas por Saussure, Hjelmslev postula a existência de um fator comum às múltiplas realizações lingüísticas: o sentido29.

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Não seria portanto um sentido diluído no contínuo amorfo, mas uma instância entre o contínuo e as realizações das cadeias lingü ísticas. Essas realizações, as funções semióticas, não delineiam em seu conjunto um significad o fechado (um semema), mas um feixe amplo de sememas. E o sentido de um signo tampouco se limitaria a esse feixe de sememas, pois inclu iria um espectro que se origina no eixo paradigmático d o signo. A função desse espectro paradigmático é precisamente imped ir a capitulação do sentido ao semema, abolindo a limitação que poderia reduzir o sentido do signo ao seu significado30. Hjelmslev oferece com isso uma

distinção possível e operacional entre sentido e significado dentro da semiologia.

O esquema também permite ver a presença do referente31, exposto pela função de uma

substância do conteúdo, que é estranho à tipologia semiológica saussuriana. E é a ausência do referente em Saussure que dificulta o mapeamento de um sistema gerador de sentidos. Saussure tinha consciência desse campo gerador de significações, pois também se deitou sobre a hipótese de um campo gerador de signos, um motor originário de evocação de termos anterior à cadeia de valor que ordena sua teoria do signo. Mas não se trata de referentes. Trata-se d e elementos sonoros estranhos ou significant es mágicos: os anagramas. Essa hipótese assume a existência de um campo de significação motriz gerad o a partir do significante . Um pré-texto, uma matéria- prima de onde outras cadeias de signos seriam geradas .