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EDEBİYAT SOSYOLOJİSİ AÇISINDAN BİR BAKIŞ

As cerâmicas de engobo vermelho de imediato suscitam questões que ainda não foram respondidas, sendo uma delas a transição das produções de engobos negros e influência helenística para as de engobos vermelhos. A questão que permeia esse debate é se a origem das cerâmicas de engobos vermelhos está na Itália ou na parte oriental do império romano. Certo é que, além de procurar uma relação de causa-efeito para os fabricos orientais e itálicos, o debate atual sugere o questionamento das mútuas influências, das relações de troca entre artesãos e da forma como estas duas regiões estiveram em atividade nesse tipo específico de produção.

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Apesar do argumento de Hayes (1972), de que as produções itálicas teriam influenciado a produção de sigillata oriental, o contrário parece mais verossímil. Ainda que a presença das marcas de oficinas itálicas – C.SENT, de Arezzo, SERENI, provavelmente de Pozzuoli, e ARRE/TINA – apareçam em cerâmicas de sigillata oriental, é mais provável que a produção de cerâmicas cobertas por engobos vermelhos tenha recebido inspiração da sigillata oriental tipo A, importações que chegaram à Itália ainda no I século a.C. A exportação desse tipo cerâmico para diferentes partes do império acontece durante um período em que a sigillata arretina ainda não tinha se espalhado e alcançado proeminência nas relações mediterrânicas. Talvez por isso a sigillata itálica assemelha-se mais com as campânicas do que propriamente com a sigillata Oriental em seu período inicial de fabrico (Viegas 2003: 30).

Nesse sentido, embora a área de difusão da sigillata oriental tenha sido majoritariamente a metade oriental do Mediterrâneo, sua produção se estende e abrange porções da parte ocidental, como por exemplo, as áreas de Pompéia, Tripolitânia e Santarém, onde esse tipo cerâmico pode ser atestado.

Para não criar a falsa impressão que cerâmica terra-sigillata é tratada aqui como um bloco monolítico, ou ainda, está dividida entre a produção itálica e a produção oriental, é pertinente apresentar os diferentes tipos existentes, com o propósito de nuançar suas diferenças e semelhanças, dadas as variações existentes.

a) Terra sigillata itálica

A menção de Plínio sobre Arezzo (Arretium) como centro produtor de cerâmica acarretou a ilação de que esse seria o único local – ou o mais importante – onde esse tipo cerâmico era produzido. Os autores do final do século XIX e inícios do XX buscaram uma maior sistematização nesse estudo e Dragendorff (1985) designou muitas das formas que são identificadas até hoje, sobretudo na Gália; seguido cronologicamente pelos estudos de Loeschcke (1909), que, baseado no estudo da sigillata presente na base militar de Haltern, apregoou a hipótese da existência de um único centro produtor.

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Embora as atribuições de Haltern possam ser questionadas, seu enquadramento cronológico, salvo alguns exemplares, se mantém correto e somente em análises químicas – e daí seu extenso valor – foi possível perceber que apenas 10% das pastas eram originárias da localidade de Arezzo, sendo o restante proveniente de Pisa e Lyon (do sítio de La Muette) (Lesfargues e Vertet: 1976; Viegas 2003).

Além das questões relacionadas à origem e formas, discute-se atualmente o papel das pequenas oficinas no fornecimento e abastecimento dos mercados consumidores, tendo inerente algumas ideias como a de Pucci (1985), que sugere que essas pequenas oficinas formavam verdadeiras redes direcionadas a demandas distintas, o que parece ser de fato, uma interessante hipótese (p.369). Analisando as marcas de oleiros e compilando os dados existentes sobre sigillata arretina, Fulle observa o caráter não-urbano dessa produção, na mesma tendência das ânforas e cerâmicas de construção (Fulle 1997: 111-155). Essa afirmação acaba contrariando, portanto, a ideia das oficinas cerâmicas como “empresas‟‟ destinadas à produção, com elevada subdivisão e especialização do trabalho, na incidência de grandes centros urbanos.

Assim, as terra-sigillata de tipo itálico tem sua produção identificada para a região da Etrúria, por volta de 45 a.C., coincidindo com as datações para as produções da cerâmica campânica. A fabricação do conjunto cerâmico itálico é caracterizada em linhas gerais por uma pasta dura, de fratura linear com pequenos vácuos, alongados ou arrendados, pouca quantidade de enp e de pequenas dimensões, brancos ou branco- amarelados. O engobo contém brilho e geralmente de espessura média (Quaresma 2009: 13). Os fabricos iniciais desse tipo cerâmico demonstram o escasso domínio da oxidação e é possível notar nos engobos vermelhos algumas manchas acastanhadas, fruto do processo de cozedura (Veigas 2003: 43).

Parece existir algum tipo de consenso quanto à falta de conhecimento integral das áreas que comporiam esse centro produtor, e até o momento têm-se identificado os seguintes centros de produção: região de Nápoles, Arezzo, Pisa e Pádua (Schindler- Kaudelka; Schneider; Zabehlichy 1997: 481). As diferenças químicas entre os grupos de referência dessa terra-sigillata são pequenas, estando as maiores nuances na região de

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Arezzo, Pisa e Lyon. Porém, conforme alerta José Carlos Quaresma (2009) até o momento a amostra das análises químicas ainda é escassa, o que torna a relação estatística dos dados complicada para maiores afirmações além das já referidas. Na opinião de Schneider e Daszkiewicz (2006: 538-542), corroborada por Quaresma, existe uma incapacidade na atribuição de centros aos grupos químicos de Roma, igual realidade se apresenta para a região de Nápoles e mesmo em Lyon, onde a amostragem é mais segura, permanecem muitas dúvidas, pois os vasos importados pela área setentrional do Império não condizem com os grupos de referência do referido centro.

b) Terra sigillata sudgálica (La Graufesenque e Montans) e centro-gálica Localizada numa posição favorável, às margens de um rio e junto a vias de comunicação, as oficinas da região dos Rutenos, no limite sul da Aquitânia, contavam com abundante matéria-prima. Ainda no século XIX foi possível a identificação desse centro produtor e logo veio à percepção que existiram diversos centros cerâmicos na Gália, tendo os mesmos crescido em importância durante o I século a.C. e I século d.C., após uma aparente queda das produções itálicas (Vernhet 1986:. 96).

Atualmente para esse tipo de sigillata distinguem-se dois grupos geoquímicos: a La Graufesenque e a Montans, de fácil distinção entre suas pastas. A maior aproximação nessa acepção é notada quando os produtos de Montans não apresentam sua comum coloração clara, tendo pastas mais avermelhadas (Dejoie; Relaix; Sciou, 2005: 10-13; Quaresma 2009: 18).

A pasta da La Graufesenque se caracteriza pela sua espessura fina, dura e de coloração castanho-rosada, tendo pequenas partículas de calcário branco, engobo vermelho, semi-vitrificado e muito aderente. (Vernhet 1986b; Quaresma 2009). A fratura da pasta é nítida, de um rosa-castanho pálido (Munsell 10R 6/8, por vezes 6/6 ou 5/8), com teor elevado de cal, em partículas inferiores a 0,1mm de dimensão e vácuos alongados de 2,0 mm. O engobo vermelho-castanho (10R 5/8) conta com um verniz bem lustrado. Já as pastas Montans são geralmente claras, bege-rosado ou vermelho-

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castanho pálido (10R 6/8 ou 8/8), fina, tendo uma pasta mais mole e de fraturas pouco nítidas. Encontram-se nas amostras minúsculas partículas de cal (Martin 1986b; Quaresma 2009) contendo maior índice de calcite em comparação com a La Graufesenque. As partículas podem ter de 0,1m de dimensão até 0,4 mm, com presença de mica branca ou grãos de ferro, com aproximadamente 0,3mm de dimensão e vácuos de 1,0mm. O engobo de um verniz lustrado com coloração vermelho-castanho (10R 5/8 ou 4/8) mais pálido do que a La Graufesenque coloca seu fabrico mais próximo dos produtos centro-gálicos de Lezoux.

Tecnicamente a produção do século II e III d.C. dos produtos centro-gálicos apresenta uma melhora substancial, com novas formas que aparecendo no início do século II (Vertet 1986: 124). Até o momento a área de Lezoux é identificada como a principal região dessa produção que tem uma pasta amarelada, rosa, salmão ou vermelho-tijolo, com engobo vermelho, vermelho-laranja e vermelho-escuro, brilhante e/ou muito brilhante (Bet e Vertet 1986: 139).

c) Terra sigillata hispânica

Não é totalmente segura a localização ou localizações das áreas produtoras desse tipo cerâmico, sendo que distintos autores denominam essa cerâmica de diferentes formas. Quatro designações assumem preponderância no atual contexto dos estudos desse tipo de sigillata: Martinez Rodríguez (1989) define-a como “cerâmica bética de imitação tipo Peñaflor”, Serrano Ramos (1999a) chama de “produções hispânicas

precoces”; Amores e Keay (1999) utilizam o termo “sigillatas de imitação tipo Peñaflor”; e; segundo Keay, Creighton e Remesal Rodríguez (2001) elas são as “sigillata itálica local”. Questão de nomenclatura a parte, esse tipo cerâmico, que foi caracterizado pela primeira vez em 1967 por C. Domergue como “cerâmica de verniz

vermelho tardio” (Martínez Rodriguez 1989: 61; Quaresma 2009: 71), tem na área de Peñaflor, nas imediações da antiga Celti, seus dados mais substanciais.

Os resultados dos trabalhos em Peñaflor demonstram que esse tipo de produção se estendeu desde época tardo-republicana até o século V d.C., procurando reproduzir, com as mesmas características, as formas tecnológicas itálicas, gálicas e africanas.

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(Quaresma 2009: 72; Amores e Keay 1999: 240). No primeiro momento essa produção se assemelha à terra-sigillata itálica, com paredes finas, engobo vermelho pompeiano; e num segundo momento aproxima-se mais das sigillatas gálicas. Posteriormente a produção inspira-se na sigillata africada, em suas distintas variantes, a saber: A. C e D (Amores e Keay 1999: 240-241). Parece ser consenso atualmente que é durante meados do século I d.C. que esse tipo de produção atinge seu auge, dando lugar em seguida à terra-sigillata de Andújar

A região de Tricio – atinga Tritium Magalum – também figura como um destacado centro produtor desse tipo cerâmico, tendo em áreas como Bezares, Arenzana de Arriba e Nájera, excelentes condições geográficas à obtenção de matéria-prima (Mezquíriz 1985: 114). O centro produtor de La Rioja e/ou as oficinas do Vale do Ebro beneficiaram-se da existência de uma intensa rede viária, tanto terrestre como fluvial – o próprio rio Ebro – e distribuíram seus produtos via cidades como Caesaragusta e Mérida, chegando a áreas como Tarraconese e Lusitania (Sáenz; Sáen 1999: 70).

A evolução das formas de sigillata hispânica está amplamente baseada na estratigrafia de Pamplona, na região de Navarra, indo de meados do século I d.C. a inícios do século V d.C. Entretanto, como reconhece C. Viegas (2003: 139) corroborando a prerrogativa C. Saénz (1999: 65), ainda é necessário estabelecer estudos apoiados em estratigrafias mais seguras, sem ter em mente os estudos tipológicos dos trabalhos clássicos como dogmas de fé – o que muitas vezes implica na ausência de questionamentos e defrontações. Antes, é preciso estabelecer um refinamento cronológico e identificação dos centros produtores com maior acuidade.

A difusão desse tipo cerâmico é mais conhecida, portanto, na região de Andújar e oficinas béticas, situadas junto ao Guadalquivir, que possui tradição oleira de produção desde a cerâmica ibérica pintada até cerâmicas de iluminação (Sottomayor, Roca, Fernández 1999: 21). Porém, a caracterização tanto para os produtos de Tricio quanto para os de Andújar é complicada; bem como as relações de mercado estabelecidas para os produtos hispânicos, de forma geral. A emergência substancial de oficinas de pequena escala, para esse caso, sobretudo em finais do século I d.C., tem sido interpretada sob a ótica do aumento na produção diante da procura exacerbada de

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cerâmicas de mesa (Saénz; Saénz 1999: 74-77). Seria dessa forma que esse tipo cerâmico – através de muitas oficinas de pequena escala – lançaria sua produção sobre a região.

Quanto ao fabrico, o grupo cerâmico apresenta distinta fratura, com arestas retilíneas, tendo uma pasta dura, embora se desfaça facilmente pela ação mecânica. O engobo é fino, estaladiço e pouco homogêneo, produzindo um efeito de mancha. (Quaresma 2009: 96). É característico nessa cerâmica um tipo de decoração roletada (guihoché) nas paredes exteriores dos vasos, sendo uma influência de vasos de paredes finas (Roca 1976: 77), as marcas de oleiro também são frequentes nas formas lisas e abundantes nas cerâmicas de mesa, como os pratos. É dessa maneira que se podem diferenciar os oleiros que produziram sigillata hispânica em Tricio e Andújar (vide Roca e Fernández 1999: 291-296).

d) Terra sigillata africana

A terra-sigillata africana foi caracterizada pela primeira vez por Hayes (1972), sendo retrabalhada por Carandini (1981), quando o mesmo propôs maior divisão no tipo cerâmico apresentado pelo primeiro autor. A princípio Hayes nomeou a fase inicial das produções norte-africanas de sigillata clara A, tendo como referencial peças de cor laranja-avermelhado, pasta esponjosa, com pequenas partículas de quartzo, micas e calcário. Os engobos de boa qualidade, algumas vezes lustrosos, da mesma coloração da pasta, tendendo a cobrir a superfície interna e externa das peças era outra característica marcante (Hayes 1972: 289; Veigas 2003: 165). Essa cerâmica teria seu início no final do século I a.C. e início do século II d.C., sendo que semelhanças entre as peças de produção sudgálicas pode ser evidenciadas em seu momento inicial.

No interior da produção A, Carandini (1981) identificou três fabricos com base no engobo das peças, distinguido três cronologias com a nomenclatura: A1, A1/2 e A2. O tipo cerâmico A1 seria de fins do século I a.C. a meados do século II d.C., com engobo fino e brilhante, sendo a produção A1/2, da segunda metade do século II d.C. com um engobo menos fino e brilhante. A pasta A1 é dura, compacta, granulosa, tem

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vácuos alongados e/ou raramente os possui, tem cozedura forte, fratura irregular e engobo medianamente fino.

A pasta A2 apresenta-se mais dura, pouco compacta, granulosa, com vácuos alongados e/ou raramente os possuindo, quartzo de médias dimensões, por vezes com alguma mica ou minerais de coloração negra. O engobo parece ser mais fino que na A1, com início redutor e fim oxidante, o que faz com que seu núcleo seja cinzento.

A sigillata clara C apresenta uma qualidade muito depurada em seus engobos e pastas, essas mais macias e finas que a sigillata clara A. Essa produção inicia no começo do século III d.C. – sigillata clara C1 – e irá dominar os mercados do Mediterrâneo oriental durante o decorrer desse século com sua variante (C2). Carandini ainda apresenta os tipos C3 e C4, que em sua descrição apresentam engobo mais espesso, cobrindo a superfície interna e a parte superior da borda das peças. A cronologia mais avançada para essa variação é a da C4 que atinge todo o século IV d.C. e primeira metade do século V d.C. (Carandini 1981: 15).

Ainda é distinta a sigillata clara D que recupera o fabrico da tipo A, mas se caracteriza por pastas de textura granular fina e engobo de pouca espessura, pouco lustroso e, por vezes, rugoso. Esse fabrico tem duração de inícios do século IV a meados do século VII d.C., com diversas fases estipuladas por Hayes (1972), tendo como característica principal o engobo não cobrir toda a superfície externa. O fabrico D1 (IV e V d.C.) distingue-se do fabrico D2 (IV e VI d.C.), sendo que o último apresenta engobo mais espesso e brilhante pelo acentuado polimento que recebe.

A terra-sigillata africana remete sua origem à região de Cartago; muito embora não sejam amplamente conhecidos esses centros produtores, escavações italianas, inglesas e alemãs aplicaram-se ao escrutínio das áreas (Hayes 1972: 298; 1980: 518;

Bonifay 2004: 45). O surgimento desse tipo cerâmico foi denominado como “proto

african red slip ware‟‟, com datações de inícios do século I e principio do século II a.C. (Hayes 1978: 36). Essa produção proto terra sigillata africana é também conhecida como cerâmica Utica, destinando-se a um mercado somente local. As escavações

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italianas e inglesas (Tortorella 1982, Fulford; Peacock 1984), assim como as alemãs (Mackensen 2004: 153; Rakob 1999), demonstraram em níveis tardo-romanos que o contexto é do segundo terço do século I d.C., sem a presença de terra-sigillata africana propriamente dita (Martin-Kilcher 1999).

Baseado em alguns vestígios em depósitos fluviais foi proposta a região do vale médio do rio Mejerda como local do fabrico da cerâmica africana tipo A, entre Bulla Regia e Simitthus ou entre Dougga e Uchi Majus (apud Bonifay 2004:.45). Nos trabalhos realizados ente os anos de 1987 e 1997 foram identificados 38 sítios no litoral tunisino, espalhados de Sul a Norte, com a presença da sigillata africana A e formas A1

– aparecendo em três sítios – e formas A2 associados ao material do século III d.C.. As

análises químicas de porosidade e ativação de nêutrons sobre uma amostra de 194 fragmentos de sigilata africana provenientes de San Sisto Vecchio, Roma, produziram diferenças no interior de uma mesma amostra. Quando Schuring (1988) relacionou os tipos A, A/D e D entre si, notou que o tipo cerâmico A1 apresentou três fabricos distintos e o tipo A2 outros três fabricos, relacionados à mesma área dos tipos A, A/D e D, sendo somente a cerâmica de cozinha polida de uma produção distinta. Assim, fica evidente a grande variedade de fabricos e necessidade de mais pesquisas nesse sentido.

A terra-sigillata africana A ainda não possui uma cronologia segura e a mais verossímil é aquela dada pelos centros de consumo italianos. Contudo, em Ostia, Roma e Pompéia, os dados passam somente a ser mais seguros a partir do período Flaviano (Carandini e Panella 1977: 331). Diante dos dados de Ostia, Hayes (1980) estabelece novas cronologias, sugerindo que as datações do século II d.C. em seu livro Late Roman Pottery, estavam vinte anos recuadas. Esse problema é creditado às cronologias que foram estabelecidas por Lamboglia (1958) e seriam demasiado prolongadas.

Segundo Quaresma, se analisarmos os dados de Ostia e a camada XXV das Termas do Nadador, é possível perceber no strato V (80-90 d.C.) que apenas nove exemplares são importados; já no strato IV (90-140 d.C.) são quatorze exemplares, e após um hiato estratigráfico de cinquenta anos, no strato III (190- 220/225 d.C.), aparece aquilo que poderia ser um implemento e diversificação do comércio local com a

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presença mais intensa das formas africanas tipo A, tanto a antiga (A1) como tardia (A1/2 e A2), num total acumulado de 123 exemplares. Isso demonstra a capacidade de expansão e variação das produções africanas (Quaresma 2009: 164-5).

Nos últimos anos M. Mackensen e G. Schneider (2002 e 2006) vêm se dedicando ao mapeamento das áreas produtoras de cerâmica norte-africana. Através de análises químicas (WD-XRF3) nas áreas de Sidi Marzouk Tounsi, el-Mahrine, Henchir el-Biar, Henchir el Guellal (Djilma) e Henchir es-Srira., os autores têm refinado e precisado melhor a origem dos fabricos. Discorrendo sobre o centro produtor de Djilma e Henchir es-Srira refinam a cronologia dessas áreas e tecem interessante observação sobre as decorações em relevo:

“Em Henchir el-Guellal (Djilma), na outra mão, um plano de produção a.C., formas C1 e C 2 foram discernidas assim como as lamparinas red-slipped com dcoração em relevo, embora não haja evidência de produção de vasos com decoração aplicada. Em Henchir es-Srira, juntamente com o tipo ARS é produção C2 , a produção de relevos decorados, vasos red-slipped das oficinas de Navigius é atualmente confirmada pertencer ao 3º. Século d.C.(...) Os exemplos dos vasos A1 e A2, surpreendentemente formam um grupo de referência homogênea, pontuando sua produção em um único, mas ainda deslocado centro no nordeste da Tunísia, onde, do tardio 1º. ao início do 3º. ou ainda, no médio 4º. D.C., plano e decoração aplicada A1 e A2 sigillata são produzidos.” Mackensen e Schneider 2002: 179)4

De forma geral, a decoração das sigillatas africanas permite um recorte cronológico mais seguro nas decorações aplicadas. As decorações em relevo teriam sido produzidas com molde de meados/finais do século IV e início do V d.C., em menor escala que outros estilos. A decoração aplicada teve maior vigência durante os séculos

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Wavelength-Dispersive X-Ray Fluorescence

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At Henchir el-Guellal (Djilma), on the other hand, a production of plain A/D, C1 and C2 forms was discerned, as well as of red-slipped lamps with relief-decoration, although there was no evidence of a production of appliqué-decorated vessels. At Henchir es-Srira, in addition to ARS ware is fabric C2, the production of relief-decorated, red-slipped vessels from workshop of Navigius is now confirmed for 3rd

c.(…) The samples of the A1

e A2 vessels surprisingly form a homogeneous reference group pointing to their production in a single, as yet unlocated centre in N(E) Tunisia, where, from the late 1st until the early 3rd or even the mid-3rd c., plain and appliqué-decorated A1 and A2sigillata had produced”.

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III e IV e inícios do século V d.C. As temáticas do século III d.C. caracterizam-se pela dispersão de motivos relacionados a espetáculos com feras e cenas de caça

(“venationes”), no corpo e/ou fundo dos vasos (Viegas 2003: 166). Distinguem-se ainda

as variantes: A (i), A (ii) e A (iii), com cronologias das primeiras décadas do século IV e último quartel do século V d.C., nas decorações com motivos florais e geométricos e composições radiais. O tipo B de meados do século IV ao primeiro quartel do século V d.C. e o tipo C de finais do século IV e meados do V d.C., contam com incipiência de figuras com animais – principalmente pássaros. Posteriormente, símbolos cristãos – especialmente o monograma da cruz – foram incorporados em seu repertório, correspondendo ao tipo D. No tipo E as figuras humanas e outras espécies de animais se tornaram presentes, tendo cronologia do primeiro quartel do século V e início do século VII d.C. (Hayes 1972: 217-220).

Além das decorações com relevo, estampa e aplique, a sigillata clara africana ainda conheceu técnicas como as caneluras, o guilhoche, barbotina, os gomos, entalhes, orifícios e padrões brunidos e enegrecidos. O que dá uma dimensão da vivacidade e