4. BULGULAR VE YORUMLAR
4.1. AraĢtırma Verilerinin Analizi
4.1.3. Güvenilirlik Analizine ĠliĢkin Bulgular
No jogo capitalista, o México e o Brasil oferecem quase as mesmas vantagens para o mercado internacional, porque ambos têm os dois recursos clássicos das economias dependentes: matéria
prima abundante e força de trabalho disponível, e pelo mesmo, barata. Também, sob as novas
exigências do mercado e finanças, as duas “economias emergentes” oferecem: estabilidade política para garantir o investimento interno-externo; reestruturação produtiva para garantir os requisitos do livre mercado; classe empresarial estável para garantir tanto parcerias transnacionais como mercadorias internas; padrões de consumo condicionados, para garantir a compra de produtos multinacionais; estrutura básica de força, que ainda pode garantir o controle da delinqüência e a violência social.
No globalismo, ser semelhante é paradoxal: de um lado é útil porque permite a estandardização de comportamentos que potencialmente integram uma comunidade; de outro, significa forçar a competição para oferecer características a mais e ser efetivamente considerado. Para nossos países o resultado é o afastamento, e em maior grau para o México e o Brasil.
As estatísticas econômicas básicas de ambos paises segundo os dados do BM são estas:
Tabela 8
Principais Dados econômicos do Brasil e do México
BRASIL MÉXICO Ano indicador 2000 2004 2005 2000 2004 2005 INB 623,8 551,6 644,1 501,0 706,7 753,4 INB Per Cápita* 3,590 3,000 3,460 5,110 6,930 7,310 PIB 601,7 604,0 794,1 581,4 683,5 768,4 Crescimento PIB % 4,4 4,9 2,3 6,6 4,1 3,0 Inflação % (diminuição PIB) 8,4 8,2 7,2 12,1 7,4 5,4 % PIB Agrícola 7,3 10,4 9,8 4,2 3,9 3,8 % PIB Indústria 28,0 40,0 37,9 28,0 26,3 25,9 % PIB Serviços 64,7 49,6 52,3 67,8 69,8 70,2 % PIB Exportações 10,7 18,0 22,7 30,9 29,6 29,9 % PIB Importações 12,2 13,4 15,0 32,9 31,6 31,5 Bilhões de dólares * Milhares de dólares
Fonte: www.worldbank.org Dados e Estatísticas por países. Acesso em 15 de outubro de 2006
A geopolítica continental e a lógica regional se impuseram na integração, sendo a entrada do México ao NAFTA marca de uma nova atitude latino-americana no comércio mundial. Um dos países de mais tradição, cultura de língua latina, rompeu com seu papel de representante dos paises latino- americanos ante as nações industrializadas, iniciado mesmo desde o Congresso de Panamá de 1826, e se trasladou ao “outro lado” (PALACIOS, 2001, p.245), convertendo-se nada menos do que em embaixador do panamericanismo, colocando-se como exemplo da abertura do mundo desenvolvido a países como ele.204
A preocupação dos países sul-americanos quando o México assinou o NAFTA, foi o risco de perderem espaço no mercado estadunidense. Embora esse país tenha se afastado da sua tradição como mediador nos fóruns internacionais, a reclamação dos demais foi apenas um recurso retórico, porque o que mais pesou foi que passou a ter prioridade na concorrência continental.
[...] Al integrarse al norte anglosajón, México se convertía en un socio doblemente privilegiado en sus relaciones con Estados Unidos, pues además de las ventajas de la proximidad geográfica, tenía ahora las de ser un miembro pleno del bloque comercial, con lo cual les ganaba la carrera a otros candidatos de la región, entre los cuales siempre se había destacado Brasil y, en menor grado, Argentina [...] (PALACIOS, 2001, p. 355)
O Brasil reagiu com pessimismo em geral. Na retórica política, assinalou que a atitude do México rompia o bloco histórico latino-americano. O MERCOSUL se converteu, a partir daí, em uma prioridade para o governo brasileiro, tentando assumir sua liderança, ainda que por vários anos o regime argentino de Carlos Saul Menem (1989-1999), protótipo de governo neoliberal da América Latina, tenha lutado para dirigir o MERCOSUL.
A recomendação do México era mostrar sua participação no NAFTA como a primeira de outras possíveis inclusões de países latino-americanos, porém, essa embaixada viu-se questionada pela atitude estadunidense e pelo conteúdo mesmo do tratado. O Chile tentou entrar se apoiando em legisladores dos EUA favoráveis a sua adesão e com a ativa mediação mexicana. A incorporação do país sul-americano ainda que apoiada por uma forte campanha, foi rejeitada com o argumento contundente de que o tratado simplesmente não tem cláusulas de adesão. O fato foi interpretado como a marginação da América do Sul. A negativa de abrir o livre mercado do norte à América Latina gerou forte tensão, que seria relaxada posteriormente com a proposta da ALCA no ano 1994, na Primeira
204 A abertura comercial se converteu na base da política exterior mexicana; foi modificada a sua tradição diplomática de
participação ativa nas negociações políticas internacionais, baseada no princípio da não intervenção, em respeito aos mandatos das Nações Unidas, e a uma série de fundamentos resumidos na chamada “Política Estrada”, que permitiu ao país se colocar como interlocutor importante nos foros mundiais, e ter tido logros em momentos chaves da história do século XX, como a proclamação do “Tratado de Tlateloco” pela não proliferação armamentista da energia nuclear, ou sua mediação em conflitos armados, como o colombiano e a pacificação da América Central – Grupo Contadora e Esquipulas.
Cúpula das Américas. Com a expansão de tratados da UE com países e blocos americanos, o projeto foi promovido com maior força.
A ALCA é o prolongamento continental do NAFTA, portanto, o que acontecer nesse último repercutirá no futuro da Área de Livre Comércio. A principal inquietação referida à ALCA seria desde o início, que se repetissem os termos de subordinação sob os quais o México foi incorporado ao NAFTA; ainda mais, desde o ano de 95, as altas expectativas do NAFTA caíram, por causa da severa crise mexicana de 1994-1995, percebida como conseqüência da reestruturação econômica exigida do país, para desenvolver o livre comércio em associação direita com EUA.
Ante a queda de expectativas do NAFTA e o que poderia acontecer com a assinatura da ALCA, as negociações para sua formação mostraram maior flexibilidade, sobretudo aquelas referentes a mercadorias exclusivas, proteção de setores considerados chaves e prazos maiores para alcançar tec’s de certos produtos. Os condicionamentos colocados pelo Brasil, ou pela Argentina, até mesmo pela própria Venezuela nas negociações com a ALCA, não têm provocado nos estadunidenses uma atitude de rejeição instantânea como aconteceu nas duras negociações com o México, pelo contrário, mostraram-se abertos a discussão. Certos empresários mexicanos evidenciaram sua inconformidade pelas concessões ao sul, depois deles terem cedido a muitas exigências que não tiveram o resultado prometido, e terem se sentido ridicularizados por promoverem o NAFTA nos termos originais.205
Diante do evidente questionamento dos resultados do livre comércio e da assimetria, além dos protestos de grupos mobilizados da sociedade civil, os promotores da ALCA optaram por baixar o apressado ritmo que impuseram desde 1998. Mas foi na Quinta Cúpula das Américas, em novembro de 2005, que o Mercosul e a Venezuela fizeram uma frente comum para neutralizar o impulso que Estados Unidos deram à ALCA.
Já na Cúpula das Américas de Quebec 2001, os participantes manifestaram abertamente inquietudes, pedindo maior cuidado nas negociações. Nas Reuniões Ministeriais posteriores, entre 2001 e 2005, revisaram as ofertas e os compromissos do tratado. Neste, teve que ser incluído o documento “Pautas para o tratamento das diferenças nos níveis de desenvolvimento e tamanho das economias”, cuja discussão faz parte das negociações. Também foi incluída uma comissão para receber “sugestões e aportes” da sociedade civil, feitas públicas na página eletrônica oficial. A difícil negociação fez impossível cumprir os apressados prazos fixados originalmente: 30 de setembro de 2004 para concluir as negociações de acesso a mercados, para que no máximo em dezembro de 2005 entrasse em vigência a ALCA. Depois da Cúpula de Mar del Plata em 2005, não há datas marcadas. A chamada “co-presidência para as negociações finais”, compartilhada pelo Brasil e pelos Estados
205 Embora (mornas: o que Significa?), as opiniões de membros da câmara de comércio mexicana se manifestaram, como
Unidos, mostra a luta das duas posturas políticas sobre o livre comércio: uma a favor da que tem funcionado no NAFTA e a que tenta a revisão geral dos termos do tratado e da adesão.
O Brasil e o México, quanto ao discurso geopolítico continental, poderiam ser considerados antagônicos por pertencer ao NAFTA e ao MERCOSUL, e nos últimos anos pelas diferenças ante a ALCA, embora tenham os mesmos princípios de integracionismo subordinado. O tempo colocaria em justa dimensão as coisas. O NAFTA significou uma grande vantagem para a movimentação comercial mexicana devido ao acordo direto com EUA, mas não mudou significativamente, trocaram os ritmos e os requisitos formais para a exportação-importação, mas o tratado de livre comércio com o norte, em termos gerais, foi um ajuste formal à dinâmica já presente. Também significou um México mais dependente dos Estados Unidos, com sua diversificação econômica diminuída, como observamos anteriormente.
Nos últimos vinte anos a política exterior mexicana em relação ao sul tornou-se ambígua.
Continuo falando da sua necessidade de se aproximar mais aos paises do MERCOSUL, mas em termos reais os resultados são escassos. O México apóia a integração do ALCA nos termos originais, e desde que as negociações começaram a se paralisar, o país tem tido um contato maior com o MERCOSUL. O Brasil também mostrou reservas no relacionamento com o México, que desde 2002 tinha solicitado sua associação ao bloco, mas o Brasil argumentava razões legais para a negativa, atitude que foi se alterando nos dois últimos anos.