F. KESİN HÜKÜM OLMAMASI
V. GÖREVLİ MAHKEME
O que se pôde observar pelos dados consultados é que foi possível encontrar nas legislações tanto nomenclaturas como plano de carreira do magistério, estatuto do magistério ou, ainda, estatuto e plano de carreira do magistério. No quadro 11, a seguir, se pode notar, também, que em alguns municípios coexistem, em normas distintas, tanto um estatuto quanto um plano de carreira (Barretos, Bauru) e na grande parte deles ou um estatuto e plano de carreira unificados ou somente o plano de carreira.
Em termos conceituais, estudo do MEC (BRASIL, 2000) situa as diferenças entre estatuto e plano de carreira da seguinte forma:
O estatuto corresponde ao conjunto de normas que regulam a relação funcional dos servidores com a administração pública, e dispõe, por exemplo, sobre investidura, exercício, direitos, vantagens, deveres e responsabilidades. O plano de carreira consiste no conjunto de normas que definem e regulam as condições e o processo de movimentação dos integrantes em uma determinada carreira, e estabelece a progressão funcional e a correspondente evolução da remuneração. Por sua vez, carreira constitui-se na organização dos cargos de determinada atividade profissional em posições escalonadas em linha ascendente. (BRASIL, 2000, p. 36)
Posto isto, cumpre-nos dizer que entre os estatutos e planos estudados, o mais antigo em plena vigência data de 1986 (Marília), outros três são da década de 1990, nos casos de Sorocaba (1994), Franca (1998) e Presidente Prudente (1999), e em relação aos demais, sete foram elaborados no período de 2000 a 2009 e quatro bastante recentes, entre de 2010 e 2012.
25 Com o apoio da UNDIME enviamos o questionário por e-mail no dia 13 de agosto de 2.013 e obtivemos entre os dias 14 e 25 desse mês o retorno de somente dois municípios (Barretos e Marília). A fim de assegurar um retorno maior efetuamos em média mais três contatos telefônicos por município e, em alguns momentos, com o próprio secretário municipal de educação, o que nos possibilitou contabilizar no dia 30 de setembro de 2.013, 100% de resposta ao questionário, ou seja, todos os 15 municípios sedes o devolveram preenchido.
Quadro 11 Legislações dos estatutos e planos de carreira em vigência nos municípios sedes Município Existência de Estatuto e/ou Plano de Carreira do Magistério/Profissionais da Educação Categoria profissional abrangida pelo Estatuto/Plano de Carreira
do Magistério
Araçatuba Estatuto e Plano de Carreira
Lei Complementar n.º 204, de 22 de dezembro de 2009. Profissionais da educação
Araraquara Plano de Cargos, Carreiras e Salários
Lei nº 6.251, de 19 de abril de 2005. demais funcionários do poder Profissionais do magistério e público
Barretos Plano de Carreira
Lei n° 3.629 de 25 de setembro de 2003.
Estatuto do Magistério
Lei Complementar n.º 45, de 26 de fevereiro de 2004.
Profissionais do magistério
Bauru Plano de Cargos, Carreiras e Salários
Lei nº 5.999, de 30 de novembro de 2.010.
Estatuto do Magistério
Lei nº 6.217, de 28 de maio de 2.012.
Profissionais do magistério/educação
Campinas Plano de Carreira
Lei nº 12.987 de 28 de junho de 2007. Profissionais do magistério
Franca Estatuto do Magistério
Lei Nº 4.972, de 11 de Fevereiro De 1998. Profissionais do magistério
Marília Estatuto do Magistério
Lei nº 3.200 de 30 de dezembro de 1986. Profissionais do magistério
Presidente Prudente Estatuto Do Magistério
Lei nº 79, de 17 de dezembro de 1999. Profissionais do magistério
Registro Estatuto e Plano de Carreira
Lei Complementar nº 45, de 30 de março de 2009. Profissionais do magistério
Ribeirão Preto Estatuto e Plano de Carreira
Lei nº 2.524, de 20 de abril de 2012. Profissionais do magistério
Santos Estatuto e Plano de Carreira
Lei Complementar n.º 752, de 30 de março de 2012. Profissionais do magistério
São José do Rio Preto Estatuto e Plano de Carreira
Lei Complementar nº 138, de 28 de dezembro de 2001. Profissionais do magistério
São José dos Campos Plano de Carreira
Lei Complementar nº 454, de 08 de dezembro de 2011. Profissionais do magistério
São Paulo Estatuto do Magistério
Lei nº 11.229, de 26 de junho de 1992.
Estatuto dos Profissionais da Educação
Lei nº 14.660, de 26 de dezembro de 2007.
Profissionais do magistério/educação
Sorocaba Plano de Carreira
Lei nº 4.599, de 06 de setembro de 1994. Profissionais do magistério
Fonte: Elaborado pelo autor com dados das Prefeituras e Câmaras Municipais (2013).
É importante assinalar que quase todos os estatutos e planos dispostos no quadro anterior sofreram ao longo do tempo alterações significativas em seu conteúdo, com exceção de Araraquara, Franca, Ribeirão Preto, Santos e São José dos Campos.
Quadro 12 Alterações nos estatutos e planos de carreira do magistério dos municípios sedes
Nº de Alterações Municípios
nenhuma alteração Araraquara, Franca, Ribeirão Preto, Santos e São José dos Campos
1 alteração Araçatuba e Registro
2 alterações Bauru, Campinas, Presidente Prudente e São Paulo
3 alterações Barretos
4 alterações Sorocaba
5 alterações São José do Rio Preto
45 alterações Marília
Fonte: Elaborado pelo autor com dados das Prefeituras e Câmaras Municipais (2013).
Na situação específica de Marília, o número de alterações no estatuto do magistério é tão grande, que podemos afirmar que em comparação ao documento que se tinha em 1986, pouca coisa restou. Ademais, notamos que pelo porte médio e crescimento do sistema municipal de ensino, referida lei já poderia ter sido reestruturada nos termos da Resolução CNE/CEB nº 02/2009, com ampla participação dos profissionais envolvidos.
Quanto à legislação do município de São Paulo, mesmo que tenha havido apenas duas alterações, ambas foram bastante intensas e buscaram reestruturar todo o quadro do magistério, fixado, até então, pela Lei nº 11.229/1992, elaborada durante o governo de Luíza Erundina e do secretário de educação Paulo Freire. Embora não totalmente revogada, a Lei nº 11.229/1992 teve parte de suas regulamentações mantidas e incorporadas ao novo estatuto dos profissionais da educação, de 2007.
Em linhas gerais, a maioria dos estatutos e planos de carreira, como se depreende do quadro 11, abrange, exclusivamente, os profissionais do magistério, respaldados nos termos do artigo 2º da Resolução nº 02/2009, que estabeleceu em seu § 2º que os entes federados que julgassem indispensável a extensão dos dispositivos da resolução aos demais profissionais da educação poderiam aplicá-los em planos de carreira unificados ou próprios, desde que não houvesse nenhum prejuízo aos profissionais do magistério. Uma vez que já comentamos sobre as limitações dos orçamentos municipais para manter até mesmo os profissionais do magistério, é razoável o entendimento de que poucos entes federados tenham estendido os benefícios aos demais profissionais da educação.
Não obstante, nas legislações de Marília e Presidente Prudente há algumas incoerências no que se refere ao quadro do magistério. No primeiro município, compõem o grupo de profissionais do magistério os encarregados de assistência social, fonoaudiologia e psicologia, e no segundo, os cargos de professor de conservatório e diretor de conservatório, o
que gera algumas dúvidas a respeito do conceito de magistério adotado. No artigo 2º da Resolução nº 02/2009, os profissionais do magistério ficaram assim definidos:
Art. 2º...
§ 1º São considerados profissionais do magistério aqueles que desempenham as atividades de docência ou as de suporte pedagógico à docência, isto é, direção ou administração, planejamento, inspeção, supervisão, orientação e coordenação educacionais, exercidas no âmbito das unidades escolares de Educação Básica, em suas diversas etapas e modalidades (Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação de Jovens e Adultos, Educação Especial, Educação Profissional, Educação Indígena), com a formação mínima determinada pela legislação federal de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. (BRASIL, 2009a, grifos nossos)
Sem a finalidade de exaurir a discussão sobre tais questões neste momento, destacamos outro aspecto que deve ser ponderado antes de partir para as análises específicas da estrutura da carreira nos municípios pesquisados: o regime jurídico adotado.
De acordo com estudo do MEC (BRASIL, 2000), em geral, nas administrações federal, estaduais e municipais se pode optar por dois regimes jurídicos para a ordenação do funcionalismo público: o estatutário e o celetista (C.L.T) 26.
Em defesa do regime estatutário, apresenta-se o argumento de menor custo financeiro imediato, uma vez que não obriga o poder público em relação a encargos peculiares do regime celetista (como o FGTS, o aviso prévio e o seguro-desemprego). Em contraposição, o regime estatutário gera obrigações futuras, com o ônus de aposentadorias e pensões, pois esses pontos passam a ser de responsabilidade de instituto próprio de previdência social dos entes federados. Assim, enquanto o regime estatutário tende a remeter para o futuro uma parcela significativa dos encargos financeiros a ele inerentes, o regime celetista apresenta maiores encargos financeiros imediatos. “Do ponto de vista financeiro, grosso modo, trata-se de uma escolha quanto ao momento em que se há de dar a despesa adicional”. (BRASIL, 2000, p. 29)
Muito embora os municípios pesquisados optem em sua quase totalidade pelo regime jurídico estatutário para o provimento dos cargos permanentes, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto têm subquadros contemplando os dois regimes, tanto o estatutário quanto o celetista. Em Ribeirão Preto o quadro dos profissionais regidos pela CLT encontra-se em extinção e em São José do Rio Preto ele coexiste principalmente para reger as contratações de
26 A Emenda Constitucional nº 19/98 retirou do texto constitucional a referência a regime jurídico único, permitindo a opção pelos entes federados de qual regime adotar. Aqueles que optam pelo regime criado pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, que trata da Consolidação das Leis do Trabalho (C.L.T), abrem mão de sua autonomia para legislar, pois passam a ter a legislação trabalhista determinada pela União, os que instituem o regime estatutário formulam diretamente as normas para o quadro de seu funcionalismo público, observadas algumas regras e direitos legais previstos na C.F de 1988.
docentes em caráter temporário. Já em Araraquara e Franca, a opção foi vincular os quadros funcionais, inclusive do magistério, ao regime celetista.
No contexto amplo das lutas e reivindicações de direitos no âmbito dos municípios sedes das regiões administrativas, observamos em que metade deles houve em algum período greves em busca de melhorias nas condições de trabalho e valorização do magistério público, tal qual prescrito no quadro abaixo.
Quadro 13 Histórico das greves do magistério público nos municípios sedes
Município Período
Araçatuba Não houve
Araraquara *
Barretos Não houve
Bauru Não houve
Campinas Mais de 4 greves (períodos não especificados)
Franca Não houve
Marília Não houve
Presidente Prudente 1990, 1993, 1995, 1997, 1999, 2000, 2003 e 2012
Registro Não houve
Ribeirão Preto 2002
Santos 1995, 2013
São José do Rio Preto Não houve
São José dos Campos 1993
São Paulo 1999, 2002, 2009, 2012, 2013
Sorocaba Não houve
* Não informado.
Fonte: Elaborado pelo autor com dados das Secretarias de Educação (2013)
Chama-nos a atenção, ainda, que embora essas greves tenham ocorrido, não coincidem exatamente com o marco de elaboração dos estatutos e plano de carreira em quase todos os municípios, com exceção de Presidente Prudente.
Outro aspecto que merece ser ressaltado diz respeito à forma como se deu a elaboração dos documentos, sendo que em quase todos os contextos de pesquisa, as secretarias de educação informaram que houve pelo menos um dos seguintes processos: atuação da secretaria de educação, atuação de outros setores da administração municipal, atuação de comissão ou grupo de estudos representativo dos profissionais da educação, atuação de empresa de assessoria contábil ou jurídica contratada e atuação do sindicato dos servidores públicos municipais.
Verificamos que a maioria dos municípios criou comissão ou grupo de estudos com a presença de profissionais da educação para a elaboração de suas legislações, menos Sorocaba. Também pudemos notar que o número de assessorias privadas contratadas para auxiliar no processo de elaboração dos estatutos e planos de carreira foi pequeno e que os sindicatos tiveram representatividade em quase metade dos municípios analisados.
Quadro 14 Participantes do processo de elaboração dos estatutos ou planos de carreira nos
municípios sedes
Município Secretaria de Educação Outros setores da administração Comissão/grupo de estudos representativos dos profissionais da educação Empresa de assessoria contábil ou jurídica contratada Sindicato da categoria Araçatuba --- --- Sim --- ---
Araraquara Sim Sim Sim Sim ---
Barretos Sim Sim Sim --- ---
Bauru Sim Sim Sim --- ---
Campinas Sim Sim Sim Sim Sim
Franca Não informado Não informado Não informado Não informado Não informado
Marília Sim --- Sim --- Sim
Presidente Prudente Sim --- Sim --- Sim
Registro Sim --- Sim --- ---
Ribeirão Preto Sim Sim Sim --- Sim
Santos --- --- Sim --- ---
São José do Rio Preto Sim Sim Sim --- Sim
São José dos Campos Sim Sim Sim --- ---
São Paulo Sim Sim Sim --- Sim
Sorocaba Sim Sim --- --- Sim
Fonte: Secretarias de Educação (2013)
No que concerne às características dos estatutos e planos de carreira pesquisados, diferentemente do que foi constatado por Gatti e Barreto (2009) 27 quando estudaram os
planos de carreira do magistério em estados e municípios, não nos foi possível notar nas legislações analisadas que o grau de complexidade das normas está atrelado ao tamanho dos municípios. Na pesquisa das referidas autoras constatou-se que “[...] municípios menores (menos de 30 mil habitantes) têm normas bem simples, sem incorporar aspectos de formação continuada, por exemplo” (GATTI e BARRETO, 2009, p. 249). Em nosso caso, mesmo quando comparamos o município de São Paulo, que possui uma população de quase 11 milhões de habitantes, com o município de Registro, que tem pouco mais de 54 mil, não há grandes diferenciações, uma vez que se notou que as legislações se encontram bem
estruturadas, com raras exceções, como o município de Marília, cujo estatuto do magistério, tal como já citamos, se assemelha ao que Gatti et al (2011) chamam de ‘colcha de retalhos’.28
Doravante, analisaremos cada um dos aspectos presentes nos estatutos e planos de carreira, dando ênfase às normas que se sobressaem em termos de valorização, precarização e inovação em cada um dos municípios estudados.