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4. Bulgular

4.2.7 Son görüşmelere ilişkin bulgular

A temática do empreendedorismo é diversa e multifacetada, em decorrência disso, os estudos podem estar inseridos em diferentes níveis de análise: individual, grupai, organizacional e nacional. Antes de situar o nível individual, foco do presente estudo, faz-se mister discorrer brevemente sobre a questão dos níveis de análise, uma vez que tal aspecto pode levar a problemas teóricos-metodológicos na elaboração de estudos, dado que incompatibilidades entre o nível da teoria e da medida podem implicar em inferências errôneas (Abbad, Palacios & Gondim, 2015). Segundo Klein, Dansereau e Hall (1994) a maior parte dos construtos apresentam dimensões que abrangem diferentes níveis, devendo ser considerado

pelo pesquisador especificidades relativas ao nível da teoria, nível da medida e nível da análise estatística no planejamento da pesquisa, a fim de que estejam congruentes entre si e compatíveis com os objetivos da investigação.

Dessa forma, é elementar compreender a definição dos diferentes níveis para apurar a implicação de cada um deles. O nível da teoria diz respeito ao objeto-alvo que aquele construto pretende descrever e explicar, podendo ser um indivíduo, um grupo, uma organização ou um país. Esse define de que forma as evidências encontradas no estudo poderão ser generalizadas. Já o nível da medida relaciona-se ao meio pelo qual o pesquisador obteve os dados e associa- se diretamente à verdadeira fonte de dados (Rousseau, 1985). Nesse caso, questionários de opinião, percepção e atitude designariam o nível individual da medida, enquanto um indicador de desempenho empresarial teria como nível da medida a organização. Por último, o nível da análise estatística descreve o tratamento dos dados durante os procedimentos analíticos. E comum a utilização de técnicas de associação das respostas individuais para criar um indicador único referente ao grupo. Nessa situação, apesar do nível da medida ter sido individual, o procedimento analítico permitiría adequações dos dados ao nível grupai, devido ao ajustamento realizado no nível da análise estatística (Klein, Dansereau & Hall, 1994).

Considerando-se o aporte fornecido pelas definições supracitadas, verifica-se que na temática do empreendedorismo existem investigações que têm enfocado os diversos níveis. Como exemplo, pode-se apontar no nível individual investigações em que o foco está na pessoa e são investigadas características pessoais, como atitude empreendedora e perfil empreendedor (Arribas et al., 2012; Iizuka & Moraes, 2014). No nível organizacional as pesquisas apresentam interesse na organização de forma ampla, sendo exploradas variáveis como orientação empreendedora (Mello, Paiva, Souza & Lubi, 2006). Já as pesquisas que versam sobre o empreendedorismo no nível nacional tratam geralmente de indicadores quantitativos, como o número de empreendimentos existentes no país (Kelley, Singer & Herrington, 2012). Frente à

essa diversidade, é fundamental esclarecer que no presente trabalho o foco de estudo são as características pessoais dos empreendedores, especificamente construtos e medidas relacionados ao empreendedorismo no nível individual.

Assim, para se compreender melhor o estudo do empreeendorismo no nível individual são descritos a seguir trabalhos que tratam sobre o tema. Tratando-se das características pessoais, nota-se a importância da personalidade, motivação, afeto e cognição como fundamentais para compreender o comportamento do empreendedor (Frese & Gielnik, 2014). Entre os principais preditores referentes às características pessoais dos empreendedores estão a auto eficácia, autonomia, necessidade de realização, inovação, lócus de controle interno, assunção de riscos e personalidade Big Five, abrangendo os fatores conscienciosidade e abertura a experiência (Frese & Gielnik, 2014). Nota-se a influência de variáveis demográficas (idade e escolaridade) na explicação da expressão do empreendedorismo pelo indivíduo (Verheul & Thurik, 2001). Em relação à faixa etária, existe evidência na literatura de que o pico da atividade empreendedora bem-sucedida se concentre na população com idade entre 30 e 40 anos pelo acúmulo de experiências pessoais, educação e bens que a idade proporciona ao indivíduo (Stangler & Spulber, 2013). Já no caso de pessoas formadas em uma mesma área do conhecimento, existe maior expressão do empreendedorismo entre sujeitos do sexo masculino que tendem a ser motivados desde a infância para possuir o próprio negócio em detrimento às mulheres que não recebem esse tipo de influência (Brush, 1992).

A escolaridade também interfere no desempenho do empreendedor, pois acredita-se que, em geral, o maior grau educacional pode permitir ao indivíduo processar mais informações e oportunidades de mercado otimizando o desempenho no próprio negócio (Rees & Shah, 2000). No que tange à diferença entre os sexos, nota-se que os homens também possuem maior facilidade na hora de obter empréstimos para capitalizar o próprio negócio em comparação as mulheres, as quais também enfrentam maior dificuldade para atrair investidores em negócios

inovadores e de alto risco (Fay & Williams, 1993; Verheul & Thurik, 2001). No entanto, essa diferença entre os sexos para a obtenção de financiamento parece sinalizar interferências culturais referentes à excessiva valorização do gênero masculino em relação ao feminino (Hofstede, 2001), uma vez que não existem evidências que atribuem diferença significativa no desempenho dos empreendedores baseando-se nas diferenças entre homens e mulheres (Satanan, Silva & Gomes, 2005).

Outros preditores de empreendedorismo apresentados nos estudos são as experiências educacionais e de trabalho, constituição familiar e país ou região de nascimento (Frese & Gielnik, 2014). Dando ênfase ao contexto familiar, a literatura aponta que a presença de parentes empreendedores facilita a expressão do empreendedorismo, seja por meio do processo de sucessão, em que o jovem assume o negócio familiar e tende a inová-lo, ou por meio da proposição de um negócio próprio (Kelley, Singer & Herrington, 2012; Costa, Nunes, Grzybovski, Guimarães & Assis, 2015). Já no caso das experiências de trabalho verifica-se que a condução anterior de negócio próprio apresenta relação com a expressão do empreendedorismo (Lanero, Vázquez, Gutiérrez & Garcia, 2011).

Em relação ao local de nascimento apreende-se que os aspectos econômicos e institucionais relativos ao emprego, renda e financiamento empresarial do país influenciam no nível de atividade empreendedora nacional e, consequentemente, na predisposição do indivíduo tornar-se empreendedor. No geral, maiores níveis de financiamento, menor número de oportunidades no mercado de trabalho formal e indicativos de crescimento econômico tendem a aumentar a expressão do empreendedorismo (Teixeira & Davey, 2010). No que concerne à educação, observa-se relação entre empreendedorismo e os planos curriculares que valorizam a autonomia e desempenham atividades voltadas para a criação do próprio empreendimento (Paço et ak, 2011).

No entanto, é importante destacar que os estudos acerca do empreendedorismo tendem a atribuir baixo poder de explicação às variáveis demográficas quando exploradas individualmente na predição do empreendedorismo (Frese, 2000). Nesse sentido, é consenso na literatura que é preciso associar construtos específicos com as variáveis demográficas para se compreender o empreendedorismo no nível individual, uma vez que somente por meio da associação entre os construtos torna-se possível a proposição de modelos com razoável grau de explicação para o fenômeno (Frese & Gielnik, 2014; Hisrich et al., 2007; Naffziger, Homsby & Kuratko, 1994).