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Com a alteração das jornadas de trabalho docentes derivadas da LC nº 1.094/09 (SÃO PAULO, 2009a), no plano de carreira, vencimentos e salários para os integrantes do quadro do magistério da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE-SP) (LC nº 836/97), há quatro possibilidades de jornadas de trabalho, a saber: 40 horas semanais (jornada integral de trabalho docente), 30 horas semanais (jornada básica de trabalho docente), 24 horas semanais (jornada inicial de trabalho docente) e 12 horas semanais (jornada reduzida de trabalho docente).

A jornada semanal de trabalho do docente é constituída de: horas em atividades com alunos, horas de trabalho pedagógico na escola e horas de trabalho pedagógico em local de livre escolha do docente. O Quadro 12 apresenta a composição das quatro jornadas, como também possibilidades de carga suplementar de trabalho72.

Quadro 12 – Composição das jornadas semanais de trabalho da rede estadual paulista Jornada Horas em atividades com alunos Horas de trabalho pedagógico na escola Horas de trabalho pedagógico em local de

livre escolha pelo docente Jornada integral 40 horas semanais 33 3 4 Carga suplementar 28 a 32 3 3 23 a 27 2 3 Jornada básica 30 horas semanais 25 2 3 Carga suplementar 18 a 22 2 2 Jornada inicial 24 horas semanais 20 2 2 Carga suplementar 13 a 17 2 1 11 a 12 2 0 Jornada reduzida 12 horas semanais 10 2 0

Fonte: SÃO PAULO (2009a, art. 3º, anexo I).

A LC nº 836/97 estabelece, no art. 10º, parágrafo 1º, que “A hora de trabalho terá a duração de 60 (sessenta) minutos, dentre os quais 50 (cinquenta) minutos serão dedicados à tarefa de ministrar aula” (SÃO PAULO, 1997). Os outros dez minutos da composição da hora de trabalho foram abordados na Resolução SE nº 18, de 24 de fevereiro de 2006, que estabeleceu a obrigatoriedade da complementação da carga na escola e o dever dos diretores de orientarem o comprimento dos dez minutos restantes da hora-aula na escola.

Artigo 1º - O professor, além da tarefa de ministrar aula, fará a

complementação da carga horária na unidade escolar, desenvolvendo

outras atividades ligadas à docência, da seguinte forma:

I - durante 10 (dez) minutos a mais de trabalho, para cada aula ministrada no período diurno e

72 A carga suplementar é o número de horas prestadas pelo docente além daquelas fixadas para a jornada de trabalho a que estiver sujeito.

II - durante 15 (quinze) minutos a mais de trabalho, para cada aula a ser ministrada no período noturno.

Parágrafo único - Consideram-se atividades ligadas à docência, além do atendimento a alunos, as tarefas de preenchimento de diários de classe, de programação dos conteúdos a serem trabalhados em sala de aula, de definição do grau de aprofundamento de estudos, de acordo com a especificidade de cada classe, de avaliação contínua das dificuldades e dos avanços de cada aluno, em especial aqueles encaminhados para estudos de recuperação paralela, entre outras.

Artigo 2º - O cumprimento da complementação de carga horária diária, para cada professor, ficará sob a responsabilidade do Diretor de Escola, podendo ser contínuo ou parcelado. (SÃO PAULO, 2006, grifo nosso)

Tal resolução provocou diversas discussões na rede de ensino, pois alterava o quadro de horário escolar e trazia implicações para os docentes que acumulavam cargo. Diante desses impasses, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (SEE-SP) retificou73 a resolução e retirou a obrigatoriedade da complementação ser feita na escola.

Como já abordado nesse trabalho, a Lei Federal nº 11.738/2008 (PSPN) estabeleceu a observância, na composição da jornada de trabalho, do limite máximo de dois terços da carga horária para o desempenho das atividades de interação com os educandos. Depois de ajuizada a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 4.167/2011, que estabeleceu a eficácia da lei em questão, o professorado intensificou o movimento em prol da aplicação da lei federal na rede estadual paulista.

Como forma de atender à determinação liminar do Mandado de Segurança Coletivo nº 0044040-25.2011.8.26.0053, impetrado pela Apeoesp na 3ª Vara da Fazenda Pública da Comarca da Capital, o governo estadual publicou a Resolução SE nº 8, de 19 de janeiro de 2012, dispondo sobre uma nova composição da jornada de trabalho docente, exposta no quadro a seguir:

73 Retificação do Diário Oficial do Estado de São Paulo de 25 de fevereiro de 2006: “No caput do art. 1º da Resolução SE nº 18, de 24.02.2006 leia-se como segue e não como constou: „O professor, além da tarefa de ministrar aula, fará a complementação da carga horária, desenvolvendo outras atividades ligadas à docência, da seguinte forma:‟.” Nessa nova redação, foi retirado o seguinte trecho, que aludia à necessidade de complementação da carga horária na unidade escolar: “fará a complementação da carga horária na unidade escolar”.

Quadro 13 – Composição das jornadas de trabalho da rede estadual de SP a partir de 2012

Carga horária

semanal Com alunos Aula de 50 minutos Trabalho pedagógico Na escola Local livre

40 32 3 13 39 31 3 12 38 30 3 12 37 29 3 12 35 28 3 11 34 27 2 11 33 26 2 11 32 25 2 11 30 24 2 10 29 23 2 9 28 22 2 9 27 21 2 9 25 20 2 8 24 19 2 7 23 18 2 7 22 17 2 7 20 16 2 6 19 15 2 5 18 14 2 5 17 13 2 5 15 12 2 4 14 11 2 3 13 10 2 3 12 9 2 3 10 8 2 2 9 7 2 1 8 6 2 1 7 5 2 1 5 4 2 0 4 3 1 0 3 2 1 0 2 1 1 0

Fonte: SÃO PAULO (2012, art. 2º, anexo I).

Esta nova jornada estaria, segundo a SEE-SP, observando o limite máximo de dois terços da carga horária para o desempenho das atividades de interação com os educandos, pois, para a jornada integral de trabalho docente, por exemplo, o total da carga horária semanal seria de 40 horas (2.400 minutos), divididas em: a) atividades com alunos, 26 horas e 40 minutos (32 aulas de 50 minutos = 1.600 minutos = dois terços da jornada); b) trabalho pedagógico, 13 horas e 20 minutos (16 aulas de 50 minutos = 800 minutos = um terço da jornada).

O que a SEE fez foi computar a jornada de trabalho em horas e manter a hora-aula em 50 minutos, como já era, e assim dizer que está cumprindo a Lei do PSPN, quando na verdade o professor continua trabalhando, para uma jornada de 40 horas, 32 aulas com alunos e oito de

trabalho pedagógico, o que em termos da proporção regência e trabalho pedagógico não corresponde a dois terços e um terço.

Historicamente, na rede estadual de São Paulo a aula foi sempre de 50 minutos; na nova composição, diminui-se apenas uma aula de cada jornada, o que não indica avanço, uma vez que o sentido maior da Lei PSPN no que tange à necessidade de se ter um terço da jornada para atividades extraclasse era exatamente promover um aumento do tempo extraclasse em relação à regência, destinado a planejamento, formação continuada, correção de provas, preparação de aulas, entre outras atividades que incidem positivamente na melhoria da qualidade do ensino.