1.3. Enflasyonu Ölçme Yöntemleri
1.3.1. Fiyat Endeksi ÇeĢitleri
Complementando a idéia de alteridade que permeia suas idéias, Bakhtin (2003) diz que para que o autor possa dar acabamento na atividade de criação estética, conceito que é mais desenvolvido quando trata dos gêneros do discurso, como veremos a seguir, há necessidade de um outro olhar, ou seja, o olhar do outro, exterior, que lhe completa, o qual pode ser visto em dois planos: o espacial, que é o do corpo, e o temporal, que se relaciona com a alma. Para tanto, ele propõe o princípio da exotopia, ou seja, de distanciamento entre o autor e a personagem/herói ou obra. No plano espacial, essa posição de fora é aquela em que:
O excedente de minha visão em relação ao outro indivíduo condiciona certa esfera de meu ativismo exclusivo, isto é, um conjunto daquelas ações internas ou externas que só eu posso praticar em relação ao outro, a quem elas são inacessíveis no lugar que ele ocupa fora de mim; tais ações completam o outro justamente naqueles elementos em que ele não pode completar-se. [...] O excedente de visão é o broto em que repousa a forma e de onde ela desabrocha como uma flor. Mas para que esse broto efetivamente desabroche na flor da forma concludente, urge que o excedente de minha visão complete o horizonte do outro indivíduo contemplado sem perder a originalidade deste (BAKHTIN, 2003, p. 22-23).
Nessa posição de fronteira, móvel, o eu pode completar o outro empaticamente, procurando olhar o mundo dele da mesma forma axiológica que ele o vê, ou seja, o eu deve se identificar com o outro, ver e conhecer aquilo que ele está experimentando, colocar-se no lugar do outro e, depois de retornar ao seu lugar, dar-lhe acabamento com o seu excedente de visão em relação a ele, com o distanciamento permitido pela sua posição de fora, pois só desse modo pode ajudá- lo.
Para esclarecer esse movimento exotópico no plano temporal, Bakhtin faz uma reflexão acerca do significado formal que as fronteiras temporais possuem na construção do eu e do outro, na dimensão estética da criação literária. Para tanto, enfoca a questão do homem interior, do todo interior da alma da personagem enquanto fenômeno estético, o qual também pressupõe um olhar exterior, isto é, um eu posicionado do lado de fora em relação ao outro para poder enformá-lo. O autor denomina de compreensão simpática esse ativismo que vem de fora e visa ao
mundo interior do outro, a qual pressupõe uma valorização nova da posição de fora da vida interior do outro, uma vez que, nessa abordagem estética, é necessário aceitar o outro com seus valores:
O enfoque estético da existência interior do outro exige, em primeiro lugar, que não confiemos nem depositemos esperança nele, mas que o aceitemos com seus valores afora a confiança e a esperança, que não estejamos com ele nem nele, mas fora dele (porque nele, por dentro dele, não pode haver nenhuma posição axiológica fora da confiança e da esperança) (BAKHTIN, 2003, p. 119).
A partir dessa concepção bakhtiniana, é possível compreender o outro de um novo ângulo, uma vez que ele é visto como alguém que não está dentro, mas fora, que constitui o eu a partir de seu excedente de visão. Nessa perspectiva, esse outro contribui para o processo de construção de um outro que não pertence de forma integral a si mesmo; que existe a partir do olhar externo; sendo ambos construídos ao mesmo tempo com base em referenciais espaciotemporais que preexistem a eles, existem no seu presente e vão existir depois deles, em um processo dialógico de acordos, confrontos, sempre do ponto de vista axiológico.
Conforme veremos na análise dos dados, na atividade de revisão, há necessidade de o revisor utilizar sua posição exotópica com relação ao autor no processo interacional, pois isso pode ajudá-lo no papel de colaborador do autor no acabamento do texto. Ou seja, como nessa interação as relações de poder entre autor e revisor podem acontecer de formas diferenciadas, podendo ser simétricas ou não, o revisor, de seu excedente de visão, aponta aspectos lingüístico-discursivos que o autor muitas vezes não percebe, por estar, como a maioria dos escreventes, numa posição umbilical em relação a seu texto, escrevendo como se fosse para ele mesmo, sem o distanciamento necessário para ver alguns problemas.
Mais particularmente no cotidiano profissional, essa posição do revisor na interação com o autor é fundamental para subsidiar seu trabalho, para desfazer as leituras às vezes equivocadas, o que dá à troca de conhecimentos entre eles a importante função de possibilitar a superação dos obstáculos para uma revisão bem- sucedida, a qual implica trabalhar a linguagem nas situações discursivas as mais diversas. Nessa perspectiva, concordamos com Faraco quando ele diz – somando
às suas percepções de interação o viés proposto pelo olhar bakhtiniano, segundo o qual no processo interativo não se trocam mensagens, mas se dialogizam axiologias, daí não se poder entender a interação como ‘o encontro fortuito de nômadas autosuficientes que trocam mensagens sustentadas pelo código’ –, que as interações não podem ser secundarizadas nem reduzidas a soluções contratuais, pois elas: “face a face ou não, aproximam sempre posições axiológicas em diversos graus de conflito ou convergência” (FARACO, 2005, p. 219).
Inter-relacionando o exposto, podemos dizer que essa visão da linguagem do Círculo, subsidiada pelos conceitos de interação, alteridade, ativismo e exotopia, já tinha sido introduzida em textos anteriores, o que podemos constatar em um dos seus primeiros trabalhos sobre o discurso escrito, em que este já é visto como diálogo num sentido amplo, uma vez que sempre está respondendo ativamente a algo, ou seja: “refuta, confirma, antecipa as respostas e objeções potenciais” (BAKHTIN/VOLOCHINOV, 1990a, p. 123).
Para melhor situarmos nossas escolhas teóricas, passaremos a discutir outro construto bakhtiniano, o dos gêneros do discurso, que implica as noções acima apontadas, as quais, como vimos, são muito pertinentes e necessárias para subsidiar o trabalho de revisão, conforme veremos a seguir.