3. KAMU SEKTÖRÜNÜN BÜYÜME EĞİLİMLERİ
3.8 Seçilmiş Ülke Uygulamaları
3.8.1 Finlandiya
ricos ou, de modo mais genérico, para nações latinas21 permeou muitos ar- gumentos sobre imigrantes ideais desde a promulgação da Lei nº 601, em 1850. Tal conveniência estava respaldada na maior probabilidade de abrasi- leiramento de imigrantes oriundos de Portugal, Espanha, Itália e França, con- siderados partícipes de uma única civilização latina e católica. Tratava-se, pois, de pensar nas possibilidades concretas de assimilação como critério para admissão de estrangeiros.
A polêmica sobre assimilação na segunda metade do século XIX pode ser exemplificada pela crítica de Augusto de Carvalho às “antipatias e exces- sos” que transformaram a imprensa do Império em adversária da colonização alemã. Num contexto em que recrimina o governo alemão por não permitir “qualquer propaganda da colonização para o Brasil” e ao mesmo tempo con- dena a posição antigermânica vigente na imprensa brasileira, o autor repro- duz parte de um artigo, publicado em 1860 em jornal que não identifica, cuja frase inicial é uma súmula das preocupações assimilacionistas do naciona- lismo brasileiro:
“Isto posto,22 demos que a colonização é possível; demos que os gover- nos germânicos, compreendendo a vantagem que lhes oferecem os nossos co- lonizadores, em vez de oporem bem-aventurados embaraços à emigração, fa- cilitem-na por todos os modos, incitem-na, e que por efeito de suas medidas,
21 A imagem da maior proximidade cultural e lingüística dos povos latinos, em razão da tradição
colonial portuguesa, serviu para supor sua maior maleabilidade ao abrasileiramento. Mesmo assim, portugueses e espanhóis sempre estão no topo das hierarquias de imigrantes ideais pelo critério assimilacionista, embora desqualificados por critérios econômicos (classificados como maus agricultores). Ver Seyferth, 1996.
22 O tema em discussão, aqui, era a imigração subsidiada com verbas públicas, considerada a
única forma de atrair imigrantes para promover a colonização, cujo sucesso, naquele momento, era assinalado pelo desenvolvimento agrícola registrado em regiões povoadas com alemães. Ao defender os subsídios, imigrantistas como Augusto de Carvalho argumentavam com a dificuldade de estimular um fluxo espontâneo de imigrantes europeus para o Brasil diante das precárias con- dições de assentamento na colônias e da existência da escravidão. Vale observar que o modelo de arregimentação de europeus adotado pelo governo imperial foi o do contrato com agenciadores, havendo um preço estipulado para cada imigrante aliciado (conforme sexo e idade), ainda em pleno vigor na década de 1870.
aparece de novo agora na bela Germânia um movimento de êxodo, análogo ao que há 14 séculos arrojou as suas bárbaras hordas sobre a Europa ocidental; demos que se multipliquem nos nossos portos navios e navios transportando aos milhares esses colonos; dizei-nos: ao cabo de algumas dezenas de anos o que será desse nosso Brasil latino, católico, na presença deste outro Brasil ger- mânico, protestante, em hábitos, em índole, em tudo completamente repulsivo, antagônico ao Brasil a que pertencemos, do que nos ufanamos?”23
O autor ridiculariza essa imagem de invasão territorial, na condição de partidário da colonização com imigrantes europeus, conforme o modelo da pe- quena propriedade familiar vigente nas províncias do Sul, e de crítico do mo- delo de colonato paulista implantado desde a fundação da colônia-modelo de Ibiacaba, pelo senador Vergueiro, na década de 1850. À parte as posições con- flitantes em relação aos propósitos mais estritamente econômicos da imigração e colonização, o texto transcrito mostra que a preocupação com “enquistamen- tos étnicos” que pudessem produzir secessão e até conflitos armados entre dois territórios antagônicos ao norte e ao sul já estava presente num momento em que a imigração européia ainda era pouco representativa, mas consistia, em parte, de gente considerada demasiadamente diferente e incompatível com a formação histórica nacional. Nas décadas de 1850 e 1860, os alemães só eram superados pelos portugueses nas estatísticas imigratórias, dirigindo-se, prefe- rencialmente, para o sul do país; só a partir de 1875 os italianos chegam em maior número. Assim, a parcela de não-latinos, além da sua relevância estatís- tica, estava concentrada em colônias homogêneas, localizadas numa região de fronteira que poucos anos antes havia produzido uma guerra civil de caracte- rísticas secessionistas — a Revolução Farroupilha.
A utilização metafórica da invasão bárbara seria repetida mais tarde por Sílvio Romero, tendo como horizonte político o imperialismo alemão. Em dois textos publicados em 1902 e 1906, Romero atribuiu à política de colo- nização do Império o “enquistamento” da população teuto-brasileira, falando das dificuldades de assimilação e dos riscos de uma secessão patrocinada pelo Estado alemão unificado — riscos que receberam o rótulo de “perigo ale- mão”. As especulações sobre o “perigo alemão” encontraram respaldo na ação propagandística da Alldeutsche Verband (Liga Pangermânica), cujo discurso ét- nico-racista exerceu alguma influência nas principais regiões de colonização alemã, não obstante o afastamento da imprensa teuto-brasileira dos ideais mais problemáticos do pangermanismo, que apregoavam o Lebensraum (es- paço vital) e a superioridade racial ariana para justificar o expansionismo.
A mesma imagem de invasão será mais uma vez evocada nos anos 30, agora em relação ao nazismo e à organização partidária que tentou implantar
no país: ressurge o fantasma da secessão, explicitamente assentado na reali- dade da organização comunitária étnica teuto-brasileira, mais do que nunca posta em visibilidade. Entre as culturas diferentes, a teuto-brasileira é tomada como paradigma da heterogeneidade ameaçadora do futuro unívoco da na- ção. Apesar da afirmação constante da cidadania brasileira, a retórica étnica, divulgada através das publicações periódicas e presente nas instituições co- munitárias e no cotidiano familiar, aparece como indício inequívoco de pos- tura antiassimilacionista.
A afirmação da etnicidade também não é nova; surgiu antes do panger- manismo e do nazismo, até mesmo nas páginas da História do Brasil escrita pelo alemão Heinrich Handelmann em 1859. Num texto incluído como “con- siderações finais”, sugere diversas reformas para incentivar um fluxo imigrató- rio espontâneo para o país; reformas que coincidem com as propostas de mui- tos imigrantistas brasileiros, como a liberdade religiosa, o casamento civil, a naturalização facilitada etc. Mas, acrescenta, os brasileiros deviam deixar de lado suas “veleidades nativistas” se quisessem investir na imigração, porque “a raça de língua alemã (...) não é daquelas que, facilmente, se deixam absor- ver e assimilar. Mesmo abandonando sua terra natal e transferindo franca- mente para a nova pátria seu amor pátrio, as suas inclinações, de modo algum deseja incorporar-se sem mais nem menos ao povo ao qual se ajunta, porém quer conservar, guardar a sua nacionalidade alemã, a sua língua e os seus cos- tumes”.24 Sugere, ainda, a equiparação legal da língua alemã à língua oficial. As afirmações de Handelmann coincidem com o discurso étnico produ- zido pela imprensa teuto-brasileira. Esse exemplo é emblemático, até porque as manifestações da etnicidade teuto-brasileira foram consideradas as mais radicais e irredutíveis no contexto histórico da imigração no Brasil, embora o discurso brasileiro sobre assimilação e as preocupações com “enquistamen- tos”, principalmente quando trata da colonização do Sul, levaram em consi- deração todas as etnias imigradas. Dimensiona bem a questão que acompa- nha o processo imigratório: a apregoada necessidade de assimilação, de cal- deamento de todos os alienígenas aqui estabelecidos e até nascidos, sob pena de comprometimento da integridade, da unidade, da nação, que trazia como corolário a desqualificação e ilegitimidade dos grupos étnicos produzidos pela imigração. Antes mesmo de iniciar-se a imigração em massa, em meados da década de 1880, a assimilação era uma questão nacional tão importante quanto a colonização do território.
A ocupação do território e o desenvolvimento agrícola constituíram a motivação central para o investimento na imigração européia. No entanto, desde meados do século XIX já se insinua um dos temas mais recorrentes dos discursos sobre a formação nacional, portanto, diretamente relacionado à