GAYB VE FENNİ KEŞİFLER
1.1. KUR’AN-I KERİM’İN İSTİKBALE DAİR BİLDİRDİĞİ FENNİ KEŞİFLER
1.1.1. KUR’AN-I KERİM’İN İSTİKBALE DAİR FENNİ KEŞİFLERE İŞARETİ
1.1.1.6 FİRAVUN’UN CESEDİNİN MUHAFAZA EDİLMESİ
Este capítulo oportuniza analisar a distribuição do solo nas compartimentações geomorfológicas do Vale do Acaraú e sua estreita relação relevo-geologia-solo (ver mapa geomorfológico nos anexos). Ao consultarmos os mapas de cada temática, possibilita, ainda, entender a relação que os Josés, os Joões, os Antônios e as algumas Marias manifestam em relação ao solo, quando adotadas as praticas de manejo.
No ambiente dos maciços residuais úmidos, o solo que mais se expressou no cenário da paisagem foi o Podzólico Vermelho Amarelo, na nova nomenclarura foi classificado pela EMBRAPA (1999) como Argissolo. Em estudos na serra da Meruoca, Falcão (2002) afirma que os Argissolos apresentam perfis bem diferenciados, comumente profundos (poucas vezes rasos). Seqüência de horizontes A, Bt e C, com profundidade do A+Bt, na maioria dos perfis, superior a 150 cm, exceto nos solos rasos. São, em geral, solos com elevado potencial agrícola, apresentando em determinadas áreas declives relativamente fortes, principalmente onde as precipitações pluviométricas são mais elevadas como é o caso da serra das Matas. Em algumas áreas, apresentam limitações à mecanização em decorrência da pedregosidade existente na superfície (até mesmo dentro do horizonte A). Possui, os solos, média a alta fertilidade natural.
De acordo com Silva (1994), os Argissolos estão incluídos entre os muitos solos que apresentam alta suscetibilidade à erosão e situam-se em relevo desfavorável, com fortes declividades e apresentam B textural, favorecendo as perdas seletivas de argila, matéria orgânica e aumento das enxurradas. São também muito baixos os teores de matéria orgânica, da qual depende quase que,
unicamente, a estocagem, reciclagem e liberação de nutrientes vegetais para as culturas dos agricultores, que praticamente não usam fertilizantes químicos.
O potencial agrícola destes tipos de solo é geralmente restrito devido à deficiência de água, pedregosidade e a pequena espessura. O relevo cristalino exerce um fator limitante em relação aos recursos hídricos, pois as águas superficiais encontram resistências para a infiltração, ocasionando um maior escoamento. Como há pouca infiltração, conseqüentemente, no lençol freático, não há grande disponibilidade de água (BRASIL, 1973).
Silva et al. (1986), Silva (1994) e Falcão (2002) sugerem neste tipo de solo em questão, associado às condições de relevos similares, a adoção de técnicas de cultivo apropriadas à conservação do solo com o plantio em curvas de nível e em terraços.
Na superfície sertaneja, a presença dos Podzólicos (Argissolos) foi significativa. Contudo, merecem serem destacados os Litólicos (Neossolos Litólicos) e os Bruno Não Cálcicos (Luvissolos Crômicos). As características relacionadas sobre os mesmos foram fundamentadas no projeto Áridas, realizado pela SEPLAN (1994), seguido de observações, em campo, quando referem-se à ocupação nos mesmos.
Os Litólicos (Neossolos Litólicos) constituem-se de solos de minerais, não hidromórficos, pouco desenvolvidos, com seqüência de horizontes A – R ou A – C – R, com início de horizonte B muito incipiente. O material corresponde ao saprolito da rocha subjacente, sendo como gnaisses, arenitos, filitos, silticos e outros.
A sua dimensão espacial dos solos Litólicos (Neossolos Litólicos) no cenário da paisagem do Vale do Acaraú corresponde a aproximadamente 30%. Nos local onde o substrato encontra-se em processo de intemperização, acontece maior penetração das águas, reduzindo a erodibilidade e favorecendo a penetração das raízes em busca de nutrientes e água para os vegetais.
Nas áreas mapeadas por estes solos é encontrados, os pecuários extensivos e praticados a agricultura de subsistência, o milho e o feijão.
Os Bruno Não Cálcicos (Luvissolos Crômicos) são solos minerais, não hidromórficos, com horizonte B textural com presença de argila. Apresentam seqüência A – Bt – C ou A – E – Bt – C. São identificados em sua constituição elevados teores de minerais primários facilmente decompostos e a freqüente presença de matacões cobrindo a superfície ou fazendo parte da massa do solo. O material originário é composto por saprolito de rochas do pré-cambriano.
O horizonte superficial A é normalmente fraco, com textura arenosa média e o horizonte Bt possui textura média a argilosa.
Nas áreas que estes solos são encontrados, verifica-se um uso extensivo da pecuária, e a pratica da agricultura de subsistência, o milho e o feijão.
Na zona litorânea, os Regossolos (Neossolos Regolitico) e os solos Aluviais (Neossolos Aluviais) ocupam uma extensa área no cenário da paisagem. Fundamento pela SEPLAN (1994), descreverei abaixo as características dos referidos solos, associadas à percepção em campo quando se tratando do uso atual dos mesmos.
Os Regossolos (Neossolos Regolitico) pertencem a uma classe de solos normalmente arenosa, pouco desenvolvido, não hidromórfico, com seqüência de horizontes A – C ou A – Cr. Contem os Regossolos teores de minerais facilmente intemperizáveis. O material originário corresponde, em grande parte ao saprolito do granito e arenito feldspático do cretáceo, ocorrendo também ganisses e migmatitos do pré-cambriano.
No geral, são os Regossolos moderadamente profundos, porosos a excessivamente drenados, características, decerto, associadas à profundidade.
Têm um horizonte A com espessura de 10 a 30 cm. O horizonte C apresenta espessura entre 60 a 150 cm. A coloração desse tipo de solo é comumente clara.
No que se refere ao uso atual dos Regossolos, é observado à agricultura de subsistência, milho, feijão e mandioca. Em extensas áreas em que se tem à predominância de Regossolos (Neossolos Regolitico) verifica-se a presença do cajueiro.
Os solos Aluviais (Neossolos Aluviais) correspondem a solos pouco desenvolvidos e se originam de deposição fluvial recente e apresentam apenas horizonte A. Têm profundidade que vai de moderada a muito profunda, sendo moderadamente drenados. Sua textura é arenosa até argilosa. Tipicamente relacionam-se ao relevo por apresentarem-se mais em superfície plana ou suavemente ondulada.
Quanto ao uso agrícola é comumente encontrado o cultivo do milho e do feijão, além de intensos campos de carnaúba.
De modo geral, verificou-se que no Vale do Acaraú, as características dos solos são distintas. Homogênea é o uso que se faz no mesmo. A predominância pelo plantio do milho e feijão se faz constatar nos vários quintais dos Josés, dos Joões, dos Antônios e de algumas Marias.
Outra semelhança é a forma de preparo da terra. Uma particularidade em comum entre os agricultores é o emprego do fogo, onde o solo fica totalmente exposto às forças do vento e da precipitação (ver figura 30).
Figura 30: Área preparada para o plantio Monsenhor Tabosa (dez/2003)
O manejo do solo efetuado por Josés, Joões, Antônios e algumas Marias, revelam que usam a terra de forma emotiva, sustentada na fé, ao afirmarem ser o solo a sua fonte de sustentação, uma benção da criação divina. Deparam-se com a mais profunda contradição quando estabelecem uma relação desarmônica no começo e no fim da produção, uma vez que o cultivo dá-se a partir de uma pratica da queima, seguindo sempre de um plantio em fileiras, obedecendo ao declive da vertente e, após a colheita, vem o eventual abandono da área.
Sabe-se que existe a interdependência entre o solo, a planta e o clima, e que o conjunto desses elementos pode vir a estabelecer limites ao agricultor. As limitações naturais devem ser supridas para que o reflexo dessas agressões não se intensifiquem. Já que o manejo inadequado do solo pode intensificar o fluxo laminar, após subseqüentes plantios em uma mesma área (ver foto 31).
Figura 31: Processo erosivo acentuado Monsenhor Tabosa (out/2005
Na literatura, pode ser observado que, na pratica da agricultura, o solo é o elemento que deve se ter a maior atenção dos agricultores, porque exige conciliar a formação do melhor leito para a germinação das sementes e enraizamento das plantas, bem como, ele deve ser perene e a planta a ser cultiva não. O agricultor dá atenção maior à planta e não no solo. Sua preocupação é com um retorno imediato na colheita. E o reflexo dessa atenção que não é dada ao solo incide no próprio agricultor, através da produção colheita dos Josés, dos Joões, dos Antônios e de algumas Marias ao afirmarem que a produção vem diminuindo ao longo do tempo. Este fato é similar nas três áreas, onde se tem uma diversidade de opiniões. (ver quadro 17).
Quadro 17: Fala do agricultor em relação à diminuição da produção do milho e do feijão Município Indícios Diminuição da chuva (DFC) Aumento de temperatura DFQ Terra ficando fraca (DTFF) Solo indo embora (DSE) Plantando menos (DPM) Monsenhor Tabosa 99 30 67 18 43 Varjota 48 35 78 9 9 Morrinhos 48 12 45 5 17
Um fato importante pode ser relacionado ao fator clima, referente ao elemento precipitação. Cerca de 100% (ver figura 32) dos agricultores de Monsenhor Tabosa, condiciona a baixa produção à diminuição da chuva. Esta evidência reforça a tese do capítulo 7.2, quando abordado sobre a precipitação na serra das Matas. Esta relação esta, ao certo, vinculada com a baixa produtividade. A figura abaixo ilustra as informações do quadro 17.
0 20 40 60 80 100 DFC DFQ DTFF DSE DPM
M ons e nhor Tabos a V arjota M orrinhos Figura 32: Opinião dos agricultores em relação à diminuição da produtividade do milho e do feijão
Vale observar que mesmo nas áreas em que havia sempre, uma melhor produção, o rendimento da cultura esta agora diminuindo, como afirmam os vários Josés, Joões, Antônios e algumas Marias. Citam as áreas em que se tem uma melhor produção: (a) “nas áreas de solos amarelos”, como é argumentado pelos agricultores do maciço e zona litorânea; (b) “nas áreas ribeirinhas”, sempre citadas pelos agricultores da superfície sertaneja e (c) “nos sopés de serra” como afirmam os agricultores dos maciços úmidos.
Os argumentos dos agricultores referemtes diminuição da produção estão relacionados da seguinte forma: (a) a diminuição da precipitação, pois segundo eles “tá chovendo menos” (b) ao aumento da temperatura, já que “a quintura aumentou” (c) perda de nutrientes, ao afirmarem que “a terra tá ficando fraca” (d) erosão, pois citam que “o solo ta indo embora” e (e) de ordem econômica, pois “estão plantando menos”. O fator erosão é quase imperceptível, principalmente em Morrinhos que possui uma menor declividade nas vertentes.
Em uma visão determinante de natureza, que envolve além do solo, a questão dos recursos hídricos, a opção pelo cultivo do feijão e do milho, esta relacionada diretamente com a condição que a natureza oferece, principalmente para os Josés, os Joões, os Antônios e a algumas Marias. Esta visão merece ser analisada conforme a colocação de Sauer (1927):
É claro que não há nenhuma intenção de subestimar as influências ambientais. Obviamente, há partes da superfície terrestre onde o homem não foi bem sucedido e outras onde sua vida foi facilitada pelas condições naturais. Apesar de um conhecimento do meio ambiental ser fundamental para uma compreensão dos assuntos humanos, este conhecimento em si não fornece, geralmente, a explicação sobre a situação do homem numa determinada área. A noção do significado ambiental é realmente um lugar comum para a qual todos contribuem. Aqueles que negam são tão contestados como os que a exageram. O geógrafo continuará interessado por esta questão tanto quanto outro grupo, mas seu interesse está mais adequadamente de acordo apenas com a mise em valeur do meio ambiente, expressa na utilização cultural de áreas naturais.” p. 42.
E prossegue:
Assim como a relação ambiental com as condições humanas está para ser determinada, até mesmo o que significa esta relação ainda está, em grande parte, indefinido. Principalmente está faltando uma maneira efetiva de se medir a força da relação envolvida. p.45.
Contudo fica para ser analisado qual realmente é força que rege a produção no Vale do Acaraú, onde substancialmente prevalece o plantio do milho e do feijão nas diversas constituições de solos que contribui no cenário da paisagem. As figuras (33, 34, 35 e 36) a seguir permitem visualizar a distribuição das áreas em que se plantam o milho e o feijão, como também, visualizar a relação de produção nas referidas áreas.
Para uma análise detalhada de cada municípios os quadros (43 a 54) nos anexos, numeram as informações. Permiti-nos apontar que o índice de área destinada a produção do milho e do feijão sejam nas áreas do ambiente dos maciços residuais, da superfície sertaneja e da zona litorânea, apresentaram variações.
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1995 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 M .R.U. S.S. Z.L.
0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1995 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 M .R.U. S.S. Z.L.
Figura 34 : Produção (kg) de milho por hectare no Vale do Acaraú
0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1995 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 M .R.U. S.S. Z.L.
0 0,05 0,1 0,15 0,2 0,25 0,3 0,35 0,4 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1995 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 M .R.U. S.S. Z.L.
figuras (33, 34, 35 e 36) e dos quadros (43 a 54) em anexos, verifica-se que a média de área plantada em cada compartimentação geomorfológica não apresenta uma oscilação significativa, o que mostra que a cultura do milho e feijão é praticada de forma similar, tanto no aspecto quantidade de área plantada, quanto no índice de produção colhida, em todo o Vale do Acaraú.
É bem verdade que nos solos arenosos dos tabuleiros litorâneos, a produção diversifica-se, pois o cajueiro (ver figuras 37 e 38) e a mandioca (ver figuras 39 e 40) ocupam espaços significativos no cenário da paisagem, diferente bastante em relação às áreas cultivadas na superfície sertaneja e nos maciços residuais.
Através dos quadros (50 e 51) nos anexos, evidencia-se que na superfície sertaneja e nos maciços residuais, respectivamente, é menos expressivo, o plantio do cajueiro, em relação à zona litorânea, conforme mostra os quadros (49) também nos anexos.
Esta mesma relação é observada em relação à mandioca. Nos anexos, o quadro (52) evidencia a plantio da mandioca na zona litorânea. E os quadros (53 e 54) representam, respectivamente, a superfície sertaneja e os maciços residuais. Fato é que, mesmo a maior quantidade de área de plantio ser no ambiente da zona litorânea, chegando a atingir a um equivalente de área, cem vezes maior que as demais áreas, registra-se que a média da produção (relação de área plantada e o produto colhido) é semelhante nos diversos ambientes.
0 2000 4000 6000 8000 10000 12000 14000 1988 1989 1990 1991 1992 1995 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 M .R.U. S.S. Z.L.
Figura 37: Área de plantio de caju no Vale do Acaraú
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 1988 1989 1990 1991 1992 1995 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 M .R.U. S.S. Z.L.
0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000 10000 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1995 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 M .R.U. S.S. Z.L.
0 2 4 6 8 10 12 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1995 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 M .R.U. S.S. Z.L.