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Belgede İAÜ Business Review (sayfa 74-79)

Toda investigação de caráter estruturalista tem por objetivo a construção de um modelo que explique as relações das estruturas subjacentes ao objeto estudado – no caso desta pesquisa, da Produtividade Marginal Percebida. “Uma estrutura é sempre a teoria de um sistema de aparências” (THIRY-CHERQUES, 2008b, p. 72). As relações são os elos que ligam um elemento ao outro.

A investigação estruturalista não pára no momento em que o pesquisador elabora o modelo consciente. É preciso desvendar a estrutura existente subjacente ao modelo. Os modelos são conscientes, são construídos, enquanto a estrutura é preexistente ao modelo. A análise do modelo permite ao pesquisador ordenar cadeias de significados em uma estrutura, de tal forma que uma lógica é emprestada às relações que as torna inteligíveis.

Para o estruturalismo, é a própria estrutura quem irá indicar o modo como deve ser descrita (IBIDEM, p. 86). Ela pode “pedir“ que seja descrita em termos de um texto explicativo, um gráfico, uma equação matemática, uma tabela ou qualquer outro meio que a torne inteligível. É pertinente colocar que o objetivo do método estruturalista não é a definição de uma forma da estrutura. Mas sim da descoberta da estrutura em si.

O sentido da estrutura é obtido atribuindo-se uma interpretação específica ao conjunto de elementos (referindo-os a algo) e à ordenação (enunciando a forma em que as relações constantes se dão) (p. 90). Ao descrever uma estrutura é imprescindível que se cite quais os elementos e quais as relações entre estes elementos formam uma estrutura subjacente ao real- empírico. O estruturalista não busca a causalidade.

Após a análise das entrevistas, seguiu-se assim a busca pelas relações. A fidedignidade do modelo estruturalista é julgada pelo rigor na definição das relações. Esta relação é inferida de uma lógica interna ao modelo: “podem ser hierarquias, formas de sociabilidade, regras sociais, mentalidades, modos de dividir o trabalho modos de repartir a acumulação, valores manifestos, normas, etc.” (THIRY-CHERQUES, 2008b, P.74).

que a interpretação das relações entre elementos de pelo menos dois conjuntos associados. Uma vez isolados os elementos e as relações, passamos a estabelecer as leis de composição do modelo (THIRY-CHERQUES, 2008b, p. 77).

A descrição resultante da coleta e análise de informações é o que o observador seleciona entre o que compreendeu do que seus informantes lhe disseram sobre aquilo que eles compreendiam – de forma que a validade vem do rigor da interpretação.

Buscamos neste Capítulo suceder à discussão dos resultados encontrados na pesquisa e apresentados no Capítulo anterior de forma a, partindo das estruturas superficiais, determinar a estrutura essencial da Produtividade Marginal Percebida..

Para facilitar o acompanhamento da interpretação, retomamos isoladamente cada um dos conceitos definidos na sessão 1.9 – DEFINIÇÃO DE CONCEITOS DA PESQUISA, apresentando seus elementos.

Produtividade apresenta como elementos: ato de produzir, gerar ou criar, desempenho, rendimento, resultado de uma atividade, alcance de metas, etc.

Como atributos essenciais podemos elencar: eficiência e eficácia, resultado da produção, medida de desempenho, comparação de resultados numa série histórica, esforço, relação, qualidade, recursos.

Marginal: apresenta como elementos: variação, margem, em torno, ao redor, etc. Como atributos essenciais podemos elencar: variável, variação, margem, alteração, diferença, em torno.

Percepção: apresenta como elementos: sensação, interpretação, atribuição de sentido, forma de perceber, ato de perceber, etc.

Como atributos essenciais podemos elencar: interpretação, julgamento, subjetivo, individual, distorção, realidade pessoal.

Isto posto, é possível dar início à interpretação das informações segundo o método estruturalista, exposto no Capítulo 2 – METODOLOGIA. A interpretação visa atender o objetivo deste estudo: Investigar a existência de estruturas subjacentes ao fenômeno da

Produtividade Marginal Percebida em empresas de serviço onde não haja indicadores quantitativos de avaliação da produtividade.

Os fatores que podem levar à alteração da produtividade marginal percebida serão encontrados a partir de tal interpretação dos elementos que apareceram como fatores de influência na estrutura da Produtividade Marginal Percebida a partir dos discursos dos entrevistados, apresentadas a seguir.

ACOMPANHAMENTO DE

INDICADORES. ALCANCE DE METAS.

ALEGRIA NA REALIZAÇÃO DAS TAREFAS.

AMBIENTE DE TRABALHO. ATRASO DE SALÁRIO. BAIXA NECESSIDADE DE

RETRABALHO.

BOA VONTADE. CAPACIDADE DE

AUTOMOTIVAÇÃO. CLIMA ORGANIZACIONAL.

COMPARAÇÃO COM

REFERENCIAIS. COMPROMETIMENTO.

CONSCIÊNCIA DO IMPACTO DO TRABALHO.

CRIATIVIDADE. DINHEIRO. EFICÁCIA.

ENGAJAMENTO DO TIME. ENTREGA NO PRAZO. ESPÍRITO DE EQUIPE.

ESTAGNAÇÃO PROFISSIONAL. FALHA NA COMUNICAÇÃO. FALTA DE OPORTUNIDADE DE CRESCIMENTO. FALTA DE PLANEJAMENTO. FALTA DE RECONHECIMENTO. FATURAMENTO. INCENTIVO EM REMUNERAÇÃO. INDICADOR DE PERFORMANCE. INICIATIVA.

CLIENTE. E SOCIAL. PROCESSO.

MELHORIAS GERENCIAIS. MOTIVAÇÃO.

NECESSIDADE DE DESCUMPRIR NORMAS E PROCEDIMENTOS. NÍVEL DE COMPROMETIMENTO. NÍVEL DE SATISFAÇÃO COM O SALÁRIO. NÍVEL DE SATISFAÇÃO PROFISSIONAL.

OBJETIVOS CLAROS. PAGAMENTO EM DIA. PAIXÃO PELO TRABALHO.

PERSPECTIVAS DE

ALAVANCAGEM PESSOAL. PRÓ-ATIVIDADE;

PROBLEMAS DA EMPRESA. QUALIFICAÇÃO DE PESSOAL. QUANTIDADE X QUALIDADE. RELACIONAMENTO ABERTO. RELACIONAMENTO DAS

PESSOAS. REMUNERAÇÃO. RESISTÊNCIA.

RESULTADOS. SALÁRIO. UNIÃO DE EQUIPE.

VONTADE DE MELHORAR.

Cada elemento que encontramos é um ponto na estrutura, a qual deve ser ordenada e apresentar relações constantes. Dessa forma, elegemos os elementos que influenciam a percepção dos chefes que mais se repetem e chegamos a estes:

AMBIENTE DE

TRABALHO. ATRASO DE SALÁRIO.

BAIXA NECESSIDADE DE RETRABALHO.

BOA VONTADE. CAPACIDADE DE

AUTOMOTIVAÇÃO. CLIMA ORGANIZACIONAL.

COMPROMETIMENTO. CONSCIÊNCIA DO IMPACTO

DO TRABALHO. CRIATIVIDADE.

ENGAJAMENTO DO TIME. ESPÍRITO DE EQUIPE. ESTAGNAÇÃO

PROFISSIONAL. FALHA NA COMUNICAÇÃO. FALTA DE OPORTUNIDADE DE CRESCIMENTO. FALTA DE RECONHECIMENTO. INCENTIVO EM REMUNERAÇÃO. INICIATIVA. INSATISFAÇÃO PESSOAL E SOCIAL. MOTIVAÇÃO. NECESSIDADE DE DESCUMPRIR NORMAS E PROCEDIMENTOS. NÍVEL DE COMPROMETIMENTO. NÍVEL DE SATISFAÇÃO COM O SALÁRIO. NÍVEL DE SATISFAÇÃO

PROFISSIONAL. PAGAMENTO EM DIA.

PAIXÃO PELO TRABALHO. PERSPECTIVAS DE

ALAVANCAGEM PESSOAL. PRÓ-ATIVIDADE;

PROBLEMAS DA EMPRESA. RELACIONAMENTO ABERTO. RELACIONAMENTO DAS PESSOAS.

REMUNERAÇÃO. RESISTÊNCIA. SALÁRIO.

UNIÃO DE EQUIPE. VONTADE DE MELHORAR.

Primeiramente buscamos as estruturas superficiais ou aparentes. Podemos dizer que neste fenômeno a estrutura aparente é relação comportamento-produtividade. Quando falamos

associação é possível porque o desempenho depende da forma como os indivíduos, empresa e recursos se comportam, influenciando a variação da produtividade.

Esta estrutura aparente tem como elementos comportamento, percepção, resultado, desempenho. Porém não é nosso objetivo. Objetivamos a estrutura subjacente a este fenômeno. “A identificação estrutural consiste em realizar experimentos mentais sobre como o modelo reage a modificações e comparações. Isto é, em especular sobre a lógica que mantém o modelo coeso e que lhe dá sentido”, explica Thiry-Cherques (2008b, p. 81)

Podemos dizer que na estrutura subjacente ou velada os elementos que a compõem se relacionam e para que haja tal fenômeno é necessário que haja associação destes. Daí serem chamados de elementos essenciais. Pode-se dizer que as relações por trás do fenômeno da Produtividade Marginal Percebida é não-sequencial. Seus elementos mantêm relações, mas não é possível a determinação de uma ordem de articulação entre eles, não há ordenação entre os elementos.

Para a identificação da estrutura, procede-se à eliminação das associações não inteligíveis ou confusas para a construção do modelo. “Desconstruímos o real para poder entendê-lo e representá-lo. Ao interpretá-lo, construímos um esquema explicativo dessas associações. Vamos em seguida proceder a uma identificação [da estrutura] (THIRY- CHERQUES, 2008b, p. 81). Os estruturalistas entendem que os elementos e as relações empíricas são ocorrências das quais se extrai uma generalização sob a forma de modelo. Em outras palavras, diz-se que a identificação estrutural consiste em realizar experimentos mentais sobre como o modelo reage a modificações e comparações.

Podemos então construir o modelo a seguir como um modelo capaz de explicar a estrutura subjacente ao fenômeno da Produtividade Marginal Percebida:

O comportamento dos funcionários é um elemento manifesto. Este é percebido pelo avaliador. A percepção é um processo cognitivo que sofre influência da subjetividade de quem percebe. A percepção é uma forma de interpretar o mundo. Ao interpretar o mundo, no caso, ao interpretar o comportamento do funcionário, a subjetividade pode criar vieses e tendências e fenômenos perceptivos. Esses podem gerar interpretações distorcidas que podem levar a julgamentos e decisões também distorcidos. Como a avaliação da produtividade é uma forma de avaliar se o comportamento empregado está dando resultado, podemos dizer que a percepção é uma forma de avaliar qualitativamente a produtividade do indivíduo.

Figura 7 – Esquema da Estrutura da Produtividade Marginal Percebida

A interpretação é feita ao contrastar os elementos e as relações do modelo. Ela compara os modelos entre si, procurando encontrar propriedades formais que encerrem estruturas explicativas. O método supera a descrição do sensível e chega ao racional.

As estruturas devem ser plausíveis. São elas mesmas que indicam o modo como devem ser descritas. “O que importa na representação de uma estrutura é que o seu sentido seja claro, que a sua lógica interna seja distintamente reconhecível, que proporcione uma visão nova e que esta possa ser criticada” (p.86).

A estrutura subjacente em análise apresenta elementos que se relacionam entre si, porém estes não apresentam ordem nem maneira determinada de relação. A partir da estrutura aparente comportamento-resultado chegamos à estrutura subjacente percepção-produtividade. Não-sequencial também implica em os elementos da relação não dependerem um do outro para acontecer, mas para que seja feita a avaliação é necessária uma percepção e toda percepção leva a uma avaliação.

Comportamento  do Funcionário  (produtividade)  Percepção do  Chefe  (percepção)  Aspectos  Qualitativos  (Subjetividade)  Influência  Influência 

Podemos dizer que os dois elementos co-existem na estrutura. Esta relação percepção- produtividade pode ser classificada como possuidora de propriedade lógica de reflexividade, onde um elemento tem relação com um outro que mantém com o primeiro.

Belgede İAÜ Business Review (sayfa 74-79)