Esta sessão visa retomar o Capítulo 1 – INTRODUÇÃO, onde foi atribuído um objetivo geral para esta pesquisa, bem como cinco objetivos intermediários. São eles:
Objetivo geral: Investigar a existência de estruturas subjacentes ao fenômeno da Produtividade Marginal Percebida em empresas de serviço onde não haja indicadores quantitativos de avaliação da produtividade.
Objetivos intermediários:
a) Refinar o conceito de Produtividade Marginal Percebida;
b) Investigar fatores que possam levar à alteração da produtividade marginal percebida;
c) Construir um modelo que explicite a estrutura subjacente ao fenômeno da Produtividade Marginal Percebida.
d) Definir indicadores para análise da Produtividade Marginal Percebida;
e) Entender se e porque a Produtividade Marginal Percebida costuma ter mais valor que a Produtividade Marginal Real na tocante à avaliação individual.
Consideramos satisfatório o alcance dos objetivos, os quais serão retomados cada um em separado, informando seu alcance nesta pesquisa.
a) Refinar o conceito de Produtividade Marginal Percebida.
percebida como sendo a variação da produção relacionada aos recursos empregados e tempo consumido do funcionário, segundo a percepção do seu chefe, sem levar em conta formas de avaliação mensuráveis quantitativamente.
b) Investigar fatores que possam levar à alteração da produtividade marginal percebida;
Os fatores que levam à alteração da produtividade segundo a percepção dos chefes estão apresentados no Capítulo 5 – INTERPRETAÇÃO DAS INFORMAÇÕES de forma sintetizada (páginas 86 e 87). Acreditamos ser válida em pesquisas futuras a análise do impacto de cada fator na Produtividade Marginal Percebida.
c) Construir um modelo que explicite a estrutura subjacente ao fenômeno da Produtividade Marginal Percebida.
Chegamos após a interpretação das informações e o estudo do referencial teórico ao modelo apresentado no Capítulo 5 – INTERPRETAÇÃO DAS INFORMAÇÕES (página 93).
d) Definir indicadores para análise da Produtividade Marginal Percebida;
A coleta das informações nesta pesquisa não permitiu atingir este objetivo intermediário.
Entende-se que para ocorrer análise da Produtividade Marginal Percebida é necessária a definição de indicadores. Como visto na sessão 3.3 – PRODUTIVIDADE MARGINAL PERCEBIDA (página 64), indicadores são criados para substituir a mensuração direta. Destinam-se a superar a condição em que o fenômeno ou conceito a ser medido não é
diretamente observável ou em que a mensuração direta não tem significado operacional, sendo justificado pela operacionalidade e confiabilidade em relação ao modelo.
Ao lançar mão de indicadores qualitativos, a empresa diminui o caráter subjetivo e aumenta a objetividade e imparcialidade do processo de avaliação da Produtividade Marginal. Não estamos dizendo que haverá cálculos ou mensurações, mas haverá critérios (os próprios indicadores) a serem avaliados de forma orientada. Ou seja, a percepção existirá, mas este recurso (os indicadores) permite menor parcialidade do avaliador, garantindo o aumento da percepção de Justiça Organizacional e diminuição da influência do tipo de poder social do chefe.
Recomendamos, antes da aplicação de indicadores qualitativos nas empresas, observar e validar os mesmos, levando em consideração a estratégia, a cultura e as metas da empresa.
e) Entender se e porque a Produtividade Marginal Percebida costuma ter mais valor que a Produtividade Marginal Real na tocante à avaliação individual. A forma de coletar os dados não permitiu atingir este objetivo intermediário. Portanto, sugerimos adotar este como objetivo geral de uma nova pesquisa. Entende-se que caso seja, de fato, a Produtividade Marginal Percebida mais importante para a avaliação do funcionário é importante que a empresa tenha consciência e pense mecanismos para evitar situações que possam gerar clima de sensação de injustiça organizacional ou grande influência de determinados tipos de base de poder social dos chefes.
Levantamos este objetivo no início da pesquisa, pois a percepção com base na experiência do autor deste estudo e na falta de indicadores qualitativos levou a crer que haveria uma tendência ao chefe-avaliador cair em armadilhas de vieses perceptivos no fenômeno da Produtividade Marginal Percebida.
Quanto ao objetivo geral desta pesquisa (Investigar a existência de estruturas
subjacentes ao fenômeno da Produtividade Marginal Percebida em empresas de serviço onde não haja indicadores quantitativos de avaliação da produtividade), entendemos que foi
possível realizar uma interpretação plausível do fenômeno observado. O resultado é apresentado a seguir.
A investigação do fenômeno da Produtividade Marginal Percebida permitiu a descoberta de estrutura subjacente Percepção-produtividade.
Nomeamos a estrutura subjacente encontrada de Estrutura de Influência Mútua. Nela, seus elementos componentes exercem influência um sobre o outro a todos os momentos.
A conclusão apresentada foi originada a partir das interpretações e da percepção de que nenhum outro fator influencia a percepção da produtividade que não a própria percepção dela. Através da pesquisa de caráter estruturalista, pudemos resolver este conflito relacional.
Esta estrutura é reflexiva. Na corrente estruturalista, o conceito de reflexividade, trazido por Sartre da escola da Fenomenologia, encerra em si a noção de variação. Isto porque pode ser explicado pela capacidade de o olhar por si só do pesquisador ou de qualquer agente presente no contexto já ser suficiente para modificar o fenômeno observado. Ou seja, numa estrutura reflexiva, aquele que percebe exerce influência – e também é influenciado pelo fenômeno.
Pode-se inclusive ousar dizer que o simples fato de participar das entrevistas conduzidas para este trabalho possa ter afetado a produtividade e a percepção de sua variação pelos respondentes – e esta ter influenciado a produtividade de suas equipes.
O comportamento dos funcionários é um elemento manifesto. Este é percebido pelo avaliador. A percepção é um processo cognitivo que sofre influência da subjetividade de quem percebe. A percepção é uma forma de interpretar o mundo. Ao interpretar o mundo, no caso, ao interpretar o comportamento do funcionário, a subjetividade pode criar vieses e tendências e fenômenos perceptivos. Esses podem gerar interpretações distorcidas que podem levar a julgamentos e decisões também distorcidos. Como a avaliação da produtividade é uma forma de avaliar se o comportamento empregado está dando resultado, podemos dizer que a percepção é uma forma de avaliar qualitativamente a produtividade do indivíduo.
A estrutura descoberta neste trabalho indicou relações de influência de um elemento manifesto em outro. Porém, por ser não-sequencial, não há necessidade de um ocorrer primeiro ao outro. Todos se influenciam e sofrem influência ao mesmo tempo, daí a idéia de
A contribuição desta pesquisa retoma o ponto discutido na sessão 1.7 – RELEVÂNCIA. Está ligada aos elementos da estrutura subjacente encontrada: percepção- produtividade e à noção de indicadores qualitativos em empresas de serviços relacionados a produtividade e aos serviços.
Sugerimos que a estrutura de influência mútua destes dois elementos essenciais (Percepção-Produtividade) deve ser repensada pelas organizações como forma de prevenir situações de percepção de injustiça organizacional ou uso inadequado de poder social, visando o aumento da produtividade marginal real.
É importante as empresas estarem cientes desta estrutura de influência mútua, de modo a definir formas qualitativas de avaliação da variação da produtividade, evitando deixa- las a cargo dos chefes e de suas percepções.