2. KURAMSAL VE KAVRAMSAL BİLGİLER
2.1. Fen Bilimleri Öğretimi
2.1.1. Fen Bilimleri Dersine Öğretim Programlarının Etkisi
A estação do ano que decorria durante o estágio na Sala Violeta era o outono. As crianças já teriam iniciado algumas atividades sobre esta estação do ano nomeadamente, estampagem de folhas. Foi a partir desta atividade, que decorreu durante a semana de observação, que notei e ouvi as crianças dizerem que queriam brincar com as folhas. Observava-as a olharem as folhas, a contornarem e dobrarem os seus ápices, a passarem o dedo por cima das nervuras, a admirarem as suas lindas cores... quando alguém se aproximava delas e dizia que tinham que passá-la na tinta e estampar depressa, para todos terem oportunidade de fazerem o seu trabalho.
Através desta observação, decidi elaborar as seguintes atividades com as folhas do outono. A primeira teve como objetivo principal a exploração de várias folhas, de cores, tamanhos e formas diferentes. As crianças ainda estavam a trabalhar as cores e, segundo o que notei na semana de observação, algumas ainda se enganavam ao nomeá- las. Nesta atividade, também escolhi trabalhar a seriação.
As crianças foram dispostas em círculo na área do tapete e, no centro, foram colocadas diversas folhas. Cada uma teve a oportunidade de tocar, observar e partilhar com os colegas as suas apreciações (ver figura 9). À medida que as crianças iam explorando as folhas, iam notando algumas diferenças entre elas então, fui salientando as suas observações e orientando para uma partilha com o grande grupo.
Figura 9 - Crianças a explorarem as folhas de outono
Passado o momento de exploração, parti para a partilha em grande grupo, mostrando as folhas, uma a uma, pedindo as suas caraterísticas quanto às suas cores e
aos seus tamanhos. Juntamente, apelava a algumas comparações para iniciar uma tentativa à formação de grupos que levasse à seriação. As crianças corresponderam dizendo que existiam folhas com cores iguais, querendo imediatamente separá-las em grupos. Imediatamente, questionei se não podíamos pô-las organizadas, como se estivessem na fila para saírem da sala. Grupo por grupo de cores, as crianças formaram as “filas de folhas” e desafiei-as a colocarem da folha mais pequena para a maior resultando nas seguintes seriações (ver figuras 10). Considerei esta atividade fulcral para o desenvolvimento de conceitos matemáticos pois, “As oportunidades variadas de classificação e seriação são também fundamentais para que a criança vá construindo a noção de número, como correspondendo a uma série (número ordinal) ou uma hierarquia (número cardinal)” (ME, 1997, p. 74)
Figura 10 - Seriações de folhas realizadas pelas crianças
De forma a registar o que tinham aprendido com aquela atividade, perguntei às crianças se queriam aprender um poema sobre as folhas (ver anexo 1), ao que me responderam positivamente.
Após o lanche da manhã, já teria preparado uma folha de papel de cenário, um marcador e cola para colocarem lá as folhas, visto o poema falar das cores e formas das folhas de outono. Ditava o poema gradualmente, seguido da repetição por parte das crianças. À medida que repetiam, ia escrevendo no papel (ver figura 11).
Desta forma, as crianças teriam um contato com a escrita, algo que interessava às mais velhas, que me questionavam frequentemente como se escrevia uma e outra palavra ou como se lia o que estava a escrever. Assim, e depois de já saberem o poema, ainda que com alguma ajuda, ditava-o e ia apontando para a palavra que estava a ler.
A leitura que o educador faz para as crianças, ajudando-as a contactar e interpretar diferentes tipos de texto escrito, tem como complemento a escrita que é realizada com as crianças; ao ver o educador escrever, a criança compreende melhor como e para que se escreve. (ME,1997, p. 71)
No dia seguinte, planeei atividades de desenho. Visto as crianças demonstrarem um claro gosto pelas artes plásticas, quis aproveitar o momento para inserir algumas noções matemáticas e porque o desenho, mesmo sendo de acesso fácil, “não se pode, porém, esquecer que [...] é uma forma de expressão plástica que não pode ser banalizada, servindo apenas para ocupar o tempo.” (ME, 1997, p.61). Aproveitando as folhas e a sua simetria, cortei-as ao meio e colei metade nas folhas de papel das crianças. Algumas replicavam e pediam o outro lado da folha, ao qual respondia com a sugestão de o desenharem elas próprias. A maioria achou uma ideia interessante e foi imediatamente tentar desenhar o outro lado da folha. Admirei a preocupação de algumas em desenhar a metade da folha que faltava, pintando com as tonalidades diferentes que esta tinha, de modo a ficar o mais parecido possível com o outro lado (ver figura 12).
Figura 12 - Desenho de simetria da folha com tonalidades diferentes
A isto seguiu-se a colagem de folhas no papel, de forma a criar imagens. Peguei num par de folhas e coloquei-as na mesa. Questionei as crianças o que lhes fazia lembrar aquela forma que tinha criado com as folhas. Umas responderam que parecia um caracol, outras um ouriço cacheiro. A partir desta conversa, motivei-as a fazerem uma imagem com as folhas e a colarem no papel, para afixarem no placard e mostrarem aos pais, mais tarde. Portanto, o placard, segundo Malaguzzi (1994) citado por Oliveira- Formosinho, Lino e Niza (2007), revela-se uma forma de demonstrar o trabalho
desenvolvido pelas crianças e uma maneira delas próprias revelarem as aprendizagens realizadas.
Com esta atividade, as crianças puderam ser criativas e brincar mais um pouco com as folhas, tal como tinham pedido (ver figura13).
Figura 13 -Desenhos com folhas
Ainda com este tema das folhas, contei a história “A Magia da Estrela de Outono” de Heidi e Daniel Howarth (ver anexo 2). A história tratava de um grupo de animais, que aos poucos se ia juntando em torno de uma árvore para ver a última estrela de outono cair. Essa estrela possuiria poderes mágicos e o urso queria-a para pedir um desejo. Durante a espera, um esquilo matreiro resolve pregar-lhes uma partida e o urso fica muito triste porque já não poderia pedir à estrela que lhe desse amigos. Os restantes animais acabaram por dizer-lhe que seriam os seus amigos e que este não precisaria do desejo para os pedir. Nesta história, nota-se que a estrela afinal, é uma folha com forma estrelar. Sendo que “os registos audiovisuais são meios de expressão individual e coletiva e também meios de transmissão do saber e da cultura que a criança vê como lúdicos e aceita com prazer.” (ME, 1997, p. 72) resolvi contar esta história em formato PowerPoint. Este formato permitiu que todas as crianças vissem claramente as imagens do livro digitalizado, projetadas no pano branco. Ofereceu ainda um momento de mistério e calma após o recreio, porque tinham as luzes apagadas e a sala escurecida, levando a uma maior concentração nas imagens da história.
No início e durante a história, realizava algumas pausas e questionava o grupo para o que poderia acontecer, despertando a imaginação e a capacidade de invenção de histórias que as crianças tinham. Após a leitura total e interpretação da moral da história, as crianças foram motivadas a realizar uma pequena dramatização. Tinha levado máscaras dos personagens e coloquei uma em cada criança que queria fazer a peça de teatro. Concordando com as OCEPE:
Também decorre da intervenção do educador a possibilidade de chegar a dramatizações mais complexas que implicam um encadeamento de ações, em que as crianças desempenham diferentes papéis, como por exemplo, a dramatização de histórias conhecidas ou inventadas que constituem ocasiões de desenvolvimento da imaginação e da linguagem verbal e não verbal. (ME, 1997, p. 60)
Sendo assim, as crianças puderam desenvolver a capacidade de encadeamento de ações da história e realizar um reconto da mesma mais dinâmico e divertido (ver figura14).
Figura 14 - Dramatização da história "A Magia da Estrela de outono"