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1.2.4.1. Eysenck’in Kişilik Modeli

1.2.4.1.2. Eysenck’in Boyutsal Modeli

De fundação remota, com quinta, pomar, vinha, azenha e casa de habitação e agrícolas, pertencia, no reinado de D. Dinis, a Vasco Martins de S. Nicolau, que o 236 Ibidem, p. 109. 237 Ibidem, pp. 109 e 110. 238 Ibidem, p. 110.

vendeu ao judeu Judas Navarro e deste passou, também por compra, ao rei Lavrador. O conde de Barcelos, D. Pedro Afonso, alferes-mor do reino – autor do Nobiliário do

Conde D. Pedro – filho bastardo de D. Dinis, casado com D. Branca Peres, neta do

conselheiro e grande latifundiário alentejano D. João de Aboim, foi possuidor das terras de Água de Peixes, Alvito, Vila Nova, Vidigueira, Malcabrão, Vila Alva, Vila Ruiva, Cocovado e Benalbergue (1313). Património realengo foi, por D. Pedro I, em cartas de 1361 e 18-8-1363, doado a Vasco Martins de Melo, cavaleiro de sua casa, ascendente dos alcaides-mores de Évora e donatário do palácio da Torre das Cinco Quinas, na mesma cidade. Este fidalgo beneficiou, por mercê do mestre de Avis, em 1385, de todos os bens do 1.º conde de Arraiolos D. Álvaro Pires de Castro, expropriados por ser partidário de D. Leonor Teles e do rei de Castela239.

A subsistente habitação rural remonta, no aspecto arquitectónico, ao governo de D. Rui de Melo, guarda-mor, capitão de Tânger e 1.º conde de Olivença (1487), e, sobretudo, ao de seu neto D. Rodrigo de Melo, filho de D. Isabel de Meneses e do chanceler D. Álvaro de Portugal, exilado anos em Sevilha, pelo facto de este ser irmão do justiçado duque de Bragança D. Fernando II, como cabeça da malograda conspiração da nobreza contra o Príncipe Perfeito (1483). Ao futuro e 1.º marquês de Ferreira, que foi casado com D. Leonor de Almeida, senhora do Cadaval, filha do vice- rei da Índia D. Francisco de Almeida, podem ser atribuídas as empreitadas mais características da residência rural, porque ele passou grande parte da juventude na Andaluzia e recebeu, por educação ambiental, o reflexo estéticco da arte mudéjar, no seu variegado e pitoresco desenvolvimento castelhano, aliás em concordância com obras semelhantes feitas no solar citadino de Évora, e, ainda, pela aplicação heráldica do seu escudo de armas na frontaria do alpendre do edifício240.

Este ocupa uma vasta área de planta sensivelmente rectangular, encravado em altos muros de pátios e pavilhões envolvendo um amplo claustro de dois pisos comunicantes, no térreo, à capela da fundação gótico-manuelina e à zona agrícola, e no superior com a habitação nobre formando, em conceito e espaço, o elemento gerador de todo o projecto arquitectónico e funcional. É notório, respeitando os elementos naturais e geofísicos, que a subsistência de formas tradicionais mediterrânico-islâmicos persistam em certos aspectos particulares e decorativos, como se verá da leitura do

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ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal, Concelho de Beja, VII, Lisboa, 1966, p. 49.

complexo, que aliás revela modificações e acrescentamentos constantes na sua estrutura mestra original.

No vasto terreiro exterior, ladeado pelo casario dos antigos servos da exploração agrícola ducal , eleva-se, sobre o tabuleiro de três degraus de pedra da região, o fuste do Cruzeiro da ermida palaciana, interior – truncado de remate – que supostamente e em tempos recentes se classificou como Pelourinho simbólico do senhorio do lugar, este assinalado no Agiológio Lusitano, de vila da comarca de Vila Ruiva e provedoria de Beja241.

A entrada para o primeiro pátio solarengo faz-se através de portal de arco quebrado (Fig.61), de granito, com ombreiras de ligeiras chanfraduras e ábacos pouco pronunciados, outrora gradeado e sobrepujado pelo escudo de armas dos titulares- padroeiros, em composição plena de Bragança e coronel de duque, pintado numa formosa placa azulejar, de fabricação lisbonense datável do último terço de seiscentos. Rompante sobre minarete de alvenaria, na face Norte eleva-se o relógio de sol, de mármore e secção rectangular, ligado ao casario pitoresco dos antigos serventuários da ancestral casa nobre, que corre em silhueta discreta de um só piso e de cornijamento polilobado, ainda de tradição quinhentista. Outro grupo imobiliário, exterior, dos vizinhos primitivos do lugarejo, se estende pelo Sul, nascendo do telhado de uma moradia, talvez de feitoria, o campanil com sineta do serviço comum agrícola. No pátio, calçado ao modo antigo, levanta-se o pavilhão principal do edifício, com faces iluminadas para Oriente e Norte, esta defrontando a designada Fonte de Olho de

Pedra, com tanque para cavalos, de baixa taça de rebordo boleado e opulenta gárgula

donde jorra, ininterruptamente, límpida e fresquíssima água potável, abastecedora, além do paço, do aldeamento de Água de Peixes242.

Austero mas gracioso, embora um pouco atarracado e longo, é o corpo térreo, que apresenta, no ângulo oriental, um elegante balcão geminado, de canto e arcos de ferradura, ultrapassados, com colunelos de mármore abotoados de ramagens e caprichosos capitéis do estilo híbrido manuelino-mudéjar. As grades férreas, marteladas e batidas são da época. Outra janela mainelada, de majestoso volume, se rasga na empena, com arcos duplos, denticulados de ladrilho vermelho e do mesmo tipo, com esbeltíssimos fustes pentagonais e capitelação exótica, magrebina, de calcário, ficando-lhe na ilharga da face direita uma terceira janela mourisca, de peitoril,

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Ibidem, pp. 49-51.

trabalhada na maior singeleza. Sensivelmente no eixo deste alçado, existe uma porta de arco quebrado, na escala humana, de pedra e jambas chanfradas, com pinhas esculpidas e, rematando o pavilhão, uma varanda de traça posterior, primitivamente suportada por arcaria, com abóbada de seis tramos nervurados, gradeamento de ferro forjado, coetâneo, e dois balcões adintelados, igualmente de mármore e de cornijas muito pronunciadas. O seu acesso faz-se por porta de ajimez mourisco, correspondente ao prospecto original. Desta banda alcançam-se a horta, o pomar frutuário, nomeadamente o laranjal, e os destroçados jardins de vilegiatura243.

A Oriente e formando recanto muito atraente, abre-se a comunicação do complexo palaciano, tanto para o pátio interior, aclaustrado e capela, como para o corpo residencial, este fazendo-se por escadaria de um só lanço e corrimão vulgar, de pedra, em cujo patamar se eleva o alpendre de três arcos adintelados, suportado por colunelos esbeltíssimos da ordem dórica e cúpula de secção piramidal, com travejamento de três esteiras de madeira singelamente obrada. Do maior interesse é o portal nobre, esculpido em arquitectura manuelina-mudéjar, com arco de querena e os habituais ornatos exóticos do estilo, estando centrado pelo brasão de armas de D. Rodrigo de Melo, 1.º Marquês de Ferreira, em composição plena de Portugaes e coronel de duque, como elemento posterior. Trata-se de exemplar muito curioso e representativo do seu género no Sul do país e reproduz, com poucas variantes, a portada da sala-nobre da casa-mãe do Palácio Cadaval, em Évora244.

Atingida a galeria do pátio, que comunica com as zonas residenciais solarengas, surpreende, aqui, a beleza e a harmonia das proporções da alegre quadra, constituída por dois andares dissemelhantes (Figs. 62 e 63), robustecido de botaréus do estilo e época da construção, quiçá de começos do século XVI e acabamentos aparentemente da segunda metade da mesma centúria. Distribui-se este em planta rectangular, com galeria nobre de onze tramos adintelados nas alas nascente-poente, divididos por delgados fustes de mármore branco e bases quadradas, e nos outros lados, por pilares octogonais, de alvenaria de caio, nalguns lanços fechados por varandas de grelhas de ladrilho, de desenho losângico. Portais de modelação mudéjar, com ajimezes e decoração lobulada, denunciam as origens manuelinas, assim como outra porta apilastrada, da ordem dórica, que assinala o início da Renascença tércio- afonsina.

243

Ibidem.

Também muito pitoresco é o corpo inferior do claustro, que se atravessa por alpendurada de tecto abatido e arco pleno, de pedra, do mesmo modo assinalando, evolutivamente, as várias etapas construtivas, e a inexistência de um projecto definitivo, talvez pelas preocupações económicas que atingiram a ilustre família eborense, muito afectada pelas consequências desastrosas da Batalha de Alcácer- Quibir245.

A ala mais perfeita do conjunto fica ao Sul e é suportada por arcaria torsa, de cantaria rebocada, com bases cilíndricas e aneladas, que sugere um arcaísmo, o tipo dos pilares das salas brigantinas do castelo-paço de Evoramonte, sendo as restantes faces construídas em arcadas redondas, de grossa alvenaria e aresta viva, robustecidas por contrafortes do mesmo material. Alguns tectos de arcos quebrados ou de nervuras, outros de penetrações e de berço, assinalam, como vestígios evidentes, pormenores da primeira época de construção246.