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Evrakta Sahtecilik – Gerçeğe Aykırı Belge Düzenleme

O segundo conceito enfocado neste estudo é o de território, que também tem suas raízes na Geografia tradicional ou clássica. Ratzel é particularmente lembrado nesta Tese por ter introduzido o conceito de território, inseparável e intrinsecamente articulado ao conceito de espaço em sua antropogeografia (de fundamento positivista). Este autor é a grande referência teórica para o surgimento do território como conceito geográfico, ao introduzir a reflexão sobre o domínio do espaço vital (com fortes raízes na ecologia), concebido em função do estabelecimento de fronteiras nacionais pelo Estado.

As relações entre espaço, Estado moderno47 e território nacional era debatida na filosofia social do século XVIII e XIX. Lefebvre (2006, p.24) destacou que na filosofia de Hegel “[...] o tempo histórico engendra o espaço onde se estende e sobre o qual reina o Estado.”. Mas, o tempo congela-se (a história desaparece, ação torna-se memória, produção, torna-se contemplação) e fixa-se na racionalidade instaurando um espaço imóvel, lugar e meio da razão realizada, do Ser racional, que expressa um conjunto coerente de instituições, de grupo e de sistemas parciais (o direito, a moral, a família, a cidade, o oficio etc.) ocupando um território nacional dominado por um Estado. Ocorre a fetichização do espaço ás ordens do Estado, dito de outra forma Hegel teorizou sobre o Estado territorial reificado e fetichizado.

Nas origens do pensamento geográfico, Ratzel teorizava o domínio do espaço como elemento crucial na história do homem, pois trata do espaço vital de uma sociedade. Dessa forma o território está vinculado à apropriação do espaço por um determinado grupo e refere-se às necessidades territoriais de

47 O Estado moderno desde o século XV começou o processo de superação dos feudos pela

unificação das regiões e o estabelecimento de fronteiras nacionais, juntamente com a definição de uma língua nacional oficial, da mesma forma que a moeda e o exército.

uma sociedade, em busca de uma relação de equilíbrio entre o total da população e os recursos naturais, mediada pela capacidade técnica, ou seja, em função de seu desenvolvimento tecnológico.

Um país próspero, com economia dinâmica deveria expandir suas fronteiras. .A razão de ser do Estado é a preservação e ampliação do espaço vital que transforma a noção de espaço em território através da política. O território, na visão ratzeliana existe numa alusão direta ao monopólio da ação política estatal no território nacional. Portanto, a escala privilegiada nesta noção de território é nacional, o que é compreensível pela contextualização da obra de Ratzel.

Diversos autores referem-se ao fato da teoria ratzeliana sobre o território ter sido elaborada quando a Alemanha já tinha cidades industriais, mas promovia uma tardia unificação da Nação. Sua obra no limite justificava a expansão colonial entre 1870 e 1920. Mas, especificamente reforçava a Alemanha em disputas de fronteira com a França, por isso enfrentou a oposição política de um de seus discípulos, o geógrafo francês Vidal de La Blache, justificada teoricamente48.

Embora ambos sejam conceitos intrinsecamente políticos, a escala nacional associada ao conceito território ratzeliano o diferencia fundamentalmente do conceito de região, associado a uma escala subnacional. A gestão de territórios, como unidades administrativas, em estratégias privadas ou do poder público, em diversas escalas estava relacionada com a noção de região49, conforme Castro (2005) e Corrêa (2005), utilizada na linguagem do homem comum e em diversas ciências sociais.

Marcos Aurélio Saquet (2007) afirma que na escola francesa lablacheana o conceito valorizado foi o de região ao invés do território. A opção

48

No final da década de 1920, La Blache publica “La France de L’Est” referindo-se às regiões de Alsácia e Lorena. Por trás da neutralidade científica sua análise, possuía um forte componente político. Em termos teóricos e políticos confronta-se com Ratzel, que representava o imperialismo alemão.

49 Corrêa (2005) não menciona Ratzel como um autor que tenha contribuído na discussão do

conceito de região na geografia. O significado etimológico de região, do latim regere, governar e regione, unidade política e territorial do Império romano, para designar áreas que, mesmo dispondo de administrações locais “com certa autonomia”, estavam “subordinadas” ao “governo central” de Roma. Dessa maneira a noção de região nasce e se desenvolve ligada à política, à relação entre a centralização do poder e a extensão espacial desse poder hegemônico sobre uma área de grande diversidade social, cultural e espacial.

recaiu pela parte, o particular, o singular (abordagem idiográfica) ao invés do todo nacional, universal (o espaço-território estatista).

Todavia segundo Alexandre Diniz (1984) o método da corrente histórica da geografia humana dos geógrafos franceses - Vidal de La Blache e Albert Demangeon era fundado em três princípios: das possibilidades do homem diante do meio físico, das relações que se estabelecem entre o homem e a base territorial e da necessidade do estudo da evolução das coisas para a sua compreensão.

Embora não trabalhe explicitamente com o conceito de território, esta noção está presente em La Blache, discípulo de Ratzel. Na abordagem lablacheana o território ou base territorial, corresponde ao meio físico, conjunto de recursos naturais, da mesma forma que no espaço vital ratzeliano, mas além da ênfase possibilista ao invés de determinista, há uma grande diferença de escala (da nacional para a subnacional – regional).

Em “O Quadro da Geografia da França” (1903) descreve detalhadamente cada uma das regiões francesas, levando em consideração tudo o que é importante no território, isto é, aquilo que é durável, permanente, que foi formado e nomeado ao longo de décadas, séculos para a caracterização regional; a paisagem cultural constitui um território.

Segundo Gomes (2005) a geografia francesa lablacheana sistematizou um método geográfico de investigação empírica, com base no trabalho de campo in loco, adotando-se a descrição das características físicas (clima, morfologia, ou qualquer outro elemento natural), às quais uma população se adapta a estrutura desta população e de suas atividades econômicas, para desvendar a combinação de fatores responsável pela configuração única da individualidade e da identidade de cada região, “uma personalidade”, “uma forma de ser diferente e particular”, “os traços distintivos da unidade regional”.

Contemporâneo de Vidal de La Blache, como enfatiza Paul Boino (2010), Elisée Reclus em sua geografia social, referiu-se ao conceito de território em alguns dos seus trabalhos geográficos de 1864 a 1905. Em sua obra “Da Ação Humana sobre a Geografia Física” (2010): Reclus utilizou o conceito de território em diversas passagens do texto, com significados distintos como: sinônimo de paisagem cultural, superfícies ocupadas com determinadas atividades econômicas; território nacional e abordagem não

estatista do território, ou território ocupado por uma população (objetiva e subjetivamente).

Na obra “Da ação humana sobre a Geografia Física” (2010), há passagens nas quais o significado de território para Reclus se assemelha ao de Ratzel, enquanto território de uma Nação, embora esteja, para o primeiro, a conotação política, ou seja, a presença do Estado aparece de forma sutil, como criador das condições (obras de infraestrutura) para garantir o território, exemplificando: “[...] devemos citar os imensos trabalhos que os holandeses realizaram para assegurar seu território contra as irrupções do mar e dos rios.” (RECLUS, 2010a, p. 66). Noutra passagem retomou a clássica escala nacional deste conceito, embora sem usar o termo novamente: “[...] a superioridade do seu país sobre todos os outros [...]” (RECLUS, 2010b, p.82), com ênfase no sentimento patriótico do indivíduo.

A abordagem teorético-quantitativa assumiu uma perspectiva nomotética, filiada ao positivismo lógico ou neopositivismo, tornando-se hegemônica entre 1950 e 1970, adotando a visão da unidade epistemológica da ciência, consagrou o raciocínio hipotético dedutivo das ciências naturais e os modelos matemáticos de organização espacial, para elaborar uma concepção racionalista de espaço, como uma “planície isotrópica” ou superfície uniforme.

As unidades espaciais dentro dessa concepção teórica resultam de um processo de classificação, enquanto agrupamentos e divisões lógicas e sua representação matricial, com base em técnicas estatísticas de tratamento de inúmeras variáveis (geomorfologia, cobertura vegetal, ocupação humana, densidade demográfica, padrão cultural, circulação em todas as direções, renda) a partir da adoção de uma racionalidade econômica - minimização de custos/maximização de lucros/satisfação. Nesta abordagem adotada nos sistemas de planejamento público e privado, lugar e território, não eram mais utilizados como conceitos geográficos, pois em tais teorizações o homem aparecia de forma abstrata ou não estava presente, como ressaltou Milton Santos,

Um exame da situação atual na teoria espacial nos revela um imenso corpo de literatura, que se preocupa com atividades

econômicas isoladas ou em grupos; e com os fluxos entre esses grupos de atividade. Esses agrupamentos ou nódulos são também representados por firmas e os fluxos entre elas: inputs e outputs. São esses dados que fornecem a base para a formação de teorias espaciais tanto positivas, quanto normativas, para as quais o homem é uma abstração, uma média ou é, mesmo inexistente. (SANTOS, 1980, p. 77).

Como afirma Antônio Carlos Robert de Moraes (1990) na abordagem da realidade, sem sujeito, na qual inexistiam as relações entre os homens, deixando de fora as relações sociais, não fazia sentido qualquer referência a território. Contudo, de modo geral, na trajetória do pensamento geográfico, foi havendo uma subdivisão em vários ramos especializados. Portanto, paralelamente ao movimento de renovação da geografia teorético-quantitativa, que atingiu, sobretudo, a Geografia Econômica, com o desenvolvimento das teorias locacionais, sobretudo de indústrias, na Geografia Política (e Geopolítica) foi sendo consolidada a tradicional concepção ratzeliana, que realça o vínculo do território com o poder, particularmente com o poder estatal, enquanto território nacional.

Em “O Homem e a Terra”, Reclus (2010) analisou o capitalismo, o colonialismo, a urbanização, as mutações sociais, inaugurou uma “maneira de ver o mundo em sua globalidade e em suas dinâmicas.”. O geógrafo anarquista “[...] fundou uma Geografia social, econômica e política, colocando em relevo os modos de produção, os sistemas de exploração capitalista e de opressão estatista.” (BOINO, 2010, p.12-18).

Segundo Boino (2010, p.25) Yves Lacoste considera Reclus o primeiro geopolítico. Lacoste retomou a análise geopolítica50 reclusiana, ou seja, sua análise territorializada do poder politico e militar dos Estados, “uma geopolítica não-facista” - uma abordagem científica e política anarquista, que não se confundia com a de Ratzel e também a de La Blache porque, ao invés dos “geografismos” - procedimentos que personificavam uma entidade geográfica (Estado, região, cidade) ou adotavam “entidades quase metafísicas – os povos” ressaltavam as diferenças sociais internas aos recortes espaciais (regionais), ou seja, o papel das classes sociais.

50 A geopolítica estava desacreditada desde que a teoria do espaço vital de Ratzel serviu para

A Geopolítica foi o campo privilegiado por Yves Lacoste51, um representante da Geografia critica (marxista), que ele consolidou nos anos oitenta. Esse tratamento analítico do território permanece atual como foco exclusivo dos estudos das relações internacionais, nos quais se fundamenta a geopolítica.

Segundo Claude Raffestin (1993, PÁG.) “o espaço geográfico de uma nação forma o seu território concreto”, ou seja, este significado específico da concepção tradicional (ratzeliana) do território, que também aparece na obra reclusiana é eternizada pela geopolítica contemporânea, impulsionada enquanto “Geopolítica territorial” por Yves Lacoste. O conceito clássico de território nacional, como o espaço geográfico concreto de uma nação é mantido. Na verdade, o território-Nação é reafirmado por todas as correntes geográficas.

Saquet (2007) afirma que a “reelaboração da ciência geográfica” a partir dos anos 1950-60, se deu com os estudos voltados para a explicação do real acerca da geopolítica do espaço, com Jean Gotmann (1952), nos EUA. Durante os anos de 1970, quando o debate sobre o território e a territorialidade estava consolidado e abrangente, agregaram-se outros autores que consolidaram esta temática clássica: Edward Soja (1971), Gottman (1973; 2005; 1975) e Claude Raffestin (1993) Guichonnet (1974). No inicio do século XXI (2007) referiu-se ainda à importância de uma linha geopolítica dos estudos territoriais, a partir dos estudos de Gottman, Robert Sack; Nicolas Entrikin e David Harvey (1975).

Saquet (2007) não explicita a(s) fundamentação(ões) na(s) qual(is) se fundam as teorizações dos autores por ele destacados, que fortalecem a abordagem geopolítica do território. Todavia Raffestin, Sack, e Harvey (de 1975 em diante) são reconhecidos como marxistas. Considera o autor que em sua evolução conceitual dentro dessa perspectiva de abordagem o único destaque político-institucional sobre o conceito de território é que ele passou a ser

51 A partir dos anos oitenta os membros da revista Heródote dedicaram-se aos problemas de

geopolíticas internas e externas, em escala regional, nacional, continental e internacional. Em 1983 o subtítulo foi alterado – Revista de Geografia e Geopolítica; e até 1985, 35 números temáticos tinham sido publicados com artigos de diversas áreas da ciências sociais “sobre o raciocínio geográfico”. Pela sua tiragem é a mais importante revista francesa de geografia e permanece como a única revista de Geografia geopolítica (Orelha do livro de Lacoste “A Geografia – isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra”, de 1989).

aplicado a subdivisões espaciais em escalas menores (subnacionais): regiões, departamentos, estados, municípios - administrados pelo Estado (HAESBAERT, 2002; FERNANDES, 2005).

É valorizado o fato do território nacional, ser subdivido, em outros territórios em escalas menores, tanto aqueles administrados pelo Estado (departamentos, regiões, províncias, estados, municípios, cidades, bairros, vilas etc.), quanto espaços privados: empresas, fábricas, propriedades, casas, cômodos, corpos etc. Ambos os autores, defendem a abordagem pluriescalar ou multiescalar, analisam as relações de um determinado território em face de outras relações sociais em escalas mais amplas e dimensões (de uma nação e no interior da mesma).

Haesbaert (2004) e Fernandes (2005) concordam com Raffestin (1993), que no interior desse espaço nacional há diferentes territórios (frações desse espaço material), denominado por Haesbaert (2004) de multiterritorialidades. Destaca-se que a abordagem estatista do conceito de território deixou de ser exclusiva, na medida em que surgiu uma nova abordagem relacional do território, resultante da prática social das classes, articulada de forma multi- escalar, que é adotada nesta tese.

As relações de poder configuram os territórios, mas estes não se referem mais apenas ao monopólio da ação política estatal no território nacional, que marcava o conceito na Geografia Clássica, desde Ratzel, embora este poder a ser exercido com grande peso na regulação das relações econômicas e político-administrativas internas, e nas relações econômicas e políticas externas, como têm sido acompanhadas pela geografia política e a geopolítica internacional respectivamente.

O conceito de território deixou de fazer parte exclusivamente das teorizações da Geografia Política e da Geopolítica, com Reclus, Lacoste e Raffestin, alcançando todas as subdivisões da produção geográfica. Como enfatizou Paul Boino (2010), Elisée Reclus em sua geografia social, referiu-se ao conceito de território em alguns dos seus trabalhos geográficos de 1864 a 1905, esboçando uma abordagem multidimensional do território, se antecipando em relação ao debate, que somente em meados do século XX, ocorreu em várias ciências sociais e humanas – sociologia, etnologia, psicologia etc., sobre as relações entre sociedade (ou o indivíduo) e o espaço.

Em sua obra “Da ação humana sobre a Geografia Física” (2010) Reclus diversificou a significação do território, além da abordagem estatista, esboçando uma abordagem não estatista do território – objetiva e subjetiva. Reclus enfatizou a relação de determinada população com seu território ocupado objetivamente (habitat ou ocupação produtiva): “o homem não se contenta hoje em exercer uma influência indireta sobre a salubridade do seu domínio e num grande número de regiões propõe-se como objetivo imediato do seu trabalho o saneamento do território.” (RECLUS, 2010a, p.69).

Nesta mesma obra, Reclus (2010) apresenta uma abordagem subjetiva do território, ressaltando o sentimento de pertença do indivíduo ou grupo social em relação a um território, ou seja, a territorialidade, em diversas passagens: ao referir-se à terra “[...] colocando-a em harmonia com sentimentos íntimos daqueles que a habitam [...]”, “moldar a terra à sua imagem” em oposição à pura e simples exploração da natureza pela agricultura e indústria, que ele considera um espaço restrito (RECLUS, 2010a, p. 72).

Em “Geografia Comparada no Espaço e no Tempo”, de 1894, enquanto uma história geográfica, Reclus retomou a ideia de relação de grupos humanos com seu território, sobretudo na dimensão subjetiva, estética (relativa a sentimentos) dessa relação com a terra natal, a territorialidade: “Cada grupo humano dava valor excepcional ao canto da terra habitado por ele; as outras regiões pareciam-lhe inferiores porque não lhe pertenciam”. Compreendemos esse orgulho coletivo de todo um povo e sua alegria de viver de eleição quando um território tem a beleza [...] da sua terra natal [...] (AUTOR, data, p.80, 81); “Ninguém, nem povo, nem indivíduo quer que sua habitação não esteja entre as mais belas” (AUTOR, data, p.83).

Em certos lugares [...] ele envolve com um longo olhar essa terra que ama da qual reconhece cada pedaço, cada tufo de grama [...] com o amor pelo solo e orgulho pela posse, todos os sentimentos e paixões do homem tiveram sua parte nas origens da geografia comparada. (RECLUS, 2010b, p.84).

Refere-se também este autor às representações espaciais, ao resgatar lendas e mitologias para exemplificar a relação do homem com a terra (imaginária). “É por um sentimento análogo que tantas cidades, tantos locais reputados santos foram considerados o centro da Terra. [...] Cada raça, cada

povo, cada tribo teve assim seus paraísos que a História geográfica permite encontrar.” (RECLUS, 2010a, p.83-87)52 .

Essa última significação é reforçada pelo idealismo anarquista: “Para além do horizonte [...] rumo a essas regiões misteriosas [...] lugares desconhecidos, não é ali que a humanidade encontraria o país de seus sonhos, o local sagrado onde não haveria mais, nem fome, nem sede, nem fadiga, nem servidão, nem morte?” (RECLUS, 2010a, p.86-87). Nessa significação, território é sinônimo de lugar, que foi posteriormente retomada e reforçada pela geografia cultural e humanista renovada.

Contudo, a abordagem relacional do território, esboçada pela Geografia Humanista de La Blache e pela Geografia social de Reclus, não sofreu solução de continuidade. Para a abordagem teorético-quantitativa53, que se constituiu como corrente geográfica entre 1950 e 1970, focada na descrição e quantificação da produção indireta no espaço, o homem inexistia ou aparecia de forma abstrata (como média), conforme Milton Santos. Por isso não utilizavam lugar e território como conceitos geográficos.

Segundo Saquet (2007) a redescoberta do território (conceito complexo), se explica pelas mudanças simultâneas e recíprocas, que ocorreram na realidade (mudanças sócio-espaciais) a partir dos anos 1950-60, na vida cotidiana e na vida em sociedade - a expansão do capitalismo e seus aspectos culturais, se agravaram e apresentaram novos desafios para os cientistas sociais, que se debruçaram sobre “suas contradições, agentes sociais, relações de classe”.

Também mudaram a filosofia e as ciências sociais, desdobrando-se em diferentes abordagens e concepções do conceito de território na geografia e demais ciências - a complexidade da vida cotidiana exigiu uma abordagem interdisciplinar (AUTOR, data, p.13). Apesar das especificidades metodológicas de cada abordagem e concepção, na filosofia, geografia e sociologia, Saquet (2007, p.63) afirma que todas são renovadas, múltiplas, relacionais e processuais.

52

Paraísos perdidos (da nostalgia) ou paraísos do desejo “terras de promissão”.

53 Dematteis (2007, p.54) referiu-se ao objetivismo e pragmatismo acéticos da geografia

teorético-quantitativa; e em outra passagem adiante, afirma “alguns continuarão a trabalhar com a abordagem analítico-quantitativa.”.

Dematteis (2007) corroborou sobre o caminho reflexivo que tem sido feito neste tópico, ao retomar de Saquet sua análise das duas grandes “revoluções conceituais” do território na Geografia atual. O primeiro, concebido pela escola regional francesa, foi “o processo histórico de coadaptarão recíproco e contínuo entre sociedade humana (territorialidade ativa) e ambiente material gerando a grande diversidade cultural da humanidade e das paisagens”.

Saquet (2007, p.14-15) afirmou que a “[...] reelaboração da ciência geográfica [...]” a partir dos anos 1950-60, se deu com os estudos voltados para a explicação do real acerca: da geopolítica do espaço, de Jean Gottmann (1947; 1952); do desenvolvimento territorial, reestruturação do capital e dos movimentos sociais e da própria discussão teórico- metodológica acerca do território, com Giuseppe Dematteis (1964; 1967; 1969), assim como com Gottmann.

Durante os anos de 1970, conforme o mesmo autor o debate internacional sobre o território e a territorialidade estava consolidado e abrangente, somando-se aos pioneiros outros autores que, além de aprofundarem o debate teórico-metodológico54, consolidaram as duas