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7. Evlat Edinme Yönetmeliği Taslağı yayınlanmak üzere Hukuk Müşavirliğine gönderilmiştir
Antes de quaisquer considerações, devemos levar em conta alguns aspectos. Em primeiro lugar, é importante ressaltar que os sentidos da deficiência auditiva e uso de aparelhos de amplificação sonora (AAS) são construídos na interação e na dialogia. Isso porque a produção de sentidos não é uma atividade individual, ela é uma prática social, essencialmente dialógica.
Além disso, para analisar as práticas discursivas dos participantes, devemos saber que essas são marcadas pelas diversas posições - de onde se fala, como se fala e para quem se fala – que dizem do contexto em que o sujeito está situado. Isso se faz importante, uma vez que as pessoas atribuem sentidos ao se posicionarem e serem posicionadas na interanimação dialógica que permeia as práticas discursivas. Desse modo, os participantes falaram do lugar de idosos deficientes auditivos usuários de AAS e fizeram isso para aquela que realizou as adaptações, o que, certamente, influiu nas práticas discursivas.
Ainda devemos lembrar que, é na situação face-a-face, do tempo curto, na qual ocorre a interação entre participante e pesquisadora, que foi possível entender os possíveis sentidos para a deficiência auditiva e uso de AAS, ou seja, que foi possível compreender tanto a regularidade, a permanência, quanto a polissemia dos repertórios que sustentam a singularidade dos processos de produção de sentidos, o que pôde ser visto nos mapas de associação de idéias. Neste mesmo tempo, os aspectos da construção histórico-social do que é a deficiência auditiva e usar AAS, que se relacionaram aqui ao estigma, também foram presentificados.
Assim, a partir da análise dos dados desta pesquisa, pudemos concluir que a deficiência auditiva foi sempre falada a partir das dificuldades comunicativas dela decorrentes, estando o seu sentido, desse modo, relacionado à limitação do contato com o outro, à restrição no convívio social, uma vez que incide diretamente sobre o que permite tal relacionamento, ou seja, a comunicação.
Ao deficiente auditivo foi atribuído um sentido negativo, qual seja, o de uma pessoa menos capaz. Esta visão dos deficientes auditivos é um fator que interfere na aceitação do problema tanto por aqueles que convivem com o deficiente auditivo quanto por ele próprio. Isso nos permite considerar que a deficiência auditiva tem um potencial de estigmatização do sujeito, o que, por sua vez, pode afetar a construção de sua subjetividade.
Também pudemos constatar que a deficiência auditiva foi atribuída á idade avançada, sendo esta associada a sua fatalidade, ou seja, houve uma associação entre a deficiência auditiva e o envelhecimento, o que, certamente, interfere na aceitação da primeira, bem como no conseqüente uso dos AAS, uma vez que ambos acabam por representar a chegada da velhice que, por sua vez, é tida como algo negativo.
Com relação aos AAS, notamos que esses equipamentos adquiriram dois sentidos conflitantes, que oscilaram constantemente: o de instrumentos que possibilitam o re-estabelecimento do contato com o outro, que permitem o sujeito voltar a se relacionar com o mundo social e que o afastam da situação de pessoa menos capaz, mas que não o fazem totalmente, uma vez que não resolvem todas as dificuldades comunicativas decorrentes da deficiência auditiva.
Ainda, foi possível notar que os AAS provocam um problema na identidade de seus usuários, uma vez que não fazem parte do corpo do sujeito, modificam a percepção que estes têm de si mesmos e não re-estabelecem a audição perdida. No entanto, a insistência em seu uso faz com que esses equipamentos sejam incorporados à imagem da pessoa, sendo assumidos como parte de sua identidade, deixando o seu uso, possivelmente, de ser problemático. Isso é um conhecimento significativo para a abordagem subjetiva dos pacientes nos processos de adaptação de AAS, uma vez que há a perspectiva de mudança do sentido negativo para o positivo com o uso bem sucedido.
Quanto ao modo como os outros e os próprios deficientes auditivos idosos lidam com as dificuldades comunicativas, podemos afirmar que, frente a elas, os sujeitos tendem a fugir das situações em que a comunicação é exigida, o que leva ao
isolamento, tornando-se, a deficiência auditiva, mais um fator de desagregação social do idoso, uma vez que produz efeitos devastadores em seu processo de comunicação.
Além disso, a pressão social pelo uso dos AAS revela que a deficiência auditiva e as dificuldades dela decorrentes afetam a vida não só daqueles que as apresentam, mas também daqueles que o cercam, dificultando as relações sociais.
Todos esses sentidos, bem como a afetividade envolvida na questão da deficiência auditiva e uso de AAS, influenciam na aceitação da primeira e no conseqüente uso desses equipamentos, podendo responder, até mesmo, pela desistência de seu uso.
Assim, a partir do que foi explicitado, concluímos que tanto a deficiência auditiva quanto o uso dos AAS adquirem sentido, essencialmente, na relação do sujeito com o outro, em sua facilitação ou restrição, uma vez que o ser humano só tem possibilidade de existência quando inserido no meio social.
Desse modo, este estudo pode contribuir para a formação do fonoaudiólogo e, conseqüentemente, para a assistência prestada por ele a seus pacientes. Isso porque o profissional que atua especificamente nesta área tem de se tornar disponível para ouvir os pacientes e considerar as questões subjetivas envolvidas em cada caso como relevantes para sua compreensão e imprescindíveis para o tratamento do sujeito. É preciso entender a relação que se estabelece entre o indivíduo e sua deficiência, sendo isso somente possível ao se focar a atenção no homem que existe além e apesar da deficiência auditiva apresentada.