BÖLÜM 2 : BİZANS TARİHİ ARAŞTIRMALARI VE BİZANS
3.2. Prof. Dr. Fahameddin BAŞAR
3.2.1. Eserleri
Reunir e ordenar todo o conhecimento construído ao longo do tempo, em um espaço delimitado, sempre foi um sonho acalentado pela humanidade. Assim, desde os primeiros desenhos nas cavernas o homem foi desenvolvendo formas diversas para registrar, preservar e organizar a sua memória.
Contudo, o que parecia uma tarefa relativamente fácil em um dado período da História, visto que os registros eram poucos e raros, tornou-se uma atividade árdua e confusa face ao excesso de registros que foram surgindo. No século III a.C., em Alexandria, por exemplo, a quantidade de rolos de papiro armazenados na biblioteca, cerca de setecentos mil, tornou quase impossível a um leitor encontrar uma determinada obra, a não ser por um mero acaso (MANGUEL, 1997). Dessa forma, ao perceber que a produção e a organização do conhecimento a ser preservado deveriam constituir-se em ações paralelas e simultâneas, o homem, de acordo com Milanesi (2002, p.21), colocou em prática a “atividade de ordenamento”, estabelecendo a noção básica de biblioteca e sua idéia mais primitiva: “o resultado do desejo e da necessidade quase instintiva de poder utilizar várias vezes uma informação que pudesse ser significativa”. Funde-se e amplia-se, ao mesmo tempo, em um só local, a possibilidade de salvaguardar o saber acumulado pela humanidade e de recorrer a esse mesmo conhecimento de acordo com a necessidade.
Há que se considerar, todavia, que o acesso a esse saber foi, durante centenas de anos, um privilégio a que poucos tinham direito. Havia um monopólio do saber, restrito a uma camada da população que detinha as habilidades para ler e escrever, particularmente, os que faziam parte de ordens religiosas ou que estavam vinculados a elas. Até a Idade Média, as diferentes formas de suportes utilizados para escrita também contribuíram para manter esse monopólio, visto que exigiam ciência, tempo e desprendimento financeiro para seu fabrico e utilização, impossibilitando ainda mais a proliferação da prática leitora. Na antigüidade, as primeiras obras literárias foram registradas por gregos e romanos em vários rolos de papiro, “primitivo papel” (MILANESI, 2002, p.21) oriundo das fibras do Cyperus papyrus, planta aquática das margens do Nilo. Segundo consta (MILANESI, 2002, p.22), a espessura e o volume dessas obras dificultavam sua leitura, já que exigiam “uma certa habilidade física do leitor: enrolar uma extremidade e desenrolar a outra”. Também o pergaminho, que foi o suporte utilizado para a escrita por mais de mil anos, oferecia restrições à leitura, visto ser material caro, cuja produção estava quase que totalmente restrita aos mosteiros.
Na metade do século XV, com a invenção da imprensa, amplia-se a possibilidade das classes sociais menos privilegiadas terem acesso à leitura e à escrita. Para Manguel (1997, p.156-157), essa mudança, ao reduzir o tempo de produção de um livro e aumentar sua produção, alterou “para sempre a relação do leitor com aquilo que deixava de ser um objeto único e exclusivo confeccionado por um escriba”. Criam-se os grandes e pequenos acervos de
livros. Os primeiros buscavam conservar a memória das gerações e indicavam o desenvolvimento econômico e social de um povo, enquanto os segundos tinham como função primordial proporcionar aos jovens os conhecimentos básicos necessários para sua inserção social.
O livro, ao deixar de ser objeto único, transforma-se em um produto comercial. Sua produção é ampliada de tal forma que surge um novo fenômeno retratado por Milanesi (2002, p.29) – o caos bibliográfico:
A produção de impressos, livros e, principalmente, periódicos cresceu de tal forma que superou a capacidade de organizá-los. As novas descobertas em todas as áreas do conhecimento humano exigiam um número tal de publicações que não havia recursos para comprá-las, nem espaço suficiente para armazená-las, nem critérios refinados para selecioná-las e, nem mesmo, formas de organização. Enfim, um texto corria o risco de não concretizar o seu objetivo, perdendo-se no chamado ‘caos bibliográfico’. Descobriu-se que não bastava compilar o conhecimento em grandes coleções, era necessário agrupá-las de uma determinada forma, ter espaço propício para seu armazenamento e critérios para selecioná-las, a fim de que o texto cumprisse seu principal papel: a disseminação do conhecimento. Chartier (1999, p. 117) refere-se a esse período como uma época de intensa frustração que “levou à constituição de acervos imensos, à vontade das conquistas e confiscos, a paixões bibliófilas e à herança de porções consideráveis do patrimônio público”. Muitas foram as soluções pensadas para minimizar as dificuldades que se apresentavam, algumas adotadas e outras abandonadas: a compilação em catálogos, a especialização, que fracionava o conhecimento em partes menores, a organização do conhecimento de acordo com áreas geográficas de um país, a utilização de microformas, a categorização etc.
Com o desenvolvimento tecnológico, o sonho de reunir e organizar todo o conhecimento torna-se mais exeqüível, e derruba-se o mito de que o saber acumulado precisaria estar restrito a um único local. Os computadores e sua conexão, a Internet, tornam possíveis não somente o armazenamento de um volume inimaginável de informações, mas também a acessibilidade a essa informação independentemente do tempo e espaço. Assim todo e qualquer indivíduo em qualquer parte do mundo pode informar-se, bastando para isso
possuir um computador e um telefone para conectar-se. Nos dias atuais, um mesmo texto virtual pode ser lido ao mesmo tempo por vários cidadãos de diferentes nações.
Frente a essas intensas transformações, surgem novos desafios sociais, principalmente no âmbito educacional, que pressupõem respostas a questões básicas para a formação cultural de cada indivíduo: estaria a biblioteca com seus dias contados? Que função exerceria na sociedade da informação e do conhecimento? De que forma poderia auxiliar na formação do homem no século XXI?