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3. TÜRK EDEBİYATI SAHASINDA YAZILAN AHLÂK KİTAPLARI

2.4. AHLÂK-I AHMEDÎ

2.4.3. Eserde Geçen Şahsiyetler

Aqui neste espaço teórico da tese, torna-se importante considerar

o espaço geográfico como um conjunto indissociável de sistemas de objetos e de sistemas de ações, pois a riqueza da geografia como província do saber reside, justamente, no fato de que podemos pensar, a um só tempo, os objetos (a materialidade) e as ações (a sociedade) e os mútuos condicionamentos entretecidos com o movimento da história. (SANTOS et

al, 2000, p. 3)

O espaço geográfico pode ser visto como sinônimo de espaço banal: “A compreensão do espaço geográfico como sinônimo de espaço banal obriga-nos a levar em conta todos os elementos e a perceber a inter-relação entre os fenômenos.” (SANTOS et al, 2000, p. 2) O espaço banal é o espaço de todos os seres humanos, de todas as instituições, de todas as empresas e de todo ser humano. É o espaço de todas as dimensões do

acontecer e de todas as determinações da totalidade social, que incorpora o movimento do todo, permitindo-nos enfrentar a tarefa da análise.

Partindo da compreensão do mundo como sendo um conjunto de possibilidades e sugerindo que o espaço geográfico seja assumido como uma categoria de análise social, sinônimo de território usado, território abrigo de todos os homens de todas as instituições e de todas as organizações, Santos recupera o sentido do “espaço banal” proposto pelo economista François Perroux22. Porém, chama a atenção para a necessidade de, hoje, refinar-se o conceito de território, de modo a distinguir aquele território de todos, abrigo de todos, daquele de interesse das empresas. O primeiro será conceituadocomo território normado, e o segundo, como território como recurso, território como norma ou território das empresas. O primeiro é o território nacional; o segundo, o espaço internacional, de interesse das empresas.

Milton Santos se debruçainsistentemente sobre essa categoria de análise social, propondo ainda que o território usado seja compreendido como uma mediação entre o mundo e a sociedade nacional e local. O território usado é uma categoria integradora por excelência e que, especialmente no planejamento, vem definitivamente terminar com as falsas premissas da possibilidade da gestão intersetorial a partir da justaposição do setorial na elaboração dos planos. O território usado vem, na perspectiva miltoniana, exatamente evidenciar essa impossibilidade teórica, técnica e política da intersetorialidade. A resposta está exatamente em assumir o território como a única possibilidade de lida com a unidade. Para ele, o espaço geográfico é uma totalidade dinâmica, produto das múltiplas totalizações a que está submetido o processo da história, acada instante.

Para Milton Santos, o território usado se constitui em uma categoria essencial para a elaboração sobre o futuro. O uso do território se dá pela dinâmica dos lugares. O lugar é proposto por ele como sendo o espaço do acontecer solidário. Essas solidariedades definem usos e geram valores de múltiplas naturezas: culturais, antropológicos, econômicos, sociais, financeiros, para citar alguns. Mas as solidariedades pressupõem coexistências, logo pressupõem o espaço geográfico.

Partindo da sua interessante reflexão, que nesse período histórico ele denominou de técnico, científico e informacional, mundo e lugar se constituem num par indissociável, tornando, no entanto, o lugar como a categoria real, concreta. O lugar é também, segundo inspiração sartreana, o espaço da existência e da coexistência. O lugar é o palpável, que

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François Perroux (19 de dezembro de 1903, Saint-Romain-en-Gal – 2 de junho de 1987), foi um economistafrancês. Foi Professor do Collège de France, depois de ensinar na Universidade de Lyon e na Universidade de Paris. O conceito de espaço banal está em PERROUX, François. O conceito de pólo de crescimento. In: FAISSOL, Speridião (Org.).Urbanização e regionalização, relações com o desenvolvimento

recebe os impactos do mundo. O lugar é controlado remotamente pelo mundo. No lugar, portanto, reside a única possibilidade de resistência aos processos perversos do mundo, dada a possibilidade real e efetiva da comunicação, logo da troca de informação, logo da construção política.

Trata-se, portanto, de pensar sobre uma nova ordem mundial que relaciona o global e o local. A ordem global serve-se de uma população esparsa de objetos regidos por essa lei única que os constitui em sistema, característica essencial do período técnico-científico e informacional, produtor de verticalidades. Já a ordem local diz respeito a uma população contígua de objetos, reunidos pelo território e, como território, regidos pela interação, pela contiguidade, que Milton vai também chamar de horizontalidades.

O território, portanto, pode ser formado, como nos ensina o mestre, por lugares contíguos e lugares em rede. Mas importa ressaltar que são os mesmos lugares que se constituem em contiguidades ou em redes. É, portanto, dentro deles que se estabelece uma contradição vivida entre o mundo e o lugar. É dessa contradição vivida que nasce o grito do território, que Milton vai alertar como sendo seu retorno, como metáfora: o papel ativo do território acaba sempre por impor ao mundo uma revanche, a ideia de percepção efetiva da história como movimento.

A partir dessa realidade, encontramos hoje no território novos recortes, além da velha categoria região; e isso é resultado da nova construção do espaço e do novo funcionamento do território, através daquilo que está chamando de horizontalidades e verticalidades. As horizontalidades serão os domínios da contiguidade, daqueles lugares vizinhos reunidos por uma continuidade territorial, enquanto as verticalidades seriam formadas por pontos distantes uns dos outros, ligados por todas as formas e processos sociais. A partir disso, devemos retomar de François Perroux a ideia de espaço banal, que ele legou aos geógrafos e solicitou que fosse testado no Brasil por um dos seus discípulos, Jacques Boudeville. A ideia de espaço banal, mais do que nunca, deve ser levantada em oposição à noção que atualmente ganha terreno nas disciplinas territoriais: a noção de rede.

As redes constituem uma realidade nova que, de alguma maneira, justifica o termoverticalidade. Mas além das redes, antes das redes, apesar das redes, depois das redes, com as redes, há o espaço banal, o espaço de todos, todo o espaço, porque as redes constituem apenas uma parte do espaço e o espaço de alguns. O território, hoje, pode ser formado de lugares contíguos e de lugares em rede. São, todavia, os mesmos lugares que formam redes e que formam o espaço banal. São os mesmos lugares, os mesmos pontos, mas contendo simultaneamente funcionalidades diferentes, quiçá divergentes ou opostas.

Esse acontecer simultâneo, tornado possível graças aos milagres da ciência, cria novas solidariedades: a possibilidade de um acontecer solidário, malgrado todas as formas de diferença, entre pessoas, entre lugares. Na realidade, esse acontecer solidário apresenta-se sob três formas no território atual: um acontecer homólogo, um acontecer complementar e um acontecer hierárquico.

O acontecer homólogo é aquele das áreas de produção agrícola ou urbana, que se modernizam mediante uma informação especializada e levam os comportamentos a uma racionalidade presidida por essa mesma informação, que cria uma similitude de atividades, gerando contiguidades funcionais que dão os contornos da área assim definida. O acontecer complementar é aquele das relações entre cidade e campo e das relações entre cidades, consequência igualmente de necessidades modernas da produção e do intercâmbio geograficamente próximo. Finalmente, o acontecer hierárquico é um dos resultados da tendência à racionalização das atividades e se faz sob um comando, uma organização, que tendem a ser concentrados e nos obrigam a pensar na produção desse comando, dessa direção, que também contribuicom aprodução de um sentido, impresso na vida dos homens e na vida do espaço.

Em todos os casos, a informação tem um papel parecido com aquele que, no passado remoto, era destinado à energia. Antigamente, sobretudo antes da existência humana, o que reunia as diferentes porções de um território era a energia, oriunda dos próprios processos naturais. Ao longo da história, a informação vai ganhando essa função, para ser hoje o verdadeiro instrumento de união entre as diversas partes de um território.

No caso do acontecer homólogo e do acontecer complementar, isto é, nas áreas de produção homóloga no campo ou de produção homóloga na cidade, o território atual é marcado por um cotidiano compartilhado mediante regras que são formuladas ou reformuladas localmente. Trata-se, nesse caso, do uso de informação que tende a se generalizar. Quanto ao acontecer hierárquico, trata-se, ao contrário, de um cotidiano imposto de fora, comandado por uma informação privilegiada, uma informação que é segredo e é poder. No acontecer homólogo e no acontecer complementar, temos o domínio de forças que são localmente centrípetas, enquanto no acontecer hierárquico o domínio é de forças centrífugas. Há, sem dúvida, um centripetismo, neste último caso, mas é um centripetismo do outro.

No primeiro e no segundocaso, temos a primazia das formas com a relevância das técnicas, já que estas, ademais, produzem as formas utilizadas. No caso do acontecer hierárquico, temos a primazia das normas, não mais com relevância da técnica, mas da política.

Há um conflito que se agrava entre um espaço local, espaço vivido por todos os vizinhos, e um espaço global, habitado por um processo racionalizador e um conteúdo ideológico de origem distante e que chegam a cada lugar com os objetos e as normas estabelecidos para servi-los. Daí o interesse de retomar a noção de espaço banal de Milton Santos, isto é, o território de todos, frequentemente contido nos limites do trabalho de todos; e de contrapor essa noção ànoção de redes, isto é, o território daquelas formas e normas ao serviço de alguns. Contrapõem-se, assim, o território todo e algumas de suas partes, ou pontos, isto é, as redes. Mas quem produz, quem comanda, quem disciplina, quem normaliza, quem impõe uma racionalidade às redes é o Mundo. Quando se fala em mundo, está se falando, sobretudo, em mercado que, hoje, ao contrário de ontem, atravessa tudo, inclusive a consciência das pessoas. Mercado das coisas, inclusive a natureza; mercado das ideais, inclusive a Ciência e a Informação; mercado político.

Antes do enfraquecimento atual do Estado Territorial, a escala da técnica e a escala da política se confundiam. Hoje, essas duas escalas se distinguem e se distanciam. Por isso mesmo, as grandes contradições do nosso tempo passam pelo uso do território. Na democracia de mercado, o território é o suporte de redes que transportam regras e normas utilitárias, parciais, parcializadas, egoístas (do ponto de vista dos atores hegemônicos), as verticalidades, enquanto as horizontalidades hoje enfraquecidas são obrigadas, com suas forças limitadas, a levar em conta a totalidade dos atores. A arena da oposição entre o mercado ― que singulariza ― e a sociedade civil― que generaliza ― é o território, em suas diversas dimensões e escalas.

O território condiciona as localizações e ações dos atores e, ao mesmo tempo, se submete às regulações políticas e mercadológicas que diferenciam e hierarquizam os espaços de “mandar” e os espaços de “fazer”. O uso e a organização do território autorizam as ações dos sistemas políticos e econômicos. O movimento e a estrutura global da sociedade são desvendados pelo uso que os homens e os agentes econômicos fazem do território ao reorganizar a produção, o que evidencia a disputa entre os diferentes grupos (CATAIA, 2003, p.400).

Enquanto os atores hegemônicos usam o território como recurso ou mercadoria, segundo seus próprios interesses, os atores hegemonizados usam-no como abrigo para sobreviver nos lugares em constante mutação. Mediante o uso do território, a sociedade permite que supere seus constrangimentos naturais e sociais, desenvolvendo ações conjugadas nos sistemas políticos e econômicos. O processo de globalização econômica, fundamentado no espaço de fluxo, organiza o mundo contemporâneo em subespaços, que

são mais interessantes ao capital por meio das redes que, atuando seletivamente, incorporam e modernizam porções do território (SANTOS, 1988).

Para Santos (1998), a horizontalidade e a verticalidade são recortes espaciais indispensáveis para o entendimento do território usado e das estratégias empregadas pelos atores hegemônicos. As verticalidades se contrapõem à lógica do lugar, pois se baseiam na lógica que está associada aos interesses das grandes corporações transnacionais, resultado de uma interdependência hierárquica que é consequência do processo de globalização econômica.Esta, por sua vez, fundamenta-se no espaço dos fluxos, no domínio da racionalidade, gerando informações seletivas e privilegiadas, secretas, propriedades das empresas transnacionais, que constituem poder.

Já a horizontalidade corresponde às atividades e ações que estruturam a vida social, resultando no espaço banal, no espaço da vida, do cotidiano compartilhado por todos. O reino em que todas as expressões de emoções são permitidas e tem como fundamento a contiguidade espacial. A solidariedade e o interesse comum são horizontais, enquanto que, nas verticalidades, o tempo é único, e as horizontalidades caracterizam tempos diversos. A horizontalidade e a verticalidade coexistem e se interpenetram, transformando-se, no tempo e no espaço, em função de seus próprios objetivos.

A análise das práticas de alguns agentes demanda a compreensão das redes espaciais; das horizontalidades e verticalidades. Nesta reflexão, procura-se desvendar as articulações dos referidos municípios no processo de globalização e inventariar as repercussões originadas por suas diversas redes.

Um dos objetivos desta tese é a análise e compreensão de considerações sobre o território de populaçõesespecíficas, as que vivem no entorno das Unidades de Conservação – os parques estaduais de Minas Gerais. Para tanto, importaentender como estava acontecendo a permanência de uma comunidade tradicional no interior de uma Unidade de Conservação, uma vez que muitas encontraram dificuldades, ao longo da história de institucionalização dessas Unidades, para continuar habitando tais espaços. Como está previsto em lei, os parques estaduais impõem certas restrições aos moradores locais, mas permitem o desenvolvimento de outras atividades, desde que de modo equilibrado.

O território engloba a situação dessas populações no Brasil, focando os moradores de Unidades de Conservação, uma vez que essas comunidades lutam contra a esfera do poder político pelo direito da permanência no interior desses locais, assim como lutam pelo direito de manutenção dos hábitos e costumes que preservam de seus antepassados. O cotidiano é marcado pela caracterização única da comunidade, que mantém relações de trocas com outras “territorialidades”, concretiza nesses espaços a história e o imaginário,

além de possuirconceitos próprios, ligados à religião e à visão política.Nesse cenário,sãoimportantes as palavras de Vallejo(2002, p.19):

Talvez a maior de todas as dificuldades em se discutir a temática das unidades de conservação, esteja no emprego das múltiplas abordagens sobre o conceito de território de forma integrada. Por vezes, algumas dessas abordagens, especialmente aquelas envolvidas com as relações sociais (políticas, antropológicas, geográficas, etc.) acabam excluindo ou promovendo dicotomizações, conforme o olhar daqueles que as adotam. Com base no que foi apresentado, acredito que todas as perspectivas sobre o conceito de território precisam convergir e interagir para que o tema seja convenientemente tratado.

A criação de uma unidade de conservação requer uma bagagem de conhecimentos amplos e específicos sobre a biologia e ecologia das espécies, portanto sobre seus nichos, territórios e territorialidades. Entretanto, esse processo depende da agregação de valores mensuráveis e não mensuráveis motivadores da própria ação de conservar, pois os atores da conservação fazem parte da própria sociedade. Sem um sentido ideal- simbólico que motive o “querer conservar”, a prática não se concretiza. A valorização do processo de conservação da natureza, contemporaneamente, é consequência do crescimento do ambientalismo mundial apoiado nas contradições produzidas pela própria expansão do capitalismo. Ele busca, em suas múltiplas perspectivas, alternativas menos agressivas de desenvolvimento socioambiental, sustentabilidade e garantia de perpetuação da biodiversidade. A expansão do ambientalismo vem se concretizando através da formação de uma rede de informações que agregam, cada vez mais, novos membros das áreas acadêmicas e do público em geral. A mesma rede tem propiciado, direta e indiretamente, e em várias escalas geográficas, a criação e expansão das unidades de conservação.

Benzer Belgeler