3. TÜRK EDEBİYATI SAHASINDA YAZILAN AHLÂK KİTAPLARI
2.3. EDEBÎ KİŞİLİĞİ
O presente estudo buscou enxergar o manejo dos parques estaduais de Minas Gerais como atividade informacional e estudar a circulação da informação entre gestores e moradores do entorno desses parques. A proposta foi construir um referencial teórico-
metodológico que relacionasse os temas Unidade de Conservação, necessidades de informação de gestores e populações do entorno.
A literatura revisada aborda os temas sob diferentes perspectivas teóricas. Os estudos analisados buscavam identificar as necessidades de informações tanto pelos gestores quanto pelas populações do entorno dos parques. No entanto, atividades informacionais em ambiente de Unidades de Conservação têm sido pouco estudadas. Elas são, normalmente, tratadas como atividades intermediárias frente a objetivos dessas instituições, considerando-se a Unidade de Conservação apenas como um fator que influencia na sua definição. Por outro lado, atividades de populações do entorno e parques estaduais têm sido pesquisados sem que o aspecto informacional das tarefas seja analisado. Ou seja, atividades informacionais existentes em estruturas de trabalho nessas Unidades de Conservação – os parques estaduais –, realizadas por profissionais que têm ou poderiam ter características e competências de profissionais de informação, não têm sido objeto de estudo.
Nos estudos sobre usuários de informações, delinearam-se novas vertentes teóricas, onde os próprios usuários, no caso, os gestores e as populações de entorno,sãoo centro de preocupação das pesquisas.
Merece destaque o estudo de Vallejo (2002), muito útil no desenvolvimento desta tese, mostrando a importância do conceito e da análise teórica do território nos parques estaduais, argumentando sobre o papel do governo na criação e manejo dessas Unidades de Conservação e ressaltando que esse processo tem sido acompanhado por conflitos e impactos decorrentes da desterritorialização das populações tradicionais dos parques.
O estudo de Câmara et al (2004) mostrando um novo paradigma de estudo das Unidades de Conservação também se mostrou bastante importante para o desenvolvimento desta tese. Também deve ser ressaltada a dissertação de Macedo (2008), ao abordar os princípios de boa governança para o manejo dos parques.
Deve-se enfatizar, também, o artigo de Caribé (1992) que discute com muita propriedade a importância de se buscarem subsídios para o sistema de informação ambiental no Brasil.
MARCO TEÓRICO CONCEITUAL
Nas últimas décadas, percebe-se que os meios de informação e comunicação estão sendo revolucionados, e com isso há uma abertura de perspectivas importantes para a racionalização das atividades econômicas e sociais. Os parques estaduais são instituições que precisam fundamentalmente de informações para garantir sua sustentabilidade. Verifica-se que essas organizações possuem algumas tecnologias e informaçõesde base, mas não se formaram ferramentas de conhecimento organizado para a ação cidadã dos diversos atores que os compõem, tanto interna quanto externamente, como os seus gestores e população do entorno.
É fato que, nesses parques estaduais, classificados como Unidades de Conservação Integral, é necessário criar e identificar instrumentos concretos de informação para a cidadania e o desenvolvimento das populações locais. Informações que precisam ser sistematizadas segundo as necessidades de participação dos diversos atores sociais. Empiricamente, isso leva à necessidade de uma metodologia para a organização de um sistema integrado de informações e comunicação para os parques e atores a eles relacionados. Esta é a proposta desta tese:criar um arcabouço metodológico que permita a existência de um sistema de informação e comunicação integrado para os parques estaduais de Minas Gerais. Por isso, buscou-se refúgio no Programa de Pós-Graduação da Escola de Ciência da Informação da UFMG.
A tese permeia basicamente duas das linhas de pesquisa do curso de Doutorado da Escola de Ciência da Informação: Informação, Cultura e Sociedade e Gestão da Informação e do Conhecimento.
A linha de pesquisa escolhida foi a da Informação, Cultura e Sociedade. O objetivo geral dessa linha de pesquisa é problematizar, por um lado, o significado das práticas e dos processos informacionais para os sujeitos sociais (produtores, usuários, profissionais, disseminadores e mediadores da informação) e, por outro lado, os processos e as práticas informacionais, como elementos que constituem e são constituídos por contextos sócio- históricos.A tese investiga os fenômenos informacionais nas perspectivas micro e macrossociológicas; estuda o campo do trabalho informacional: bibliotecas, arquivos, museus e outras organizações e unidades de informação dos parques estaduais de Minas Gerais. Estuda, ainda, o trabalho informacional como campo de pesquisas, abordagens e metodologias utilizadas. Tem como pressuposto a noção de que a tecnologia não é determinista e que os seus efeitos, sobre as organizações e o trabalho, resultam das
relações sociais dadas, em cada época e local. Nessa perspectiva, a linha foi fundamental. No entanto, sabe-se que a informação e o conhecimento bem organizados, geridos de forma eficaz, pode ser um poderoso racionalizador das atividades sociais, da busca da cidadania e do desenvolvimento sustentável. Isso levou a autora da tese a buscar conhecimento e também a se orientar por pensadores da outra linha do Programa,que é Gestão da Informação e do Conhecimento.
Nesse ponto, torna-se necessário destacar a formação e afinidades da autora da tese com algumas ideias e proposições traçadas por determinados autores da área de Ciência da Informação no Brasil, que pesquisam a linha Informação e Economia e que foram utilizados ao longo do desenvolvimento deste trabalho, tais como Barreto, Aun, Lastres, Araújo, Tomaél, Albagli, Freire, Castels, Senra, entre outros. Formada em Administração e Letras, com especialização em Ciências Econômicas e mestrado em Ciências Sociais, e professora de Economia, em sua trajetória, principalmente quando ministra a disciplina Economia e Meio Ambiente, vem percebendo que, neste início do século XXI, a humanidade vive e está condicionada a um modelo de desenvolvimento já saturado, no qual as relações sociais, ambientais e econômicas estão desordenadas e ultrapassadas. Por isso há tanta pressão por uma mudança de conduta imediata, principalmente por parte do cidadão para com os governos e corporações. Todos devem trabalhar em prol dessa mudança. É fundamental repensar-se a maneira como se planeja o desenvolvimento e como ele influi em três aspectos básicos: o social, o ambiental e o econômico. O desenvolvimento não deve ser mais pensado para poucos, mas sim ter como objetivo a satisfação das necessidades básicas sociais, elevando o nível de vida de todos. Também deve garantir a preservação de ecossistemas e, ao mesmo tempo, estimular o crescimento econômico e social ordenado.
Nesse contexto, a informação é um elemento fundamental para se alcançar a sustentabilidade, segundo os princípios definidos no capítulo 40 da Agenda 21 Global:
No desenvolvimento sustentável, cada pessoa é usuário e provedor de informação, considerada em sentido amplo, o que inclui dados, informações e experiências e conhecimentos adequadamente apresentados. A necessidade de informação surge em todos os níveis, desde o de tomada de decisões superiores, nos planos nacional e internacional, ao comunitário e individual. As duas áreas de programas seguintes necessitam ser incorporadas para assegurar que as decisões se baseiem cada vez mais em informação consistente: redução das diferenças em matéria de dados e a melhoria da disponibilidade da informação. (SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE, 1994, p.38)
Considera-se que uma das principais características do homem é a sua capacidade de representar simbolicamente a sua história de vida, transformando-a em discursos com
significação, em informações sobre o mundo que podem ser comunicadas entre seus semelhantes. Assim, o aprendizado temporal e espacial do mundo realiza-se não em uma simples relação direta com ele, mas mediado pelas informações geradas, preservadas e transmitidas na cultura, as quais ordenam e colocam sentido nessa relação.
Receber, gerar e transferir informações sobre si mesmo e sobre o mundo são atividades sem as quais não se poderia pensar o homem, pois é por meio dessas ações que ele constrói e reconstrói seu projeto de civilização. Assim, dentro das sociedades históricas, a produção e a reprodução de artefatos culturais realizam-se a partir do modo informacional. Nessas sociedades, toda prática social pode ser considerada como uma prática informacional, pois toda interação humana pressupõe recepção, geração ou transferência de informação.
De forma dialética, deve-se enfatizar que não se pode considerar que o funcionamento dos campos sociais seja integralmente informacional ou baseado apenas nas práticas informacionais, pois, além dessas práticas, existem nos campos sociais as condições de produção, os objetos, os valores e sentidos que acompanham as informações.
Tais ponderações levam a considerar que a informação é um operador de relação, ou, ainda, um indicador de mediação que possibilita e é possibilitado pelas relações sociais. E as práticas informacionais, por sua vez, auxiliam na constituição de redes sociais, pois são, em síntese, conjuntos de múltiplas relações de associações coletivas.
A partir das considerações feitas no decorrer desta tese, pode-se afirmar que a relação entre informação e cidadania, entre a informação gestada nos parques e as populações do seu entorno se caracteriza pelo elemento diretamente político, ou seja, a informação pode auxiliar na construção de espaços sociais de cidadania.Entretanto,tal fato só ocorrerá se a mesma for gerada para a ação política de forma direta, ou, ainda, se for recebida e analisada a partir de necessidades específicas e transferida para atender a essas mesmas necessidades.
Assim, a relação entre informação e os diversos atores que compõem o interior e entorno dos parques estaduais não é algo gerado a partir do simples acesso e uso de informação. Tal relação exige reflexão e análise crítica por parte do usuário de informação. Diante dessa constatação, a sociedade da informação e do conhecimento é apenas um espaço de possibilidades que ainda espera uma ação crítica por parte dos sujeitos sociais, no sentido de colocar tais elementos a serviço do bem-estar coletivo.
Umfator de fortalecimento e consolidação de várias democracias do mundo é a possibilidade de a sociedade ter acesso a atos e documentos produzidos pelo Estado. Na área ambiental, a disponibilização de informações tem se mostrado um grande tabu para
muitos agentes públicos, principalmente para aqueles que utilizam os recursos naturais como fonte única e exclusiva de promoção do crescimento econômico, sem se preocupar com aspectos sociais, biológicos, éticos e culturais relacionados com o meio ambiente. (BARROS, 2004)
No entanto, não é raro ficarmos diante de órgãos do próprio Poder Público, entidades da administração indireta que prestam serviço público e funcionários falando por si mesmos, que negam informações aos cidadãos, proclamando-se como verdadeiros donos de dados obtidos no exercício da função pública. O direito à informação é um dos principais direitos do cidadão e está previsto na Constituição Federal (BRASIL, 1988), artigo 5º, que trata dos direitos e garantias fundamentais da pessoa. O inciso XXXIII diz que “todos têm o direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral...” .
É fato que a Constituição Federal trata genericamente do direito à informação. Emse tratandodo tema ambiental, é preciso deixar claro que a sonegação de informações pode gerar danos irreversíveis à sociedade. Há também o fato de que a Lei nº 6.938 (BRASIL, DOU, 02/09/1981), que dispõe sobre a política nacional do meio ambiente, prevê a divulgação de dados e informações ambientais para a formação de consciência pública sobre a necessidade de preservação da qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico (vide artigo 4º, inciso V). No artigo 9º,a lei diz que, entre os instrumentos da política nacional do meio ambiente, está a garantia da prestação de informações relativas ao meio ambiente, obrigando-se o Poder Público a produzi-la, quando inexistentes, inclusive.
Enfatiza-se também que o capítulo 40 da Agenda 21 (BRASIL, MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2000) determina que, no processo do desenvolvimento sustentável, tanto o usuário (demanda) quanto o provedor (oferta) de informação devem melhorar a disponibilidade da informação. Assim, usuários e produtores de informação passam a se auto-organizar, dividir papéis e atuar de forma coletiva na produção de conhecimento, além de definir e controlar suas próprias regras e valores em ambientes específicos. As mídias sociais ajudam a intensificar as relações entre indivíduos e a sistematizar a produção e a disseminação de conhecimento. Nesse contexto, os governos são desafiados a modernizar suas estruturas, promover a participação social e a gestão centrada nos cidadãos.
Partindo dessas premissas, é natural a imbricação das duas linhas – Informação, Cultura e Sociedade e Gestão da Informação e do Conhecimento – e o caráter interdisciplinar do tema da pesquisa. Ressalta-se, no entanto, que a utilização das duas linhas não desconsidera o fato de que a linha de pesquisa Informação, Cultura e Sociedade aborda temáticas variadas e tenha como elementos comuns a preocupação em discutir
problemas relativos à democratização do acesso à informação, bem como ao exercício das atividades informacionais, procurando evidenciar as contradições, os limites e alternativas que se apresentam no âmbito da sociedade da informação. Nesse sentido, essa linha de pesquisa predominou nos caminhos teóricos da tese, que discute todas as preocupações principais dentro e no entorno dos parques estaduais de Minas Gerais.