4. BASTIRILMIŞ KADINLIK
4.2. Erkeklik Çalışmalarının Tarihi
4.2.1. Erkekliğin Feminizmle İlişkisi
A entoação é um dos mais importantes aspectos prosódicos da expressão afetiva do discurso, imprimindo na voz tanto emoções primárias quanto atitudes controladas. (Quilis, 1999).
Celeste & Reis (2012) sustentam que a estrutura sonora da comunicação humana pode ser dividida em aspectos segmentais e não segmentais. Dentre os aspectos não segmentais, a prosódia se destaca por ser um instrumento do locutor para a expressão dos chamados estados mentais.
Wichmann (2002) afirma que a fala não apenas transmite o componente linguístico das sentenças, mas expressa ainda as emoções e atitudes do falante. Na tradição de estudos entonacionais, dois tipos de fenômenos expressivos são normalmente identificados: as expressões vocais de emoções e as atitudes do falante.
É a Darwin (1872) a quem se atribui o papel de precursor do estudo científico das emoções. Darwin recorre a observações (próprias e encomendadas a colaboradores de diversas partes do mundo) de crianças, adultos, doentes mentais, povos de várias culturas e animais, bem como aos estudos sobre fisionomia da face humana, para afirmar que as expressões das emoções teriam desempenhado importante papel na sobrevivência e na evolução da espécie humana (GALVÃO, 2001).
Segundo Antunes (2007), os primeiros estudos sobre expressividade em trabalhos prosódicos se deram através de autores que procuravam demonstrar como, mudando-se a entoação de determinada frase, geralmente o significado se altera, muitas vezes em termos da expressão da atitude ou da emoção do falante. Esses trabalhos abordam atitudes e emoções, mas não apresentam conceitos claros para esses termos.
Wichmann (2000), alega que é importante que se faça a distinção entre emoções e atitudes porque há uma diferença entre atitudes e emoções do ponto de vista prosódico. As emoções se manifestariam de maneira mais evidente na prosódia. As atitudes se manifestariam de maneira menos clara, pois para expressá-las há uma codificação.
Wichmann (2000) argumenta que uma das primeiras tentativas de categorização do conceito de atitudes, separando-o do conceito de emoções, é desenvolvida no trabalho de Couper-Kuhlen (1986). Segundo Couper-Kuhlen (1986 apud WICHMANN, 2000), as emoções seriam externalizações de estados emocionais não monitorados, determinadas puramente pela fisiologia, que são presumidamente universais; enquanto que atitudes seriam expressões cognitivamente monitoradas, convencionadas e integradas ao código linguístico, ou seja, sua expressão é dependente do sistema linguístico no qual se manifesta.
Couper-Kuhlen (1986 apud MORAES, 2012) chama a atenção para o fato de que as emoções podem ser parafraseadas por: (o falante) é [por exemplo, feliz] (em proferir p), e as atitudes podem ser parafraseadas por: (o falante) está sendo [por exemplo, educado] (em proferir p).
Fónagy (1993 apud MORAES et al., 2012b) afirma que é difícil distinguir o que é atitude do que é emoção. O autor define atitude como um comportamento determinado, consciente, controlado pelo falante, opondo-se à emoção, não controlada pelo falante, definida como descarga espontânea de uma tensão psíquica.
Morlec, Bailly & Aubergé (1997 apud ANTUNES, 2007) distinguem as atitudes de outras expressões comunicativas mais ligadas ao estado fisiológico, e as definem como provavelmente adquiridas, ou seja, aprendidas. Afirmam que as atitudes variam de cultura pra cultura e até de indivíduo para indivíduo. Em um eixo que ordena os estados expressivos do não-intencional ao intencional, os autores colocam as atitudes do lado intencional da escala.
Aubergé (2002 apud MORAES, 2008b) propõe um esquema no qual situa as funções atitudinais entre o linguístico e o não linguístico (cf. Fig. 13).
Figura 13: Funções da Prosódia, Aubergé (2002 apud MORAES, 2008b)
O esquema de Aubergé (2002) mostra o papel integrado da prosódia na expressão de atitudes, emoções e funções linguísticas. As atitudes são, diferentemente das emoções, mais próximas das funções linguísticas, são controladas pelo falante e se encontram em um nível mais cortical, mais cognitivo da linguagem, ao contrário das emoções, que seriam menos corticais e menos controladas. As atitudes acrescentam valores sobre a intenção do falante no conteúdo codificado.
Ainda que, do ponto de vista expressivo, seja difícil definir as emoções ou determinar um conjunto fechado, Fónagy (1993) apresenta 4 emoções primárias: medo, tristeza, alegria e raiva. A partir dessas quatro emoções (the big four) é possível determinar algumas características que opõem o nível emocional ao nível atitudinal.
Do ponto de vista neurológico, as emoções primárias correspondem a respostas menos corticais, ou seja, o falante tem menor controle sobre sua enunciação, são descargas espontâneas de tensões psíquicas. As atitudes do falante são mais controladas voluntariamente pelos falantes do que as emoções e estão mais ou menos codificadas linguisticamente, segundo os diferentes sistemas de linguagem (FÓNAGY, 1993).
Aubergé (2002 apud ANTUNES, 2007) sustenta que a expressividade é uma função indireta das emoções, como se o falante as sentisse e, indiretamente, as expressasse (o que pode ser traduzido como involuntário, não-controlado). No caso das atitudes, a expressividade é uma função direta, pois o locutor informa o seu ponto de vista (o que pode ser tomado como voluntário, cognitivo). As atitudes são parcialmente aprendidas e dependentes de um sistema linguístico específico e parcialmente universais.
No último anos, diversos autores realizaram estudos sobre as atitudes em diversas línguas. Piot & Lyaghat (2002) estudam a expressão de seis atitudes assertivas e cinco atitudes interrogativas no persa padrão. Mejvaldová & Horák (2002) estudam oito atitudes em francês e em tcheco, e as submetem a testes de percepção, com ouvintes falantes de francês e de tcheco. Moraes & Stein (2006) caracterizam os padrões entonativos de sete atitudes comparadas ao neutro no português do Brasil. Shochi, Aubergé & Rilliard (2006) estudam o reconhecimento de doze atitudes por falantes nativos e não-nativos de japonês. Crocco (2006) estuda diferentes atitudes em perguntas no italiano.
Reis e Celeste (2010) afirmam que uma das principais funções da prosódia é a expressão de atitudes. Estudos sobre a expressão prosódica de atitudes têm demonstrado que um locutor é capaz de simular a expressão de uma atitude e que um ouvinte é capaz de identificá-la em enunciados isolados. A expressão de atitudes é realizada pelos falantes de forma evidente e intencional.
Moraes et al. (2010) distinguem duas categorias de atitudes: as atitudes sociais e as atitudes proposicionais. As atitudes sociais se referem às relações interpessoais estabelecidas entre o locutor e seus interlocutores, tais como arrogância, sedução, hostilidade, polidez, etc. As atitudes proposicionais denotam um estado mental (postura) do falante em relação a uma proposição (o que está sendo dito), tais como ironia, surpresa, dúvida, esperança, etc.
Em nossa pesquisa centramos-nos na análise de atitudes proposicionais em espanhol na variedade de Montevidéu.