BÖLÜM 1: MACINTYRE’IN MODERN AHLAK ELEŞTİRİSİNİN GELİŞTİĞİ ZEMİNLER GELİŞTİĞİ ZEMİNLER
1.3.3. MacIntyre’ın Felsefesi İçerisinde Aquinas’a Başvurusu
1.3.3.2. Erdemlerin ve İyilerin Birliğini Yeniden Düşünme
Eu nasci e cresci debaixo das estrelas do Cruzeiro do Sul. [...] Debaixo do Cruzeiro do Sul, cruz de fulgores, vou vivendo as estações de meu destino.
Eduardo Galeano
3.1. A cidade
Sendo Vitória da Conquista um município de porte médio do Nordeste Brasileiro, vive as contradições de uma cidade dessa dimensão, que polariza uma região com cerca de 80 municípios, estendendo-se até o norte-nordeste de Minas Gerais, e recebe expressiva migração regional, atraindo grandes contingentes de migrantes da zona rural e de outros municípios.
Localizada no sudoeste do estado da Bahia, a uma altitude de 923 m, ocupa uma área de 3.743 Km2 e abriga 262.494 habitantes segundo o censo de 2000, sendo este número reavaliado em estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, de 2005, para 285.927 habitantes. Desse total de habitantes, mais de 85% vive na zona urbana.
Sua economia se sustenta principalmente no comércio e serviços, setor que emprega 84% dos trabalhadores da cidade. A indústria tem presença tímida na cidade, que dispõe de um Distrito Industrial onde se localizam 39 dos 106 estabelecimentos industriais existentes e, por sua vez, emprega 15% dos trabalhadores. A maior expressão do setor industrial é o ramo de alimentos e bebidas (26%). Finalmente, a agricultura é responsável por 1% de toda a mão- de-obra empregada e por 8,6% do PIB, sendo seus principais produtos o café, a banana, o urucum, o cultivo de flores, a horticultura e a criação de gado bovino.
Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, de 2000, a concentração de riqueza na cidade é expressiva, pois, naquela data, os 10% mais ricos detinham 52,6% da renda; 41,8% da população estava abaixo da linha de pobreza (renda domiciliar per capita inferior à metade de um salário mínimo) e 18,8% estava abaixo da linha da indigência. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – IDH-M de Vitória da Conquista passou de 0,601 em 1991 para 0,708 em 2000 e, pela classificação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, o município está entre as regiões consideradas de médio desenvolvimento humano (IDH entre 0,5 e 0,8).
Do ponto de vista institucional, a atenção à infância e juventude na cidade de Vitória da Conquista cabe à Coordenação da Criança e do Adolescente da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. A esta Secretaria estão vinculadas diversas ações tais como a Rede
de Atenção e Defesa da Criança e do Adolescente, o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil – PETI, o Programa Agente Jovem, o Programa Sentinela e o Programa Conquista Criança. Voltados especificamente à população jovem do município existem ainda algumas ações vinculados à Agência de Desenvolvimento, Trabalho e Renda da Prefeitura Municipal, como os projetos Juventude Cidadã, Recicla Conquista e Flores da Bahia.
Entre as ações voltadas à infância e adolescência existentes na cidade destaca-se a Rede de Atenção e Defesa da Criança e do Adolescente, iniciativa do Executivo Municipal, através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, que garante o suporte material e de recursos humanos ao seu funcionamento. Iniciando sua ação no ano 2000, a partir de convênio da Prefeitura Municipal com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, a Fundação Telefônica e o Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF, a Rede congrega o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente – COMDICA, o Conselho Tutelar, o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil – PETI, o Programa Conquista Criança e nove entidades não-governamentais da cidade que desenvolvem ações voltadas ao atendimento de crianças e adolescentes, sendo que a mais antiga foi fundada em 1949 e a maior parte das demais iniciou suas atividades na década de 80.
Cabe à Rede
prestar assessoria qualificada na formulação de políticas e estratégias de sustentação das entidades e, ainda, ser um organismo que impulsione a articulação dos vários projetos e atividades, participando da elaboração de projetos, da execução de uma política de captação de recursos e, ainda, na monitoração das atividades, especialmente aquelas mais voltadas para o aprimoramento técnico-gerencial das entidades que a compõem, contribuindo para o fortalecimento tanto dos Conselhos quanto das entidades que dela fazem parte. (PMVC, 1999)
3.1. O Programa Conquista Criança
O Programa Conquista Criança é uma ação da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, iniciada em setembro de 1997, com o objetivo de atender crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social, combatendo o trabalho infantil e garantindo-lhes o acesso a bens materiais e simbólicos através do oferecimento de atividades diversificadas (esportivas, artísticas, profissionalizantes e de orientação escolar), alimentação e uma bolsa- incentivo, reconhecendo a criança e o adolescente como sujeitos de direitos (PMVC, 1997).
O Programa Conquista Criança foi influenciado na sua concepção e início de suas atividades pelo trabalho desenvolvido pelo Projeto Axé, em Salvador, que através do seu
Núcleo de Formação e com o apoio do UNICEF, desenvolveu vários cursos com os educadores do Programa e de outras instituições da cidade, assim como recebeu educadores do Programa para curso e observação in loco do trabalho educativo desenvolvido nas ruas, em Salvador.
De 1997 até o momento dessa pesquisa, o Programa Conquista Criança experimentou distintas formas de organização, o que se refletiu na criação e/ou desativação de Unidades, como pode ser visto no organograma abaixo, no qual as unidades desativadas estão representadas pela linha interrompida.
A Educação de Rua funcionou nos períodos de 1999 a 2001 e de 2003 a 2004, desenvolvendo contatos e atividades educativas com crianças e adolescentes que se encontravam nas ruas. A partir das atividades desenvolvidas e do desejo expresso e assumido pelos educandos, eram trabalhados seu retorno à família (nos casos em que haviam se distanciado dela), à escola, a atendimentos de saúde e o seu encaminhamento à Unidade Central ou à Unidade de Acolhimento Noturno.
A Unidade de Acolhimento Noturno recebe, por um período provisório, meninos e meninas que não pretendem mais permanecer nas ruas e ainda estão construindo as condições para um retorno familiar. De 1997 até 2004 o trabalho educativo era desenvolvido apenas no período noturno, mas atualmente tem acontecido também pela manhã e tarde, realizado por duplas de educadores. O número de educandos atendidos varia entre 12 e 20.
A Unidade Central iniciou seu funcionamento em 1997, com o “Projeto Piloto”, atendendo 32 meninos em salas da Secretaria de Desenvolvimento Social. No mesmo ano, foi transferida para o local onde atualmente funciona e hoje atende cerca de 400 educandos. O trabalho nesta Unidade é desenvolvido no turno oposto à escola, pelo oferecimento de atividades artísticas, esportivas, profissionalizantes e de orientação escolar. A construção de novos prédios neste local, nos anos de 2000 e 2001, proporcionou um espaço físico mais adequado e a possibilidade de ampliação do atendimento.
Programa Conquista Criança Educação de Rua Unidade de Acolhimento Noturno Unidade Central Núcleo de Produção Unidade da Zona Oeste
Entre 1999 e 2001, funcionou nas dependências do Estádio Municipal da Zona Oeste, a Unidade da Zona Oeste, criada após um conflito com educandos que tinham história de vivência nas ruas. Alguns desses educandos, que estavam sob efeito de drogas, tentaram entrar na Unidade Central e, frente à resistência encontrada, reagiram atirando pedras, destruindo as vidraças da Unidade e gerando uma situação de tumulto e medo. Decidiu-se então criar a Unidade da Zona Oeste com o objetivo de trabalhar com estes educandos uma transição entre a situação de rua e sua integração na Unidade Central do Programa.
O Núcleo de Produção Conquista Criança, implantado em outubro de 2004, com financiamento da Petrobrás, visa atender jovens, de 16 a 25 anos, egressos dos programas integrados à Rede de Atenção e Defesa da Criança e do Adolescente, proporcionando condições para geração de trabalho e renda através de produção para venda direta ao consumidor e das encomendas feitas às suas oficinas (costura, serigrafia, tecelagem, reciclagem de papel, marcenaria e cerâmica). A proposta do Núcleo se completou com a criação da Associação de Jovens Empreendedores de Vitória da Conquista – AJEVIC, em 2006, com o objetivo de organizar e capacitar os jovens, dando suporte às atividades do Núcleo.
O surgimento deste Núcleo de Produção está diretamente relacionado às dificuldades encontradas por educandos de diversas entidades pertencentes à Rede de Atenção e Defesa da Criança e do Adolescente que ao completarem 18 anos eram desligados dessas entidades e, mesmo que tivessem desenvolvido habilidades em alguma área profissional, viviam a dificuldade de se organizar sozinhos. Em outros casos, vários desses egressos ainda necessitavam de aprimoramento técnico. Constatou-se, portanto, a necessidade de “realizar um trabalho sistematizado e contínuo agregando os jovens egressos, permitindo assim melhores resultados na busca pela promoção do indivíduo” (PMVC, 2004, p. 4).
Além dos aspectos citados, contribuem também com a situação de dificuldade encontrada pelos jovens egressos das entidades o baixo nível de escolaridade e a queda generalizada na oferta de emprego formal, realidade não só no município. Conforme analisa e propõe o documento do projeto do Núcleo de Produção,
Apesar de terem alcançado bons resultados, os programas sociais na área da infância e juventude até aqui desenvolvidos pelo Município têm apontado para a necessidade de centrar esforços na promoção de ações que possibilitem a inserção dos jovens egressos no mercado de trabalho, tendo em vista a falta de perspectivas apresentadas por estes na obtenção do primeiro emprego.
Diante do exposto, torna-se imperativo a implementação de políticas públicas que visem a superação da pobreza e a erradicação da exclusão
social, sobretudo, voltadas à assistência a jovens vulnerabilizados pela miséria e em idade laboral. (PMVC, 2004, p. 5-6)
Face à realidade enfrentada pelos jovens empobrecidos nesta cidade, entrevista nesta breve exposição, e considerando as reduzidas oportunidades de que dispõem para fazer frente às situações de desigualdade que são social, política e historicamente construídas e mantidas, a prática de uma educação emancipadora surge como aspecto relevante na busca de construção de outras formas de relação e como oportunidade de exercício de humanidade.
Por isto, ações que declarem sua opção por propiciar condições que foram usurpadas, principalmente às crianças e jovens, oferecendo oportunidades a partir de uma visão de educação como direito e meio de expressão e construção dessa humanidade, merecem ser consideradas, ainda que seu percurso comporte aspectos a serem criticados. Mesmo sendo processo que se dá permanentemente, a educação assume importância maior ainda durante a infância e juventude por se revestir nestes momentos, face às características de formação física, psíquica, cognitiva, moral então vividas, de uma feição de vivência primeira, abertura a possibilidades, aprendizagem de valores e posturas diante da vida e dos outros.
O interesse, portanto, em estudar as relações desenvolvidas por educandos e educadores no contexto de uma ação educativa que se propõe à efetivação de uma educação para o exercício da cidadania, aí se coloca.
Antes, contudo, de iniciar a descrição e análise deste processo, cumpre apresentar as bases metodológicas sobre as quais o trabalho se assenta.