BÖLÜM 1: MACINTYRE’IN MODERN AHLAK ELEŞTİRİSİNİN GELİŞTİĞİ ZEMİNLER GELİŞTİĞİ ZEMİNLER
1.3.3. MacIntyre’ın Felsefesi İçerisinde Aquinas’a Başvurusu
1.3.3.4. Ahlak ve Kural İlişkisi
Pensar na realização de uma pesquisa coloca sempre a necessidade de esclarecer as bases em que esta será realizada. Neste caso, a pesquisa busca entender as relações educador/educando e os processos educativos aí presentes, respondendo à questão: Como
educador e educando se educam para o reconhecimento e respeito das diferenças, das suas potencialidades e limites, exercendo a capacidade reflexiva, critica e propositiva, nas atividades desenvolvidas no Programa Conquista Criança? Trata-se, portanto, de desvelar o
que acontece em relações inseridas numa prática social de acolhimento a crianças e adolescentes em situação de risco, localizada numa instituição do governo municipal de uma cidade do interior do estado da Bahia.
É possível visualizar, de antemão, o aceno de situações complexas, nas quais a realidade se expressa com suas características de movimento, complexidade, transformação e inacabamento (MINAYO, 2000, p. 22). Para enfrentar tais situações faz-se necessário concebê-las em toda a sua riqueza e, dessa forma, fazer uma aproximação que possibilite ao mesmo tempo em que a pesquisadora se insira nelas, a expressão das mesmas como realidade precedente ao momento da pesquisa.
Para conseguir este intento, considero tanto educadores(as) e educandos(as) do Programa pesquisado quanto a mim própria, pesquisadora, como sujeitos humanos pertencentes a grupos sociais que vivem um dinamismo próprio, possuidores de uma “consciência histórica” e de visões de mundo construídas num processo histórico (MINAYO, 2000, p. 20). Qualquer tentativa de compreensão dessa realidade estudada passará, necessariamente, pelas concepções decorrentes de tais visões de mundo e, como tal, no lugar de pesquisadora estou tão envolvida no processo de pesquisa quanto os demais participantes, revelando a especificidade que a pesquisa social apresenta, tão bem colocada por Lévy Strauss, em citação referida por Minayo (2000, p. 21): “Numa ciência onde o observador é da mesma natureza que o objeto, o observador é, ele mesmo, uma parte de sua observação”.
A caracterização da situação a ser estudada justifica, portanto, que o caminho metodológico escolhido seja o da abordagem qualitativa, pois, “A rigor qualquer investigação social deveria contemplar uma característica básica de seu objeto: o aspecto qualitativo” (MINAYO, 2000, p. 22).
Nesta modalidade de pesquisa se busca favorecer a melhor compreensão possível das diversas relações presentes no contexto em estudo, de forma que as categorias de interesse possam surgir ao longo do processo de coleta e análise de dados (ALVES, 1991). Em consonância com as características de tal abordagem metodológica estava previsto que, ao longo do desenvolvimento da pesquisa, fossem realizados ajustes necessários para o seu melhor encaminhamento, já que a análise e interpretação dos dados ocorreu à medida que estes foram coletados, propiciando melhor compreensão do campo de estudo e a conseqüente elaboração teórica sobre o mesmo (ALVES-MAZZOTTI e GEWANDSZNAJDER, 1999, p. 162 e 171).
Esta escolha se justifica também por sua adequação no que se refere à maior possibilidade de fornecer pistas para a “compreensão de processos que ocorrem em uma dada instituição ou comunidade” (ALVES, 1991, p.57), o que certamente contribuirá para o desenvolvimento da pesquisa.
A pesquisa qualitativa possibilitou ainda às pessoas envolvidas na situação que participassem e acompanhassem a evolução do trabalho, agindo como “sujeitos cognoscentes” juntamente com a pesquisadora, na busca de construir um conhecimento sobre a realidade das relações desenvolvidas por elas, “objeto a ser desvelado” conjuntamente (FREIRE, 1999b, p. 35). Neste processo se pretendeu possibilitar o que Freire defendia, ou seja, que “deste modo, fazendo pesquisa, educo e estou me educando com os grupos populares” (FREIRE, 1999b, p.36).
Ao prever a análise pelos participantes da pesquisa das interpretações formuladas pela pesquisadora, além de garantir o respeito à voz desses participantes, está-se também propiciando meios de garantir a credibilidade do estudo (ALVES-MAZZOTTI e GEWANDSZNAJDER, 1999, p. 172).
A pesquisa foi realizada na cidade de Vitória da Conquista tendo como participantes educadores e educandos do Programa Conquista Criança. Ouvir educadores e educandos expressarem sua percepção dos processos que eles vivenciam é um caminho no sentido de apreender a dinâmica da sua realidade que, segundo Freire (1999b, p. 35), só se dá a conhecer “na relação dialética entre objetividade e subjetividade”. Aspectos em constante e necessária relação, propiciando as condições para o desenvolvimento da própria capacidade de pensar
humana, resultado da “ação sobre o mundo” (FREIRE, 2004, p. 64), subjetividade e objetividade, configuram uma relação em “que não podem ser dicotomizadas” (FREIRE, 2004, p. 37), tal como não é possível dissociar consciência e mundo.
A subjetividade e a objetividade compõem, portanto, a realidade e como tal deverão ser consideradas. No entanto, dadas as características da pesquisa social e, mais precisamente, da pesquisa em educação, o ideal de objetividade tão perseguido pelas concepções científicas influenciadas pelo pensamento positivista não poderá ser alcançado na forma prescrita por este pensamento. Minayo (2000, p. 35-36) propõe que a partir da compreensão de que “o sujeito das ciências sociais não é neutro” bem como “o ‘objeto’ dentro dessas ciências é também sujeito e interage permanentemente com o investigador”, seja desenvolvido um processo de “objetivação” como “construção que reconhece a complexidade do objeto das ciências sociais, seus parâmetros e sua especificidade”, virando as costas ao mito da neutralidade científica, ao mesmo tempo em que elabora maneiras de “reduzir a incursão excessiva de juízos de valor na pesquisa [...] através de métodos e técnicas de preparação do objeto de estudo, de coleta e tratamento dos dados [...] [que contribuam para] uma visão crítica de seu trabalho”. Objetivação, por sua vez, definiria “o próprio movimento investigativo que, embora não consiga reproduzir a realidade, está sempre em busca de uma maior aproximação”, baseada num permanente diálogo crítico investigador/objeto (MINAYO, 2000, p. 239).