2. ERASMUS’UN TEOLOJİK GÖRÜŞÜ
2.1. Erasmus’un İncil Çevirisi, Eleştirileri ve Yorumu
Outro dado observado na instituição pesquisada são as ações que remetem a uma educação moralizante, conforme destacado abaixo:
Professora: Pode fazer arma? Todos: Não.
Todos: Não.
Em uma mesa, a meninas fazem de conta que as peças são “comidas” e colocam as peças na boca. Jéssica: Quem qué? É arroz e feijão!
Aline: Eu quero! (Jéssica coloca a peça na boca dela)
Em outra mesa, os meninos fazem armas. Quando a professora se aproxima, eles escondem suas armas (cena 3).
Yago, Israel, Guilherme e Eder brincam de “polícia e bandido”. Guilherme pega a pazinha e usa como revolver. Encosta na cabeça do Israel e diz: “Você tá preso” e o leva para dentro do túnel.
A professora, ao observar a brincadeira, diz:
“Pode parar com isso. Quem brincar de arma, de luta, ou jogar areia vai sentar” (cena 11).
Daniel, Erick e Rafael, que estão fantasiados de super-heróis, começam a lutar. A professora fala:
“Pode parar com isso. Será que vocês não conseguem brincar direito?” (cena 17)
Próximo ao horário do lanche a professora diz: “Vocês vão deixar a lição em cima da mesa, vão deitar a cabeça
na mesa e só vão levantar quando eu falar, porque hoje vocês saíram dos limites”.
Ela vai chamando um de cada vez com uma expressão brava e voz alta e comenta com a pesquisadora: “Se não
for assim eles não aprendem, e a gente já sabe bem o que eles vão virar”.
Quando todas as crianças retornam, a professora diz: “Preparem para a oração” Todas as crianças fecham as mãos em posição de oração e repetem as palavras da professora (cena 14).
Observa-se, de acordo com as situações destacadas, que as brincadeiras de luta ou com armas são claramente condenadas pelas professoras. A frase dita pela professora da Turma B e registrada na cena 14 mostra sua percepção em relação às crianças. Ao dizer que já sabe o que as crianças “vão virar” associado ao fato de que elas são proibidas de brincar de luta ou com armas, aparentemente mostra que a professora, levando em consideração o contexto social ao qual pertencem as crianças, acredita que seu destino social já está previsto. Dessa forma, deve acreditar que proibindo tais brincadeiras, está contribuindo para o afastamento de atitudes que incitam a violência.
Outro ponto a ser destacado é o ritual diário da oração na rotina da Turma B. Neste caso, a professora cobra uma postura corporal que ela acredita ser a adequada para rezar, além de exigir que todos recitem a oração em voz alta e “respeitem, porque rezar é coisa séria”.
Do mesmo modo que há repreensão em relação às atitudes consideradas erradas das crianças, há o uso do elogio para reforçar o que é considerado certo pela professora:
As crianças brincam com os blocos de montar em suas mesas. Criam brincadeiras como pistas, usam as peças para fazer de conta que é dinheiro e criam uma brincadeira de supermercado. Alguns meninos montam armas
com as mãos escondidas embaixo da mesa para a professora não ver. Duas meninas tentam montar letras com as peças. A professora, ao ver, diz para toda a classe ouvir: ”Muito bem, vocês sabem brincar direito, já fizeram o T
e o J, tá vendo como dá para brincar direito?” (cena 6).
Nota-se que a professora elogia a brincadeira por ela ter uma natureza pedagógica, já que as meninas montaram letras. No entanto, não considera as brincadeiras de luta como faz- de-conta e sim como algo errado, passível de punição.
Mas, segundo Fernández Enguita (2004), a função principal da escola sempre foi educar e não ensinar. Segundo o autor, mudanças ocorridas nas principais instituições de custódia e socializadoras, família, igreja e na própria escola, fortaleceram-na como principal instituição socializadora que, por sua vez, assume a tarefa de moralização das crianças. Entre outros fatores, segundo o autor, a crise da família e da comunidade e o fato de a igreja ter passado de uma forte integração a uma relação superficial com a comunidade, favoreceram o enfraquecimento da influência dessas instituições na educação das crianças. No que se refere às mudanças na escola, o autor destaca o fato de que a escola, que antes ocupava um breve período na vida das pessoas, passou a ocupar a infância, a adolescência e boa parte da juventude. Desse modo “é desnecessário dizer que tempo a mais na escola é tempo a menos na família, na comunidade e no trabalho, o que, por si só, já justifica um papel maior da escola na moralização das crianças” (FERNÁNDEZ ENGUITA, 2004, p.67). Desse modo, a escola parece acumular as funções das principais instituições, sobretudo a família.
Procurou-se, por meio dos dados apresentados, mostrar os mecanismos pelos quais a escola opera para estabelecer a disciplina e o controle das atitudes das crianças; como principal conseqüência, pode-se destacar o fato de as crianças serem privadas do direito de uma educação que respeite as especificidades da infância. Ao tratar da tarefa da educação escolar para a infância, Souza (2007) defende que “a escola se insere na tarefa de dispor de experiências que tragam o espírito da auto-reflexão, do autoconhecimento, da apropriação crítica dos bens produzidos pela humanidade [...]” (SOUZA, 2007, p.74), portanto, uma educação que emancipa. E somente cumpre seu papel se for desprovida de ações de dominação, que geram o medo e a dependência.
Cabe destacar que embora se faça na presente pesquisa a crítica sobre os mecanismos de controle e de disciplina, não há a intenção de desvalorizar a importância da autoridade, da disciplina e das regras, já que de acordo com Hutmacher (1995), “a normalidade dos acontecimentos, das ações e interacções exige sempre mecanismos reguladores, ou melhor dizendo, regularizadores, na medida em que a ordem social não existe per si”
(HUTMACHER, 1995, p. 50). Questiona-se, no entanto, a forma autoritária de organizar o cotidiano das crianças, com pouco espaço para suas ações espontâneas.
Mas, apesar de todo o controle existente no cotidiano escolar, concorda-se com Finco (2005):
Felizmente, apesar de toda a coerção, as crianças brincam em qualquer circunstância; sempre encontram um jeito para se divertir: sozinhas ou em grupo, no trabalho ou nas brechas do gerenciamento do tempo na escola, transgredindo, muitas vezes aquilo que os adultos tentam impor (FINCO, 2005, p. 97).
No próximo item serão apresentados os dados referentes às ações espontâneas das crianças.