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2.2. Erasmus+ Programının Öğrencilere Katkısı

Durante todo o processo de construção do conhecimento no sujeito, fatores sociais, provenientes do meio social, como a transmissão e, sobretudo, a interação social (coordenação interindividual) se manifestam como fatores de desenvolvimento cognitivo e moral em todos os indivíduos. Isso ocorre, segundo Piaget (1973c), devido essencialmente aos fatores biológicos e de interação social.

Os fatores biológicos vinculados ao sistema epigenético manifestam-se pela maturação do sistema nervoso, que participa no desenvolvimento das estruturas lógico- matemáticas ao passo que uniformiza as fases em ordem de sucessão. A coordenação geral de ações supõe equilibrações, a equilibração constituiria “uma condição (necessária, mas não suficiente) da aprendizagem no sentido de que toda aprendizagem suporia a intervenção de reações não apreendidas tendentes a sua equilibração [...].” Piaget (1959, p. 183). A equilibração permite estruturar o pensamento a partir das atividades múltiplas do indivíduo nos aspectos de exercício, de experiência ou de ação sobre o meio. Apesar de que este processo depende das conjunturas tanto quanto das possibilidades epigenéticas, ele supõe uma independência relativa dos meios socioculturais particulares, assim como pré-informações biológicas.

Além disso, o fator das interações sociais ou coordenações interindividuais particulares a cada formação social, também participam na construção do conhecimento do sujeito, a questão é: como isso ocorre?

Segundo Piaget (1973c),as relações entre a função cognitiva e os fatores sociais ou coordenação interindividual precisam ser analisadas a partir da diferenciação das interações ou coordenações sociais de caráter geral e comum a todas as sociedades, das de transmissões culturais e educativas particulares. Isto porque elas variam de uma sociedade para outra ou de um meio social restrito a outro, enquanto as coordenações interindividuais são comuns a todas as sociedades, no sentido de que em todas elas os indivíduos de alguma maneira colaboram, se informam e discutem. Dessa forma, a constante troca interindividual

realizada no processo de socialização é importante à vida social das crianças entre si e a sua relação com os adultos.

Nesse entendimento, o desenvolvimento cognitivo não se processa apenas de maneira individual, mas sim por processos de socialização, pois desde muito pequena, a criança mantém contatos sociais em toda parte. Isso demonstra que há certos processos comuns de socialização que interferem com os processos de equilibração.

As transmissões educativas e as tradições culturais evoluem segundo o processo histórico em que estão submersos e se diferenciam de acordo com os grupos e sociedades. Piaget (1973c) comprovou o atraso das crianças do Teerã em um a dois anos em relação às crianças europeias e americanas nas provas operatórias, devido aos fatores de interação interindividual e os de transmissão educativa e cultural. As crianças camponesas possuíam uma carência de atividade; muitas, sem escola e brinquedos, demonstravam constante apatia e passividade, havendo ao mesmo tempo, um desenvolvimento deficitário das coordenações de ações individuais, interindividuais e de transmissões educativas reduzidas.

Sendo assim, a qualidade das transmissões culturais intervém no desenvolvimento cognitivo restringindo ou favorecendo as coordenações interindividuais. As crianças obedecem fielmente à autoridade dos adultos ou do mais forte (como explicaremos mais adiante no capítulo IV, a respeito da coerção, isto é, um dos domínios, dos tipos de relações sociais). A interação autoritária é sustentada pela não submissão à relação de cooperação, depois da de coação, onde são limitadas as expressões de comunicação das crianças e suas trocas entre seus pares. A interação autoritária impossibilita a criança de refletir e compreender o mundo que a cerca, inclusive, os problemas ambientais presentes nesse ambiente, mas é necessária para que esse processo de reflexão e compreensão possa ocorrer, caso contrário, não haverá desenvolvimento.

A interação social e a socialização11 podem ser evocadas pelas condutas, “um ato apresentado exteriormente ou internalizado em pensamento”, ou seja, “uma troca entre o mundo exterior e o sujeito”, segundo Piaget (1983a, p. 8). Assim sendo, adaptar-se ao meio social e ao meio físico é construir um conjunto de relações e situar-se entre essas relações, graças a uma atividade de coordenação que implica a descentralização e reciprocidade dos pontos de vista.

11 Entendemos que é produzida “pelo tríplice intermédio da linguagem (signos), do conteúdo dos intercâmbios

(valores intelectuais) e regras impostas ao pensamento (normas coletivas, lógicas ou pré-lógicas)” (PIAGET, 1983, a, p. 186).

Assim, a compreensão dos problemas ambientais e o respeito do ser humano subentendem relações de significante importância, pois toda conduta supõe, com efeito, “duas espécies de interações que a modificam de fora e são indissociáveis uma da outra: a interação entre o sujeito e os objetos e a interação entre o sujeito e outros sujeitos” (PIAGET, 1973b, p. 34).

De acordo com Piaget (1999, p. 87), “o duplo esforço entre relacionamento e de reciprocidade constitui a própria definição do processo de cooperação ou de socialização entre iguais”. Por isso, o estudo da cooperação é o que permite melhor analisar, por oposição, a verdadeira natureza do egocentrismo social da criança (no capítulo IV, abordamos com maior aprofundamento como a criança elabora a noção de cooperação), por entendermos que os ambientes cooperativos proporcionam trocas entre os pares e, por meio deles, a criança expões seu ponto de vista (egocêntrico) ao grupo e vice-versa. Esses tipos de ambientes são os que permitem a construção do conhecimento, por exemplo, sobre o meio ambiente e o respeito mútuo.

Convém lembrar que todo e qualquer conhecimento, sejam eles “o egocentrismo social e intelectual, são apenas um”, pois estão ligados em sua origem – “às condições da atividade inicial”. Por isso, Piaget (1999, p. 89) ressalta que “eles desaparecem em função do fator: cooperação gradual das ações - raiz comum do sistema de operação da razão e da cooperação interindividual ou sistema de operação efetuada em comum”.

No que diz respeito à vida no ambiente, principalmente a do ser humano, ela ocorreria a partir de órgãos especializados de regulação no âmbito de trocas funcionais entre os organismos e o meio, o que Piaget (2000, p. 233) interpreta como os instrumentos do conhecimento.

Nessa perspectiva, as regulações cognoscitivas são as continuações das regulações orgânicas, pois se ambas prolongam-se, constituindo-se em órgãos especializados no terreno das trocas com o exterior, é porque as regulações organizadas não bastam para tudo. Por esse fato, as regulações cognoscitivas apresentam propriedades originais que dependeriam de duas razões:

A primeira seria a diferença entre o domínio das regulações orgânicas e o das cognoscitivas, pois estas se referem às trocas com um meio que se estende as distâncias cada vez mais consideráveis no espaço e no tempo (até alcançar o intemporal lógico ou matemático), e as formas ou estruturas que não são mais materiais, mas funcionais ou formais no sentido de conceituais ou representativas. Enquanto, a segunda, liga-se, ao contrário, ao mecanismo das regulações em jogo (PIAGET, 2000, p. 233).

A regulação participa da construção das formas e das trocas, “a título de instrumento principal”, no sentido em que esta construção não somente resulta dela, mas

ainda “é em si mesma uma autoregulação”. Sem esse princípio autorregulador o funcionamento perderia a identidade e a continuidade, isto é, se pulverizaria numa multidão de transformações sem autoconservação, por conseguinte sem vida.

Nesse sentido, a vida é “criadora de formas” (Brachet), ou ainda é “invenção” (Cuénot), “o que implica como condição ou conseqüência necessária (ou as duas), que se lança à conquista de um meio cada vez mais extenso.” Assim, esses dois caracteres são essenciais a todo o conhecimento, ou seja, os mecanismos comuns à vida e ao conhecimento, afirma Piaget (2000, p. 234). Além disso, ele também afirma que:

Apenas o efeito proativo e o efeito retroativo são indissociáveis, porque uma construção sem conservação não é mais um desenvolvimento orgânico, mas uma transformação qualquer. [...] a construção de formas novas não resulta de um princípio irracional de ‘impulso vital’, etc. Só é inteligível na qualidade de novo equilíbrio, isto é, de produto de uma reequilibração que constitui a resposta a uma tensão do meio (Piaget, 2000, p. 234).

Partindo dessa premissa, a troca com o meio está implicada na própria reequilibração e, na medida em que a evolução dos seres organizados nos põe em presença de um ‘progresso’, a ‘abertura’ aumenta a possibilidade de novas adaptações (PIAGET, 2000, p. 235).