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Enformasyon İnsanına Doğru

2. POSTHÜMANİZM KAVRAMI ve TRANSHÜMANİZMİN DÜŞÜNSEL

2.2. Tranhümanizmin Zihinsel Serüveni

2.2.3. Rönesans'tan XXI Yüzyıla

2.2.3.6. Enformasyon İnsanına Doğru

Uma vez que as narrativas podem provocar um ser um feliz encontro com a memória, e com elas trabalhamos nas entrevistas com os professores, sujeitos dessa investigação, o que é narrar? Teixeira (2006) nos diz que narrar é memória do mundo vivido, longínquos e pretéritos, carregados de saberes, ensinamentos, conselhos e práticas de vida engendradas em processos e transformações. E ainda, a narrativa se nutre da memória para narrar o que aconteceu em torno de determinada experiência6.

Em nossa pesquisa, a perspectiva da recordação não deixa de ter lugar no presente, pois é dele que se parte rumo ao vivido, e é a partir do presente onde encontramos os elementos vivos das experiências pretéritas em terrenos locais e longínquos que fazem os narradores irem a busca de suas histórias, ou melhor, de suas lembranças que compõe a memória individual e coletiva. A recordação só se faz por meio do presente, é o homem no chão sobre suas pernas, que sustenta o recordar, pois ele está interado, entrelaçado no presente que tece o laço com o vivido e recordado. É o homem que recorda – e recordar não meramente um exercício mental

6 Estamos pensando a experiência nos termos de Jorge Larrosa, para quem “a experiência é aquilo que nos

passa”, entre outros de seus elementos. Para a discussão da experiência neste autor, ver entre outros de seus trabalhos: sua conferência inaugural nos Anais do Congresso de Formação de Professores realizado pela UNESP, em Águas de Lindóia (São Paulo), 2003. Ver ainda: “Experiência e Paixão” e “Sobre leitura, experiência e formação”, em Linguagem e educação depois de Babel, Belo Horizonte: Autêntica, 2004.

de visita a terrenos e territórios antigos, guardados num quarto escuro em arquivos organizados em falas, idéias, valores, etc. A memória é recordar a partir das experiências do presente.

As narrativas docentes nos mostram as tramas relacionais, sobretudo entre docentes e discentes, que garantiram perenidades das experiências na vida dos mesmos. São visíveis os processos de subjetivação em que participaram os entrevistados, e mesmo assim, nos perguntamos o que faz o recordador com o narrado? São narrativas que possibilitou-nos pensar sobre como eram as escolas e como os professores lembrados foram construindo junto aos alunos e alunas um por vir docente, em um processo de formação particular.

Sendo assim, buscando uma ferramenta de investigação que nos possibilite melhor aproximação e, sobretudo, que permita aos sujeitos investigados, poderem trazer ao presente por meio de suas palavras, suas experiências, dialogamos com Teixeira (2006), que nos ajuda com sua elaboração acerca do uso da entrevista narrativa, que segundo a pesquisadora nos favorece especificamente, para a abordagem de mundos individuais de experiência ou experiências subjetivas.

Os docentes narraram suas experiências numa terra escolar semelhante por onde os mesmos ainda caminham e constroem suas relações com seus atuais alunos e alunas. São narradores de uma terra que está distante e ao mesmo tempo próxima, internalizada e tramada espacialmente e temporalmente no presente.

As narrativas apresentadas por cada sujeito da pesquisa nos conduz a pensar sobre experiências que são comuns, que podem ocupar o lugar de representarem outros sujeitos. Moita (1995) nos diz que o trabalho com narrativas “[...] põe em evidência o modo como cada pessoa mobiliza seus conhecimentos, os seus valores, as suas energias, para ir dando forma à sua identidade, num diálogo com os seus contextos” (MOITA, p.116)

As narrativas constituem-se numa estrutura tridimensional, onde presente, passado e futuro estão imbricados.

Abrahão (2004, p.208-209) nos diz que

O sujeito que rememora faz sobre a própria trajetória, cuja narrativa está vinculada tanto ao momento da enunciação, como ao momento do enunciado e, portanto,

tratada como narrativa de um sujeito que se constrói desde dentro dos condicionantes micro e macroestruturais do sistema social em que está inserido

Há uma quebra de linearidade do espaço e tempo junto às trajetórias de cada entrevistado. Identificamos um jogo, uma trama entre evocações que trazem um traço do passado, da voz do passado viva, assemelhando o recordador ao menino e ou menina que fala no professor adulto do presente, há análises do adulto sobre as suas experiências e também há uma comparação com o tempo presente. Cada narrativa constrói num labirinto de experiências tortuosas, com sinuosidades e enredos diversos, tornando o trabalho de analisá-las um desafio em que o pesquisador precisar enxergar traços explícitos por um lado, e, por outro, fios tênues, ora invisíveis num primeiro momento, porém tocado e analisado de maneira, a saber, que os mesmos estão ali, presentes e marcados de modo tenro em cada narração.

Abrahão (2004, p.211) mas uma vez nos diz que “[...] assim, é neste ato de reinterpretação constante dos fatos do outrora no presente que narrador e ouvinte vão tecendo os fios da narrativa como memória compartilhada [...], ou seja, o ouvinte reinterpreta os fatos narrados e, nesse processo de reinterpretação, traços do conto original permanecem enquanto outros são recriados”.

Bosi (2003), no livro O tempo vivo da memória, nos ajuda ainda com o argumento da relação intrínseca entre recordação espacial e afetiva, pois o homem enraíza-se emocionalmente ao chão por onde se tornou homem, mesmo havendo horizontes em que imagens, sentimentos e emoções encontram-se misturados, fundidos, difusos, incompletos e inconclusos, havendo nas narrativas uma dinâmica que busca de intencional e cultural semelhante ao ato de desenovelar-se. De um complexo experencial labiríntico a um conjunto mais ou menos organizado, são características que se apresentam em narrativas de sujeitos sócio-culturais. As narrativas dos professores sobre seus percursos escolares nos possibilitam encontrar um conjunto complexo de experiências individuais e coletivas que não são evidenciadas pela história da educação. Para nossa pesquisa, os professores partindo do presente rumo ao passado, conduz suas evocações de maneira a convidar-nos a participar dos cotidianos de suas antigas escolas e salas de aula, nos apresentam seus antigos mestres, seus colegas de turma, brincamos e também compartilhamos de suas histórias de constrangimentos, sejam eles vividos em torno de algum preconceito, castigo ou repreensão por parte de alguns professores em suas aulas, assim, cada narrador trás à tona um conjunto de relações sociais que o mesmo

viveu enquanto estudante. São nossas as histórias aqui narradas, compartilhamos, somos tocados com as palavras cheias de experiências, nesse sentido, narrar é memória viva, desejosa de ser escutada, como nos diz Benjamim (1994) sobre o encontro marcado entre gerações, permeado por vozes que foram sopradas em tempos pretéritos.

Uma complexidade compõe as narrativas e apresenta-nos um elemento distinto – o esquecimento, que junto com as lembranças espaciais, temporais, valores, dúvidas, indignações, descobertas, relações sociais entre docentes, discentes, família, entre outros elementos - compõe a memória do homem. O esquecimento se apresenta no narrado, é parte da trama da memória e de certa forma, contribui para entendermos um pouco mais sobre as relações experienciadas pelo narrador.

A pesquisa privilegia as lembranças em sua análise, não deixando de apresentar e analisar os esquecimentos que de maneira sutil vem compor as nuances das evocações, dando de certa forma, sua contribuição para sabermos e aproximar de uma compreensão sobre quem são, o que viveram cada recordador.