3. ARAŞTIRMA BULGULARI VE TARTIŞMA
3.2. Emdirme Yöntemi ile Sentezlenen AC’lerin Karakterizasyonu
A seguir serão apresentados estudos dos correligionários e críticos do atual modelo de fomento à infraestrutura e capital produtivo via títulos públicos. Nesse sentido é interessante analisar que por trás dessas disputas encontram-se de um lado defensores de uma política monetária mais heterodoxa e de outro lado defensores de uma política monetária mais ortodoxa, bem como são apresentadas algumas possíveis incoerências da atual prática financeira do governo,
Tabela 13: Defesas e críticas ao modelo de financiamento adotado pelo governo no período de 2003 a 2012 Nome ou Instituição/estudo ou jornal publicado Apontamentos
IPEA/"Repasses do Tesouro ao BNDES são vantajosos para o contribuinte ou não?"
* Através de simulações, os aportes de R$ 180 bilhões entre 2009 e 2010 teriam um ganho líquido fiscal51 de 100 bilhões
* Busca demonstrar que há limitações na visão que de haveria subsídios da diferença da SELIC que estava em 10,75% e a TJLP de 6% praticada pelo BNDES. * Reconhece limitações de previsões no horizonte de 30 a 40 anos
* A não realização dos empréstimos acarretaria uma retração de 28,2% na carteira de projetos,
representando uma contração de R$ 68 bilhões * No curto prazo os ganhos em sustentação fiscal teria sido de R$ 20,7 bilhões e no horizonte do longo prazo estimam R$ 61 bilhões
Márcio P. Garcia/Professor do Departamento de
economia da PUC/RIO * Modelo econométrico do IPEA inadequado, pois não foram utilizadas técnicas dos prêmio Nobel em economia como Sargent e Sims
* Experimento baseado em modelos keynesianos antiquados
* Não foi contabilizada a inadimplência, com coeficientes muito otimistas
Ernani Teixeira Torres Filho/Professor de economia
da UFRJ * Morte dos bancos de fomento é uma idéia equivocada, até porque o BNDES está sendo tirado como modelo para os Estados Unidos e França Ana S. Garcia/Doutoranda do Instituto de Relações
Internacionais - PUC/RIO e Pesquisadora do BRIC Policy Center de 2005 a 2011
* O BNDES financiou R$ 12,7 bilhões de projetos no exterior, sendo em 2011 só na América Latina U$ 870 milhões. Pré-requisito de controle do capital nacional durante o período de financiamento, o que não impede a venda depois. Exemplos: EBX associado a capital chinês e coreano; venda da Alunorte e Alumar aos
51 O lucro do BNDES nas operações, que retornam à União em dividendos, tributos e lucros; ganho fiscal de curto prazo, decorrente da expansão do produto e da renda da economia; ganho fiscal de longo prazo devido ao aumento da capacidade produtiva da economia; um maior PIB e uma maior arrecadação fiscal
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noruegueses Armínio Fraga - PSDB/Seminário Desafios e
oportunidades para o Brasil * Juro menor do BNDES deveria se disseminado de maneira geral e não restrito aos grupos atendidos pelo banco
Mansueto Almeida/IPEA - Palestra aos deputados do
PSDB - "Nova agenda" * Crítica ao aumento da dívida do governo via títulos e subsídios pagos por essa estratégia financeira Marta Beck/O globo * Devido a elevação da carteira de crédito, foi
necessária a recapitalização por conta das proximidades do índice de Basiléia52. A CEF de setembro de 2010 à setembro de 2011 as suas reservas caíram de 17,04% para 13,45% , frente à um limite de 11%
Fonte: Plataforma BNDES (2011)
Para essa pesquisa não importa tanto analisar os modelos e sua eficácia. O interessante é perceber como o BNDES e IPEA tem trabalhado em cima de modelos heterodoxos para legitimar as medidas anticíclicas que o Governo Federal tem empreendido, na busca por legitimidade através de modelos que tem certa aceitação dentro da economia.
São mostradas na tabela 13 as visões tidas como mais ortodoxas, evidenciadas nas falas de que as técnicas de medição da eficácia da atual política econômica estariam baseados em modelos keynesianos ultrapassados.
Os conflitos nacionais nos Estados Unidos em torno do papel do FMI e bancos mundiais, uma discussão essencialmente de interesses americanos, sobretudo da defesa de seus empregos, ganhou um dimensão internacional na pressão por reformas, sobretudo nos países emergentes, que atingiu em cheio o Brasil em consonância com as observações democratas.
De acordo com Pereira (2011), o próprio Banco Mundial passou a mostrar a necessidade de mudança, pois uma nova geração de líderes nos setores público e privado nas nações em desenvolvimento, educados nas universidades do Ocidente, fizeram com que os países abrissem seus mercados, porém a explosão dos mercados desafiou a vantagem comparativa dos bancos multilaterais. Segundo Dezalay (2000), as idéias exportadas são produzidas e legitimadas mediante processos envolvendo técnicos-políticos. Quando isso é aceito nos mercados internacionais, pode ser um padrão a ser exportado para outros lugares.
Na primeira década de 2000, conflitos relacionados à um relatório, que ficou conhecido como "Relatório Meltzer", em que republicanos e democratas debateram o papel do Banco Mundial e do FMI ajudam a compreender algumas mudanças de cenário na participação desses bancos. Segundo o Departamento do Tesouro Americano, essas
109 instituições são eficientes para avançar a política americana no mundo, promovendo crescimento, estabilidade, mercados abertos, instituições democráticas, resultando em mais exportações e empregos para os Estados Unidos (U.S. Department of Treasury , 2000). Portanto, essas instituições são de fato vistas pelos norte americanos como de fomento à economia local e é interessante nesse sentido encontrar algumas homologias nas práticas do governo brasileiro por meio de suas estatais financeiras e não financeiras, e como já relatado, tem preocupado a vantagem comparativa do Banco Mundial. Seria, utilizando em linguagem popular, o "feitiço virando contra o feiticeiro".
Alguns dados são interessantes para observar a mudança do BNDES de indutor de privatizações na década de 1990, para uma das ferramentas do Governo Lula na indução da economia por meio de financiamentos e investimentos diretos, estimulando o aumento das grandes empresas nacionais no Brasil e no exterior, além do financiamento a parcerias público privadas com destaque para participações públicas e dos fundos de pensão.
Assim como as entidades multilaterais americanas, o BNDES, em consonância com o discurso do Governo Federal, justifica os investimentos nacionais e internacionais de fomento a indústria nacional para geração de emprego e renda, estimulando o crescimento econômico. Nesse sentido, um ponto curioso é que o Governo americano tem estudado criar um banco de infraestrutura para financiar projetos nacionais e regionais com o objetivo de gerar empregos. A proposta é que sejam aportados U$ 50 bilhões de dólares para investimentos, assim como o partido socialista Francês tem cogitado criar um banco na França nos moldes do BNDES. Há uma curiosidade que demanda mais investigações e que está relacionado a atuação do BNDES e de sua subsidiária BNDESpar, que são apresentados na tabela a seguir,
Tabela 14: Resultados financeiros do BNDES em 2011 e 2012
Fonte: BNDES (2012)
Uma curiosidade é que grande parte do resultado do BNDES em 2012 foi de operações financeiras (retornos de financiamentos e títulos públicos), ao passo que o
110 BNDESpar teve em 2012 um expressiva redução dos seus lucros, justificados pela crise européia, a qual afetou diretamente suas maiores carteiras (Petróleo, Gás e Mineração) e energia elétrica, a qual sofreu grande queda nas ações devido à MP que reduziu a conta de energia. Dessa maneira, o BNDESpar parece ser utilizado não só na busca de lucros por investimentos em ações, mas para viabilizar financiamentos nas empresas investidas, financiamentos estes que apesar de terem taxas abaixo do mercado, representam um retorno significativo do banco. Na prática, com esse cenário, foi relativamente baixa a redução do lucro do BNDES.
3.17 Geração de emprego e renda: simulações do BNDES e IPEA e estratégias do PAC