3. EPOKSİ REÇİNELER
3.3 Epoksi Reçine Sertleştirme Sistemleri
3.3.3 Elektromanyetik ışıma (mikro dalga yayınımı) ile sertleşme
Para Comblin, violência são atos produzidos pelo ódio, medo e ganância ao outro. Não consiste em ter somente sentimentos negativos para com alguém, mas em destruir a pessoa do outro193. Então, pode-se dizer através desse pensamento que a exclusão social é uma das
191 PIXLEY, George V. O Reino de Deus. São Paulo: Edições Paulinas, 1986, pg. 117.
192 COMBLIN, José. Cristãos Rumo ao Século XXI nova caminhada de libertação. São Paulo: Paulus Editora,
1996, pg. 357.
maneiras usadas pela sociedade para destruir o outro, portanto , a exclusão é uma das diferentes faces da violência. Esta se faz no silêncio, calando os oprimidos e miseráveis, violentando-os a cada dia, décadas e até mesmo séculos, como se observa por meio da história, sem nenhuma punição. Para se afirmar este fato, basta observar na atualidade como as penitenciárias estão cheias de pessoas deixando sua propria vida dentro deste sistema carcerário por crimes pequenos ou grandes, passíveis da possibilidade de resgatar sua dignidade. No entanto, estes que estão sendo mortos pela fome e miséria não possuem o direito de revindicar a vida que lhe foi roubada. Sella denuncia:
―Infelizmente, a maior penalização não é a penitenciária, mas a condenação feita pela miséria, pela fome e pela concentração de renda. A cadeia deveria resgatar a pessoa, enquanto a fome e a concentração de renda condenam a pessoa à morte sem nenhum direito de defesa. O juíz decreta penas educativas mediante a reclusão, enquanto o poderoso assina a pena de morte por intermédio da fome e da concentração do lucro. Em suma, a pior injustiça não é a jurídica, mas a social. Na primeira cabe o direito de recurso e de resgate, na segunda é condenação cotidiana e maciça ao sofrimento e ao massacre. Esta constatada que a guerra que mais mata continua sendo a fome e a miséria, ou seja, a guerra econômica‖194.
A exclusão social sempre existiu de alguma maneira na história, porém ,este problema está escancarado hoje, ―tendo um desenvolvimento mais exacerbado com a modernidade econômica e a migração do campo para as grandes cidades, pessoas se tornaram sobrantes195
‖, criando um abismo entre ricos e pobres, denominado por Comblin de “apartheid social”:
―A tradicional distância social produziu, finalmente, uma situação de
“apartheid social”. Este é o desafio principal hoje. O ritmo da sociedade
é tal que tudo o que acontece, tudo o que se faz, todas as mudanças introduzidas para resolver o problema, acabam aumentando a separação. Tudo o que é assumido como saída para o “apartheid social” acaba
aprofundando-o. Trata-se de uma espécie de maquina que produz
194 SELLA, Adriano. Ética da Justiça. São Paulo: Paulus Editora, 2003, pg. 05.
195 COMBLIN, José Cristão Rumo ao Século XXI Nova caminhada de Libertação São Paulo: Paulus Editora,
exclusão e que ninguém pode parar. A cada ano que passa, os ricos ganham ainda mais e os pobres cada vez menos, apesar de tantos discursos de boas intenções‖196.
Apesar de Comblin se referir a essa máquina incontrolável e destrutível dos seres humanos e dos discursos de boas intenções para lutar contra a exclusão social, o autor afirma que as ações não acontecem em consequência de um sistema que tem influenciado até mesmo a Igreja que parece estar satisfeita com o mundo em que está e passa a refugiar- se em seus recintos tranquilos, longe das perturbações deste mundo197, ao ponto de viver sem críticas à este sistema chamado ―neoliberalismo198‖, que tem tentado esconder a
pobreza. O sistema neoliberal transformou o capitalismo, em sua fase mais avançada, numa ditadura do capital199, onde a causa mais importante é a busca do lucro, e todo o resto (cultura, política, religião, humanidade e natureza) é colocado a serviço do lucro de alguns poucos ricos e poderosos. Esse sistema está realizando um terrorismo social de dimensões impressionantes. Por consequência, a economia mundial torna-se uma fábrica de pobres200 e os donos dessa economia não querem e não vão querer mudar, pois não desejam perder seus status quo. Jon Sobrino corrobora que esta falta de iniciativa é ação clara da ambição dos poderosos:
―Ambição é importante para não transformar as estruturas injustas em armadilhas de desculpas, para que não haja necessidade também de mudanças pessoais, mudanças em altos níveis de vida que se consideram
196 Ibidem pg.355. 197 Ibidem pg. 356;
198 Neoliberalismo é uma utopia ou teoria que pretende dar uma explicação total do ser humano e da sua história
em torno da economia. Faz da economia o centro do centro do ser humano a partir do qual todo o resto se explica. Foi elaborada principalmente em Chicago sob a inspiração de Friedrich Hayek, austríaco radicado nos Estados Unidos depois da guerra, e de Milton Friedman. Desde Chicago o neoliberalismo expandiu-se pelo mundo inteiro e tornou-se, na década de 80, a base do pensamento único no mundo ocidental, Para saber mais sobre o tema leia: Neoliberalismo Ideologia dominante na virada do século. Autor José Comblin, Editora Vozes.
199 SELLA, Adriano. A Justiça: Novo rosto da paz. São Paulo: Paulus Editora, 2006, pg.40.
200 COMBLIN, José O Caminho: um ensaio sobre o seguimento de Jesus. São Paulo: Paulus Editora, 2005, pg.
como naturais, como normais. O que melhor explica como ―se produz‖ a pobreza de nosso mundo é a injustiça objetiva que configura a sociedade, por ser uma realidade estrutural, independente no fundamento das intenções de pessoas‖201.
Essas ideias são fixadas e divulgadas através de propagandas oficiais, sendo repetidas pelo seguinte discurso: o modelo neoliberal será a salvação e resolverá os problemas da pobreza202, afirmando ainda que basta mais um pouco de paciência para alcançar o desenvolvimento milagroso que os dirigentes fazem de conta que acreditam, colocando o pobre em uma armadilha quase sem resistência. Estes por sua vez são reprimidos, excluídos, negados e acusados. A TV se encarrega do entretenimento para que esqueçam as suas misérias, além disso, mantém a população carente alheia aos problemas reais. Pode-se afirmar que não há Justiça real sem que a moderna publicidade se coloque a serviço do bem comum. Nota-se também que este sistema aumenta consideravelmente o número de pobres na sociedade, e assim, Comblin denuncia o aumento considerável de pobres dizendo:
―No entanto os pobres estão ai. Multiplicaram-se desde que se implantou o modelo neoliberal, quase sem resistência, por uma traição das elites que não fazem senão renovar a vergonha do sistema colonial. Os pobres estão ai, não podendo ser escondidos – apesar das muitas tentativas nesse sentido. São demais. Estão ai e existem. Já não podemos esconder essa realidade. Sabemos que, no evangelho, para Jesus, essa existência é o pecado básico da humanidade. Não é fatalidade, má sorte, necessidade natural. A pobreza dos pobres está diretamente ligada à riqueza dos outros que não querem partilhar‖203.
Os pobres foram e estão sendo enganados por uma velha doutrina, chamada resignação, esta concepção absorveu o homem e acusou o destino ou até Deus, pois não se pode mudar o destino ou ir contra Deus. Como consequência, temos o desaparecimento do compromisso pela justiça, fator que esta ética da resignação impõe, com uma nova
201 SOBRINO, Jon Onde está Deus? São Leopoldo: Editora Sinodal, 2009, pg. 102.
202 COMBLIN, José. Quais os desafios dos temas teológicos atuais? São Paulo: Paulus Editora, 2005, pg. 14. 203 Ibidem pg. 15
roupagem, de modo que o povo possa engolir, sem revolta, a lógica e a ação do regime. Para Sella essa velha doutrina:
―Levava os pobres a aceitar a miséria, vista como destino, fatalidade, se não como vontade de Deus, é a única estrada para enfrentá-la parecia ser constituída por formas de apoio, como a esmola ou a assistência social. Hoje, a nova doutrina induz a crer que é preciso aceitar o status quo, porque não há nada que possa mudá-lo‖204.
Então, pode-se pensar que esta velha doutrina com vestimentas novas é uma violência contra o ser humano, que perdura por vários anos e parece interminável através da história em todas as épocas. Nota-se que todas as tentativas de erradicação da pobreza foram suprimidas e alguns que lutaram pelos pobres fizeram visando o poder, e assim, pensaram somente em si, Comblin diz:
―A pobreza é a coisa mais natural do mundo, se consideramos a gênese da humanidade. Por que os seres humanos não deveriam usar a sua inteligência para explorar o próximo? Por que a luta pela vida não deveria deixar vencedores e vencidos? [...] Todas as sociedades adaptaram-se a um tipo ou a diversos tipos de pobreza que se inserem naturalmente no tecido social. [...] Como vencer a pobreza? É como perguntar como inverter toda a história de 5 bilhões de anos, desde que estourou o átomo primitivo até os nossos dias? No entanto o desafio está ai. Em todas as civilizações houve tentativas e revoluções. E o desafio persiste‖205.
Parece um discurso pessimista do autor, deixando transparecer por meio da história a insuficiência dessa teoria de lutar pelos pobres ou por fazer opção por eles, mas temos que perceber, com o autor, que o problema da pobreza vai além do esforço de alguns, mas sim é o elemento que está dentro da humanidade, pode-se chamar de ganância ou egoísmo, isto desemboca na falta de amor para com o próximo, porque sempre – através
204 SELLA, Adriano. A Justiça: Novo rosto da paz. São Paulo: Paulus Editora, 2006, pg. 72.
205 COMBLIN, José. Cristãos Rumo ao Século XXI nova caminhada de libertação. São Paulo: Paulus Editora,
da manipulação – a humanidade foi levada a não pensar nas saídas de sua situação de pobreza, ou melhor, agiu e age como anestesia de vontade de mudança, domina a vida, aprisiona a pessoa no cotidiano fazendo com que não se tenha energia para encontrar alternativas possíveis para uma libertação.
Segundo Gutiérrez ―vivemos uma época de um espírito pouco militante e pouco compromisso. Numa conjuntura neoliberal e pós-moderna arraigada num agressivo individualismo, a solidariedade se mostra inoperante e como um resquício do passado206‖. Isto é o espírito com pouco compromisso ou quase nenhum, pois a orientação clássica é literalmente manter os pobres na condição e no estado em que se encontram, submissos e subservientes ao lócus idolátrico do mercado do consumo e dos prazeres do espetáculo, com objetivo de destruir o pobre. Devido essa imagem imposta pelos gananciosos, o mal continua estabelecido na sociedade e o assassinato de muitos permanece entre os seres humanos. O mal e o sofrimento não vêm somente do mundo material em que o nosso corpo está inserido. Há o mal que vem da sociedade na qual fazemos parte. Jesus viu que a causa de muitos males que sofria o seu povo era provocada por membros e, sobretudo por autoridades desse mesmo povo – que em lugar de conduzir para a vida, conduziam para o sofrimento e a morte207, atitudes injustas devido a ganância e o desejo de poder. Por isso, Gutiérrez afirma que esse desafio persiste e precisa ser vencido através do amor ao próximo:
―A pobreza evangélica começou a ser vivida como um ato de amor e libertação para com os pobres deste mundo, como solidariedade com eles e protesto contra a pobreza em que vivem, como identificação com os interesses das classes oprimidas e como recusa da exploração que são vítimas. Se a causa última da exploração e alienação do homem é o egoísmo, a razão profunda da pobreza voluntária é o amor ao próximo. A pobreza resultado da injustiça social, que tem no pecado a sua raiz mais
206 GUTIÉRREZ, Gustavo. Onde Dormirão os pobres? São Paulo: Paulus Editora, 1998, pg. 41.
207 COMBLIN, José O Caminho: um ensaio sobre o segmento de Jesus. São Paulo: Paulus Editora, 2005, pg.
profunda não é assumida para se fazer dela um ideal de vida, mas sim para testemunhar o mal que ela representa‖208.
Como se percebe nas citações a injustiça social é fruto da alienação do homem gerada pelo egoísmo, e isto se estende por toda a humanidade, contamina todas as classes sociais desenvolvendo um sistema de vantagens somente dos dominadores da sociedade, transformando-os em insensíveis à vida do próximo.