1 VATANDAŞLIK VE SOSYAL HAYATA UYUM
2. EKONOMİ, İŞ VE İŞVERENLER
A carta de solos foi obtida através do levantamento pedológico semidetalhado da microbacia do Ribeirão São João, o que proporcionou melhor qualidade e especificidade dos dados em relação às informações gerais encontradas no Levantamento Pedológico Semidetalhado do Estado de São Paulo realizado pelo Instituto Agronômico de Campinas (Almeida et al., 1981). Entretanto, este Levantamento Pedológico Semidetalhado se mostra bastante útil em situações onde não é possível a obtenção de informações mais detalhadas da área estudada.
O conhecimento sobre os solos da microbacia é a base para a confecção de outras cartas como, por exemplo, a carta de classes de capacidade de uso e de potencial natural de erosão, e para as recomendações de manejo agrícola.
O solo Latossolo Vermelho Amarelo (LV2) predomina na microbacia, ocupando 55,6 % de sua área. No Quadro 9 estão descritas as associações e unidades de solo da microbacia e a área que ocupam e na Figura 11 sua distribuição espacial.
Solos Descrição Camargo et al, 1987 Descrição EMBRAPA, 1999 Área (ha) Área (%) LVa Latossolo Vermelho Amarelo, álico, A moderado, textura média
Latossolo Vermelho Amarelo distrófico típico, álico, A moderado, textura média
2.032,7 55,6 LRe+LRd Latossolo Roxo, eutrófico, A moderado ou chernozênico + Latossolo Roxo, distrófico, A moderado ou proeminente Latossolo Vermelho eutroférrico, A moderado ou chernozênico + Latossolo Vermelho distroférrico, A moderado ou proeminente 614,2 16,8 PVd Podzólico Vermelho Amarelo, argila de atividade baixa, distrófico, A moderado, textura média ou arenosa/média
Argissolo Vermelho Amarelo distrófico, A moderdo, textura média ou
arenosa/média 570,4 15,6
NVef
Terra Roxa Estruturada eutrófica A moderado textura muito argilosa
Nitossolo Vermelho eutroférrico A moderado
textura muito argilosa
365,6 10,0
GH Glei Pouco Húmico textura média
Gleissolo Háplico textura
média 73,1 2,0
TOTAL 3.656 100
Quadro 9 - Descrição das associações e unidades de solo presentes na microbacia do Ribeirão São João
Figura 11 - Solos e associações de solos (Gleissolo Háplico, Latossolo Vermelho eutroférrico + Latossolo Vermelho distroférrico, Latossolo Vermelho Amarelo distrófico típico, Argissolo Vermelho Amarelo distrófico, Nitossolo Vermelho eutroférrico) da microbacia do Ribeirão São João (Mineiros do Tietê, SP). Ano: 2004
Segundo Bertolini et al (1994), com o conhecimento dos solos de uma região é possível seu melhor aproveitamento e uma previsão de seu comportamento com relação ao manejo agrícola. Assim, esses autores descrevem as seguintes unidades de solo encontradas na Microbacia do Ribeirão São João:
- Latossolo Vermelho Amarelo (Latossolo Vermelho Amarelo): é um solo profundo, regular a agricultura, com problemas de erosão, embora não em grau elevado. Possui fertilidade baixa, exigindo a aplicação correta de fertilizantes e corretivos;
- Latossolo Roxo ( Latossolo Vermelho eutroférrico ou distroférrico): é muito bom para a agricultura, apresenta pequena restrição à mecanização, pouco perigo de erosão e normalmente boa fertilidade;
- Podzólico Vermelho-Amarelo (Argissolo Vermelho Amarelo): apresenta nítida diferenciação textural entre os horizontes A e B e baixa saturação em base. É considerado regular para agricultura, pois tem problemas de fertilidade, de erosão e mecanização. Por isso, é exigente em práticas conservacionistas, simples e intensivas. Quando sob pastagem, apresenta risco de ser erodido, dependendo da declividade do terreno.
- Terra Roxa Estruturada (Nitossolo Vermelho eutroférrico): sua textura é argilosa tanto no horizonte A como no B. Há abundância de minerais pesados que se depositam nos leitos de drenagem superficial, com aspecto de limalha de ferro. É considerado bom para agricultura, apresentando apenas problemas de erosão e, em alguns casos, impedimentos à motomecanização.
- Hidromórficos “Gleizados” (Gleissolo Háplico): esta unidade reúne solos minerais de várzeas, caracterizados pela saturação com água durante a maior parte do ano resultando em acúmulo de matéria orgânica no horizonte superficial e “gleização” nos horizontes subjacentes. Apresenta uso regular para agricultura, com problema de drenagem deficiente e risco de inundação, mas ao ser drenado, torna-se aproveitável, com restrição à fertilidade e ao uso de máquinas agrícolas. Embora não mencionado pelos autores, esses solos apresentam-se em Áreas de Preservação Permanente, sendo seu uso proibido pela legislação ambiental.
Os solos álicos ocorrem em 55,6 % da microbacia. São aqueles onde a saturação por alumínio é maior que 50 %, desde que Al = 0,3 a 4,0 cmol / kg, e pH menor que 5,0, o que deve ser levado em consideração no momento da recomendação de adubação, da correção da acidez do solo e de variedades adequadas aos produtores rurais dessas áreas.
Os solos eutróficos indicam alta saturação por bases (V%), ou seja, o valor de V é maior que 50 % na maior parte do horizonte B. O pH (em água) é igual ou maior que 5,5 e, portanto, se não houver fatores limitantes ligados à física do solo, esta terra é bastante produtiva, pelo bom suprimento de bases e por não ter problemas de toxicidade de alumínio abaixo da camada arável. Os solos distróficos possuem saturação de bases (V%) inferior à 50 % e pH (em água) entre 5 e 5,5, o que pode conferir problemas com fertilidade.
Bertoni & Lombardi Neto (1990) esclarecem que alguns solos são mais vulneráveis ou susceptíveis à erosão que outros, mesmo quando a chuva, a declividade, a cobertura vegetal e as práticas de manejo são as mesmas. Essa diferença, devido às propriedades inerentes do solo, é chamada de erodibilidade. Essas propriedades do solo, que infuenciam a erodibilidade pela água, são aquelas que afetam a velocidade de infiltração, permeabilidade e capacidade total de armazenamento de água. São também aquelas que resistem às forças de dispersão, salpicamento, abrasão e transporte pela chuva e escoamento. Todos os fatores como intensidade de chuva, manejo agrícola, cobertura vegetal e declividade podem, na verdade, influenciar a intensidade da erosão de uma área mais propriamente do que as características do solo.
Esses mesmos autores afirmam que a erodibilidade é mais influenciada pelo manejo do que por qualquer outro fator, e o melhor manejo do solo pode ser definido como aquele que promove o uso mais intensivo e mais produtivo do solo sem causar degradação.
Cerca de 82,4 % dos solos da microbacia do Ribeirão São João apresentam valores de erodibilidade baixos, enquanto os restantes 17,6 %, representados pelo Argissolo Vermelho Amarelo e pelo Gleissolo Háplico, possuem valores altos e muito altos deste fator (Quadro 10,11 e 12).
A tolerância à perda de solo, outro fator relacionado à erosão, representa a quantidade de terra que pode ser perdida sem alterar o nível econômico de produtividade do solo e por tempo indefinido. Os níveis de tolerância não impõem restrições ao uso e manejo do solo, mas direcionam a escolha das técnicas a serem adotadas (Bertoni & Lombardi Neto,1990).
Portanto, todas as áreas da microbacia, com seus diversos tipos de solo, irão sofrer degradação se o manejo agrícola não for adequado, possibilitando boa cobertura do solo e a aplicação de práticas reconhecidas como conservacionista. Essas práticas irão promover a infiltração da água da chuva e seu armazenamento no solo, diminuindo também o escoamento superficial. No entanto, o solo Argissolo Vermelho Amarelo, menos resistente á erosão e menos tolerante a perda de solo (Quadro 11), demanda mais atenção e cuidados.
Aquelas áreas que ficam sem proteção da vegetação durante as chuvas mais intensas deverão ser manejadas com práticas conservacionistas que impeçam os processos severos de erosão. Essas práticas conservacionistas podem ser de caráter vegetativo, edáfico ou mecânico e devem ser usadas simultaneamente para aumentar a resistência do solo ou diminuir as forças dos elementos causadores dos processos erosivos. As práticas vegetativas são as que utilizam as plantas ou resíduos vegetais para proteção do solo, como, por exemplo, cultura em faixas, plantas de cobertura, cordões de vegetação permanente, alternância de capinas, controle de ervas invasoras com roçadeiras em culturas perenes, cobertura morta, faixas de bordadura e quebra ventos. As de caráter edáfico são aquelas que se relacionam a fertilidade do solo, como o controle do fogo, a adubação verde, a adubação orgânica ou química e também a calagem. Por último, as práticas mecânicas de controle de erosão como o terraceamento, distribuição racional dos caminhos e o plantio em nível (Bertoni & Lombardi Neto,1990).
Entretanto, segundo esses mesmos autores, a densidade da cobertura vegetal é o princípio fundamental de proteção do solo. Assim, apresentam dados sobre o efeito do tipo de uso do solo sobre as perdas por erosão, obtidos através de médias ponderadas para três tipos de solo do Estado de São Paulo. Para matas, pastagens e cafezal as perdas
médias de solo arrastadas foram, respectivamente, 0,004 e 0,4 e 0,9 Mg.ha-1, e as perdas médias de água , 0,7, 0,7 e 1,1 % da chuva caída anualmente. Em outro experimento, o efeito da cana de açúcar e do milho sobre as perdas por erosão, em declive entre 8,5 e 12,8 % e 1.300 mm de chuva, foi de 12, 4 e 12,0 t.ha-1 respectivamente.
Segundo Ehlers (1999) o Instituto Agronômico de Campinas informou que o Brasil perde 25 toneladas de solo por ano por hectare cultivado, enquanto os valores aceitáveis variam entre 3 e 12 Mg.ha-1.ano-1.
É bom lembrar que o cultivo intensivo do solo pode acarretar perda de matéria orgânica e conseqüentemente redução da fertilidade do solo e degradação de sua estrutura, compactação e erosão.Embora os fertilizantes possam repor temporariamente os nutrientes perdidos, eles não podem reconstruir a fertilidade e restaurar a saúde do solo (Gliessman, 2001).
Os quadros 10, 11 e 12 mostram as unidades de mapeamento dos solos com seus respectivos valores de erodibilidade, de tolorância de perdas e as classes de erodibilidade: Solos Erodibilidade Mg.h.MJ-1.mm-1 LRe+LRd 0.0110 LV2 0.0132 PV3 0.0359 NVef 0.0184 GH 0.0586 1 Comunicação pessoal.
Quadro 10 - Tipos e associações de solos da Microbacia do Ribeirão São João e seus valores correspondentes de erodibilidade, segundo Lombardi Neto 1
Unidade de solo Erodibilidade Tolerância Mg.h.MJ-1.mm-1 Mg.ha-1 LRe 0.0098 13.0 LRd 0.0128 13.0 LV2 0.0132 14.2 NVef 0.0184 13,4 PV3 0.0359 8.6 GH 0.0586 - 1 Comunicação pessoal.
Quadro 11- Erodibilidade dos tipos de solo da microbacia hidrográfica do Ribeirão São João e a respectiva tolerância de perda de solo, segundo Lombardi Neto 1
Classes Valores Área
Mg.h.MJ-1.mm-1 ha % muito baixa < 0,010 - - baixa 0,010 - 0,020 3.012,5 82,4 moderada 0,020 - 0,030 alta 0,030 - 0,040 570,4 15,6 muito alta > 0,040 73,1 2,0 Total 3.656 100
Quadro 12 - Distribuição das classes de erodibilidade da microbacia do Ribeirão São João