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Consoante reza o art. 495 “o direito de propor ação rescisória se extingue em 2 (dois) anos, contados do trânsito em julgamento da decisão”.

Visando à desconstituição da decisão possui o prazo natureza decadencial, portanto, não suscetível a suspensão ou interrupção397. A exceção se dá quando

disser respeito a absolutamente incapaz, caso em que o prazo permanecerá

396 Nulidades do processo e da sentença, p 452.

397 AÇÃO RESCISÓRIA. PRAZO DECADENCIAL DE 02 (DOIS) ANOS. DIREITO MATERIAL. NÃO INCIDÊNCIA DA NORMA QUE PRORROGA O TERMO FINAL DO PRAZO AO PRIMEIRO DIA ÚTIL POSTERIOR. 1. Por se tratar de decadência, o prazo de propositura da ação rescisória estabelecido no art. 495 do CPC não se suspende, não se interrompe, nem se dilata (RE 114.920, rel. Min. Carlos Madeira, DJ 02.09.1988), mesmo quando o termo final recaia em sábado ou domingo. 2. Prazo de direito material. Não incidência da norma que prorroga o termo final do prazo ao primeiro dia útil posterior, pois referente apenas a prazos de direito processual. 3. Na espécie, o trânsito em julgado do acórdão rescindendo ocorreu em 1º de dezembro de 1999 (dies a quo), tendo o prazo decadencial se esgotado em 1º.12.2001 (sábado), ante o disposto no art. 1º da Lei 810/49 - "Considera-se ano o período de doze meses contado do dia do início ao dia e mês correspondentes do ano seguinte". Ação rescisória protocolada nesta Suprema Corte apenas em 03 de dezembro de 2001 (segunda- feira), portanto, extemporaneamente. 4. Decadência reconhecida. Processo extinto com base no art. 269, inc. IV, do Código de Processo Civil. (STF, Tribunal Pleno, ação rescisória 1681-CE, Relator Ministro Marco Aurélio, DJ 15.12.2006).

suspenso. Exaurido o prazo para o exercício de tal faculdade, “não é a ação rescisória que se torna inadmissível: é o direito à rescisão da sentença, o direito que se deduziria em juizo, que cessa de existir”398, fato que confirma a natureza do

prazo.

A contagem do prazo será iniciada sempre após o trânsito em julgado, de forma que é inadmissível rescisória antes deste momento. Muito se discute, porém, qual o momento deve ser considerado como trânsito em julgado.

Como tratamos antes, sobre a dúvida a respeito da contagem do prazo da rescisória, se da última decisão, quando esta for de não conhecimento de um recurso, ou se do trânsito em julgado desta decisão ou ainda da anterior, já que o último recurso é inexistente, pensamos que a data do trânsito em julgado fixa-se com a última decisão. Em duas hipóteses acolhe-se a decisão retroativa, quais sejam, nos casos de intempestividade e de manifesto cabimento.

Outra discussão sobre o prazo refere-se às sentenças em que há mais de um capítulo e a parte não recorre de todos eles. Neste caso, a parte não recorrida não transita em julgado em data distinta da recorrida, já que o prazo para rescisória não pode ser computado de cada capítulo, mas sim do trânsito em julgado do processo por inteiro399.

Na doutrina, sustenta-se que o prazo pode ter seu termo inicial a partir da ciência da lesão nos casos de ação fundada em elementos externos ao processo. Para Teresa Arruda Alvim Wambier400 em alguns casos o prazo não começaria a

correr com o trânsito em julgado se não for juridicamente possível à parte tomar providência, se a parte não teve ciência da lesão ou se a lesão nem mesmo ocorreu. Não obstante Talamini e Barbosa Moreira afirmarem401 que esta é uma interpretação

incompatível com o teor do art. 495 do CPC, entendemos como a autora antes citada.

O termo a quo para o ajuizamento de uma ação rescisória deve se dar quando a hipótese de cabimento tiver condição de ser alegada. Não é razoável se

398 BARBOSA MOREIRA, José Carlos. Comentários ao Código de Processo Civil. p. 221.

399 Em sentido contrário: BARBOSA MOREIRA, José Carlos. Comentários ao Código de Processo

Civil. p. 218. (V. no capítulo 2 o tópico 2.2.1.1 sobre o momento consignado para o trânsito em

julgado).

somente após decorridos os dois anos a sentença penal apontar a falsidade documental não restar à parte nenhuma forma de correção do vício. O exercício de sua faculdade deve iniciar quando o interessado tiver meios hábeis para propositura da demanda. São casos que a doutrina considera, acertadamente, casos especiais, o que atrai prazo diferenciado para propositura da rescisória402.

O tema sobre os prazos é polêmico, tanto que no âmbito trabalhista editou-se a seguinte Súmula:

Súmula 100 do TST: AÇÃO RESCISÓRIA. DECADÊNCIA.

I – O prazo de decadência, na ação rescisória, conta-se do dia imediatamente subseqüente ao trânsito em julgado da última decisão proferida na causa, seja de mérito ou não. (ex-Súmula nº 100 – Res. 109/2001, DJ 18.04.2001).

II – Havendo recurso parcial no processo principal, o trânsito em julgado dá- se em momentos e em tribunais diferentes, contando-se o prazo decadencial para a ação rescisória do trânsito em julgado de cada decisão, salvo se o recurso tratar de preliminar ou prejudicial que possa tornar insubsistente a decisão recorrida, hipótese em que flui a decadência a partir do trânsito em julgado da decisão que julgar o recurso parcial. (ex-Súmula nº 100 – Res. 109/2001, DJ 18.04.2001).

III – Salvo se houver dúvida razoável, a interposição de recurso intempestivo ou a interposição de recurso incabível não protrai o termo inicial do prazo decadencial. (ex-Súmula nº 100 – Res. 109/2001, DJ 18.04.2001).

IV – O juízo rescindente não está adstrito à certidão de trânsito em julgado juntada com a ação rescisória, podendo formar sua convicção através de outros elementos dos autos quanto à antecipação ou postergação do dies a

quo do prazo decadencial (ex-OJ nº 102 – DJ 29.4.2003).

V – O acordo homologado judicialmente tem força de decisão irrecorrível, na forma do art. 831 da CLT. Assim sendo, o termo conciliatório transita em julgado na data da sua homologação judicial (ex-OJ nº 104 – DJ 29.4.2003). VI – Na hipótese de colusão das partes, o prazo decadencial da ação rescisória somente começa a fluir para o Ministério Público, que não interveio no processo principal, a partir do momento em que tem ciência da fraude (ex-OJ nº 122 – DJ 11.8.2003).

VII – Não ofende o princípio do duplo grau de jurisdição a decisão do TST que, após afastar a decadência em sede de recurso ordinário, aprecia desde logo a lide, se a causa versar questão exclusivamente de direito e estiver em condições de imediato julgamento (ex-OJ nº 79 – inserida em 13.3.2002).

VIII – A exceção de incompetência, ainda que oposta no prazo recursal, sem ter sido aviado o recurso próprio, não tem o condão de afastar a

401 TALAMINI, Eduardo. Coisa julgada e sua revisão, p. 193; BARBOSA MOREIRA, José Carlos.

Comentários ao Código de Processo Civil. p. 219.

402 Eduardo Talamini é defensor de propostas, de lege ferenda, para mudanças de regras sobre o prazo da ação rescisória, sustentando que seria necessária uma alteração a respeito do prazo inicial, principalmente para não se aforarem coisas julgadas inconstitucionais (Coisa julgada e sua revisão, p. 663 e seg.).

consumação da coisa julgada e, assim, postergar o termo inicial do prazo decadencial para a ação rescisória. (ex-OJ nº 16 – inserida em 20.9.2000). IX – Prorroga-se até o primeiro dia útil*, imediatamente subseqüente, o prazo decadencial para ajuizamento de ação rescisória quando expira em férias forenses, feriados, finais de semana ou em dia em que não houver expediente forense. Aplicação do art. 775 da CLT. (ex-OJ nº 13 – inserida em 20.9.2000).

X – Conta-se o prazo decadencial da ação rescisória, após o decurso do prazo legal previsto para a interposição do recurso extraordinário, apenas quando esgotadas todas as vias recursais ordinárias. (ex-OJ nº 145 – DJ 10.11.04).

Cabe ainda anotar uma última questão. A redação originária da medida provisória nº 1.577, de 11/06/97, impunha diversas alterações ao Programa Nacional de Reforma Agrária. Neste contexto, acabou por estender o prazo para propositura da ação rescisória pelos entes políticos, além de criar mais uma hipótese de cabimento da referida ação: quando a indenização fixada em ação de desapropriação fosse flagrantemente superior ao preço de mercado do bem desapropriado403.

Por esse motivo, foi ajuizada pelo Conselho Federal da OAB Ação Direta de Inconstitucionalidade, de nº 1753. O STF, em julgamento datado de 16/04/1998, suspendeu cautelarmente o artigo que tratava dos temas, já que desafiava a medida da razoabilidade ou da proporcionalidade, caracterizando privilégio inconstitucional, dado que o favorecimento unilateral da Fazenda se contrapunha ao perverso retardamento sem limites da satisfação do direito do particular já reconhecido em juízo.

Ocorre que, não obstante inexistir julgamento meritório até agosto de 2007, com as sucessivas reedições da referida MP, que é anterior à EC 32/01, extirpou-se do texto atual a almejada alteração legal.

Todavia, sobreveio outra medida provisória, de número 1.798, com propostas de alterações nas atribuições institucionais da Advocacia-Geral da União, entre

403 MP 1.577, Art. 4o O direito de propor ação rescisória por parte da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, bem como das autarquias e das fundações instituídas pelo Poder Público extingue-se em quatro anos, contados do trânsito em julgado da decisão. Parágrafo único. Além das hipóteses referidas no art. 485 do Código de Processo Civil, será cabível ação rescisória quando a indenização fixada em ação de desapropriação for flagrantemente superior ao preço de mercado do bem desapropriado.

outras providências, mas que já na primeira reedição pretendeu acrescentar as mesmas alterações, desta vez por meio de alteração do Código Processual Civil404.

Nova ADI foi proposta (nº 1.910), tendo o Supremo Tribunal em 22/04/2004 , por unanimidade, deferido a medida cautelar, para suspender, até a decisão final, a eficácia dos arts. 188 e 485, X, do CPC. Esta ação igualmente aguarda julgamento de mérito405. Portanto, atualmente o art. 485 segue possuindo apenas nove incisos.

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