2.2. İlgili Araştırmalar
2.2.1. Eğitimde Sosyal Medyanın Kullanımı Üzerine Yapılan Araştırmalar
Entre as lutas e os confrontos, Bezerra (2007, p.39) identifica a que se refere às eleições de diretores. Em Sergipe, a escola pública tem representado um instrumento, do qual as forças políticas locais não abriram mão, que servem aos interesses dos grupos dominantes por “suas deficiências, pelos conteúdos dos programas didáticos e, sobretudo, por ensejar a formação de „cabos eleitorais‟ nas pessoas dos professores e diretores”.
Em termos de gestão democrática houve, desde então, um esforço da rede estadual de ensino no sentido de implantar elementos parciais desse complexo processo na escola pública, através de Comitês Comunitários e Concurso Público (que aconteceu mas não vingou) para Diretor de Escola, sempre evitando as eleições diretas na rede municipal de ensino e capital, verificam-se inúmeros retrocessos no sentido da gestão democrática, a partir de 1993, sob o argumento da inconstitucionalidade das eleições para Diretor de Escola Pública, não obstante sua experiência de mais de uma década nesse sentido, fazendo emergir, recentemente, um artifício de eleição para a função não de Direção mas de Coordenação – por pressões do sindicato docente por um lado e, por outro, com objetivos eleitoreiros – com flagrante fragmentação entre o pedagógico e o administrativo. Esse artifício é também um retrocesso histórico. (BEZERRA, 2007, p. 39 e 40).
Na tese de Correa (2006), a eleição de diretores surge também como elemento de disputa na experiência de gestão democrática na Secretaria Municipal de Educação de São Carlos analisada. Como a referida experiência foi liderada pelo Partido dos Trabalhadores39, por força da vitória nas eleições municipais de 2000, a autora inicia a análise da luta em torno da eleição de diretores no documento nacional do partido. Nas diretrizes educacionais para a democratização da gestão, havia referência à realização de eleições diretas e paritárias de diretores com a participação de todos os segmentos; criação de conselhos escolares deliberativos; construção coletiva e democrática das propostas político-pedagógicas das escolas; composição dos conselhos escolares pelo critério de paridade entre profissionais das escolas e usuários.
As regras para a realização de eleições foram objeto de embates. Os diretores que estavam dirigindo as escolas haviam sido indicados pelo prefeito anterior e pertenciam a grupos políticos de posição diferente e de oposição ao prefeito eleito. Assim, na preparação do processo de eleições, alguns dilemas se apresentaram. Os diretores atuais, por serem de oposição, seriam impedidos de se candidatar? Os diretores deveriam ser afastados de suas funções, nomeando-se pessoas de confiança do PT? Quando as eleições fossem realizadas todos poderiam se inscrever, inclusive aqueles “ex–diretores”?
A Secretaria Municipal de Educação não concordava com a exclusão dos diretores e promoveu uma ampla campanha nas escolas com o intuito de estimular o maior número de pessoas possível a se candidatar40, porém em 18 unidades não houve nenhum candidato além
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Em São Carlos essa questão não estava bem definida, pois no decorrer da eleição o que se propunha era o concurso público para o provimento do cargo. Contudo, o prefeito eleito ao assumir decidiu fazer as eleições para o cargo de diretor.
40Correa (2006, p. 108 e 109) chama atenção para as várias denúncias que aconteceram durante o processo de
eleição: “os funcionários estavam sendo ameaçados e de que os candidatos de “oposição”, especialmente os que eram professores na mesma unidade, estavam sendo pressionados e sofrendo toda sorte de constrangimentos. [...] Foram vários os casos que levaram as comissões a procurar a SME formalmente: numa escola, uma das
do dirigente que já se encontrava no cargo e, após as eleições, o que se tinha eram 9 diretores “novos” e 34 que já estavam nessa função antes das eleições.
O cenário após as eleições representou para a maioria dos membros do Partido dos trabalhadores e da Secretaria Municipal de Educação uma derrota política, “pois entendiam que seria praticamente impossível implementar a nova política educacional tendo na direção das escolas representantes dos grupos de oposição”. (CORREA, 2006, p. 109). As avaliações em torno da eleição de diretores colocam-na como um processo não democrático, sustentando a inviabilidade desse mecanismo democrático em decorrência da realidade na qual a rede municipal estava inserida, conforme depoimento da vereadora Géria Montanari.
[...] aprendemos que isso não funciona, que o interesse particular contamina tudo e que a gente tem que encontrar os mecanismos para que isso seja evitado. Então, eu diria que as eleições foram fraudadas! Na medida em que os dirigentes que eram candidatos estavam nos seus postos e tinham o espaço para estar fazendo pressão nos pais para que votassem neles, pressão nos funcionários, nos professores. Então, eu diria que não foi um processo democrático! Não porque eleições não sejam, mas naquelas condições não foi um processo democrático. (CORREA, 2006, p. 109 e 110).
Após esse processo de eleições para diretores, a Secretaria Municipal de Educação não organizou outras eleições como se pode constatar no depoimento da Secretária de Educação Marina Palhares.
Sim, se pensou muito, se pensou muito em uma nova eleição e num determinado momento a gente percebeu que seria interessante fazer isso ao entregar o Estatuto e esperávamos que esse processo fosse mais rápido. Só que esse processo foi muito lento e agora no último ano [2004], eu acho que é muito complicado fazer uma alteração deste nível, né... Por opção, para o lugar das diretoras que saíram [as substitutas] foram indicadas outras pessoas, não houve eleição... (CORREA, 2006, p.117).
Esta posição reafirmada pela Secretária de Educação da gestão municipal seguinte, Géria Montanari, quando se refere à não realização de novas eleições e ao atraso nas discussões em torno do novo estatuto:
candidatas havia acrescentado documento não permitido ao seu projeto; em outra uma candidata acusava sua concorrente de estar distribuindo cestas básicas às famílias (!); em outra, professoras reclamavam de estar sofrendo ameaças do candidato que já era diretor na unidade; em várias escolas a queixa era a de que os candidatos-diretores estavam se valendo do posto para constranger os profissionais da unidade, seus subordinados, e para fazer promessas aos pais de alunos; em outras, ainda, as queixas eram relativas à má gestão da escola pelos candidatos-diretores, o que deveria impedi-los de participar do processo.”
E com relação ao atraso na discussão do Estatuto... eu várias vezes tentei discutir se não era o caso de fazer uma lei específica para a escolha de dirigentes, do mesmo modo que havia sido feito com o conselho de escola... Enfim, ou alguma outra ação, mas isso não aconteceu... eu acho que a gestão [passada]... até porque foi traumático [risos] aquele início... acho que... se avaliou que era mais adequado não soprar muito a fogueira, entendeu? (CORREA, 2006, p.118).
Correa aponta a relativização da gestão democrática, em específico a eleição de diretores, frente à “tradição coronelista” da gestão pública. Para a autora, em nome da manutenção no poder, as regras do jogo não foram alteradas.
“Mexer em formigueiro” e “não soprar a fogueira” são expressões bastante fortes para se referir aos diretores que haviam sido eleitos e que permaneceram em seus postos até o final do primeiro mandato do PT em São Carlos, em 2004. A se considerar esses dois depoimentos, supõe-se a tensão de poder que permanecia colocada: de um lado, os antigos diretores que tudo fizeram para se eleger em 2001 e permanecer no cargo, mostrando-se em certos momentos até servis em relação aos novos atores que assumiam a prefeitura e a Secretaria de Educação; de outro, os membros do governo, fosse no âmbito da Secretaria, fosse no âmbito do Executivo, com receio de “provocar” aqueles mesmos diretores, já que eles teriam força suficiente para, supostamente, colocar em risco a “posse” do Poder Executivo ou a sua continuidade. Como se vê, a tradição coronelista continuava se manifestando, de sorte que, mesmo com a chegada ao poder por parte de um partido tido como de esquerda, que empunhava a bandeira do direito e da democracia, as regras do jogo não puderam ser totalmente alteradas com tão pouco tempo, pois, ao que tudo indica, os diretores de escola, supostamente amparados por forças políticas conservadoras, ainda mantinham boa dose de poder e, o partido no governo, por sua vez, evitava o enfrentamento para não colocar em risco a sua manutenção. (CORREA, 2006, p.118)
Outro processo desencadeado na Secretaria Municipal de Educação de São Carlos foi a construção coletiva do Estatuto da Educação do Município de São Carlos. A expectativa era de que, através de uma construção coletiva que envolvesse toda a rede pública de educação, se alcançasse uma mudança em relação às questões relativas à democratização da gestão educacional. Assim, foram criados grupos de trabalho e durante uma das Conferências de Educação para a discussão do tema. Mas, o que se verificou foi uma tomada dos grupos de trabalhos por parte dos diretores no sentido de sua manutenção na direção das escolas.
E com a discussão do Estatuto essa foi uma questão muito forte para as pessoas, a discussão da gestão democrática ficou centrada na questão do cargo de diretor, as pessoas que foram fazer a discussão nesse grupo de trabalho foram principalmente os diretores de escola e isso restringe e acaba virando interesse pessoal, acho que isso também dificultou. No Estatuto ficou muito evidente que tinha interesses colocados, as pessoas estavam
interessadas naqueles cargos que estavam ocupando e na manutenção desses cargos... O grupo de trabalho para discussão do Estatuto era de gestão democrática, mas eles só queriam falar de como seria o cargo de diretor. (CORREA, 2006, p.119)
Da mesma forma, o depoimento da Secretária de Educação, Géria Montanari, que à época de discussão do Estatuto era vereadora do PT, demonstra que o espaço de discussão da gestão democrática foi tomado por parte dos diretores de escola que pareciam muito mais interessados em garantir condições para se manterem no cargo do que em qualquer outra discussão. Assim, para Correa (2006, p. 120), “os diretores parecem ter usado a bandeira da democracia para se resguardar: o governo não poderia fazer nova eleição, nem nada, até que se decidisse „democraticamente‟ o que ficaria no Estatuto”.
Durante os quatro anos que se passaram, se buscou fazer a discussão, eu busquei através do meu mandato na questão do Estatuto da educação... eu queria ter um texto para que essa discussão se institucionalizasse. Foram três grupos de trabalho e um era sobre a gestão democrática , neste estavam em peso as diretoras... aí aparecia de tudo e não se construiu um consenso, inclusive apareceram opiniões de que deveria ser indicação do prefeito, devia ser indicado pelo prefeito. (...) Essa versão final foi apresentada num evento grande, chamada a rede inteira no dia dos professores, era feriado... todos os profissionais da rede... aquela versão final que a Secretaria de Educação estava assumindo foi apresentada e passou de novo por novas discussões, teve mais algumas contribuições que fecharam uma ultimíssima versão em 2004. (CORREA, 2006, p.119)
As discussões com a rede durante o processo de elaboração coletiva do Estatuto foram marcadas por interesses particulares, capitaneados pelos diretores de escola objetivando sua manutenção no cargo. Em 2005, na segunda gestão petista, Géria Montanari, que havia participado do processo de elaboração do Estatuto e, em específico, acompanhado as discussões e embates em torno da gestão democrática da educação e eleições de diretores como vereadora do PT, assume a Secretaria de Educação.
Essa ultimíssima versão foi submetida ao Conselho Municipal de Educação, que fez um parecer e aprovou este parecer no início deste ano. Então, este é o Estatuto que a Secretaria Municipal de Educação assumiu e agora vai para a Câmara, agora tá na mão do jurídico. Mas aí, nesse debate da gestão democrática, apareceram posições que insistentemente apontavam que era melhor que fosse indicação do governo. Eu não sei dizer, porque eu não fiz essa tabulação, o quanto isso apareceu, se era maioria ou se não era. E... com base nisso, e com base naquela situação anterior [eleição 2001], eu assumindo a Secretaria de Educação decidi que eu iria indicar todos os diretores, e fiz! No estatuto está indicação pelo governo. (CORREA, 2006, p.120 e 121)
Assim, como uma das primeiras medidas adotadas em janeiro de 2005, a nova Secretária de Educação demitiu dois terços daqueles diretores e entre os que permaneceram, nenhum ficou na mesma unidade. Correa relata ainda que a recém-empossada Secretária de Educação enviou a proposta de um novo Estatuto ao Conselho Municipal de Educação e o aprovou sem nenhuma alteração quanto ao provimento para o cargo de diretor de escola. Assim, “a eleição foi posta de lado como mecanismo de democratização e, se aprovado pela Câmara Municipal, o novo Estatuto seguirá como antes: diretor de escola permanecerá como um cargo de confiança do Prefeito”. (CORREA, 2006, p. 121)
Na tese de Cabral Neto, a eleição de diretores também se constituiu em um eixo de luta em torno da gestão democrática da educação. Preliminarmente o autor apresenta uma linha de desenvolvimento em que as concepções de democratização da gestão, por orientação da Confederação de Professores do Brasil (CPB), se referenciaram. No início da década de 1980, o parâmetro era exclusivamente a eleição de diretores. Mais tarde, a ideia de Conselho é também incluída e, posteriormente, a polêmica se travara em relação ao caráter da participação, se consultiva ou se deliberativa.
Na experiência de Natal, a eleição de diretores encontrava resistência do governo estadual que argumentava a legitimidade sua para indicar os diretores. Contudo, em virtude da conjuntura de eleição para o governo do estado, um dos candidatos assumiu o compromisso de implantar nas escolas da rede estadual de ensino a eleição para escolha de diretores de escola.
Semelhante à experiência narrada por Correa (2006), Cabral Neto percebe, no processo do Rio Grande do Norte, que os diretores indicados e nomeados nas escolas pelo governador anterior passaram também a defender a eleição como tática para permanecerem nos cargos.
Cabral Neto identifica, ainda, a resistência à ideia por parte das forças políticas locais que perderiam o poder de indicar pessoas de sua confiança para administrar as escolas. Da mesma forma, o governador também temia perder o controle sobre a base do sistema educacional, além de perder aproximadamente três mil cargos de confiança para negociar com correligionários nos municípios.
A eleição de diretores ocorreu, contudo para Cabral Neto (1997, p. 215), “em um clima de disputa bastante acirrado e nada deixou a dever aos mecanismos clientelistas adotados na política partidária [...] pela distribuição de favores junto aos eleitores quanto pela
compra de votos”. O autor ressalta ainda a destituição dos diretores eleitos que ocorreria na oportunidade de uma greve de professores, demonstrando que as reforma empreendidas foram recortadas por vieses conservadores que recriaram o velho numa perspectiva modernizante e permeadas de traços autoritários.