Giriş, kimlik tespiti ve temel haklara erişim
1.5. Eğitim ve kurslar
Com vistas ao desenvolvimento de um modelo para as práticas informacionais baseado na busca cotidiana por informação (para além das buscas ativas e propositais por informação ou das perspectivas de necessidades informacionais claramente definidas), Pamela McKenzie (2003) parte de uma análise do discurso construtivista15 dos relatos individuais de busca por
14 Segundo Goldsmith (2001), o significado da incerteza varia de acordo com o contexto sociocultural, o qual,
ainda que constituído por uma mesma comunidade de fala, pode apresentar diferentes significados à incerteza quando experimentada em diferentes tipos de eventos de fala, como, por exemplo, uma consulta com um médico ou uma interação inicial com um estranho.
15 Tuominen e Savolainen (1997, p. 92) propuseram que uma “abordagem do discurso construtivista” para o estudo
informação de um grupo de mulheres grávidas de gêmeos – tendo como foco as práticas informacionais (sociais e situadas) em detrimento do comportamento informacional (cognitivo e sistemático) – para propor o modelo bidimensional de práticas informacionais.
O modelo coloca em evidência os aspectos sociais, cotidianos, idiossincráticos e complexos das práticas informacionais que não estão necessariamente presentes em outros modelos de busca por informação, como, por exemplo, o de busca informacional na internet proposto por Chun Choo et al. (1999; 2000)16. Embora tal modelo se caracterize como um modelo flexível da busca por informação (que permite a descrição de mudanças sistemáticas nos modos de busca por informação conforme o sujeito transita pelo processo), considera que os sujeitos “partem do zero” em busca de uma informação através da atenção sistemática e mais direta (MCKENZIE, 2003). Para McKenzie (2003, p. 36), “nem todas as práticas partem do zero”, nem todas as mudanças nos processos de busca por informação são sistemáticas e estão associadas a uma busca direta, mas, ao contrário, acontecem de forma casual e fluida. Como exemplo, tem-se uma “relação duradoura e idiossincrática” estabelecida circunstancialmente entre duas mulheres grávidas de gêmeos (pela internet), a qual, ao partir de uma prática de “exploração ativa” na internet por parte de uma das mulheres, se transforma em uma prática “por procuração” (importante para o acesso às informações) à medida que a outra mulher passa a prover as informações – mesmo quando não perguntado pela primeira (MCKENZIE, 2003).
Nesse sentido, o “modelo bidimensional de práticas informacionais” de McKenzie (2003) se desenvolve a fim de refletir holisticamente a respeito das idiossincrasias e da complexidade das práticas informacionais cotidianas. A primeira dimensão do modelo é constituída pelos quatro modos de práticas informacionais: busca ativa; exploração ativa; monitoramento não dirigido; e por procuração. A segunda dimensão é constituída pelos dois estágios ou fases do processo informacional – estabelecer conexões e interagir com fontes. Ambas as dimensões são inter-relacionadas e apresentam como característica fundamental a fluidez entre os seus componentes. A Figura 1 representa o modelo:
discursivas informacionais da informação são contextualmente projetadas para servir diferentes propósitos comunicacionais” (MCKENZIE, 2003).
16 Choo et al. (1999; 2000) desenvolve um modelo bidimensional que combina os estágios do processo de busca
de informação de Ellis et al. (1993), com os modos de busca informacional ativa e incidental baseados no modelo de Wilson (1997), e na literatura de análise ambiental de Choo e Auster (1993) (MCKENZIE, 2003).
Contexto individual
Figura 1: Modelo bidimensional de práticas informacionais.
Práticas informacionais: podem ser usadas como contraestratégias frente a barreiras de comunicação ou conexão.
modo fase Conectar Interagir
Busca ativa Contatar uma fonte identificada num meio informacional específico
Fazer perguntas planejadas, estratégias de questionamento ativas, como listas
Exploração ativa Identificar um recurso familiar em um ambiente comum
Encontrar a oportunidade de fazer uma pergunta escutando atentamente
Monitoramento não
dirigido Encontros ao acaso em lugares inesperados Observar ou escutar ao redor em ambientes inesperados Por procuração Ser identificado como um
buscador de informações e levado a uma fonte
Ficar sabendo de algo
Fonte: McKenzie, 2003, p. 26.
A coluna da esquerda do modelo descreve a primeira dimensão contendo os quatro modos de práticas informacionais. Estes modos são explicados detalhadamente a partir do Quadro 2, elaborado com base nos resultados do estudo desenvolvido por McKenzie (2003):
Quadro 2: Modos de práticas informacionais.
Modos Descrição Relações com outros estudos
Busca ativa
Modo mais direto de prática informacional: buscar especificamente uma fonte pré-identificada, conduzindo uma busca sistemática, realizando uma pergunta planejada e planejando ou empregando estratégias de perguntas ativas.
Relaciona-se com a busca ativa de Wilson (1997), a busca formal de Choo et al. (2000), a busca informacional de Erdeles (1996) e a busca de Tom (1998).
Exploração ativa
Navegação semidireta, observação sistemática, identificação de oportunidades para realizar perguntas espontâneas e ouvir atentamente a conversas em locais determinados. Embora exista o reconhecimento de uma localização particular como base informacional ou de uma fonte específica relevante, o buscador não descreve a expectativa de encontrar nada específico.
Corresponde à busca passiva de Wilson (1997), à visão condicionada de Choo et al. (2000) e à navegação de Erdeles (1996) e Tom (1998).
Monitoramento não dirigido
Envolve serendipidade no encontro e reconhecimento de uma fonte (ex.: ver um pai empurrando um carrinho de bebê duplo) em um local improvável enquanto não se busca informação (conversando com conhecidos) ou monitorando fontes de informação (tal como ler um jornal) sem nenhuma outra intenção além de se manter informado de forma geral.
Corresponde à visão indireta de Choo et al (2000), ao monitoramento de contexto de Savolainen (1995), aos encontros ao acaso de Tom (1998), à atenção passiva de Wilson (1997), ao encontro sem busca de Ross (1999), e ao encontro de informações de Erdelez (1996).
Por procuração
Ocasiões em que os sujeitos contatam ou interagem com fontes de informação através da iniciativa de outro agente, tanto a fonte informacional como algum intermediário. Como o agente pode utilizar alguns dos outros três modos de conexão com o receptor (busca e exploração ativas ou monitoramento não dirigido), os relatos de práticas por procuração são extremamente variados em suas características. Podem incluir tais práticas como sendo identificadas como um buscador de informação por um conhecido ou estranho, sendo referidas a uma fonte através de um intermediário ou sendo advertidas, informadas ou prescritas.
Não corresponde a nenhuma das categorias de Choo et al. (2000) ou Wilson (1997), entretanto, vários outros pesquisadores têm descrito formas variadas de busca informacional por procuração (CHU, 1995; ERDELEZ, 1996; ERDELEZ E RIOUX, 2000; GROSS, 1995; 1998; 1999; GROSS E SAXTON, 2001; METOYER-DURAN, 1991; 1993; PETTIGREW, 1997; 1999; WILLIAMSON, 1997; 1998). Fonte: Adaptado de McKenzie (2003).
A linha superior do modelo descreve a segunda dimensão contendo os dois estágios do processo informacional. Estes estágios são explicados detalhadamente a partir do Quadro 3, também elaborado com base nos resultados do estudo desenvolvido por McKenzie (2003):
Quadro 3: Estágios do processo informacional.
Estágios Descrição
Estabelecer conexões
Considera as descrições das barreiras e práticas envolvidas em identificar (ou ser identificado por) e estabelecer contato com (ou ser contatado por) fontes informacionais potenciais tanto diretamente como por meio de referências.
Interagir com fontes
Considera as descrições das barreiras e práticas envolvidas durante o encontro real com uma fonte de informação tendo a identificação e o contato sido estabelecidos.
Fonte: Adaptado de McKenzie (2003).
Neste modelo, tanto os quatro modos de práticas informacionais (busca ativa, exploração ativa, monitoramento não dirigido e por procuração) quanto os dois estágios do processo informacional (estabelecer conexões e interagir com fontes) são fluidos, isto é, ao mesmo tempo em que as práticas informacionais se movem de um lado ao outro sem seguir uma lógica de sucessão, uma conexão/interação com as fontes pode ser descrita por uma variedade de práticas informacionais (MCKENZIE, 2003). Dessa forma, o que determina a ocorrência e movimentação de quaisquer modos de práticas informacionais no processo de
conexão e/ou interação com as fontes de informação é o caráter da situação específica e o contexto vivenciado que, por sua vez, pode facilitar ou dificultar a conexão, por exemplo.
Sendo assim, o modelo bidimensional de práticas informacionais desenvolvido por McKenzie (2003) serviu como base para a compreensão e caracterização do estado de incertezas das mulheres primíparas (sujeitos participantes da pesquisa) à medida que desvelou as restrições ou barreiras – frente às conexões e interações com as fontes de informação do ambiente informacional virtual (“dirigidas” e “não dirigidas") – que impedem e dificultam o gerenciamento de informações e, logo, interferem no estado de incertezas. Em suma, orientou os procedimentos metodológicos e nos permitiu relacionar a multiplicidade de incertezas com os diferentes modos de práticas informacionais e estágios.