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Üstün çıkarın belirlenmesi ve değerlendirilmesi

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2.3. Üstün çıkarın belirlenmesi ve değerlendirilmesi

Um regime de informação vem sendo considerado pelos trabalhos de González de Gómez (2012, p. 43) como um “modo informacional dominante em uma formação social, o qual define quem são os sujeitos, as organizações, as regras e as autoridades informacionais e quais os meios e os recursos preferenciais de informação [...] enquanto vigentes em certo tempo e circunstância”. Sendo assim, um regime de informação constitui e expressa as configurações de uma formação social. Conforme González de Gómez (2012, p. 43), “cada nova configuração de um regime de informação resulta de e condiciona diferentes modos de configuração de uma ordem sociocultural e política”. Entre suas possíveis aplicações, o conceito de regime de informação se apresenta como uma ferramenta de análise quando se pretende apreender as “relações de uma pluralidade de atores, práticas e recursos, à luz da transversalidade específica das ações, meios e efeitos de informação” (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2012, p. 44, grifo do autor). Ou seja, quando a dinâmica das práticas informacionais perpassa a “dupla constituição” de valores.

O específico, na concepção de González de Gómez (2004; 2012), corresponde às configurações das formações sociais contemporâneas vinculadas às lógicas produtivas das TIC’s. Nesse contexto, González de Gómez (2004) põe em evidência o caráter estratificado que compõe as ações de informação de atores nas redes hipermídia e interativas que, por sua vez, pode ser analisado de forma transversal através do conceito em questão. A autora utiliza o “modelo em cascata” cunhado por Bates (2002) no contexto dos “componentes de recuperação da informação” em meios eletrônicos para reforçar sua ideia de estratificação das ações de informação no contexto social. Em González de Gómez (2004, p. 60), observamos que o modelo apresentado por Bates (2002) é relevante por mostrar que “os estratos de um componente de recuperação interagem entre si de maneira sinérgica, neutra ou conflitual”, formando uma cascata de interações que culmina em uma interface, isto é, “o que se faz em um estrato – bem ou de modo inadequado – afetará o próximo, que afetará o seguinte, e assim sucessivamente, alcançando todos os estratos”. Nesse sentido, González de Gómez (2004) argumenta que:

O modelo de Bates constrói um conceito generalizado de “componente de informação” que poderia estar sediado em diferentes unidades de comunicação e informação, sem ter a característica de uma subunidade funcional de um sistema único. Nossa abordagem se diferencia por querer estender a concepção dos estratos, não restrita ao desenho e implementação de um dispositivo formalizado de informação, mas a todas as práticas e ações sociais de informação envolvendo qualquer tipo de mediação material e cultural, formal ou informal (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2004, p. 61, grifo nosso).

Os estratos ou planos das ações de informação no contexto social são heterogêneos e, articulados entre si, constituem um regime de informação. Na concepção de González de Gómez (2004, p. 62), estes estratos ou planos podem ser representados como assinalados no Quadro 4.

Quadro 4: Estratos das ações de informação.

Estratos Descrição

Estrato semântico pragmático Constitui, conforme regras e usos intersubjetivos, uma profusão de narrativas e ontologias culturais polimórficas. Estrato regulatório ou estrato

metainformacional Constitui as regras formalizadas, os padrões convencionais e contratos. Estrato infraestrutural ou estrato

tecnológico Constitui as ações pré-modeladas ou que tomam sua forma de exemplos prévios de ação, conforme princípios mimeomórficos. Fonte: Adaptado de González de Gómez (2004).

Em outras palavras, a informação se constitui em cada um desses estratos (sendo entendida como uma ação de informação), os quais, quando articulados, formam um determinado regime de informação. O estrato semântico pragmático equivale ao nível micro das interações entre as pessoas (ações polimórficas), ou seja, são as ações de informação que se desenvolvem nas situações e são compreendidas por aqueles que participam delas. O estrato metainformacional corresponde às regras sociais que servem de referência e que definem os critérios de valor e o curso das ações de informação. O estrato infraestrutural corresponde ao nível macro das interações (ações mimeomórficas), são as ações de informação reproduzidas por aqueles que são externos à situação, mas que também podem pertencê-la.

É pertinente destacar que as ações polimórficas e mimeomórficas são compreendidas por González de Gómez (2004, p. 62), com base em Collins e Kush (1999), da seguinte forma:

Ações polimórficas são aquelas que só podem ser compreendidas por quem participa de uma cultura ou forma de vida. São ações que podem ser executadas conforme um número indefinido de comportamentos, e, ao mesmo tempo, uma mesma instância de comportamento pode dar lugar a muitas e diferentes ações. Dado que são ações determinadas por regras, o modo correto de realizá-las só é possível para quem participa da forma de vida que contextualiza a ação. Envolvem, assim, uma variedade de comportamentos para executar a mesma ação na mesma situação (COLLINS e KUSH, 1999, p. 19). Ações mimeomórficas seriam aquelas que podem ser reproduzidas por um observador externo sem compreensão da ação, do mesmo modo em que poderiam ser reproduzidas por alguém que compreende a ação (COLLINS e KUSH, 1999, p. 21) (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2004, p. 62, grifo nosso).

González de Gómez (2004, p. 62) chama atenção para a assimetria que geralmente pode ocorrer na sociedade complexa entre os estratos micro (ações polimórficas) e macro (ações mimeomórficas), evidenciando que as “práticas e atividades sociais de informação são combinações híbridas de ações polimórficas e mimeomórficas que requerem ser olhadas em todas as suas dimensões e estratos para serem entendidas, modificadas ou facilitadas”. A equação dessas ações, que circunstancialmente podem gerar tensões, seria um dos pontos a serem trabalhados por diversos estudos combinados envolvendo a Ciência da Informação.

Seguindo esta direção, o nosso estudo abarca as configurações das práticas informacionais – agenciadas pelos sujeitos que vivenciam um certo contexto significativo e pessoal – em ambos os estratos. Enquanto as configurações socioculturais da informação das mulheres primíparas (incluindo as redes sociais, os valores, os modos habituais de conhecimento etc.) correspondem ao estrato semântico pragmático (ações polimórficas), as informações e os valores relacionados com os “padrões de maternidade instituídos pela midiatização” disseminados no ambiente informacional virtual (por meio de websites, blogs,

aplicativos, espaços de redes sociais na web etc.) correspondem ao estrato infraestrutural ou estrato tecnológico (ações mimeomórficas). Nesse sentido, considerando que as mulheres primíparas vivenciam um contexto não familiar, as tensões informacionais provenientes da articulação dos estratos que assolam a experiência dessas mulheres – somadas com as tensões que são próprias da experiência de tornar-se mãe e com algumas barreiras à informação que particularizam o contexto – caracterizam o que entendemos neste estudo por estado de incerteza informacional. Diante desse contexto, é natural que as mulheres primíparas desenvolvam estratégias informacionais alternativas para o enfrentamento das incertezas e, de certa forma, consigam equacionar a dinâmica desses estratos de modo a conectar-se com o novo ambiente informacional e, logo, constituir um regime de informação favorável às práticas de informação e de conhecimento relacionadas à maternidade.