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III. M ETODU VE P LANI

1. BÖLÜM

2.5. MİLLİ-DİNİ-ÖZEL GÜN VE HAFTALARLA İLGİLİ HUTBELER

2.5.2. Dini Günler

Conhecer como se recruta um terrorista por uma organização terrorista é fundamental para uma monitorização mais eficaz por parte das polícias e serviços de informações. A primeira questão que se coloca é: o que motiva um individuo tornar-se terrorista?

O sentimento que é mais aplicado pelos ideólogos na Jihad aos terroristas é o sentimento de humilhação. Segundo Farad Kosrokhavar, citado por José Manuel Anes, importa distinguir três tipos de humilhação: a que nasce da inferioridade social e da marginalidade económica, a que é noticiada pelos media e que dá conta da “ofensiva” ocidental contra o Islão (Palestina, Afeganistão, …) e, ainda, a que reside na ameaça cultural e religiosa de um ocidente laico e dominador.302

Loureiro dos Santos, explica que os Jihadistas (“combatentes”, “guerreiros santos” ou mujahedeen, em árabe) sentem-se humilhados “por procuração”, isto é, “este sentimento de “humilhação” dos combatentes, é originado por todas as injustiças que lhes relatam, que observam e que lhes mostram na televisão e em sites de propaganda extremista na Internet, pelo sofrimento que os judeus e cruzados infringiram aos crentes, pelo desprezo a que os votam, pelos maus tratos a que os sujeitam”303. O conflito israelo-

palestiniano, a prisão de Guantanamo, Abu Ghraib, as guerras do Iraque e do Afeganistão, assim como da Chechénia, a questão de Caxemira, entre outros, despoletam um sentimento de humilhação aos mujahedeen, que os ideólogos aproveitam para incentivar, espalhar e modular de acordo com boas técnicas de propaganda. É este sentimento que os leva ao sacrifício do suicídio ou na interpretação Alqaedista do “martírio”. Esta tese foi explorada por Olivier Roy, um politólogo francês e grande especialista do Médio Oriente.

Segundo Jerrold Post, quase todos os grupos terroristas da atualidade têm duas coisas em comum: uma causa e uma necessidade de dinheiro e a causa, um grande objetivo, que normalmente é de origem política ou religiosa.304

302 Kosrokhavar, Farad, Allah’s New Martyrs, in Anes, José Manuel, AAVV, As Teias do Terror, Novas

Ameaças Globais, Ésquilo, p. 104

303 Santos, General Loureiro dos, O império debaixo de fogo, Ofensiva contra a Ordem Internacional

Unipolar – Reflexões sobre Estratégia V, Publicações Europa América, 2006, p. 51

304 Documentário televisivo da GNT Especial, A Mente do Terrorista, 1998, in

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Jerrold Post defende que o terrorista integra o grupo terrorista mais por uma questão de camaradagem do que pela causa. Segundo este especialista, o principal motivo para que alguém se torne um terrorista é o facto de tal pessoa estar integrada no grupo terrorista. O terrorista típico é retratado como um fenómeno associado à juventude. Além disso, adianta o especialista, são indivíduos que experimentaram um certo número de privações nas suas vidas. Para este autor os terroristas têm uma forte necessidade de pertencer a um grupo, de encontrar o seu lugar dentro dele para que possam dizer: “não somos nós. São eles. São eles os responsáveis pelos nossos problemas.”305

O terrorista típico, segundo Jerrold Post, faz parte do grupo que em muitos casos executam ações terroristas por motivações religiosas ou politicas. Este pormenor é importante. O recrutamento não é feito por um convite, no caso do terrorista típico.

No caso do terrorismo suicida, Jerrold Post, refere a Jihad islâmico-palestina. Neste caso, os recrutadores tentam convencer os potenciais suicidas, falando-lhes de martírio, e das vantagens que os mártires têm ao executar as suas missões, nomeadamente incutindo-lhes promessas do Paraíso às suas famílias, o seu casamento casando-se com 72 mulheres virgens quando passarem para o Paraíso. Relatam também que o mártir estará com as pessoas piedosas e com os profetas e que Deus perdoará os seus pecados.

Os recrutadores reúnem-se algumas vezes com o potencial suicida que normalmente vem de uma família pobre, aliciando-o com dinheiro para a execução do martírio (6 mil dólares americanos em alguns casos mas existem casos deste valor sem bem inferior) que a família receberá quando executar o martírio.

Magnus Ranstorp (2005), perito escocês, detetou a partir das informações que os serviços de espionagem obtiveram, alguns padrões nas caraterísticas essenciais do recrutamento terrorista alqaedista e das suas células306. “O primeiro é que as células no

Médio Oriente são formadas por membros de famílias sauditas consideradas. Um segundo é que o recrutamento na Europa está a funcionar, a partir de jovens radicalizados nas mesquitas, principalmente em Londres e Paris (atualmente existe um controlo muito maior da parte dos serviços de informações), que são depois enviados para teatros de guerra como o Iraque, ou instrumentalizados para realizar atentados na Europa, como

305 idem

306 Ranstorp, Magnus, “Al-Qaida – An Expanded Global Network of Terror”, ensaio, RUSI Journal, Royal

United Services Institute, Junho de 2005, in Vegar, José, Serviços Secretos Portugueses, História e Poder da espionagem nacional, A Esfera dos Livros, 2006

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prova a operação em Londres, em Julho de 2005, ou a abortada, também em Londres, em Agosto de 2006.

Um terceiro é desenhado pelos múltiplos laços de envolvimento. Ranstorp recorre ao atentado de Madrid, executado por várias “células” jihadistas com ligações muito ténues entre si, para defender que, segundo as análises produzidas até ao momento, os laços são criados “em 70 por cento por muçulmanos que têm relações de amizade entre si, e em 30 por cento das relações de conhecimento.” Estes laços são forjados especialmente nas mesquitas e nas prisões, e os que aderem ao movimento, fazem-no por uma mistura de motivos, desde “expiação por pecados do passado, especialmente crimes” até “alienação social, crises pessoais, e influência de elementos mais politizados” exercida a partir de “sermões, literatura, DVD’s e chats na internet”. Ranstorp afirma que o ciberespaço é um meio de propaganda, onde são transmitidas diretivas e recomendações de liderança.

Um quarto padrão encontrado por este especialista é o engenho e a adaptabilidade conseguidos para captar o dinheiro necessário para os atentados. Ranstorp diz que o financiamento vem na sua quase totalidade de fontes “ilícitas” como o “roubo e fraude de cartões de crédito, falsificação de documentos e tráfico de seres humanos” e que pode ser obtido “por membros individuais das células com capacidades específicas, em períodos de tempo curtos”.

Um quinto padrão é o recrutamento através de entidades religiosas difusas, como a Takfir wal-Hjira, especialmente atrativa para jovens nascidos e residentes na Europa de etnia norte-africana. A Takfir, segundo Ranstorp, funciona como uma força ideológica unificadora, mas não tem uma hierarquia definida, sendo iniciada, localmente, por muçulmanos com prestígio religioso ou estatuto dentro da comunidade. Ranstorp diz que a Takfir não só age como entidade “congregadora e de recrutamento” como pode servir de base para o planeamento de atentados.

Todos estes padrões, defendidos por Ranstorp, permitem algum conhecimento da morfologia do novo terrorismo. Para o académico escocês, esta é a principal ameaça das células operacionais islâmicas, já que são formadas por elementos e entidades de “natureza amorfa”, geradas por “constelações assimétricas de pequenos grupos desterritorializados e de redes transnacionais determinadas por uma subcultura ideológica de exclusão”.307

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Importa referir que esta abordagem de Ranstorp veio sofrendo alterações significativas desde 2005. O factor preponderante que veio alterar significativamente o recrutamento foi a internet. A Lei 17/2011, de 03 de Maio308, criminaliza o incitamento

público à prática de infrações terroristas, o recrutamento para o terrorismo e o treino para o terrorismo, dando cumprimento à Decisão-Quadro n.º 2008/919/JAI, do Conselho da União Europeia, de 28 de Novembro309, que altera a Decisão-Quadro n.º 2002/475/JAI,

relativa à luta contra o terrorismo, e procede à terceira alteração da Lei n.º 52/2003, de 22 de Agosto (a última alteração foi introduzida pela Lei 60/2015, de 24 de junho). Importa referir que o legislador teve a preocupação de criminalizar o incitamento público como potenciador de gerar “contágios” de ideias negativas numa sociedade.

A Decisão-Quadro 2002/475/JAI do Conselho da UE, de 13 de Junho de 2002,310

relativa à luta contra o terrorismo constitui a base da política antiterrorista da União Europeia. A obtenção de um quadro normativo comum a todos os Estados-Membros e, em especial, de uma definição harmonizada de infracção terrorista permitiram que a política antiterrorista da União Europeia se desenvolvesse e expandisse, no respeito dos direitos fundamentais e do Estado de Direito. Como é referido nesta Decisão-Quadro da UE, a ameaça terrorista cresceu e evoluiu rapidamente nos últimos anos, os modos de atuação dos ativistas e apoiantes do terrorismo mudaram, incluindo a substituição de grupos estruturados e hierarquizados por células semiautónomas com ligações ténues entre si. Estas células ligam redes internacionais e recorrem cada vez mais às novas tecnologias, em especial a internet. A internet, conforme é mencionado nesta Decisão- Quadro, é utilizada como fonte de inspiração e mobilização de redes terroristas locais e de indivíduos isolados na Europa, sendo igualmente fonte de informação acerca de meios e métodos terroristas, funcionando portanto como um «campo de treino virtual». As atividades de incitamento público à prática de infracções terroristas, de recrutamento para o terrorismo e treino para o terrorismo multiplicaram-se, com custos e riscos muito baixos.

O sentimento de humilhação é provavelmente um fator-chave na “criação” de um terrorista. Contudo, importa referir que nem sempre este sentimento de humilhação pode resumir todas as motivações para os atentados terroristas, existindo vários estudos de

308 http://dre.pt/pdf1s/2011/05/08500/0252502525.pdf, consultado em 19 de agosto de 2012

309 http://europa.eu/legislation_summaries/justice_freedom_security/fight_against_terrorism/l33168_pt.

htm, consultado em 15 de agosto de 2012

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vários autores, como os referentes ao terrorismo suicida que indicam mais fatores além do sentimento de humilhação.

Berko (2007) referiu que um recrutador palestiniano de bombistas suicidas explicou que este tentava encontrar “rapazes tristes, … aqueles que eram nulidades sociais e não tinham qualquer status mas que podiam ter reconhecimento com a morte, aqueles que tinham fraca auto-estima … e sentiam amargura da sua marginalidade, e que queriam tentar qualquer coisa para provar o seu valor”.311

Outros autores concluíram de uma forma geral o que foi referido anteriormente, contudo, com pequenas variantes.

A importância dos recrutadores/imãs religiosos (mesmo em casos, por exemplo da ETA, organização independentista) é fundamental na “finalização do processo” do terrorista. Contudo, importa referir que, conforme defende José Sanmartin, a família e a escola desempenham um papel de igual valor. O terrorista nasce de uma frustração pessoal e/ou social e politica profunda que leva ao sentimento de humilhação. O recrutador em muitos casos é o detonador, o orientador dessa frustração no candidato a terrorista.312

Existem vários ideólogos radicais que desempenharam um papel fundamental de “lavagem cerebral” em terroristas envolvidos em vários atentados terroristas no Ocidente, em particular: Abu Qatada, Abu Musab al Suri, Abu Hamza, Moneiral Messerey (imã da Mesquita M-30, em Madrid), Osama Ayub, Anwar al Awlaki, Omar Abd al Rahman (xeque cego).313

Peter Newman e Rogers Brook referem que os principais locais de recrutamento europeus para a militância islamista são as mesquitas (neste momento encontram-se mais monitorizadas pelas policias e serviços de informações), e as prisões, e por fim outros locais, como residências e centros de refugiados, assim como instituições de solidariedade social e as escolas, especialmente Universidades. Estes autores defendem que os recrutadores do movimento islamista procuram tirar vantagem de locais de recrutamento onde os indivíduos podem estar especialmente vulneráveis (“locais de vulnerabilidade”).

311 Lankford, Adam e Hakim, Nayab, From Columbine to Palestine: A comparative analysis of rampage

shooter in the United States and volunteer suicide bombers in the Middle East, Agression and Violent Behavior, 16, (2011), pp. 98-107 http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1359178911000036, consultado em 06 de Março de 2013

312 Sanmartin, José, El terrorista Cómo es. Cómo se hace, Editora Ariel, 2005, pp. 107-137 313 idem

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Para estes autores, os recrutadores têm um papel mais facilitado consoante o papel da comunidade muçulmana em relação à violência (não se verifica na Europa). As organizações que funcionam como porta de entrada, como o Tabligh Jamaat, entre outras têm um papel fundamental no recrutamento. Por outro lado estes autores referem os imãs radicais, porque tiveram um papel fundamental no recrutamento, contudo após os atentados de 11 de Setembrode 2001, devido à pressão das polícias encontram-se muito menos imãs radicais. Os ativistas são o terceiro tipo de atores envolvidos no recrutamento. Os ativistas são os “empresários”, isto é, para estes autores, são aqueles que incitam à militância islamista, procurando candidatos a terrorista para saciar o seu “espirito empreendedor” da jihad.314

314 Neumann, Peter R., Brook, Rogers, “Recruitment and Mobilisation for the Islamist Militant Movement

in Europe”. King`s College London, 2007, in http://ec.europa.eu/home- affairs/doc_centre/terrorism/docs/ec_radicalisation_study_on_mobilisation_tactics_en.pdf., pp. 33 a 65, consultado em 11 de Maio de 2013

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