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1.2. KÜLTÜRÜN ÖĞELERİ

1.2.3. Tutumlar

2.2.5.6. Diana Pheysey’in Sınıflaması

Com a democracia deliberativa de Habermas (2011a, 2011b) é aberto um precedente procedimental que integra as formas de comunicação racional oriundas do mundo da vida, sendo este compreendido como composto teórico que inclui a sociedade, cultura e personalidade. Consequentemente, abrem-se concepções teóricas e pragmáticas que questionam a operacionalidade do modelo deliberativo. Se o vínculo procedimental é articulado dialogicamente com múltiplos atores, como serão pautadas

as principais questões no debate político, econômico e social? Se o ideal deliberativo é estendido a todos, como organizar um fluxo comunicativo que respeita a orientação pelo entendimento racional? Como os espaços públicos (onde se desenvolvem os discursos) podem ser estimulados e representados para influenciar no processo deliberativo?

Essas questões não são resolvidas por meio de uma estrutura unidimensional. A articulação com a sociedade é obtida num quadro dinâmico de diálogos e mecanismos interacionais que potencializam a formação da opinião pública na sua natureza menos institucionalizada (HABERMAS, 2011b). Isso não exclui que a informação comunicativa, por meio de sucessíveis discussões, seja integrada em processos institucionais subsequentes. No entanto, a estrutura dialógica possui como ponto de partida a articulação cotidiana.

Com isso, atingimos o núcleo do paradigma procedimentalista do direito,

pois a “combinação universal e a mediação recíproca entre soberania do povo institucionalizada juridicamente e não institucionalizada” são a chave para

entender a gênese democrática do direito. O substrato social, necessário para a realização do sistema dos direitos, não é formado pelas forças de uma sociedade de mercado operante espontaneamente, nem pelas medidas de um Estado do bem-estar que age intencionalmente, mas pelos fluxos comunicacionais e pelas influências públicas que procedem da sociedade civil e da esfera pública de política, os quais são transformados em poder comunicativo pelos processos democráticos (HABERMAS, 2011b, p. 185- 186).

Assim, convêm questionar como o Terceiro Setor, por meio das entidades filantrópicas, pode interagir para fomentar a potencialidade dialógica do modelo deliberativo. Uma possibilidade é inclui o Terceiro Setor dentro das interações dialógicas promovidas na esfera pública de discussão. Na concepção de Habermas (2011b), a esfera pública possui uma função essencial no âmbito da estrutura democrática.

Tratamos a esfera pública política como se fosse uma estrutura comunicacional enraizada no mundo da vida através da sociedade civil. Este espaço público político foi descrito como uma caixa de ressonância onde os problemas a serem elaborados pelo sistema político encontram eco. Na perspectiva de uma teoria da democracia, a esfera pública tem que reforçar a pressão exercida pelos problemas, ou seja, ela não pode limitar-se a percebê- los e a identificá-los, devendo, além disso, tematizá-los, problematizá-los e dramatizá-los de modo convincente e eficaz, a ponto de serem assumidos e elaborados pelo complexo parlamentar. E a capacidade de elaboração dos próprios problemas, que é limitada, tem que ser utilizada para um controle

ulterior do tratamento dos problemas no âmbito do sistema político (HABERMAS, 2011b, p. 92).

Nesta perspectiva, a sociedade civil, através do espaço público, aciona os “ecos” que envolvem os problemas do fazer-político nas escalas locais e ordinárias. Recupera- se, aqui, a interface sociológica que une o Terceiro Setor à sociedade civil. Para Fernandes (2005), a legitimação das organizações do Terceiro Setor perpassa pelo reconhecimento da participação cidadã no fortalecimento de uma sociedade solidária e preocupada pelo bem coletivo. Portanto, essa análise considera que é necessária uma visão integradora da vida pública, incluindo articulações com comunidades locais.

Por definição, o Terceiro Setor não é capaz de regulamentar-se segundo normas de aceitação universal. Constituído pela multiplicidade dos indivíduos, grupos e instituições, carece de mecanismos de representação geral. Não há, em seu interior, quem possa falar e agir em nome de todos. É pelos mecanismos e pela simbologia da representação política que a autoridade legal se faz valer. Mas ainda, vocacionado que é para os objetivos coletivos, interessa ao Terceiro Setor, em princípio, que o Estado seja o mais eficaz possível na execução dos serviços públicos. A cobrança de ações do governo é uma das atividades características das ONGs (FERNANDES, 2005, p. 31).

O Terceiro Setor, aqui representado pelas ONGs, possui o dever público em legitimar e criticar as ações do governo instituído. Desde a redemocratização brasileira, com ênfase na carta constitucional de 1988, os atores políticos e econômicos não são representados unicamente pelas empresas (mercado) ou pelas entidades públicas estatais (governo). (TENÓRIO, 2008a). A ascensão do Terceiro Setor, como elemento privado de interesse público, torna o sistema democrático mais fortalecido, pois a sociedade civil encontra novos meios de difusão dialógica que vão além da dicotomia privada e pública (FALCÃO, 2005).

Assim, é concebido um modelo sociológico que instiga a formação de novos espaços públicos de discussão. A definição negativa do Terceiro Setor, que é recorrentemente reconhecido pelas características não-estatal e não-lucrativo, condiciona o debate institucional para um fim eminentemente público (FALCÃO, 2005). Além disso, a visão do Terceiro Setor é formada por propostas ativas, que vão além do contexto sociopolítico e econômico da atualidade.

A razão das ONGs, fundações e associações não é nem o poder nem o lucro. A razão de ser é a possibilidade – ideal, utopia, ou ilusão, não importa – de poder contribuir para solucionar alguns dos problemas brasileiros. Sejam eles sociais, educacionais, culturais ou de saúde pública. O foco de sua contribuição para a democracia é a solução. Ou, pelo menos, a esperança de solução. É a crença, realista ou não, de que o país pode dar certo. Construir a democracia é, pois, para o Terceiro Setor, propor soluções, assumi-las, e tentar implementá-las (FALCÃO, 2005, p. 160).

Ao falar de solução, o professor Joaquim Falcão (2005) tem como premissa o processo de problematização da realidade social. Nesse processo, são desenvolvidos meios dialógicos, com base micro ou macro realidades que identificam e propõem mudanças para as esferas privadas, públicas ou para sociedade. Aqui, cabe ressaltar a abordagem diferenciada das organizações do Terceiro Setor. No Quadro 2, observa-se, genericamente, como os três setores são caracterizados:

Governo (1º setor) Mercado (2º setor) Terceiro Setor Mecanismo

principal Estruturas democráticas Interações de mercado

Associações voluntárias Tomada de decisão Funcionários eleitos, administradores Produtores individuais, consumidores, investidores Líderes e membros Guias para

comportamento Regulamentos Preços Acordos

Critérios para a

tomada de decisão Política Eficiência Interesse dos membros

Modo de operação De cima para baixo Individualista De baixo para cima

Quadro 2: Abordagens combinadas entre os setores

Fonte: Adaptado pelo autor (KISIL, 2005, p. 137)

Esta série de abordagens, configurada por Marcos Kisil (2005), denota diferenças substanciais no agir do corpo institucional. À primeira vista, o conceito teórico do Quadro 2 é taxativo, pois organiza as categorias sem considerar a intermediação entre os setores. Em segundo lugar, a determinação ontológica dos setores, baseada em valores e definições simples, é irreal se for considerada a complexidade social e organizacional de cada categoria. No entanto, há algumas evidências ontológicas que podem ser analisadas.

A sustentação entre o modelo deliberativo e o Terceiro Setor é encontrada no

modo de operação e na tomada de decisão. O procedimento de baixo para cima revela

uma inversão da lógica do Estado (KISIL, 2005). Neste sentido, a comunidade e os cidadãos são protagonistas no desenvolvimento das ações do Terceiro Setor. Portanto, a teoria social habermasiana, que resgata o mundo da vida para o palco central da racionalidade sociopolítica, é vinculada ao ideal procedimental do Terceiro Setor.

Esse vínculo não é instituído de forma arbitrária. As organizações do Terceiro Setor não devem ser vistas como agentes externos a realidade local. Ao contrário, a composição dos seus membros e voluntários reflete o seu campo de atuação através da incorporação dos debate sem torno de perspectivas sociais.

Recentemente, na América Latina, os governos têm mostrado maior abertura para apoiar a cooperação entre os grupos de cidadãos que são parte do Terceiro Setor. Uma razão para tal comportamento é que a provisão dos serviços públicos pelas agências de governo pode ser facilitada por informações mais precisas e representativas sobre as necessidades e prioridades atestadas por organizações da comunidade local, bem como por sua ação articulada potencializam a ação governamental (KISIL, 2005, p.138).

A intermediação com a comunidade e com o governo gera um espaço público de discussão. De acordo com o sociólogo alemão Axel Honneth, espaço público é definido

como “o domínio social na qual são incluídas todas as instituições dentro das quais a

opinião pública é formada (...) esse situa o núcleo civil da sociedade a uma distância igual das esferas econômica e política da sociedade” (HONNETH, 1993, p. 20). Sob esse parâmetro, o Terceiro Setor é capaz de articular a formação de opinião pública com fundamentos discursivos das realidades locais. Além disso, a proposição e o desenvolvimento de intervenções sociais torna a cidadania mais ativa.

Enfim, algumas organizações do Terceiro Setor, por meio do diálogo construído com realidades específicas, podem ser agentes participativos no processo de deliberação política ou jurídica. Em sociedades complexas, a reconstrução da racionalidade comunicativa não se destina a componentes individuais ou à totalidade do Estado. Assim, as entidades que possuem entrelaçamento com a sociedade civil são elementos sociais que possuem força devido ao acesso as informações e simbologias. Ignorar esse potencial é desestruturar uma base sólida para constituição de uma democracia mais aberta e justa.